Posts tagged “reflexão

Cumes


VFS_4794b&w, originally uploaded by vfsphotos.

armo os olhos contra o destino,

consciente do impacto da transferência e da impotência do meu horizonte,
mero epígrafe pré-histórico,
que ousa o fragmento da lembrança.
as marés movem-se para oriente,
velando pelo ardor dos sentidos, silenciosos,
que se sonham ressuscitação.

porém, murchar é a condição da expressão.

ainda acontece o auge matinal?


espelho


VIC_2104, originally uploaded by vfsphotos.

 

nasci velho.
toda a vida recordei.

ainda o faço.

mas jamais tive a ilusão do chão ser imóvel!

 


Ómega

The Temple of Poseidon, originally uploaded by photogon.

 

 

penso no princípio.
na chave em voz. no quarto que origina a vontade.
penso no principio porque não sei se o escrevi.
tantas são as certezas como as loucuras.
e rio no quarto. sozinho. no embalo do eco
onde se desfralda a língua do silêncio.

mas há vozes audíveis!
rompidas pelos desertos em concepção
na alegoria do quarto já percorrido,
quase preenchido em vazio,
que por um acaso – triste, alguns dirão –
é ocupado pelo choro dum bebé recém-nascido,
no desfragmento do desejo.

talvez o tempo seja sustido por um suspiro. talvez?
no entanto, propago-me.
e acontecem incógnitas sensoriais nas equações espaciais,
vibrações que moldam deltas em fluxo ritmado,
numa sinfonia de sossegos compassados.

ah! trapezistas audazes.
que se abraçam no etéreo, solto,
na vigilância da harpa indomável.
também quero um desfragmento inteiro.
também quero voar num espaço sem rede.
talvez assim consiga recriar o instante.
ou sair pelo caminho mais curto.

mas as paredes continuam caladas
e a linguagem não exprime o sentir.
como queria retornar ao local do encontro!
mas o quarto não é um talvez,
nem esconde deliberadamente a fechadura.
sem escrita não há memória.
sem voz, que haverá?

e eu penso no princípio.
penso no princípio porque desejo o futuro!

 

in Diálogos, Epístolas Inertes


depois da pátria


Greece Naxos Apollon Temple, originally uploaded by j0rune.

 

depois da pátria é o futuro porque pátria foi o que concedemos
a terceiros que nos representam, esquecendo-se donde vieram.
mas até o futuro pode ser questionado
se os comportamentos não mudam.

e os rostos continuarão a perder a face da vergonha,
livremente, em plena vontade,
felizes pela ascensão às migalhas do domínio.

como se não houvesse subjugados,
reina a ilusão da permanência.
todos somos serventes,
ó companheiros do infortúnio.

é necessário abater os pedestais
para que o espanto não padeça mudo!

(13 de Maio de 2011)


de Férias!


S. Pedro 1922, originally uploaded by vfswa.

 

no embalar do multiVerso!

 


Ó Moral

 

Ó moral,
que as amarras à ética
no correr dos tempos perdeste,
foste tu que te corrompeste
ou o criador quem te corrompeu?

E a lição que sempre prometeste?
Será que chegou a ser o que pretendeste
ou foste prática que, desde o inicio, em vão prometeu?

in Homens, Deuses e o Universo


Revestimento


music, originally uploaded by re:nay.

 

no retiro das semibreves,
sou banhado pelos raios de luz
que serpenteiam as savanas roxas.

onde o verbo inexprimível
é visão concretizada
no palpável das espirais da aura.

tudo conflui na melodia
dos sentidos cardeais
e dos interstícios das partituras vazias.

a coesão das partículas estremece
e a rapidez dos electrões adormece.

fractais e outras ondas
constituem-se renovadas.

e expurgam-se as falências humanas,
essas pequenas imanências
que estruturam o âmbito celeste.

 

in Interlúdios da Certeza


Pensamentos


Shower of stars…, originally uploaded by smile-ik.

 

Aqui escrevo
e os pensamentos liberto.

Em vão!
No papel branco
não resistem.

Persistem,
nesta imensidão,
frágeis e difusos.

Sem nenhum rumo,
orientam-se.
Sem qualquer prumo,
sustentam-se.

Subsistem,
porque originados na mente.
Transpostos,
permanecem incorpóreos
no rasto das utopias.

Tudo é incerto.
E eles são,
no vazio,
fátuos.

No entanto,
transmitem
uma sensação de beleza.
Ágeis,
mistificam-nos!
Confusos,
identificam-nos!

Assim …

Traços!
Soltos!
Na mais plena incerteza.

 

in Espelhos e outras Faces


… e Outras Faces


unfolding the rose, originally uploaded by hkvam.

 

Sou como Sou!

 

Os outros,
                           são como são.

 

E nunca como eu gostaria que fossem.

 

in Espelhos e Outras Faces


Espelhos …

 

Ditas,
sentidas
ou escritas,

                  as palavras reflectem o homem.

 

in Espelhos e Outras Faces


Dia de Aniversário!

 
shower of light, originally uploaded by Dan65.

.

Hoje é ponto de passagem,
entre o vir e ir que se sucede.
É dia de festejar!

Relembro o passado.
E neste escrito presente
ouso pensar no futuro.
Será que alguém saberá?
Será que algum dia importará?

Para o caso do acaso ocorrer,
aqui vai o que vai acontecer:

Estou consciente que serei
quando já não for.
Breves momentos terei.
Meros instantes de torpor.

A escrita deu som ao meu grito
neste mundo de paredes
que, persistentemente, não escutaram.

Desbravei paisagens na tinta
derramada inconscientemente.
Tristeza? Nenhuma. Nem pinta!

Avivar folhas era o meu rito.
Era como um tecer redes.
Infelizmente, pouco alcançaram!

No entanto, este verbo não foi ilusão.
Era tudo. Plena concretização!
Foi o descrever das visões
deste universo de sensações.

Fica por aqui esta mensagem.
Hoje é dia de aniversário.
Assinalado no calendário!

Os chuveiros de luz aguardam.
Balançam serenamente entre os espaços
que fazem as folhas e os ramos.

Vou tomar banho!
É assim que quero celebrar.

in Interlúdios da Certeza


Encantamento


clouder, originally uploaded by Ash ..

 

a existência não é garante de dignidade quando o semelhante estremece.
mesmo em dias soalheiros há atitudes levianas.
olhos negam o viver da vida ou a comunhão em sociedade.
e no lar o tempo da paciência é escasso.
a distancia entre os elos aprofunda-se e os filhos chamam nas sombras.
o metal rege!
é conscientemente que se multiplicam as trintas.

perguntas o que é a poesia perante isto?

talvez seja um canto lúgubre?
ou um calendário para meditar o passado?

o todo perfaz o caminho do ser.
mas só nos revemos nos tempos áureos, onde fomos pujança gratuita.
até as lágrimas serão desperdiçadas.
é por isso que os lenços acompanham o futuro.
é por isso que a angústia é a grilheta dos que ficam.

como o tempo se sucede, nenhum espelho é uma superfície plana.
no entanto, existe um sereno aguardar:
a transfiguração do selo do presente

só aí o jogo lúdico da vida estará concluído.
e não haverá revelação. apenas alegria.


Conceito

 

poesia,

é sentir um desejo impossível de conter.
é transmitir o que à alma se vai beber.
é repartir o meu e o teu viver.
é expandir o interminável a um só pertencer.

é unir o divino ao ser.

é, simplesmente,
agradecer

um suspiro nas lágrimas do tempo.


Convicção

 
 the healing of soul mind body., originally uploaded by shaman..

 

De todas as constantes do universo,
aquela que mais me agrada
é a evolução.

E, de todas as formas possíveis
para a sua aplicação,
a mais bonita
é o conhecimento.

O conhecimento não é estático.

É um processo.
É renovação.

Pode, às vezes, estar incerto,
mas nem isso faz com que não seja inovação.

Sou um convicto socrático!

Afirmo-o de todo o coração.
É isso que faz de mim um ser decidido.
E, simultaneamente,
um espírito permanentemente
                                                           em evolução.

É inegável!
Todo e qualquer aumento
de conhecimento
é uma dádiva de valor incomensurável.

 

in Espelhos e outras Faces


Relações


Cd Art (700+ faves), originally uploaded by Boab24.
 

U2
Aviação                    Música
Culto

 

Pop
    Arte                  Warhol
Museu

 

in Aforismos e Reflexões Poéticas


HumanaR

Tender fall, originally uploaded by Philippe Sainte-Laudy.

 

a distância entre a porta ajusta-se ao momento do destino.
tal como as escadas rolantes são ilhas,
onde as pernas se imobilizam,
duplicando um movimento que não se perpetua.

só num local
– indefinível, porque obscuro,
algures, porque discreto –
as acções são duais.

mas a transposição implica
a queda num buraco octogonal de espelhos cansados.

o homem não pode conviver,
simultaneamente, com o passado e o futuro.
a queda requer faces vedadas aos segredos disponíveis,
deformados pela velocidade horizontal do salto na penumbra.

até que as correias electromagnéticas se façam sentir
a aceleração será uma constante e a fé será posta à prova
por um corpo abandonado ao seu próprio ónus,
ao sabor das gargantas profundas da gravidade.

não haverá pára-quedas.
são chuvas que libertam a torrente de memórias gastas.
em minúsculos pontos que brilham nas paredes do fosso
ocorrem explosões de astros
puxando os dedos na direcção da entrada,
como um instinto que procura sobreviver à redenção do momento.

nada inverte o passo dado!
nem a espuma dos cometas diurnos
ou o trilho das bolhas de sabão suspensas o consegue.
tudo depende do sangue da fé!
e esta depende dos neurónios do desejo,
entregues ao mais perfeito êxtase,
siderados pela inclinação do sigma constelado.

relata-se um sonho gerador de pensamentos.
alguns sumptuosos, outros nem tanto,
que fixam os orbes oculares no véu da lamentação.
o aviso ainda ressoa inteiro.
apesar de esgotados em tentação, os olhos permanecem cerrados.
a sinopse da escolha é inevitável!

no movimento imóvel iniciado está presente o término
porque as ilhas são pontos selados.
a certa altura os pés retomam o caminho,
na companhia prazenteira da paisagem,
bebendo em goles as cores congénitas da natureza.

estes ciclos ajudam a circulação da seiva encarnada,
criando ondas retemperadoras onde nada se vê.
a meio do percurso,
a amplitude do sentir transborda os limites do corpo
e a essência renovada acompanha os espelhos cansados
no entrelaçar à génese da raiz das árvores.

quando os movimentos encontram o ritmo do movimento
são necessárias fendas nos reflexos e feridas na epiderme:
pelo rasgar irrompe a beleza no uníssono.
e o peso do corpo torna-se avassalador.
na dor que é origem, os gritos são silenciosos.

as formas informes ocupam o buraco horizontal
e a ígnea chama que sempre existiu brilha no azul da alma.
o interior da natureza é índigo.
é aqui que o calor funde as existências
e o apelo ao abraço fresco do cosmos é recitado.

mas não haverá ventos estivais,
apenas um manancial em repouso
onde o impacto do corpo ressuscitará.
só no imo as preces de louvor são índole de carácter!
só a desfragmentação individual se unirá à unidade!

após a odisseia metamórfica no colectivo do coração
a distância entre a porta ajusta-se ao momento do destino.

é neste ínterim que a força do novo homem se transfigura.
regressado da dualidade, resgatado para a realidade.

em corpo presente!

 


Diário

preenchi-o, em tempos idos.
nalguns dias o fiz.
noutros não, por serem vis.
mas todos os momentos foram vividos.

as páginas do diário!
nelas estão presas as linhas preenchidas
e o espaço branco de alguns dias.
fragmentos de um calendário.

o que nem aos espelhos confesso
são, nessas folhas, palavras despidas.
diálogos de amor e de ódio.

perdi-o numa viagem sem regresso.
dele restam memórias perdidas
e uns breves retratos de ócio.

 

in Pensamentos e Reflexões Poéticas


Existencialismos ?

Penso que penso que não penso.

Penso no grito. Meu! Mudo!

Penso que não existo só quando penso
porque existo quando não penso.
Penso que não importo
porque não importa o que penso.
Penso no sonho
porque sonho o que penso.
Penso que sou o que não sou
porque o que sou não penso.
Penso que conheço
porque desconheço o que penso.
Penso no que não digo
porque digo o que penso.
Penso no mundo
porque o mundo não é o que penso.

Penso que não penso o que penso.

Penso no que continua mudo.
A vida! O futuro!

Penso no que não ouso.

Viver?
Sobreviver!
Eis o que penso!

in Pensamentos e Reflexões Poéticas


Liberdade

Sao Pedro 06, originally uploaded by vfswa.

A liberdade,
é um acto humano
de um estatuto divino.

Daí
que não seja uma perfeição.
Pois
quantas vezes não é regida pela emoção.

Mas Deus, Deus não é só razão.

Limites?
Apenas uma ténue delimitação.
Eu e tu,
uma difícil divisão.

Liberdade,
implica escolher, implica acção.
Traduz consequências,
e pede decisão.

Justas,
para nos elevarem acima da nossa condição.

in Deuses, Homens e o Universo


Regressões


VIOLIN, originally uploaded by Callocephalon Photography.

 

ecos bamboleiam no horizonte.

murmúrios,
as breves vibrações em crescendo
que avançam do que foi
e procuram o que sou.

espirais de lava descaem aos céus,
flutuando em ondas de escuridão.

e nos sussurros vislumbrados,
por todo o espaço
e interlúdios do acontecido,
curva a melancolia do templo.

toda a fecundidade passou,
bafejando bálsamos suspensos.

e nas cornucópias ressequidas
ou nas grutas de cirros relampejantes
qualquer brado é mudo.

só nas cordas
se lamentam os violinos
e os ilesos fragmentos da solidão.

estremeço!
o meu corpo é muralha.

tardia confissão.
suspiro no profundo

e na vã cupidez de tentar evoluir!

 

in Da Natureza e Afins


Não há atalhos!

(re)Union, originally uploaded by vfswa

 

          Sopros nas cascatas do mar
          entreabrem tímidas passagens
          para a união dos pontos cardeais,
          onde flamas assinalam o regresso.

Não há atalhos! Na vida. No amor.
Nos momentos.
          E os portais
          não duram para sempre.
          São instantes mágicos que
          não voltam se não atravessados.
          As hesitações são perniciosas
          à alma do caminho!

          Amargo ou adocicado?

          Não há razão para tal, pois
          toda a lógica é desconhecida.
          Tudo advêm do impulso, do peso
          no vazio, no ricochete do profundo.

Não há atalhos! Na altivez. No ócio.
Nas escolhas.
          É a cruz dos imortais.
          Belo truque. Somos nós que as
          carregamos! Nas promessas que
          fazemos, a certeza submerge o
          eu, dilui o homem, incrementa
          o magenta.

          A fantasia implode.
          E os átrios contraem.

Não há atalhos!
          Nem nas lágrimas
          que vertem dos beirais.

in da Natureza e Afins

 


Rebanho

Não sou guardador de sonhos!
[Nem Constantino!]
Mas gosto deles.

E deles cuido como se fosse pastor.

in Pensamentos e Reflexões Poéticas


Gostava

Gostava de permanecer
na inocência
                          da ignorância.

Gostava de conservar,
intacta,
                 a beleza da infância.

De não crescer!

Para me manter,
puro e livre,
solto da natureza
pleno na obra do Criador.

Gostava que a viagem
regressasse à origem.

Para me perder
no seio de seu favor.

in Espelhos e outras Faces


Exemplo

homem. normal. banal.

existo aqui,
no mundo da fragilidade.
onde um herói é desfeito
e um vilão satisfeito.

vivo neste meio.
e, nesta realidade,
confesso que o meu maior receio
é ser um exemplo.

não importa para quem!
não desejo dar a ninguém
semelhante fatalidade.

nenhum templo
quero ser.
a pedestal
algum intento ascender.

o bem – pouco – tenho feito.

sou homem!
como tal,
não sou perfeito.

mas se – para alguém – exemplo for,
espero causar pouca dor.

in Espelhos e Outras Faces


Talvez …

aos olhos do Criador,
nada sou.

aos olhos de meu semelhante,
mais não sou.

a fonte sentida e pensada,
berço das águas e ondas de luz eterna,
procuro.

Talvez …

breve faúlha,
na imensidão do espaço do
                                                    tempo.

in Interlúdios da Certeza


Constância

O que os Outros dizem,

 
                                               ou pensam [sobre nós],
 

                                                                                                     não nos define!

in Pensamentos e Reflexões Poéticas


Evidência

Na base do CONHECIMENTO

está o ERRO.

 

in Aforismos e Reflexões [Poética]