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depois da pátria


Greece Naxos Apollon Temple, originally uploaded by j0rune.

 

depois da pátria é o futuro porque pátria foi o que concedemos
a terceiros que nos representam, esquecendo-se donde vieram.
mas até o futuro pode ser questionado
se os comportamentos não mudam.

e os rostos continuarão a perder a face da vergonha,
livremente, em plena vontade,
felizes pela ascensão às migalhas do domínio.

como se não houvesse subjugados,
reina a ilusão da permanência.
todos somos serventes,
ó companheiros do infortúnio.

é necessário abater os pedestais
para que o espanto não padeça mudo!

(13 de Maio de 2011)

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Fluência


Big Bang Fractal, originally uploaded by James Willmott.

 

o grito é um quadro mudo, uma boca acesa ao espanto
entregue à agudeza do declive esmagador,
onde brotam as palas orais do deserto.
quando acontece o convívio do silêncio extenua-se
a linha do monólogo pensante, num multiplicar inomeável
que reforça os membros do tempo.

o espectro não é linear nem obedece aos sons do destino.

desenrola-se.
como um desvelo de prazer egoísta,
omnipresente e justo.

assim se atinge o óbvio.
sem possibilidade de arbítrio,
mas na possibilidade do abraço
aos humores da rotação.

o trilho é uma ruptura vadia.
nada sangra. apenas cessa o verbo!

in Sons Urbanos


Ó Moral

 

Ó moral,
que as amarras à ética
no correr dos tempos perdeste,
foste tu que te corrompeste
ou o criador quem te corrompeu?

E a lição que sempre prometeste?
Será que chegou a ser o que pretendeste
ou foste prática que, desde o inicio, em vão prometeu?

in Homens, Deuses e o Universo


Abundância

Sunset on Easter Island, originally uploaded by Leeuwtje.
 

toupeiras metálicas em trilhos despertos.
amarelos! como salamandras ao sol.
ou esculturas perenes,
ausentes da perspectiva visionária,
num sono eléctrico de nuvens estáticas.
onde se formam arquitecturas obliquas.

pendentes brilhantes fazem a época.
mas fractais? só para lá do horizonte,
das cordilheiras, dos ventos.
perguntas se existem imagens nas transparências?
apenas em todos os espelhos negros.

nas névoas constantes,
os mortos remexem a terra!
no sal da terra,
suores escavam rugas!

e solta-se o dragão flamejante dos sonhos.

há quem ouse,
e é verdadeiramente ousado, possuí-los.
os terceiros!
não os próprios. esses não são utopia!

procuram quereres magnéticos para a infância.
como árvores mudas de folhas em chamas.
se fossem azuis eram minhas!

em campos de flutuação frágil,
o grito é matriz solta.
vulnerabilidade perfeita, logo defeituosa!
mas as aparências regem o mundo. e as mães sofrem
enquanto os bastardos que decidem riem.
como se não fosse preciso pão.

condição da humanidade? as dúvidas!
em reminiscência. quais votos em branco.
e vencem qualquer concurso de variedades!
tu sabes. foste premiado.

não há comida grátis!
mas toda a abundância é publicitada.

 

in Diálogos em Epistolas Inertes


Políticos!

Homens com ambição
são políticos sem convicção.

Quer no governo,
quer na oposição,
o que dizem num momento, desdizem noutro,
consoante a posição que detêm:
governo ou oposição.

Fazem leis sem ciência!
Na urgência do instante,
sem consideração pelo futuro,
pelo voto sem consciência,
na protecção da imunidade.

Porque o partido não é individual
e o partido é a justificação total.
Sem ele, não são políticos!
Sem ele, são responsabilizados!

Políticos!
Sejam de esquerda,
sejam de direita,
tem preocupações comuns:

A demagogia,
pela qual obstruem e afundam a democracia.
E o bem-estar.
Os políticos preocupam-se com o bem-estar.

Com o deles!

 

in Aforismos e Reflexões [Poética]


HumanaR

Tender fall, originally uploaded by Philippe Sainte-Laudy.

 

a distância entre a porta ajusta-se ao momento do destino.
tal como as escadas rolantes são ilhas,
onde as pernas se imobilizam,
duplicando um movimento que não se perpetua.

só num local
– indefinível, porque obscuro,
algures, porque discreto –
as acções são duais.

mas a transposição implica
a queda num buraco octogonal de espelhos cansados.

o homem não pode conviver,
simultaneamente, com o passado e o futuro.
a queda requer faces vedadas aos segredos disponíveis,
deformados pela velocidade horizontal do salto na penumbra.

até que as correias electromagnéticas se façam sentir
a aceleração será uma constante e a fé será posta à prova
por um corpo abandonado ao seu próprio ónus,
ao sabor das gargantas profundas da gravidade.

não haverá pára-quedas.
são chuvas que libertam a torrente de memórias gastas.
em minúsculos pontos que brilham nas paredes do fosso
ocorrem explosões de astros
puxando os dedos na direcção da entrada,
como um instinto que procura sobreviver à redenção do momento.

nada inverte o passo dado!
nem a espuma dos cometas diurnos
ou o trilho das bolhas de sabão suspensas o consegue.
tudo depende do sangue da fé!
e esta depende dos neurónios do desejo,
entregues ao mais perfeito êxtase,
siderados pela inclinação do sigma constelado.

relata-se um sonho gerador de pensamentos.
alguns sumptuosos, outros nem tanto,
que fixam os orbes oculares no véu da lamentação.
o aviso ainda ressoa inteiro.
apesar de esgotados em tentação, os olhos permanecem cerrados.
a sinopse da escolha é inevitável!

no movimento imóvel iniciado está presente o término
porque as ilhas são pontos selados.
a certa altura os pés retomam o caminho,
na companhia prazenteira da paisagem,
bebendo em goles as cores congénitas da natureza.

estes ciclos ajudam a circulação da seiva encarnada,
criando ondas retemperadoras onde nada se vê.
a meio do percurso,
a amplitude do sentir transborda os limites do corpo
e a essência renovada acompanha os espelhos cansados
no entrelaçar à génese da raiz das árvores.

quando os movimentos encontram o ritmo do movimento
são necessárias fendas nos reflexos e feridas na epiderme:
pelo rasgar irrompe a beleza no uníssono.
e o peso do corpo torna-se avassalador.
na dor que é origem, os gritos são silenciosos.

as formas informes ocupam o buraco horizontal
e a ígnea chama que sempre existiu brilha no azul da alma.
o interior da natureza é índigo.
é aqui que o calor funde as existências
e o apelo ao abraço fresco do cosmos é recitado.

mas não haverá ventos estivais,
apenas um manancial em repouso
onde o impacto do corpo ressuscitará.
só no imo as preces de louvor são índole de carácter!
só a desfragmentação individual se unirá à unidade!

após a odisseia metamórfica no colectivo do coração
a distância entre a porta ajusta-se ao momento do destino.

é neste ínterim que a força do novo homem se transfigura.
regressado da dualidade, resgatado para a realidade.

em corpo presente!

 


Fátuo

Nasci
para viver no caos
humanamente ordenado.

Vã esperança,
tentar ordem na génese divina.

Não deixou de ouvir Beethoven?

Mas a harmonia não cessou …

 

in Da Natureza e Afins


Percepções

capacidade de orientação no vazio?
breve ilusão carnal.

solidão plena no todo?
certeza circunstancial.

sou homem!

julgo-o?


Águas Nocturnas – 7º jogo das palavras

há coreografias na leveza da noite.
folhas soltas nas correntes livres,
amantes sem capitulação,
entregues ao abraço do vento morno.

sentimento rendido à Luz. antigo!
como sonhos enamorados
ou voos entrelaçados
ao fulgor do bailarino transparente.

há danças na orla do sorriso.
espirais no caos em liberdade
que resgatam as amendoeiras em esforço
e velam pela virtude dos malmequeres

há pirilampos na aura nocturna.
pulsares que preenchem amenos afagos
em mãos que aquecem gatos esquivos
na sintonia da breve escuridão.

há orquestras reunidas em homenagem.
sussurros no silêncio do tempo
tecidos no som das cordas aliviadas,
no uníssono das memórias dos entes desamparados.

mas até a harmonia do divino é falaz!

e depois há o orvalho das luas esverdeadas.
onde a essência se purifica.
perante o gesto do impulso desconhecido,

do homem, galanteio fugaz.


Poetry for poverty


Poetry for Poverty, originally uploaded by jermaister.

Sólon

Recebeu o poder
apenas para o distribuir.
Apesar dos limites
revolucionou os conceitos.

Iluminou o mundo!
Indicou o caminho a seguir!

Poder é responsabilidade que deve ser partilhada.
Se os benefícios forem só para um serão realmente benéficos?

A responsabilidade é individual e colectiva.

O Bem só é bem se for comum!

in Deuses, Homens e o Universo


Exemplo

homem. normal. banal.

existo aqui,
no mundo da fragilidade.
onde um herói é desfeito
e um vilão satisfeito.

vivo neste meio.
e, nesta realidade,
confesso que o meu maior receio
é ser um exemplo.

não importa para quem!
não desejo dar a ninguém
semelhante fatalidade.

nenhum templo
quero ser.
a pedestal
algum intento ascender.

o bem – pouco – tenho feito.

sou homem!
como tal,
não sou perfeito.

mas se – para alguém – exemplo for,
espero causar pouca dor.

in Espelhos e Outras Faces


“Senhor Deus do Céu e da Terra, concedeste a tua graça … para conhecerem os Teus trabalhos da Criação e os verdadeiros segredos deles, e discernirem (até ao ponto em que tal compete às gerações de homens) entre os milagres divinos, obras da Natureza, obras humanas e imposturas e ilusões de toda a espécie!”

Francis Bacon

O caminho para o Senhor
manifesta-se como Ele quer
                                                      e não como o homem diz.

A fé não é definida
nem é um exclusivo da igreja
                                                           ou de qualquer outra crença.

A fé é uma graça oferecida por Deus!

E a sua mensagem é a mesma.

Em qualquer tempo,
em qualquer espaço,
em qualquer coração.

in Deuses, Homens e o Universo


Escolhas

todos os instantes futuros
serão passado.

ditames do fluir,
pois nada é cativo senão livre.

fundamentos da consciência?
o pensamento do coração.

a redenção não é opção. é escolha!

como a Luz,
a Bondade,
o Ser Universal
e o aceitar do Místico que nos faz no Uno.

O tempo é maior que o tempo humano!

in Interlúdios da Certeza


Confronto

Ao concedido
deixamos de ligar.

Não apenas ao ínfimo,
mas conjuntamente ao todo.

E o corpo manifesta-se atroz.

Apercebemo-nos
das convulsões em redor.
A magnitude é
                                indisfarçável.
Mesmo assim,
permanecemos alheados.

Escolhas sem querer
para quem desdenha poder,
                                                        evoluir.

A obra criada
enfrenta a do Criador.
Não deseja união,
somente suplantar.

No aparente futuro,
emerge a regressão.


Paradoxo

“A fé move montanhas”.

Mas,
como é desprovida de razão,
também as arrasa.

 

in Deuses, Homens e o Universo


Ismos

Capitalismo!
Comunismo!
Socialismo!
Fascismo!

Cristianismo!
Islamismo!
Judaísmo!
Budismo!

Idealismo!
Realismo!
Oportunismo!
Consumismo!

… Ismos!
E o homem?

in Deuses, Homens e o Universo