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Entrega

girl-in-the-darkness-with-rays-of-lights-on-her

(https://pt.pinterest.com/pin/530087818625330800/)

.

Pensei que era no horizonte.

Julguei ser sombra nas vestes do tempo
ou a luz que destapa os cumes.

Julguei ser. Mas sabia-me exíguo.

Hoje?
Sucumbo à plenitude das tuas curvas
na ténue esperança

                                         de me perder!

Thought I was on the horizon.

Thought I was a shadow in the vestments of time.
Or the light that discloses the summits.

Thought I was. But, I knew me exiguous.

Today?
I succumb to your’s curves fullness
in the faint hope

                                                               of losing myself in you!

in Espasmos


(e)Namorados


Deep Forest Studies #4, originally uploaded by -: Al Bell :-.

.

.

!

raizes acontecem com fervor
no florir das buganvílias em saudade,
janelas abertas ao canto desejado.

e sente-se o manto lavanda do amor
que nutre as árvores do coração.


Acontece Poesia


Beyond The Sea, originally uploaded by Bill Adams.

 

Acontece poesia em ti
sempre que olhas,
afirmando uma vida pulsante,
magnífica,
como
o cintilar das Estrelas no céu,
o resplendor brilhante do Sol
nos teus doces
e meigos olhos.

Acontece poesia em ti
sempre que ris,
criando umas curvas no rosto,
sensuais,
como
os campos de searas ao vento,
as ondas nas águas de um lago
ao sabor da quente
e harmoniosa aragem do Verão.
 
Acontece poesia em ti
sempre que andas,
alimentando o nascer de sentimentos,
sinceros,
como
o delicado desabrochar de uma flor,
o despontar do amanhecer da vida
no enternecido ser
do meu coração.

Assim,
quando
eternamente te penso,
te sinto,
te vivo,
por fim
acontece também
poesia em mim.

in 30 Mensagens de Amor e 1 Recordação


No Corpo de Gaia

circled, originally uploaded by hkvam.

 

desejos latentes no etéreo
abrem-se paradoxalmente ao templo que se encerra.
as pálpebras das estrelas permitem brilho
às fendas escuras do horizonte,
sinalizando o trilho para o destino das almas.

há algo triste na tarde que se entrega,
mas toda a energia é panorâmica
e deixa um leque de sangue nas vestes amarelas.
nem o vento que arrefece as savanas
afronta essa dádiva onde pulsa carne divina.

espíritos animam os seios de Gaia
podando as auréolas dos cumes sagrados.
e chamas são erigidas nos altares,
louvando o corpo que soçobra em choque.

no limite da exaustão,
as danças produzem melancolias piroclásticas
que envolvem os membros despidos,
invocam sete palmos de água descendente,
refrescando os fragmentos ígneos da raiz da terra.

o movimento da miriápode celebração
igualmente avoca a presença dos druidas.
diversas fracturas são infligidas no Ânima.
e a ara fixa-se no pulmão da sutura,
velando pelo oxigenar das sementes de fogo:
quando o novo amanhecer acontecer,
aqui reflorirá o cântico do equinócio.

tenro é o período das ondas de renovação
mas sangue terá que correr para que outra seiva possa ser.
e o corpo desenterra-se da erosão imemorial do tempo,
anunciando o aligeirar do afélio interior.
vagarosamente, a trindade cêntrica estremece
despertando o poder da potencialidade absurda:
Energia, Espírito e Alma vibram para a plenitude.

ocorrem avisos anamórficos da auto-regulação
cuja amplitude devia chegar aos inquilinos desrespeitadores.
mas a atitude hodierna prevalece intocável
e não há consideração pelo que nos foi oferecido.

num provir isócrono que se gera por si só,
reavivados sussurros soltam o teleológico antigo
demonstrando a existência da ecosfera primária.

soam as horas atrozes do crepúsculo púrpura!
o tronco materno ruge sereno:
as águas sobem e os ventos ventam estranhamente,
desfraldando as abas do éter interior da cosmogonia holística.

o ente imenso recria-se para sobreviver ao impacto humano
e convulsões orgânicas surgem abruptamente desta cisão.
mas a semente da luz aguarda no ventre da Mãe terra.
uma nova dignidade emergirá e novas mãos a seguirão

nova era de esperança no respeito da lembrança.
em união omnisciente, no corpo de Gaia.


Cadências


Under a Pink Sky, originally uploaded by idashum (away).

 

o crepúsculo liberta as almas selvagens
como se o leito das amazonas sobrevivesse sem magnólias leves
ou se a recordação das lavadeiras da aldeia branca
dependesse dos sonhos das mulheres modernas.

o som dos lenços desdobrados faz as crinas densas do entardecer.
nesse manto despontam estrelas novas,
abertas ao momento do firmamento.

o céu que se eleva no horizonte
é o berço das águas sagradas em desfolhar.
e os dias são amplos membros em origem
que abrem os véus do tempo ao sangue das valquírias.

com as faces protegidas em armaduras,
as almas alimentam os estandartes escarlates
que afogam a expressão dos rostos.
e ninguém percebe as lágrimas da saudade,
fonte dos verões estivais e dos buracos negros
onde se projectam os símbolos do futuro.

o mutismo dos sinais propicia enredos em discórdia.
genuinamente, faz-se o sangramento das palavras
dificultando os sons das velhas alianças.
as bocas estão secas ao reconhecimento
quando o clamor dos corpos abafa os moderados.

eis que a logística do confronto torna as palavras incompletas
desunindo o amor pela natureza oposta,
sufocando os lábios dos sorrisos no ardor ao cumprimento entre iguais.

letras são fragmentos, parcelas das conversas
que outrora preencheram o convívio nas lajes da aldeia.
agora, outras deusas vigoram!
ufano, o sacerdote preenche o púlpito em júbilo:
– preparai as engrenagens das mecanizações hostis.

o culto da flebotomia inflamou os espíritos à loucura
e a exaustão da cegueira foi integral,
alastrando às investidas gretas na terra,
derramando o pulsar interior no vão da desumanidade.

assim adveio a época do rio de púrpura,
pleno de linfa viscosa,
onde naus são carruagens e as margens coral petrificado:
jaz aí a tolerância e a harmonia do paraíso.

mas o totem da energia primordial tem raízes no tempo.

ciente dos espasmos destrutivos,
o sábio plantou palavras em terra tenra,
num ângulo obliquamente pronunciado,
para que as magnólias surgissem num leque de lágrimas rejuvenescidas.

o tempo decorre na companhia da acção humana.

a redenção é uma semente escondida numa flor de música.
tal como é ténue a cadência da aragem,
a harmonia é uma brisa esquecida.

que permanece no raiar do jardim da esperança!


Encantamento


clouder, originally uploaded by Ash ..

 

a existência não é garante de dignidade quando o semelhante estremece.
mesmo em dias soalheiros há atitudes levianas.
olhos negam o viver da vida ou a comunhão em sociedade.
e no lar o tempo da paciência é escasso.
a distancia entre os elos aprofunda-se e os filhos chamam nas sombras.
o metal rege!
é conscientemente que se multiplicam as trintas.

perguntas o que é a poesia perante isto?

talvez seja um canto lúgubre?
ou um calendário para meditar o passado?

o todo perfaz o caminho do ser.
mas só nos revemos nos tempos áureos, onde fomos pujança gratuita.
até as lágrimas serão desperdiçadas.
é por isso que os lenços acompanham o futuro.
é por isso que a angústia é a grilheta dos que ficam.

como o tempo se sucede, nenhum espelho é uma superfície plana.
no entanto, existe um sereno aguardar:
a transfiguração do selo do presente

só aí o jogo lúdico da vida estará concluído.
e não haverá revelação. apenas alegria.


Paranóia


The Real Deal!, originally uploaded by ming mong.

 

a potência da impossibilidade faz-se sentir.
e na cabeça cria-se um ramo de constelações
que difundem a loucura ao limiar da imaginação,
eriçando as mandíbulas que usam os filamentos do calçado
como se um bordado em lãs de mármore não fosse um luxo.

pelo caminho iluminam-se os traços da memoria
que combatem furiosamente as metástases da escuridão,
na ofuscante balística dos dedos projectados.
mas a autonomia é curta e a cura é uma demência pontuada
por um utensílio cónico descompassado.

nem a lógica clarifica o delito da ausência de poros
capazes de captar a linha voltaica adscrita ao arrebatar do som.
também nos cilindros impera o mutismo da ferida ressacada.

é então que surge a dúvida: é dia de teste?

todo o universo craniano se revolve, arremessado,
ao sabor dos espasmos dos neurónios surpreendidos:
ah, a fabula animal é uma elegância!
e o instinto é subjugado pela emoção aromática das feramonas,
iludindo o contacto intra-espécie da excitação.

desprezar a capacidade química não é aconselhável.
qualquer estereotipo revelar-se-á inadequado.
no momento da rebelião, só a água acalmará as sinapses
revigorando os influxos que fazem as pontes das margens rachadas.

pode até ser que as membranas se desconectem de propósito.
porém, sentidos que se enclaustrem abrem novas portas
onde a propagação perdura enleio espontaneamente desencadeado,
nos contornos dos estímulos paliativos.

os dedos já o haviam experimentado.
só agora o nervo preguiçoso reage, socorrendo-se da velocidade do pensamento.
mas a combustão degrada a personalidade alimentado a cinza do cérebro.
eis porque a massa cinzenta é um organismo semi-vivo
– gerador de cosmogonias alternativas que decoram o ser conceptual –
que involuntariamente propicia a perdição.

a impotência da possibilidade não é ilusão!
a dúvida entrincheirou-se. todas as tentativas serão frágeis.

excepto para as vastidões inexploradas da paranóia.


Angkor


Sunrise at Angkor Wat, originally uploaded by kees straver.

 

O esplendor de milénios de civilização,
no correr do tempo,
esvaneceu.
E a natureza reclamou o que era seu!

No silêncio, o espírito descansou.
Os deuses e a essência em si reuniu
e na imensidão,
um novo coração fundiu.

Ressurgido da pureza,
com um renovado fulgor voltou.
E de novo,
a beleza
brilhou!

 

in Geografia e Outras Circunstâncias


en_CRUZ_ilhadas

Crossroad

.

a obliquidade do olhar apaga-se.

no i_manifestado dos cruzamentos
os celeiros são amarelos!

e no acontecer
do deserto branco de coral,
trocam-se flores nos tabuleiros xadrezes.

só as torres de ébano tocam o Céu!

 .

in Interlúdios da Certeza


Ternura Azul


Silver moon, originally uploaded by Spy to die 4.

 

depois do fragor do ruído
a memória da conquista é breve.

sobra a espuma nas conchas
em momento de nudez
                                                     luar.

ondas lisas em prata
no silêncio do mar.

nesse sonho repousa o búzio,
em teu nome,

murmúrio.


2010

Feliz Ano Novo!

 

(em Tolerância, Amor, Harmonia, Luz e Paz!)


Nunca Acordo


Leaves & Sky, originally uploaded by stribs.
 

nunca acordo quando as brisas transcendem o sonho em amor.
relaxo, no embalo da cama de rede do êxtase sereno.
no sustento dos braços da amada queda-se a protecção da existência.
note-se a atracção mútua dos corpos!
mas as árvores continuam a desafiar a gravidade,
erguendo-se para o abraço dos céus.

há algo de deslumbrante
quando os dedos de anil transparente embalam as folhas em ternura.
é assim que os ramos hirsutos se renovam em verde vivo,
elevando-se como arquipélagos que abraçam a orla do mar celeste.

foi no principio que o verde se enamorou do azul!

desde então,
entrelaçam-se nas linhas do horizonte em afagos graciosos
que mergulham nos pomares laranjas do poente,
onde, no encurvar do sono, repousa a paixão.

nunca acordo quando as brisas transcendem o sonho em amor.
apenas me entrego ao assombro,

                                                                                 no espanto por ser!

 

in Anima Temporis


Somos poesia

 

outrora foi contemplado
o momento para o qual fomos criados.

exultando,
correntes cósmicas reúnem-se
para o semear de cometas dourados.

tempos conjugam-se na linha em amor
e o azul amplia o horizonte,
onde safiras transparentes compõem as lágrimas das estrelas.

as constantes partiram em paz
e todos os corpos celestes rejubilam em silencio.

na pirâmide mística da evolução
o altar, decorado com pérolas flamejantes,
aguarda o consagrar dos votos.

Beijo em teu coração.
A noite virá mais serena.

Beijo em teu imenso ser.
O sol trará outro dia.

somos poesia dos deuses,
verbo da Luz.

 

 

(jamais seremos sós!)


Aguarela

 

dei asas ao manto denso da noite.

para que o silêncio caísse nos braços da luz
e os véus não circunscrevessem os riachos.


Renascer

 

o tempo,
sensorial e não só,
é uma dádiva porque provém do Ser e de ser existência.

talvez tudo derive da fonte hermética e todos os dias o universo se pense.
talvez a consciência (des)fragmentada na fluidez do movimento
aconteça no piscar dos sonhos,

onde somos água em evolução!


Desnudez

The Shell, originally uploaded by G a r r y.

 

no embalo da voz interior,
a desnudez das palavras.

no dardejar do manto verde,
brisas azuis em lágrimas.

a luz em sombra submerge o moldar do abraço recíproco.
nesse poente,
nuvens de cardos ruborizados e papoilas púrpuras
soltam as flechas douradas do amor.

sim!
no embalo da voz interior,
a desnudez das palavras.

onde o toque aprofunda o sentir,
fazendo-nos na indelével cor do tempo.

tudo o que se vive é sempre o momento.

em entrega,
ao mar em sentimento!


Wadi Rum


Wadi Rum Landscape, originally uploaded by bgladman.

 

Onde profetas falaram!
Onde fortalezas cresceram!
Onde viajantes se refugiaram!
Onde heróis se fizeram!

Em, Wadi Rum,
o tempo permanece uno.

E a Voz, ainda, ecoa.

 

in Geografia e Outras Circunstâncias


Utopia em Luz


Cold Green Peak, originally uploaded by fear of light.

 

barragens de luz irrompem das membranas da terra,
anunciando a pálpebra do dia.
e a penumbra desce à limpidez do leito lunar,
no dardejar do passado escondido.

atendendo às brisas dos jardins inocentes,
as pedras são poros que ascendem serenos.
mas há pedidos irrecusáveis!
tão poderosos como o ar que se respira.
e na transição,
aguarda um vento agridoce que alisa o eclodir das carótidas,
suavizando o dispersar da seiva existencial
e amainando o pulsar que vibra nos espelhos.

é nesta ligação que se formam os arquipélagos de nuvens,
a última camada doce que anuncia a orla da densa imensidão.

ocres, verdes, azuis e negras,
as camadas são membranas em si.
um ciclo elegante,
onde se rompe a noite e se rasga a luz,
na enunciação do tempo imemorial.

e acontecem músculos cansados.
exauridos pelo drenar da brandura íntima
na cedência do veio de energia aos lábios do desejo.

só assim se liberta o grito púrpura do horizonte
e se arejam as convulsões encerradas nos quartos antigos.
é então que as labaredas insuflam o crescente
e o abraço magnético devolve a gravidade às pedras
enquanto as crepitações ressoam no eco das arenas vazias.

a oclusão dos caminhos emerge na linha da raiz
formando a força da áscua terrena,
renegando a inexistência causal dos elementos,
libertando as sementes em chama ao abraço da criação.

terra, ar, fogo e água!
mantos puros que dão vida,
vestes de luz que envolvem o atravessar do destino.
mas só nas ondas de menta fresca se elevam os portais.

no mar,
vive a alma feminina.
a água é a sua expressão.

o desejo é uma orla onde se colhem os sonhos!

o meu é ser na face dourada onde se renovam túnicas de aljôfar,
pela lágrima nos tempos, utopia em luz.


Calendário(s)


Tempo…fermo, originally uploaded by mareluna_99.
 

marca-se o tempo da existência
na existência em tempo.

mas o tempo tem uma existência
diferente da existência no tempo.

do Tempo brotam os tempos em vida,
da Existência surgem as existências em Ser.

Tempo?
Existência?
águas no mesmo lago de luz.

e, no fluir do In-finito, tudo é passagem!

talvez seja mais um tempo para a consciência intemporal?

talvez seja aniversário?

 


Instantes

M64, originally uploaded by WolverinesDen.

 
 

abraços em luz
descaem à fusão da origem,
na convulsão da vida.

 

e o silêncio é um beijo em criação,

num (e)terno instante de entrega.


Luz ?


Idéias isoladas, originally uploaded by dpadua.

 

A faísca aprisionada
brilha na lâmpada da ilusão perene.
Resignada,
existe ao sabor do interceptor
numa amplitude cristalizada.

O artificial fê-la,
o fortuito suporta-a.

Queima a carne e alimenta o espírito.
Não o seu. Mas, talvez também.

Monopólios?
Só partículas e estilhaços.

Nunca em liberdade.


Lágrimas

 

chove

no corpo
em passagem

o sonho
para o futuro.

 

(inspirado em Suave Coisa)


Passagem

abrigado pelos cumes gémeos,
o templo de energia aguarda o despontar do tempo.
e no espaço vazio dorme o dragão escarlate.

continua a desenrolar-se o fio prateado do destino.
até ao momento de recordar o que outrora fomos.

mas chegada do Ser fará com que rosas azuis brilhem na noite,
e escolhas serão pedidas.
não existe aprendizagem sem perguntas!

houve criação.
haverá destruição!

para a recriação da génese,
que acompanhará a ordem cósmica.

(e seremos parte na consciência universal
gotas, na Água da Luz!)


Multitopia

 

na expansão termodinâmica,
que faz irromper água cristalina,
ainda permanecem os fluxos do tempo.

e na luz viaja o silêncio da criação.

sonho com cometas azuis!


Chamas Transparentes (para Herberto Hélder)

Herberto helder

(1930-2015)

falas de mulheres. de faces rosadas.

de mães e de gotas de água. de

batentes em semblantes sem tempo.

de fios umbilicais e de amor.

somente! sem nada por dentro.

 

falas de naturezas intrínsecas e

de imagens que alimentam. o informe!

de coisas mais altas. de pálpebras que

levitam em escafandros interiores. de

poços de petróleo invasores.

 

falas de orvalhos em flechas.

de pêlos sedosos e de ervas abertas. de

morte em pétalas puras. extasiadas.

de espinhos em cantos frios.

distantes e sozinhos. ou mudos!

 

falas de lembrança. em tudo!

de carne feroz em cítaras descidas. de

folhas inspiradoras como páginas brancas.

em estios enormes. recuados. inteiros.

em superlativos antigos.

 

falas de ausências deslocadas. de

sumptuosos vestidos em bailes sonhados.

de danças sem partitura. de breves

infâncias e titânicas investiduras.

de limalhas em artérias. absortas!

 

falas de pedregulhos púrpura. de

trevas escorregadias em idades sufocadas.

de uns tantos vivos em léxico. desnudos!

ao largo da fronteira da inspiração oca

curta. em luz de estações fluviais.

 

falas de meteoros.

(são belos os espasmos da criação!)

e também de cometas.

(são arados! que tratam do campo de estrelas.

resquícios do caos primordial, onde

apenas se manifesta autêntica liberdade).

 

falas de actos absolutos. mas

não existe absoluto. só evolução!

 

e falas de teorias.

todas o são. sem dúvida!

 

porém, a verdade é esta:

o universo nasceu para sucumbir!

toda a energia se esgota.

toda a vida deixa de o ser.

o milagre é a multiplicação das formas.

enquanto é. ou for. pois outra das certezas é

que o tempo não é humano.

só aqui reside a dádiva dos desígnios. maiores!

 

e no cânone?

apenas chamas transparentes.

realmente, a faca não corta o fogo.

só a mão que a empunha o faz!

 

eu?

falo-te dum simples abraço.

in Odes & Homenagens


Enigma – 11º jogo das palavras

dentro da caverna dos mundos,
um enorme ventrículo hexagonal,
tudo é um imenso oceano em flores.

no centro do âmbito,
sustentado por pulsares ondulantes,
existe uma flama de batida distinta.

ao fundo,
nos pés da cama de ébano,
descansa o tigre branco da desigualdade.

subitamente,
percebe-se uma sacudidela no olhar.
e solta-se a voz do soberano:

mortal,
na câmara das safiras bidimensionais,
haverá sempre oscilação.
tomarás sempre um navio.

mas para seres no reino de Morfeu,
só pela nau que faz o caminho da ilusão!

resolve o enigma da situação:
vasteza ou vento?


Razão de Ser

 

As palavras aparecem
por si e em si.

Inatas!
Desprendidas!
Intactas!

Por elas, sei
o que a minha alma quer,
o que a minha alma me diz.

Sou!
Sim, eu sou.

Nas palavras!

 

in Espelhos e Outras Faces


Peregrinação

 

dispersei o meu ser no desprender das folhas
às suplicas do solstício. talvez assim também fosse
na essência dos verbos da noite. mas fui levado
para as terras inertes da lembrança cega.
não procurava as palavras revestidas.
e julguei-me perdido nas aparências das sombras.

por estas partes,
o desfiar do destino era ausente. assim, esperei
que as orlas enrugassem para me soltar, agora, no desconhecido
e reunir-me nas escarpas suspensas da luz.

foi o facho do farol da saudade que indicou o sentido.
a ânsia do regresso animou-me
e senti os lábios da esperança. até que, escorrido,
nos campos das framboesas laranjas,
o meu alvéolo finito se enxugou.

e, apesar de mortalmente ferido,
permaneço nas avenidas ocres do poente.

ressuscitarei.
                                   uma e outra vez.

sim. ressuscitarei!
                                               uma.
                                                               e outra vez.

pelo som da mão que molda os gestos da criação.
pela escrita da voz que forma as letras primevas do cosmos.

qualquer dia.
um dia!

in Diálogos, Epístolas Inertes


Desafio

Foi-me pedido para seleccionar a quinta frase completa do livro que estivesse a ler.

“Mao used the party press in July to lambaste the American ambassador and thereby to awaken sympathetic Americans to the danger of Patrick Hurley’s reactionary line and to arrest any shift in American policy toward strong support of Chiang Kai-shek.”

The Genesis of Chinese Comunist Foreign Policy – Michael H. Hume

Este é o livro que estou actualmente a ler. Como não é «literário» (obrigações do doutoramento), acrescento uma segunda frase, esta já dentro da área que nos une.

“(…) Each day I begged them to talk with me, since I had come such a long way.”

Selected Poems – Rumi

Passo o desafio a todos aqueles que gostam de partilhar as leituras que fazem.


Palavras para ti, Meu Amor

Deepening Love, originally uploaded by LilyShewan.

 

Renasci,
no instante em que te vi.

Não esperava ser tão afectado.
Mas fui!
E ainda bem que assim foi.

Todo o meu cosmos se movimentou.
Todo o meu Ser se revolucionou.

Ao entregar-se,
a ti
e ao teu amor,
a minha alma encontrou a independência.

Passei a viver
outra existência,
ao nascer
para a nossa vivência.

Pouco mudou com o fluir do tempo.
Apenas aumentou o respeito pelo teu coração,
por seres como és,
por seres quem és.

E também se solidificou esta certeza:
Contigo,
Eu tenho sentido.

Mulher dos olhos doces!

Os teus olhos não são só de vida.
São também de esperança
e de possibilidade ilimitada.

 

in √81 = IX ?


Ana e os Sóis Interiores

dandelion blue, originally uploaded by Emily Quinton.

 

[para a minha filha Ana, que nasceu hoje! (18/Jan/2009)]

 

Deixei a vida de escravo para ir trabalhar para o campo.

Foi uma decisão tomada num impulso momentâneo. Que surpreendeu toda a gente! Era um dos que tinham capacidade produtiva, sendo, por isso, considerado valioso. Isto apesar de sempre ter sido sonhador. Apenas a minha mulher me apoiou.
         
Mas os sonhos concretizam-se quando a semente germina. E o futuro vinha aí. Uma filha aproximava-se!
         
Alguns amigos, bastante curiosos, perguntavam-me:
– Que vais fazer para o campo? Nada percebes de agricultura.          

E eu sempre respondia:
– Vou plantar dentes-de-leão azuis! Vou crescer vida! Vou ser feliz!
– Dentes-de-leão azuis!? – Retorquiam – Mas estás doido? Isso não existe! Ao menos, planta algo que te dê pão.

Mas eu não ouvi. Limitei-me a persistir.

Foi num pequeno planalto, protegido pelos braços dos montes e que logo pela manhã era acarinhado pelos raios de luz, que decidimos semear os nossos sonhos. E instalamo-nos numa pequena casinha de madeira.

Passados uns meses, as cegonhas cor-de-rosa chegaram. A Ana nasceu e a nossa família cresceu. Para agradecer a bênção recebida, plantamos uma romãzeira ao lado da casa. Aí, mais tarde, colocar-se-ia um baloiço para a nossa filha voar.

A chegada da Ana renovou a nossa esperança e reforçou o carinho com que tratávamos a terra.

A nossa filha foi crescendo e amava a terra. Tinha uma ligação especial com a romãzeira, que tratava por irmã. Deliciava-se com as nossas histórias e vibrava com os dentes-de-leão azuis.

Mas o tempo foi passando e nada de dentes-de-leão. Muito menos azuis.

Avizinhavam-se novas mudanças e decisões eram necessárias. Numa noite, após o jantar, disse à minha mulher:
– Querida, a nossa filha vai para a escola e necessitará de mais apoio e de material escolar. Até hoje mantivemos o terreno dos dentes-de-leão livre, mas se calhar chegou a hora de isso mudar. Que achas?

A Ana, que ouvia a conversa, agarrou-nos as mãos e, levando-nos até ao campo vazio, disse:
– Pai, Mãe, não desistam. Aqui haverá sóis interiores! – e libertou, sobre o lugar dos nossos sonhos, as lágrimas que tinha no rosto.

Comovidos, pegamos na nossa filha e, sem nada dizer, confortamo-la no nosso abraço e, fomos dormir.

Talvez fosse mero acaso, talvez fosse pelas lágrimas. Mas, no dia seguinte, os dentes-de-leão floriram azuis.

Ah! Eram qualquer coisa de fantástico. De noite, faziam a aurora sorrir. De dia, entoavam as melodias do vento.

Tinham características especiais. Pois nascidos do amor, quando colhidos com ternura, libertavam o pólen da luz e o calor da renovação. Eram, tal como a Ana havia dito, autênticos sóis interiores.

Em pouco tempo, éramos notícia internacional. E eram tantas, as pessoas que os queriam ver e comprar.
No entanto, a Ana dizia:
– Não são para vender. São para oferecer aos que necessitam de sonhos.

 


Imortal

 

“We have all the time in the world
time ENOUGH for life
to UNFOLD
all the prescious things
love has in store

We have all the love in the world
if that’s all we have
you will find
we need nothing more

Every step of the way
will find us
with the cares of the world
far behind us

We have all the time in the world
just for love
nothing more
nothing less
only love

every step of the way
will find us
with the cares of the world
far behind us
yes

We have all the time in the world
just for love
nothing more
nothing less
only love

Only love!”


Fragmentos


Earth Wind and Fire, originally uploaded by Philippe Sainte-Laudy.

 

tens utopias. imagens a desbravar.
procuras o ser da obra
mas esquinas acontecem.
estranhamente,
as quimeras permanecem fantasias
e todo o nada que te preenche são ondas que se revolvem.

és actor!
pasmas perante a miríade do divino.
no celebrar da dádiva,
todos os elementos recriam as cores da emoção
completando o místico do sagrado,
o primordial sopro da vida
da luz regente das manifestações do inteiro.
e o que é, transfigura-se no que for.

Céus de fogo, Terras rubras, Ventos azuis.
no diadema das águas desnudas.

e só aqui, cativados,
os universos pulsam como no inicio.
regressando ao abraço redentor das Mães
onde o choro purificado se renova.

fulminado pelas fendas das lágrimas
entregas-te ao sentir do ânimo.
afagas os contornos da beleza.
só depois poderás insufla-la com vida.

parcialmente libertas o cerne da tua condição.
alguns dos teus feitos serão mímicas abnegadas.

somente assim também serás no amor à criação
ou no perpetuar da eternidade.

 

in Diálogos, Epístolas Inertes


2009

 

Feliz Ano Novo!

 

(em Paz e Luz!)


Profecia – 9º jogo das palavras

Cambodia: Angkor Wat, originally uploaded by mandalaybus.

 

não foi paralogismo, o oráculo de outrora.

o sofisma foi intrinsecamente verídico.
sustentado por um patrono
decididamente crente.

apesar da chama florir alva,
fés cegas sucedem-se em exemplos perdidos.

mas o reencontro é alcançável.
qualquer caminho é iluminado!

e a carta,
bordada em linhas de bondade,
une a liturgia dos tempos, proclamando:

na mudança aguarda o desvendar!

 


Tapeçarias


Prison Of Love, originally uploaded by Philippe Sainte-Laudy.

 

o tempo no tempo de ser
existência conjunta.

sopros de múltipla espécie!

ondas incertas,
como afagos na liberdade em vento.

breves recordações.

ou frágeis manhãs,
nas imensas linhas do coração.

 

in Interlúdios da Certeza


Águas Nocturnas – 7º jogo das palavras

há coreografias na leveza da noite.
folhas soltas nas correntes livres,
amantes sem capitulação,
entregues ao abraço do vento morno.

sentimento rendido à Luz. antigo!
como sonhos enamorados
ou voos entrelaçados
ao fulgor do bailarino transparente.

há danças na orla do sorriso.
espirais no caos em liberdade
que resgatam as amendoeiras em esforço
e velam pela virtude dos malmequeres

há pirilampos na aura nocturna.
pulsares que preenchem amenos afagos
em mãos que aquecem gatos esquivos
na sintonia da breve escuridão.

há orquestras reunidas em homenagem.
sussurros no silêncio do tempo
tecidos no som das cordas aliviadas,
no uníssono das memórias dos entes desamparados.

mas até a harmonia do divino é falaz!

e depois há o orvalho das luas esverdeadas.
onde a essência se purifica.
perante o gesto do impulso desconhecido,

do homem, galanteio fugaz.


Certeza (II)

no voo do múltiplo
expressa-se o Ser do coração.

lágrimas de Luz,
preenchem os vítreos do tempo.

fragmentos,
fazem o pleno do incerto.

És em mim!


Recomeço


Sky Blue Sky, originally uploaded by supernova9.

 

um dia destes temos que nos encontrar.

não questiones!
pode ser para nada de especial.
ou apenas para conversar.
porque não para pensar pensamentos?

quantas origens não há nas nuvens?


Apenas

há tulipas laranjas
nos ventrículos do rubi.

no imenso mar
do teu amar,
sou náufrago acolhido.

toda a paisagem pode ser preenchida.
mas abundância?

só em luz solar!


Escolhas

todos os instantes futuros
serão passado.

ditames do fluir,
pois nada é cativo senão livre.

fundamentos da consciência?
o pensamento do coração.

a redenção não é opção. é escolha!

como a Luz,
a Bondade,
o Ser Universal
e o aceitar do Místico que nos faz no Uno.

O tempo é maior que o tempo humano!

in Interlúdios da Certeza


Firmamentos

índigos de luz do acontecer,
todos os céus são azuis!

os de terra,
os de água,
os de ar
e os de fogo.
principalmente os de fogo!


Como esquecer ?

como esquecer (-te)?

vejo.
porque és luz.

sinto.
porque és calor.

vivo.
porque és amor.

entrego-me.
porque sou livre
                                 … e teu.


Talvez …

aos olhos do Criador,
nada sou.

aos olhos de meu semelhante,
mais não sou.

a fonte sentida e pensada,
berço das águas e ondas de luz eterna,
procuro.

Talvez …

breve faúlha,
na imensidão do espaço do
                                                    tempo.

in Interlúdios da Certeza


Âmago

 

Num sonho profundo desejo repousar,
se,
por ele,
puder chegar

ao mundo do mar.


Escuridão ?

Uma simples abstracção
é criação.

TUDO É LUZ !