ethiopia_4_ima_000400, originally uploaded by xolorena19ox.
Naquela criança,
sempre com crença,
o choro.

Estampado!
Na face de um ser
abandonado
                        … à sorte.

No meio de tanta gente
está só.
Apenas acompanhado
pela esperança emergente na
                                                         … morte.

Por cada vida
que morre,
em nós,
a chama arrefece e o futuro perece.
É a espécie que se extingue.

Banquete!
Festim!
Para um flagelo
que cresce,
assim,
sem qualquer frete.

Memória!
Nutrida no sangue.
Inerte. Banal.
A vida ao desbarato.
Que escultura monumental!

Descem lágrimas
pelo rosto da natureza.
É o choro da terra!
Prece,
aos gritos de dor.
Aos pedidos de ajuda dos que esperam amor.
A uma pergunta, sentida,
suplicando mais um fulgor de vida.

A fome resiste
num rosto sem face.
A quantidade é trivial!

O esquecimento existe
nos rostos com face.
A morte é real.

E o choro? O choro persiste.

in Letras, Palavras e Linhas: Gestos pela diferença


DSC_3078 Waiting for food, originally uploaded by ۞ NYGUS.

todas as rectas têm curvas!

ou ângulos triangulares.
ou canais de tinta branca.
ou desejos parciais.
Porque será que não são minhas?

Ah! rasgos de relvas lilases …

todos os instantes futuros
serão passado.

ditames do fluir,
pois nada é cativo senão livre.

fundamentos da consciência?
o pensamento do coração.

a redenção não é opção. é escolha!

como a Luz,
a Bondade,
o Ser Universal
e o aceitar do Místico que nos faz no Uno.

O tempo é maior que o tempo humano!

in Interlúdios da Certeza

a obliquidade do olhar apaga-se.

no i_manifestado dos cruzamentos
os celeiros são amarelos!

e no acontecer
do deserto branco de coral,
trocam-se flores nos tabuleiros xadrezes.

só as torres de ébano tocam o Céu!

in Interlúdios da Certeza

“A linguagem é a efectividade do estranhamento e da cultura”
                                                                                                                  Hegel

Não comunicamos por imagens.
Mas por sons!

As palavras
são os instrumentos
de identificação e classificação dos sons.

A vontade de superar o real
é ascendente e descendente.
E as palavras permitem a expressão ao Eu.

Mas no diálogo entre a aparência e o Ser,
as imagens são as metamorfoses das palavras

Num baile das máscaras
é fácil esquecer a identidade,
confundir a existência
e sucumbir aos encantamentos.

Ultrapassar o labirinto é possível.
Regressar à origem é crescer.
E aí, o Homem, desenvolve-se poderoso.

Na transcendência da linguagem edifica-se o cosmos humano.

in Metafísica [Poética]

 

A origem deriva de cinco pontos,
todos eles
nascidos das liberdades
                                              [sensoriais].

A fusão com a paisagem é
o sentido da obra, a razão de fazer
existência.

Solo. Ser. Homem. Estrutura. Arquitectura.
Tudo é conjugável.
Tudo é [meio]
                          - ambiente.

Só os cinco são a autenticidade.

in Odes & Homenagens

 


LE CORBUSIER - Firminy (Loire), originally uploaded by gilfirm.

índigos de luz do acontecer,
todos os céus são azuis!

os de terra,
os de água,
os de ar
e os de fogo.
principalmente os de fogo!

                Incontáveis instantes passaram
                na permanência dos de feição ocre,
que no inóspito persistem intactos,
                incólumes ao tempo e ao contacto.

Jamais houve sujeição!
                E são inarráveis as tentativas.

A coerência fá-los pertença
                do ambiente natural.

                Aí são unos.
                Aí serão incessantemente perpétuos.

                No universo tribal de Damaraland!

Adoráveis,
Bonitos,
Coloridos,
Distintos,
Especiais,
Fabulosos,
Galvanizantes,
Honestos,
Intemporais,
Jubilosos,
Livres,
Mágicos,
Novos,
Opulentos,
Partilhados,
Queridos,
Responsáveis,
Sinceros,
Tentadores,
Únicos,
Variados,
Xpto’s,
Zodiacais.

És uma sucessão de momentos inesquecíveis!

 

in 30 Mensagens de Amor e Uma Recordação

como esquecer (-te)?

vejo.
porque és luz.

sinto.
porque és calor.

vivo.
porque és amor.

entrego-me.
porque sou livre
                                 … e teu.

Samburu, Quénia 2001, originally uploaded by vfswa.

Num misto dourado, púrpura e lilás,
as estepes são!
E as savanas,
nuas e cruas,
são os portões da natureza.
Onde o alcance permitido,
vastíssimo,
preenche o universo dum coração desprevenido
pela súbita comunhão com a própria vida,
no regresso ao berço da existência.

Num misto dourado, púrpura e lilás,
as cores e os odores
inflamam a paixão do querer
e a vontade de ser uno,
na origem do tempo e da criação.

Num misto dourado, púrpura e lilás,
despercebidos,
os horizontes entrelaçam-se.

E neles somos submergidos,
num misto dourado, púrpura e lilás.

in Geografia e outras Circunstâncias

Ao ver-te,
tão serena,
naquela fotografia
fiquei,
desprotegido,
desesperado.

Foi inesperado!
O que estava encerrado
foi desenterrado.
Outra vez recordei
tudo aquilo que, por ti,
sempre senti.

Sosseguei!
Ter-te,
é algo que nunca alcançarei.
Eu sei!
Mas sou agradecido
pela magia
desta sensação:
És uma fotografia,
viva,
no meu coração.

in √81 = IX ?

Ao concedido
deixamos de ligar.

Não apenas ao ínfimo,
mas conjuntamente ao todo.

E o corpo manifesta-se atroz.

Apercebemo-nos
das convulsões em redor.
A magnitude é
                                indisfarçável.
Mesmo assim,
permanecemos alheados.

Escolhas sem querer
para quem desdenha poder,
                                                        evoluir.

A obra criada
enfrenta a do Criador.
Não deseja união,
somente suplantar.

No aparente futuro,
emerge a regressão.

aos olhos do Criador,
nada sou.

aos olhos de meu semelhante,
mais não sou.

a fonte sentida e pensada,
berço das águas e ondas de luz eterna,
procuro.

Talvez …

breve faúlha,
na imensidão do espaço do
                                                    tempo.

in Interlúdios da Certeza

“A fé move montanhas”.

Mas,
como é desprovida de razão,
também as arrasa.

 

in Deuses, Homens e o Universo

Ó vã ilusão que persistes.
Foste sonho desejado
mas és anseio abandonado.
O mundo não consigo mudar!
Apenas os interesses são.

E os insignificantes sempre o serão!

in Letras, Palavras e Linhas: Gestos pela diferença

Olhuvelli wsea 2007, originally uploaded by vfswa.

Turquesa!
Azul!
Verde!
Branco!

Na paleta viva,
até o calor é submisso:
Um ameno alaranjado

Submerges no paraíso das cores.
E na transição,
os corais aguardam.

O éden é água e terra!

Na fronteira das horas,
no ponto iluminado,
o guardião aparece.

Deslizando majestosamente,
uma raia acena.

Respondemos respeitosamente.
Já inteiramente rendidos
às saudades que não compreendíamos
mas que ainda hoje transportamos
e recordamos.

O reino do azul é esplendor presente em nós,
águas da memória purificada.

in Geografia e outras Circunstâncias


Olhuvelli west beach 2007, originally uploaded by vfswa.

 

Num sonho profundo desejo repousar,
se,
por ele,
puder chegar

ao mundo do mar.

Riachos derivam puros
elaborando a arquitectura de ser
cadência,
na fluência do imenso

Nos eixos perpendiculares das chuvas
permanece o devir
humano
e as possibilidades
                  frivolamente rasgadas.

                  É nas nuvens que acalma o diálogo
verde azul de existir
                  e o nexo dos sonhos áureos
                                      nos grãos intemporais.

Ocas utopias de intemperança!
Ruge o condão prateado do regresso
na melancolia cantada
                  pelo que não foi expirado.

E o caminho das luzes
remanesce
a constante a seguir
na abundância do que foi …
                                                 … e há-de vir.

Águas do conhecimento.
Ilusões cartesianas.
Entropia em espasmo.
Dialécticas de esperança.

Milagres de subsistência quotidiana.

in Interlúdios da Certeza

Aqui escrevo
e os pensamentos liberto.

Em vão!
No papel branco
não resistem.

Persistem,
nesta imensidão,
frágeis e difusos.

Sem nenhum rumo,
orientam-se.
Sem qualquer prumo,
sustentam-se.

Subsistem,
porque originados na mente.
Transpostos,
permanecem incorpóreos
no rasto das utopias.

Tudo é incerto.
E eles são,
no vazio,
fátuos.

No entanto,
transmitem
uma sensação de beleza.
Ágeis,
mistificam-nos!
Confusos,
identificam-nos!

Assim …

Traços!
Soltos!
Na mais plena incerteza.

 

in Espelhos e outras Faces

O desejo pediu.

Apareceste como um encanto,
neste Inverno,
doce brisa.

Com esse teu manto
quente e suave
protegeste-me.

Uma noite terna
e tranquila
ofereceste-me,
pois, com essa aragem de Verão,
o frio fugiu.

A solidão também partiu.

Breve vieste,
fugaz partiste.

De ti, pouco ficou.
Mas o mundo mudou!

Terás sido ou existido?

Foste imaginação
ou apenas um sonho
num anseio do coração?

in √81 = IX ?

Creta 04, originally uploaded by vfswa.

Em Creta,
ouço o silêncio chamar.
E na beleza dos seus sons,
deixo-me embalar

Em Creta,
são dois os horizontes:
O azul denso do mar
e o azul claro do ar.

Em Creta,
o suave ondular do mar
contrasta com o poder dos montes
que as nuvens conseguem tocar.

Em Creta,
a luz manifesta os seus odores:
Desde o amarelo ao amanhecer
até ao laranja do entardecer.

Em Creta,
na noite escura como o bréu,
apenas o manto de estrelas
distingue a terra do céu.

Em Creta,
ouvi o silêncio chamar.
E pela pureza dos seus tons
permito-me suspirar.

in Geografia e outras Circunstâncias

Uma simples abstracção
é criação.

TUDO É LUZ !

“Ser Homem é tender a ser Deus”
                                                                        Jean-Paul Sartre

Só quem foi mortal
poderá ser mais.
Mas tal possibilidade
é impraticável na mesma viagem.

Apenas pelo ritual
                                     da passagem
a transcendência acontece.

Sempre em tempos diferentes.
Sempre na esperança de recordar.

Tudo pelo desejo de ser
                                             livre.
Ilimitadamente
                                Livre.

in Metafísica [Poética]

no retiro das semibreves,
sou banhado pelos raios de luz
que serpenteiam as savanas roxas.

onde o verbo inexprimível
é visão concretizada
no palpável das espirais da aura.

tudo conflui na melodia
dos sentidos cardeais
e dos interstícios das partituras vazias.

a coesão das partículas estremece
e a rapidez dos electrões adormece.

fractais e outras ondas
constituem-se renovadas.

e expurgam-se as falências humanas,
essas pequenas imanências
que estruturam o âmbito celeste.

in Interlúdios da Certeza

Homens e mulheres,
apesar de pertencermos a uma só espécie,
somos,
todos diferentes.

O sexo não é diferença.
É nosso perpetuar,
e o que está por alcançar.

Multiplicidade,
isso sim.
É a principal identidade
da nossa individualidade.
Enfim,
traduzida em cada personalidade.

Homens e mulheres,
somos também
todos iguais.
Em quê?
Na condição e na natureza humana.

Todos nascemos, erramos e morremos.

in Letras, Palavras e Linhas: Gestos pela diferença

Deep Space, originally uploaded by John Griffiths.

Tudo que vive, vibra!
Tudo tem uma assinatura.
Nada é indistinguível.

Tudo emite frequência
num ritmo individual.
Tudo tem comprimento de onda
na totalidade universal.
Nada é indecifrável!

O universo não está só!
É um entre outros.
Dimensão
                        entre dimensões.
Par,
           entre gigantes
                                         e anões.

Tudo está interligado.
Tudo tem trânsito e ligação.
Nada é separável!

Há portais e passagens.
A vibração é a fechadura.

A chave? Intensidade.

O resto? Pura possibilidade.

in Deuses, Homens e o Universo

Amo ser amado.
Porque ser sem ser amado
não é ser,

é ser sem viver.

Amo a dor do amor.
Porque amor sem dor,
não é amor,

é sentimento sem fulgor.

Amo o teu respirar.
Porque respirar sem o teu respirar,
não é respirar,

é expirar o respirar.

Só,

amo,
sinto
e sou,

ao ser amado por ti.

in 30 Mensagens de Amor e uma Recordação

Dizem
que uma imagem
vale mil palavras.

Mas
as palavras são eternas
e a imagens
efémeras.

As imagens,
aumentam o imaginável.
E as palavras?
Apenas
sustentam o perdurável.

Sem elas,
como se poderia
explicar as imagens?

in Espelhos e outras Faces

U2
Aviação               Música
Culto

Pop
    Arte                Warhol
Museu

 

in Pensamentos e Reflexões Poéticas

Capitalismo!
Comunismo!
Socialismo!
Fascismo!

Cristianismo!
Islamismo!
Judaísmo!
Budismo!

Idealismo!
Realismo!
Oportunismo!
Consumismo!

… Ismos!
E o homem?

in Deuses, Homens e o Universo

Blue Moon and the Christ, originally uploaded by Imagem Compartilhada.

Ó Princesa dos Astros!
Ó Senhora das marés!

Nos teus domínios me aventurei
e no teu manto prateado me banhei.
Enquanto caminhei, a tua face nova vi!
E, quando naveguei, a tua face cheia vi!

Agora que a casa regresso,
isto é o que te peço:
Que a tua luz seja crescente
e a tua sombra minguante.

Faz deste pedido um dos teus desígnios!

in Geografia e outras Circunstâncias

Da união
entre a tinta e o papel,
nascem os traços.

Desunidos ao início,
são pelos sentimentos do coração
entrelaçados.

Unidos,
revelam o ser
e sustentam o crer.

Na união entre a tinta e o papel,
o poema é vida
na mais incerta certeza de ser conseguida.

in Espelhos e outras Faces

Sofrias!
A dor era visível!
Anos passaram
e ainda sofrias.
Foi por estes dias
que a tua mãe morreu.

Lágrimas no teu rosto nasciam!
Lágrimas,
que para o meu coração,
vertiam.

E eu,
perante o que via,
sabia
nada poder fazer,
nada saber dizer,
nem como te aliviar.
Disso tenho noção!

Mas,
se quiseres,
posso ouvir.
Ou, apenas, os teus cabelos afagar.

Queres,
se for possível,
comigo repartir?

Queres ensinar-me
o que sentir?

in √81 = IX ?

És tu.
Nós, vai acontecer.
É forte demais para mim
e intenso demais para ti.
A sedução,
o desejo,
a tentação,
o prazer,
a sensação.
E o medo?
Medo de ser verdade.
Que esta atracção
que não cessa de existir
continue permanentemente a crescer.
Querer.
Ai meu Deus,
que vontade de te ter.
Como descrever,
o que pode realmente haver.
Pelo viver?
Pelo sentir?
Não tenho dúvidas,
és tu,
o meu ser.

in 30 Mensagens de Amor e Uma Recordação

Cortes inexistentes
proclamam avisos sonoros,
éditos de constância inócua:

tudo deve ser igual
porque a mudança é irreal.

e joga-se o germe na saliva
quando a campainha vibra.

estranho destino futuro,
a genética manipulada.

ainda somos primatas?
ou simples reflexo descondicionado?

in Da Natureza e Afins

nas janelas da bruma das palavras
ecoa o amanhecer do poente.

nesse espaço reside o pulso.
no nada da presença
ou no tudo do ser,
harmonia.

e simples sopro
na vida

in Odes e Homenagens

À noite, só os gatos são pardos.

E,
nas telas com cores densas,
os olhos estão extintos.

Que expressam tais visores?
Desespero?
Fome?
Ou inexistência?

O legado ficou.
Nós também.

                                Mais sós!
                                Mais pós!

in Odes e Homenagens

Nada é imutável.
Tudo é mutável.
Tudo é transformação.

O Ser é o vector da cadência,
a entidade fluida
no irradiar do multiverso.

Nada é impossibilidade.
Tudo é possibilidade.
Tudo é evolução.

in Metafísica [Poética]

Hoje é ponto de passagem,
entre o vir e ir que se sucede.
É dia de festejar!

Relembro o passado.
E neste escrito presente
ouso pensar no futuro.
Será que alguém saberá?
Será que algum dia importará?

Para o caso do acaso ocorrer,
aqui vai o que vai acontecer:

Estou consciente que serei
quando já não for.
Breves momentos terei.
Meros instantes de torpor.

A escrita deu som ao meu grito
neste mundo de paredes
que, persistentemente, não escutaram.

Desbravei paisagens na tinta
derramada inconscientemente.
Tristeza? Nenhuma. Nem pinta!

Avivar folhas era o meu rito.
Era como um tecer redes.
Infelizmente, pouco alcançaram!

No entanto, este verbo não foi ilusão.
Era tudo. Plena concretização!
Foi o descrever das visões
deste universo de sensações.

Fica por aqui esta mensagem.
Hoje é dia de aniversário.
Assinalado no calendário!

Os chuveiros de luz aguardam.
Balançam serenamente entre os espaços
que fazem as folhas e os ramos.

Vou tomar banho!
É assim que quero celebrar.

in Interlúdios da Certeza

Nações! Raças!

Palavras vãs e fracos credos.
Fúteis criações do homem,
promotoras de divisões,
ameaças e medos.

Brancos, amarelos,
vermelhos ou pretos,
não importa nem interessa.
Somos da mesma espécie!

E não somos daqui ou dali,
deste ou daquele.
Somos filhos da Terra
e vivemos no mesmo lar.

Antes de ser branco, amarelo, vermelho ou preto,
o homem é espécie!
Antes de ser cidadão,
o homem é homem!

E não pode ser homem ou cidadão
se continuar a desrespeitar a terra.
Porque o lar da espécie é o mundo!
Que morre, lentamente,
                                                 entre as disputas das nações e das raças.

in Letras, Palavras e Linhas: Gestos pela diferença

No supervision will rise again.
Except the Sun.
                                 Until next night.

Is light concrete
or mere rotation achievement?

Does the sky really change?

Beyond the edge
dark matter rules.
We are a sheer blue dot
surrounded by the vastness of evolution.

If we consider everything
                                                    where’s our significance?

Complete
circumstantial absence.

in Substance(S)

Foz 4-14, originally uploaded by Paulo Loureiro.

Ó promontório artificial,
permaneces imóvel
no incessante vaivém das ondas
que te afagam
                             as pedras
                                                há muito colocadas.

Os elementos
fustigam-te sem cessar:

Águas
                de dois sabores,
ventos
                dos quatro cantos
e até o Sol
                     é erosão.

Impávido,
deixas-te estar.
Nunca suspendes a protecção!

A vida não te larga.
E, por tua causa,
                                 os sentimentos são contínuos.

Mas até quando serás certeza?

in Geografia e outras Circunstâncias

Atacador do universo,
a tua presença não
é vista mas sentida.

Apenas no abraço
estendido, permites
alguma luz. E nem
esta te escapa.

És temido e brutal,
mas sem ti não éramos
ou somos.

Sustentas,
o sigma nas orlas.

E comprimes.
E nós, cumprimo-nos.

in Da Natureza e Afins

Gotas
no oceano da humanidade.
Ondas sensoriais.
Ventos de luz.

Diáfanos plasmas fluem
nos alicerces do centro do ser

Palavras inaudíveis,
beijos trocados
na ternura do permanecer.

Mera intermitência,
entrego-me,
incondicionalmente,
à tua pertença.

Mulher!
Mãe!
Futuro!

in √81 = IX ?

Penso em ti
e parece
que tudo aquilo que é
e não é
acontece,
existe
e permanece.
Simples
e selvagem,
tal e qual a natureza
plena de sensação,
cuja mensagem
perfumada em pureza
é uma visão
de tanta beleza,
que o meu ser
agradece
esta tua dádiva
que a minha vida
enriquece,
e o Meu Teu
enaltece.

in 30 Mensagens de Amor e Uma Recordação

Párias algures ancorados
relembram dissonâncias acústicas
nos sons invocados pela memória
dos lugares onde outrora
                                 tenuemente pertenceram.

Desgarrados sem limites,
respiram amplitude.

Porque sussurram pelas amarras?

Já não habitam o verbo.
Nem a “Luz do poema”
ou o mar que nos atinge.

Choram!
Sabem agora onde o poema vive.

in Odes e Homenagens

Pleiaden, Plaiades M45, originally uploaded by ocupado.

Lá,
onde os Deuses vivem,
não entrarei.
Nem desejo ver tal morada!

O meu lar terá outra entrada.
Pois nasci homem
e morrerei pó.

in Deuses, Homens e o Universo

Penso que penso que não penso.

Penso no grito. Meu! Mudo!

Penso que não existo só quando penso
porque existo quando não penso.
Penso que não importo
porque não importa o que penso.
Penso no sonho
porque sonho o que penso.
Penso que sou o que não sou
porque o que sou não penso.
Penso que conheço
porque desconheço o que penso.
Penso no que não digo
porque digo o que penso.
Penso no mundo
porque o mundo não é o que penso.

Penso que não penso o que penso.

Penso no que continua mudo.
A vida! O futuro!

Penso no que não ouso.

Viver?
Sobreviver!
Eis o que penso!

in Pensamentos e Reflexões Poéticas

“A ciência é apenas uma verdade. A outra é a fé”
                                                                                             Novalis

O uno é divisível!
Em dois,
em quatro,
em vários.

Mas, sem realidade e espírito
não há verdade.
Todas as suas partes
só o são se encaradas em si.

O uno é o todo!
Fora do todo, só o vazio.
E o vazio
                    é o espaço onde o todo se expande.

in Metafísica [Poética]

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