Posts tagged “metafisica

Cumes


VFS_4794b&w, originally uploaded by vfsphotos.

armo os olhos contra o destino,

consciente do impacto da transferência e da impotência do meu horizonte,
mero epígrafe pré-histórico,
que ousa o fragmento da lembrança.
as marés movem-se para oriente,
velando pelo ardor dos sentidos, silenciosos,
que se sonham ressuscitação.

porém, murchar é a condição da expressão.

ainda acontece o auge matinal?

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Estética


Sunflowers, originally uploaded by Eric E Haas.

 

“A beleza é a expressão do infinito no finito” – Schelling

Arte,
ciência e religião
são grandezas numa dimensão superior.
Manifestações individualizadas pelo colectivo particular.

O valor da pureza inteligível,
o estádio supremo da estética,
os limites a atingir,
são o Bem e a Verdade.

Eis onde o individual se funde no contínuo!
Eis onde o todo é compreendido!

in Metafísica [Poética]

 


Lambe-Botas

corpos descalçados anunciam os sexos.

confessadamente!

e não há reconhecimento
…ou qualquer pudor em disfarce.

são as línguas que perfazem as faces,
desvirtuando o colo da sociedade,
onde a languidez errante da adulação,
nutrida em baba ressequida,
expressa sons sem tons.

nem o olhar tem voz!

porém,
quando as botas são mimadas,
em lambidelas ferozes e bafos sôfregos,
não existe realidade amarga.

há melhor do que uma língua sem boca?

in Sons Urbanos


Subtilezas


Imagine…, originally uploaded by Philippe Sainte-Laudy.

 

formações incompletas
e outras maravilhas,
subtilezas pequeníssimas,
entregam-se ao soalheiro do vento desconhecido.
unem-se para viajar ao uno!

só o impuro será puro!
em ervas altas e savanas douradas.
depois do amadurecer prateado,
em luas suspensas ou em fios purificados,
pela peregrinação no florescer da vida.

há entidades soltas,
auto-criadas em si
e constantes na omnipresença.
há veias inspiradoras,
simples elos que fazem o verde.
só assim se multiplicam os camaleões da natureza.
e são tantos! distintos.
com cores em tempos diferentes.

na neve a brancura é imaculada.
nada a invade. até o calor é devolvido,
depois de arrefecido em névoas intactas,
num beijo rejuvenescido,
profundamente sentido,
numa etapa que se refaz em amor,
pois tudo tem um papel determinado.

manifestações traduzidas em plural,
as subtilezas pequeníssimas são imensas!
todo o conjunto é singular.
e conjugável!
em si e entre si,
para que a diversidade se suceda.
assim,
não há mundo. há mundos!
não há vidas. há vida!

e o inverso também se verifica.
o todo é um ciclo evolutivo.
de vida e morte. de continua existência.
a que qualquer entidade se submete e se renova.
e acontecem minutos para a morte
como já anteriormente os houve em ser.

as lembranças permanecem o condão.
aguardando o reencontro com o espírito
no confronto da pressão e do tempo.
vislumbra-se aí o quão profunda é a eternidade.
e nada está fechado,
pois quando o corpo sucumbir abrir-se-á ao pleno
e será subtil e pequeno.
como deve ser! para ser em luz, em beleza, em pureza

por isso,
as ondas vibratórias na harmonia do cosmos
são subtilezas pequeníssimas.
permanentes demonstrações de louvor.
percebe-se que o princípio criador do todo é a desigualdade.
nenhuma vida é igual!
logo, qualquer uma é especial.

e o amor é o elo vital que nos une
no respeito por outras vidas.
e o amor que temos por algumas é superior.

sem vida não há amor e sem amor não há respeito à vida.

ser! amor! vida!
pela expressão de pequenas subtilezas.

 

in Diálogos, Epístolas Inertes


Permanência

Pathways, originally uploaded by LilyShewan.

 

“Nada é permanente, salvo a mudança”
Heráclito de Éfeso

Existir é coexistir!

Nada está isolado.
O todo não é só o todo.
É também o vazio,
inteiramente unido e interligado.

Kinesis é a vitalidade
nas manifestações
entre o inverso e o reverso
das conexões reais.

A substância é diversidade.
Tudo é dúctil,
Tudo é movimento
e mudança.

Tudo tem o seu próprio tempo.

in Metafísica [Poética]


Meditação sobre a Morte (III)

 

O Eu
e o meu Eu,
findam com a morte.

Deles,
apenas fica a lembrança
que por si também é efémera.

Se os outros não recordarem,
até o reconhecimento do meu Eu,
                                                                        cessará!

 

in Metafísica [Poética]


Ocaso

 

 

o propósito da locomoção não é linear.

apenas o caminho é certeza para os pés,
autenticas bases movíveis que descrevem caprichos ondulares.

depois vem a dinâmica do equilíbrio,
onde, no entoar de diferentes ecos, os passos são a voz da idade.

é pelos pedais que se atingem as espirais paralelas das utopias etéreas,
os círculos constantes da rotação sagrada
                que perfaz o sustento profano da máquina.

e pedala-se a vida no semear das cruzes sombrias da tecnologia,
perpetuando o slogan alegremente subvertido:
a morte é uma bicicleta transfigurada.

mas nenhum pé se atreve a parar.

o propósito da locomoção não é linear.
é alucinação desprotegida!


Reconhecimento

espelhos-a

O subjectivo é-o até ao reconhecimento!

Pelo próprio, apenas aprofunda a consciência.

Pelo outro, afecta a substância.


Pendência


sunset road, originally uploaded by hkvam.

 

Ao longo da existência
                                                 do Ser
debate-se,
na sua formação e evolução,
a oposição
                                                 do Eu exterior
                                                 ao Eu interior.

Social
ou individual?

Dizer o que se pensa
ou o que os Outros querem ouvir?

Sujeição da vontade pessoal?
Dilema da verdade existencial!

 

in Metafìsica [Poética]


Arte


Glass buildings, originally uploaded by (Erik).

 

Num acto anímico,
o abstracto exprime o inexprimível.
Mas criar vida é irrepetível.

Arte,
é expressão humana desprovida.
É a criação que é distracção.
É cultura e nascente de reflexão.
Mas não é verdadeira fonte.

Só o Homem é arte viva!

 

in Metafísica [Poética]


HumanaR

Tender fall, originally uploaded by Philippe Sainte-Laudy.

 

a distância entre a porta ajusta-se ao momento do destino.
tal como as escadas rolantes são ilhas,
onde as pernas se imobilizam,
duplicando um movimento que não se perpetua.

só num local
– indefinível, porque obscuro,
algures, porque discreto –
as acções são duais.

mas a transposição implica
a queda num buraco octogonal de espelhos cansados.

o homem não pode conviver,
simultaneamente, com o passado e o futuro.
a queda requer faces vedadas aos segredos disponíveis,
deformados pela velocidade horizontal do salto na penumbra.

até que as correias electromagnéticas se façam sentir
a aceleração será uma constante e a fé será posta à prova
por um corpo abandonado ao seu próprio ónus,
ao sabor das gargantas profundas da gravidade.

não haverá pára-quedas.
são chuvas que libertam a torrente de memórias gastas.
em minúsculos pontos que brilham nas paredes do fosso
ocorrem explosões de astros
puxando os dedos na direcção da entrada,
como um instinto que procura sobreviver à redenção do momento.

nada inverte o passo dado!
nem a espuma dos cometas diurnos
ou o trilho das bolhas de sabão suspensas o consegue.
tudo depende do sangue da fé!
e esta depende dos neurónios do desejo,
entregues ao mais perfeito êxtase,
siderados pela inclinação do sigma constelado.

relata-se um sonho gerador de pensamentos.
alguns sumptuosos, outros nem tanto,
que fixam os orbes oculares no véu da lamentação.
o aviso ainda ressoa inteiro.
apesar de esgotados em tentação, os olhos permanecem cerrados.
a sinopse da escolha é inevitável!

no movimento imóvel iniciado está presente o término
porque as ilhas são pontos selados.
a certa altura os pés retomam o caminho,
na companhia prazenteira da paisagem,
bebendo em goles as cores congénitas da natureza.

estes ciclos ajudam a circulação da seiva encarnada,
criando ondas retemperadoras onde nada se vê.
a meio do percurso,
a amplitude do sentir transborda os limites do corpo
e a essência renovada acompanha os espelhos cansados
no entrelaçar à génese da raiz das árvores.

quando os movimentos encontram o ritmo do movimento
são necessárias fendas nos reflexos e feridas na epiderme:
pelo rasgar irrompe a beleza no uníssono.
e o peso do corpo torna-se avassalador.
na dor que é origem, os gritos são silenciosos.

as formas informes ocupam o buraco horizontal
e a ígnea chama que sempre existiu brilha no azul da alma.
o interior da natureza é índigo.
é aqui que o calor funde as existências
e o apelo ao abraço fresco do cosmos é recitado.

mas não haverá ventos estivais,
apenas um manancial em repouso
onde o impacto do corpo ressuscitará.
só no imo as preces de louvor são índole de carácter!
só a desfragmentação individual se unirá à unidade!

após a odisseia metamórfica no colectivo do coração
a distância entre a porta ajusta-se ao momento do destino.

é neste ínterim que a força do novo homem se transfigura.
regressado da dualidade, resgatado para a realidade.

em corpo presente!

 


(Des)Conhecimento


White Light, originally uploaded by Philippe Sainte-Laudy.

 

Nós não conhecemos o ser das coisas.
Deciframos o mecanismo
mas ignoramos a razão.

Nós não nos conhecemos!

Então,
deveremos ousar
desvendar
os criptogramas
do infinitamente grande
e do infinitamente pequeno?

Não é verdade
que ainda nos desconhecemos?
Não é verdade
que ainda desconhecemos
o ser das coisas?

Sem conhecer, seremos infinito?

 

in Metafísica [Poética]


Aspiração

Pawnee Celestial Pondering, originally uploaded by Fort Photo.

 

“Ser Homem é tender a ser Deus”
                                                                        Jean-Paul Sartre

Só quem foi mortal
poderá ser mais.
Mas tal possibilidade
é impraticável na mesma viagem.

Apenas pelo ritual
                                     da passagem
a transcendência acontece.

Sempre em tempos diferentes.
Sempre na esperança de recordar.

Tudo pelo desejo de ser
                                             livre.
Ilimitadamente
                                Livre.

 

in Metafísica [Poética]


Solidão

“Somente ao homem é dada a solidão”
Vicente Ferreira da Silva, filósofo brasileiro (1916-1963)

 

Meio de franquear o real,
átrio para a liberdade.

Recolha necessária à progressão,
a solidão,
é possibilidade de reavaliação
                                                           do todo social
e evolução
                      individual.

Mas,
não há simplicidade
no rompimento humano.

E para ser genuíno,
tem que advir duma atitude positiva.

Na solidão,
                      a consciência reconhece-se.

A solidão admite o encontro!

 

in Metafísica [Poética]


Dialéctica das Consciências

A Shift

“A Shit” by Lily Shewan

 

No cerne do mundo
está a exposição de Entes.

Nessa massa original,
o informe individual,
aprende,
educa-se
e desenvolve-se.

A forma aparece
na moldagem da inteligência.

A transição dialogante entre os homens,
acontece
no exterior e nos desafios da Natureza.

Entre o Ser, o Outro e os demais universos
– tangíveis e intangíveis –
há um nexo indissociável.

E,
resultante dum processo de auto-afirmação,
o Eu existe pelo confronto.

Mas a Consciência apenas evolui no respeito!

 

in Metafísica [Poética]


Demanda

Quem se procura,
em si mesmo,
encontra o Outro e o respeito pelo todo social.

Os genuínos laços de vinculação
inter-pessoal,
começam na introspecção
individual.

Mas é necessário um exercício de probidade!

Para ser
com o Outro,
antes,
o Ser deve ser consigo mesmo.

Encontra-te em ti mesmo!

É a primeira realidade.

 

in Metafísica [Poética]


Identidade

Ó vil criatura
de vãs fantasias,
vives socialmente
no “plasma amorfo das sensações”.
Descontraído.
Habituado.

Mas nada criaste!
Absorveste,
as normas e os comportamentos
que a sociedade te deu
ou impôs.

Então,
como sabes que és?
Onde está o teu Eu?

in Metafísica [Poética]


Meditação sobre a Morte (II)

O Universo não é infinito.
O Homem também não.

A morte é uma passagem
para um período de tempo maior
no todo finito do Universo.

Mas neste ou no próximo é igual.
Todo o tempo é temporário.

in Metafísica [Poética]


Transcendência


Transformation, originally uploaded by LilyShewan.

 

“A linguagem é a efectividade do estranhamento e da cultura”
                                                                                                                  Hegel

Não comunicamos por imagens.
Mas por sons!

As palavras
são os instrumentos
de identificação e classificação dos sons.

A vontade de superar o real
é ascendente e descendente.
E as palavras permitem a expressão ao Eu.

Mas no diálogo entre a aparência e o Ser,
as imagens são as metamorfoses das palavras

Num baile das máscaras
é fácil esquecer a identidade,
confundir a existência
e sucumbir aos encantamentos.

Ultrapassar o labirinto é possível.
Regressar à origem é crescer.
E aí, o Homem, desenvolve-se poderoso.

Na transcendência da linguagem edifica-se o cosmos humano.

 

in Metafísica [Poética]


Fluidez

Nada é imutável.
Tudo é mutável.
Tudo é transformação.

O Ser é o vector da cadência,
a entidade fluida
no irradiar do multiverso.

Nada é impossibilidade.
Tudo é possibilidade.
Tudo é evolução.

in Metafísica [Poética]


Convergência

“A ciência é apenas uma verdade. A outra é a fé”
                                                                                             Novalis

O uno é divisível!
Em dois,
em quatro,
em vários.

Mas, sem realidade e espírito
não há verdade.
Todas as suas partes
só o são se encaradas em si.

O uno é o todo!
Fora do todo, só o vazio.
E o vazio
                    é o espaço onde o todo se expande.

in Metafísica [Poética]


Evolução

No universo não há absolutos.

Há evolução,
mutação e transformação.

Pelo tempo e pelo espaço.

E nenhuma existência é igual
porque o tempo não se repete
nem o espaço é o mesmo.

in Metafísica [Poética]


Consciência (III)

O Eu é acção,
luta
e determinação

É o fazer-se por si na resistência ao mundo.
É a prática vivida,
a essência conseguida,
                                                pela autonomia
experimentada na urdidura
                                                        do cosmos.

O Eu é liberdade.
                                   Ínsita.
                                   Inacabada.

 

in Metafísica [Poética]


Meditação sobre a Morte / Meditation on Death (IV)


Storm, originally uploaded by risquillo.

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Quando uma vida acaba, a dor é inevitável.
No entanto,
as lágrimas são o orvalho do futuro e a lembrança é o sal da vida.

Embora um pouco mais sozinhos, continuaremos.
É assim que homenageamos os mortos e nos unimos mais aos vivos.

Não há morte. Apenas memórias!

O amor manterá o calor da presença,
dentro e entre nós.

When a life ends, grief is inevitable.
Yet,
tears are the dew of the future and remembrance is the salt of life.

Although a little more alone, we will continue.
This is how we honor the dead and unite ourselves more with the living.

There is no death. Only memories!

Love will maintain the warmth of their presence
within and amongst us.

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