Posts tagged “vida

Círculos de fada

namibia

Foto: Namíbia (autor desconhecido)

.

bocas ornamentam planícies laranja,
manifestando agradecimento
pelo manto refrescante que se anuncia.

mas o tempo é presença real
que se expressa na sombra verde.

e ao longe, em contemplação pura,
centauros observam o tronco que persiste.

é no deserto que a vida mais se afirma!

nenhuma vénia será suficiente.

todavia, todo o suspiro é aceite,
toda a lágrima é recolhida,
para que o silêncio seja a expressão
que completa o pulsar de Gaia!

 

in Espasmos

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Sensualidade

MMiana1

Podeis falar-me de deusas.
Mas, somente recordarei a beleza Humana!

You may tell me of goddesses.
But, I’ll only remember Human beauty!

 

 


(Re)EncontroS

sparkleplenty_fotos

(https://www.flickr.com/photos/47932340@N06)

.

Quando em matiz encarnada,
as palavras relevam-se fúrias
onde bamboleiam os orvalhos da entrega
e se eleva a súplica da contrição terrena.

Não há arrependimento!
Há calor. Humano. Desprendido. Selvagem.

Aos corpos que antecipam o toque
Acontecem os desmaios tectónicos do pensamento.
E na fragilidade do esboço chopiniano
exaltam-se os véus da miríade dos desejos.

Não há renúncia.
Há reconhecimento. Pleno. Singular. Ansiado.

E a saudade carnal cessa o choro
nos braços que se estendem.
Na capitulação ao acto,
o amor será consagração
e o passado será expiado no clamor do grito
que fará do futuro possibilidade.

A solidão é o primeiro passo do reencontro.
Sim. Do reencontro!
Porque o encontro foi a sua origem.

 

in Espasmos

 


Certainty

man-in-the-uni

If you can not find order in chaos,
you are not in the universe!

Se não consegues encontrar a ordem no caos,
não estás no universo!


Destino(s)

Do you believe in destiny ?

Há linhas destinadas a reencontrarem-se.

O que está por escrever,
é a decisão do momento.

=====

There are lines destined for reencounter.

What is unwritten,
is the decision of the moment.

in Livro dos Pensares e das Tormentas, 153, 5 de Julho de 1998


(e)Namorados


Deep Forest Studies #4, originally uploaded by -: Al Bell :-.

.

.

!

raizes acontecem com fervor
no florir das buganvílias em saudade,
janelas abertas ao canto desejado.

e sente-se o manto lavanda do amor
que nutre as árvores do coração.


Dobrei a esquina – em dia de aniversário


VFS_6809b&w, originally uploaded by vfsphotos.

.

Dobrei a esquina.
Apesar de consciente da etapa, uma inconsciência serena fez-me durante o dia,
onde o tempo não decorreu. Sentiu-se!
E os afetos perfumaram as horas, criando uma poderosa espiral de carinho.

Dobrei a esquina.
A falsidade foi-se, deixando a sombra da recordação.
Não há que questionar. A diferença é fundamental ao esclarecimento.

Dobrei a esquina,
grato pelo desconhecimento do futuro.
Se sei o que é o amor?
Não!
O Amor não se sabe.
Presente-se, sente-se ou vive-se.
Só assim o fragmento é elo do todo e qualquer rasgar dá lágrimas.

E as lágrimas são o néctar do presente,
intemporal.

Dobrei a esquina.
E encontrei-te!


Sabores


Shadow Body, originally uploaded by Jayfer24.
.

talvez devesse estranhar o estranho acontecer da dinâmica no contorno dos pensamentos. talvez? mas, na essência, apenas se está a manifestar a fluência da estrutura da mente, pois é da sua natureza sustentar a perspectiva hermética do universo. porém, simultaneamente, noutras pausas, fluem os espasmos sensoriais do corpo, num estranho alfabeto que se afirma singular e que nos entranha no sentimento do sentir. são outras forças que se revelam e que aquecem o ânimo da carne para o tempo do futuro. talvez a formatação seja dual. talvez? contudo, este fluir de fluxos distintos, esta fluência comunicativa ininterrupta é a ligação que nos identifica com as vibrações do diapasão cósmico, a ponte que nos faz pó da terra e pó de estrelas e que alimenta o horizonte da esperança.
será estranho estranhar que o ser humano possa ser uma pedra de roseta? talvez. contudo, se assim o for, ainda não foi totalmente decifrada. logo, antes de tudo, somos curvas que derivam em expressão.

in Livro dos Pensares e das Tormentas, 155, 7 de Julho de 1998


E Eu Sonho!


LOVE IS….., originally uploaded by jade2k.

 

nem sendo rasgada a impossibilidade esmaece.
apesar da ilusão da condição humana,
sonhar é um imperativo.

e eu sonho!
sonho porque já vivi,
já senti,
já beijei um sonho.

não importam as esquinas
nem as montanhas do céu.
jamais serás uma brisa
jamais serás esquecimento.

quanto a mim?
entrego-me às vagas do poente.
sim, do poente!
para retornar às raizes do tempo,
para obter a clemência do coração.

haverá, porém, caminhos sem obstáculos?
ou algo que ninguém observa?
existe um quarto sem janelas onde impera a tentação da fantasia.
mas não desejo universos contidos.
aceito a liberdade da existência.

repito. sonhar é um imperativo!

é assim que no sentir da esperança
ouso uma frágil prece

e persisto no Teu sonho.

 

in √81 = IX ?


dádiva(s)

Red Dawn, originally uploaded by -yury-.
 

sei que o sabes,
mas necessito expressá-lo.

é ao amanhecer,
que o meu corpo mais chora por ti!


Dia de Aniversário


Prairie Winds…, originally uploaded by The Nature of Things.

 

nada de espelhos. nada!

não renego reflexos.
até colecciono fragmentos.

mas prefiro as cúpulas celestes
ou as asas do profano humano
que chora o sonho.

porquê?
porque ouso,
apesar das marcas das passagens,
persistir no caminho do in-finito.

ao longe,
incólume,
o tempo assiste ao fluir do vento.

e, mais uma vez, o ritual é comungado.

obrigado…


Dia da Mãe ( Mother’s Day)


VFS_2473, originally uploaded by vfsphotos.

Para todas as Mães,
passadas, presentes e futuras,
que nos fizeram nascer.

O Fruto do Amor é entre Vós.
Obrigado!

=====

For all Mothers,
past, present and future,
that gave us existence.

The Fruit of Love is within You.
Thank you!

 


Futuro(s)

VFS_1686, originally uploaded by vfsphotos.
 

no embalo das águas
renovam-se as memórias do tempo,
passado,
na contemplação
que se funde presente.

haja o sonho. haja!

e o futuro realizar-se-á.


Não mais

VFS_2117, originally uploaded by vfsphotos.

 

Se estivesses ao meu lado,
abraçar-te-ia.
Encostar-me-ia a ti,
para escutar o teu coração.

E,
nas praias desertas,
as ondas não mais seriam orfãs.

 

in Sentir


Perguntas

Silouette, originally uploaded by Bruehl, Holly.

 

 

Olhava para ti
rendido,
quando após um suspiro,
sentido,
perguntaste:
Que queres de mim?

Explorar – Respondi.
Quero explorar
a tua presença,
a tua amizade,
as tuas palavras,
o teu sorriso…
Quero o universo do teu ser,
conhecer.

Para assim,
com uma pequena parte de mim,
o preencher.

 

in 30 Poemas de Amor e Um de Recordação
Especial Dia dos Namorados


MirageM


Paper Wind, originally uploaded by joniidx.

 

todo o vento é desfraldado em papel.
como uma mácula que se destina ao início.

instantes de sonho,
em cujo gérmen ocorre a doçura da ilusão,
no desejo pela coincidência da preguiça.

não há necessidade de renascer.
quando muito, devemos continuar a permanecer
no veludo tecido pelas ondas.

mas somos animais mutantes de alma presa,
subjugados pelo peso da incoerência:
cremos ser o que não somos
e almejamos o panteão das divindades.

 


Suicidam-se as aves?


DSC_2528, originally uploaded by vfsphotos.

 

suicidam-se as aves?

ou procuram a navegação no passado?

algumas entregam-se ao despojo das cinzas,
num mitológico retrato do futuro,
que eleva o exemplo ao inalcançável.

mas, suicidam-se as aves?

 

porque não voamos?


Quis


Aurora Boreal – NASA, originally uploaded by flaviocarmo.

 

ser asas em noite azul
ou beijo desprendido ao acaso

e não mais esquecer.

 


Fluência


Big Bang Fractal, originally uploaded by James Willmott.

 

o grito é um quadro mudo, uma boca acesa ao espanto
entregue à agudeza do declive esmagador,
onde brotam as palas orais do deserto.
quando acontece o convívio do silêncio extenua-se
a linha do monólogo pensante, num multiplicar inomeável
que reforça os membros do tempo.

o espectro não é linear nem obedece aos sons do destino.

desenrola-se.
como um desvelo de prazer egoísta,
omnipresente e justo.

assim se atinge o óbvio.
sem possibilidade de arbítrio,
mas na possibilidade do abraço
aos humores da rotação.

o trilho é uma ruptura vadia.
nada sangra. apenas cessa o verbo!

in Sons Urbanos


outro momento


the time machine., originally uploaded by shaman..

 

e se te disser que a terra é curva?
que o planeta é plano?

rasgarás os dias?
desfolharás o calendário?

só os números se sucedem sucedâneos,
entregues a uma contagem condicionada,
onde,
solto da gravidade,
se sente o fio da existência.

havendo medidas,
terá sempre que se desfraldar um recomeço.

nas espirais do tempo rege a ilusão das metas, mas nada deixa de fluir.

um passo termina,
outro momento acontece.

e festeja-se!


Para o meu filho Vasco


Iris_Nebula, originally uploaded by Lua Samsara.

 

Meu filho, sou um sonhador!

Sou alguém que acredita em valores, na família, na amizade, alguém que agradece os ensinamentos transmitidos, a começar pela dádiva da existência, recebida dos teus avós e, finalmente, sou alguém que pensa e questiona o que me rodeia.

Nota que o que nos rodeia não é fácil. Ainda bem. Porque a vida não é fácil. Exige esforço e dedicação, no respeito pelo pluralismo das circunstâncias humanas.

Mas viver será muito mais difícil se não sonhares. Por isso, meu filho, sonha e muito! Não deixes que os sonhos se tornem ilusões, nem nunca deixes de viver os sonhos.

E que os teus sonhos te façam generoso, te façam explorar o multiverso que existe para além do horizonte, te acompanhem durante a vida, te iluminem o coração e te permitam questionar o cosmos, para cresceres em comunhão com os teus semelhantes e em concordância com o todo.

Meu filho, hoje, por ti, dei o segundo passo na eternidade. Sou pleno no todo!

Só tenho mais esta esperança:
Que os teus sonhos aconteçam porque tu excedeste todos os meus!

O teu Pai,
25 de Maio de 2011


Estrela-do-mar

 

só os corpos sofridos atingem a redenção das águas.

vida sem dor é existência ser ardor
e os rasgos fazem pulsar o coração

onde gotas vermelhas contam o tempo
que mede o horizonte da iris.

a oscilação do desejo depende
do sussurro que chora pelo azul.

todavia, a palpitação dos grãos é real!

 

 


Acontece Poesia


Beyond The Sea, originally uploaded by Bill Adams.

 

Acontece poesia em ti
sempre que olhas,
afirmando uma vida pulsante,
magnífica,
como
o cintilar das Estrelas no céu,
o resplendor brilhante do Sol
nos teus doces
e meigos olhos.

Acontece poesia em ti
sempre que ris,
criando umas curvas no rosto,
sensuais,
como
os campos de searas ao vento,
as ondas nas águas de um lago
ao sabor da quente
e harmoniosa aragem do Verão.
 
Acontece poesia em ti
sempre que andas,
alimentando o nascer de sentimentos,
sinceros,
como
o delicado desabrochar de uma flor,
o despontar do amanhecer da vida
no enternecido ser
do meu coração.

Assim,
quando
eternamente te penso,
te sinto,
te vivo,
por fim
acontece também
poesia em mim.

in 30 Mensagens de Amor e 1 Recordação


Sina


The Low Road, originally uploaded by Philippe Sainte-Laudy.

 

todo o percurso é um rascunho
que se executa na sensação do decorrer,
uma tentativa em exultação.

é normal o acontecer das camadas,
o renovar da tez,
no desperdício dos instantes.

só a mão cria o vazio do além,
num suspiro transpirado
que cede à sede do apelo:
irás descansar!

mas caminhamos a desejar o inverso do sentido,
num sentido que se versa aos pés.

e o véu lúgubre não é ilusão.
é a promessa do renascer.

eis porque o sonambulismo inflama a chama do que se fez!
eis porque se aguarda o paraíso!

 


Subtilezas


Imagine…, originally uploaded by Philippe Sainte-Laudy.

 

formações incompletas
e outras maravilhas,
subtilezas pequeníssimas,
entregam-se ao soalheiro do vento desconhecido.
unem-se para viajar ao uno!

só o impuro será puro!
em ervas altas e savanas douradas.
depois do amadurecer prateado,
em luas suspensas ou em fios purificados,
pela peregrinação no florescer da vida.

há entidades soltas,
auto-criadas em si
e constantes na omnipresença.
há veias inspiradoras,
simples elos que fazem o verde.
só assim se multiplicam os camaleões da natureza.
e são tantos! distintos.
com cores em tempos diferentes.

na neve a brancura é imaculada.
nada a invade. até o calor é devolvido,
depois de arrefecido em névoas intactas,
num beijo rejuvenescido,
profundamente sentido,
numa etapa que se refaz em amor,
pois tudo tem um papel determinado.

manifestações traduzidas em plural,
as subtilezas pequeníssimas são imensas!
todo o conjunto é singular.
e conjugável!
em si e entre si,
para que a diversidade se suceda.
assim,
não há mundo. há mundos!
não há vidas. há vida!

e o inverso também se verifica.
o todo é um ciclo evolutivo.
de vida e morte. de continua existência.
a que qualquer entidade se submete e se renova.
e acontecem minutos para a morte
como já anteriormente os houve em ser.

as lembranças permanecem o condão.
aguardando o reencontro com o espírito
no confronto da pressão e do tempo.
vislumbra-se aí o quão profunda é a eternidade.
e nada está fechado,
pois quando o corpo sucumbir abrir-se-á ao pleno
e será subtil e pequeno.
como deve ser! para ser em luz, em beleza, em pureza

por isso,
as ondas vibratórias na harmonia do cosmos
são subtilezas pequeníssimas.
permanentes demonstrações de louvor.
percebe-se que o princípio criador do todo é a desigualdade.
nenhuma vida é igual!
logo, qualquer uma é especial.

e o amor é o elo vital que nos une
no respeito por outras vidas.
e o amor que temos por algumas é superior.

sem vida não há amor e sem amor não há respeito à vida.

ser! amor! vida!
pela expressão de pequenas subtilezas.

 

in Diálogos, Epístolas Inertes


O infinito precisa de dois

Infinite Moment

Infinite Moment, originally uploaded by Accretion Point

 

no ondular da brisa
moldam-se as curvas das dunas.

frescuras diárias.
breves afagos.
verbos soltos.

e assim escorre o relógio da vida.

o infinito precisa de dois.

 

in √81 = IX ?


Máscaras

the gloaming

the gloaming by Ileana Cozanziana

 

ah! o imenso da possibilidade.

quantas rotas em tormentas?
quantas máscaras desejadas?

sucumbes à pressão dos momentos.

nada se transfigura nos espelhos,
e todos os dias és
mais do que a soma das tuas partes.

às vezes, os mares da realidade assim obrigam.

é nessas águas que também somos humanos.

 

in Interlúdios da Certeza

 

 


Parque Samburu, Quénia

Samburu, Quénia 2001, originally uploaded by vfswa.

 

Num misto dourado, púrpura e lilás,
as estepes são!
E as savanas,
nuas e cruas,
são os portões da natureza.
Onde o alcance permitido,
vastíssimo,
preenche o universo dum coração desprevenido
pela súbita comunhão com a própria vida,
no regresso ao berço da existência.

Num misto dourado, púrpura e lilás,
as cores e os odores
inflamam a paixão do querer
e a vontade de ser uno,
na origem do tempo e da criação.

Num misto dourado, púrpura e lilás,
despercebidos,
os horizontes entrelaçam-se.

E neles somos submergidos,
num misto dourado, púrpura e lilás.

 

in Geografia e outras Circunstâncias

 


De Férias


Sao Pedro 1135, originally uploaded by vfswa.
 
 
Na harmonia do Multiverso!
 

No Corpo de Gaia

circled, originally uploaded by hkvam.

 

desejos latentes no etéreo
abrem-se paradoxalmente ao templo que se encerra.
as pálpebras das estrelas permitem brilho
às fendas escuras do horizonte,
sinalizando o trilho para o destino das almas.

há algo triste na tarde que se entrega,
mas toda a energia é panorâmica
e deixa um leque de sangue nas vestes amarelas.
nem o vento que arrefece as savanas
afronta essa dádiva onde pulsa carne divina.

espíritos animam os seios de Gaia
podando as auréolas dos cumes sagrados.
e chamas são erigidas nos altares,
louvando o corpo que soçobra em choque.

no limite da exaustão,
as danças produzem melancolias piroclásticas
que envolvem os membros despidos,
invocam sete palmos de água descendente,
refrescando os fragmentos ígneos da raiz da terra.

o movimento da miriápode celebração
igualmente avoca a presença dos druidas.
diversas fracturas são infligidas no Ânima.
e a ara fixa-se no pulmão da sutura,
velando pelo oxigenar das sementes de fogo:
quando o novo amanhecer acontecer,
aqui reflorirá o cântico do equinócio.

tenro é o período das ondas de renovação
mas sangue terá que correr para que outra seiva possa ser.
e o corpo desenterra-se da erosão imemorial do tempo,
anunciando o aligeirar do afélio interior.
vagarosamente, a trindade cêntrica estremece
despertando o poder da potencialidade absurda:
Energia, Espírito e Alma vibram para a plenitude.

ocorrem avisos anamórficos da auto-regulação
cuja amplitude devia chegar aos inquilinos desrespeitadores.
mas a atitude hodierna prevalece intocável
e não há consideração pelo que nos foi oferecido.

num provir isócrono que se gera por si só,
reavivados sussurros soltam o teleológico antigo
demonstrando a existência da ecosfera primária.

soam as horas atrozes do crepúsculo púrpura!
o tronco materno ruge sereno:
as águas sobem e os ventos ventam estranhamente,
desfraldando as abas do éter interior da cosmogonia holística.

o ente imenso recria-se para sobreviver ao impacto humano
e convulsões orgânicas surgem abruptamente desta cisão.
mas a semente da luz aguarda no ventre da Mãe terra.
uma nova dignidade emergirá e novas mãos a seguirão

nova era de esperança no respeito da lembrança.
em união omnisciente, no corpo de Gaia.


Cadências


Under a Pink Sky, originally uploaded by idashum (away).

 

o crepúsculo liberta as almas selvagens
como se o leito das amazonas sobrevivesse sem magnólias leves
ou se a recordação das lavadeiras da aldeia branca
dependesse dos sonhos das mulheres modernas.

o som dos lenços desdobrados faz as crinas densas do entardecer.
nesse manto despontam estrelas novas,
abertas ao momento do firmamento.

o céu que se eleva no horizonte
é o berço das águas sagradas em desfolhar.
e os dias são amplos membros em origem
que abrem os véus do tempo ao sangue das valquírias.

com as faces protegidas em armaduras,
as almas alimentam os estandartes escarlates
que afogam a expressão dos rostos.
e ninguém percebe as lágrimas da saudade,
fonte dos verões estivais e dos buracos negros
onde se projectam os símbolos do futuro.

o mutismo dos sinais propicia enredos em discórdia.
genuinamente, faz-se o sangramento das palavras
dificultando os sons das velhas alianças.
as bocas estão secas ao reconhecimento
quando o clamor dos corpos abafa os moderados.

eis que a logística do confronto torna as palavras incompletas
desunindo o amor pela natureza oposta,
sufocando os lábios dos sorrisos no ardor ao cumprimento entre iguais.

letras são fragmentos, parcelas das conversas
que outrora preencheram o convívio nas lajes da aldeia.
agora, outras deusas vigoram!
ufano, o sacerdote preenche o púlpito em júbilo:
– preparai as engrenagens das mecanizações hostis.

o culto da flebotomia inflamou os espíritos à loucura
e a exaustão da cegueira foi integral,
alastrando às investidas gretas na terra,
derramando o pulsar interior no vão da desumanidade.

assim adveio a época do rio de púrpura,
pleno de linfa viscosa,
onde naus são carruagens e as margens coral petrificado:
jaz aí a tolerância e a harmonia do paraíso.

mas o totem da energia primordial tem raízes no tempo.

ciente dos espasmos destrutivos,
o sábio plantou palavras em terra tenra,
num ângulo obliquamente pronunciado,
para que as magnólias surgissem num leque de lágrimas rejuvenescidas.

o tempo decorre na companhia da acção humana.

a redenção é uma semente escondida numa flor de música.
tal como é ténue a cadência da aragem,
a harmonia é uma brisa esquecida.

que permanece no raiar do jardim da esperança!


Encantamento


clouder, originally uploaded by Ash ..

 

a existência não é garante de dignidade quando o semelhante estremece.
mesmo em dias soalheiros há atitudes levianas.
olhos negam o viver da vida ou a comunhão em sociedade.
e no lar o tempo da paciência é escasso.
a distancia entre os elos aprofunda-se e os filhos chamam nas sombras.
o metal rege!
é conscientemente que se multiplicam as trintas.

perguntas o que é a poesia perante isto?

talvez seja um canto lúgubre?
ou um calendário para meditar o passado?

o todo perfaz o caminho do ser.
mas só nos revemos nos tempos áureos, onde fomos pujança gratuita.
até as lágrimas serão desperdiçadas.
é por isso que os lenços acompanham o futuro.
é por isso que a angústia é a grilheta dos que ficam.

como o tempo se sucede, nenhum espelho é uma superfície plana.
no entanto, existe um sereno aguardar:
a transfiguração do selo do presente

só aí o jogo lúdico da vida estará concluído.
e não haverá revelação. apenas alegria.


Buraco Negro

 

Atacador do universo,
a tua presença não
é vista mas sentida.

Apenas no abraço
estendido, permites
alguma luz. E nem
esta te escapa.

És temido e brutal,
mas sem ti não éramos
ou somos.

Sustentas,
o sigma nas orlas.

Comprimes. E nós,
cumprimo-nos.

 

in Da Natureza e Afins


Angkor


Sunrise at Angkor Wat, originally uploaded by kees straver.

 

O esplendor de milénios de civilização,
no correr do tempo,
esvaneceu.
E a natureza reclamou o que era seu!

No silêncio, o espírito descansou.
Os deuses e a essência em si reuniu
e na imensidão,
um novo coração fundiu.

Ressurgido da pureza,
com um renovado fulgor voltou.
E de novo,
a beleza
brilhou!

 

in Geografia e Outras Circunstâncias


Ternura Azul


Silver moon, originally uploaded by Spy to die 4.

 

depois do fragor do ruído
a memória da conquista é breve.

sobra a espuma nas conchas
em momento de nudez
                                                     luar.

ondas lisas em prata
no silêncio do mar.

nesse sonho repousa o búzio,
em teu nome,

murmúrio.


soubesse eu que eras ténue!

 

soubesse eu que eras ténue!
brisa dos cinco elementos.
formada no rompimento dos tecidos humanos
ou em desejos momentâneos.
já idos! em Março.

vislumbrei-te sem halo.
intacta!
como a lua despida ao Outono.
e aceitaste-me com um sorriso de estrelas.

foi no hausto do instante,
inebriado pela miríade dos sentires,
que me deixei,
despercebidamente, sucumbir.
o tempo foi-se, exausto.
e nem sequer, os teus lábios provei.

soubesse eu que eras ténue!
mas não soube.
e despojando-me das vestes artificiais,
fui pregar às areias do vento.

o voo das aves corria no fluir das lágrimas
ou na força vital que pulsa nas artérias,
e foi nas águas do deserto
que reencontrei a dupla hélice da vida.

a lembrança? deixou de estar corrompida.

falhei o teu breve partir.
mas sei-te ténue, sei-te minha.
no profundo das sequóias vermelhas.

  

in Diálogos, Epístolas Inertes


(des) Ordem


Tree of Wisdom, originally uploaded by SESeskiz Art Studio.

 

observo no caos uma ordem irrepetível
que nenhuma tentativa consegue reproduzir.
aí reside o elemento criador,
que se recria numa contínua (r)evolução.
porque o que foi, foi-se
e o que é, somente o é enquanto for.

apenas o imutável é obscuro.

a luz acompanha o tempo
alimentando o renovar dos sorrisos das crianças que crescem.

realizam-se os enigmas previstos
sem qualquer manipulação.
só assim se percorre o trilho ancestral,
só assim se farão as respostas,
apesar das ilusões nas paredes humanas.

eis que se manifesta, continuamente, o antigo.
num diálogo interplanetário,
num renascimento que faz a força da essência na entidade universal.

e o saber encarna,

                                          em alguns de nós.

 

in Anima Temporis


2010

Feliz Ano Novo!

 

(em Tolerância, Amor, Harmonia, Luz e Paz!)


Aguarela

 

dei asas ao manto denso da noite.

para que o silêncio caísse nos braços da luz
e os véus não circunscrevessem os riachos.


HumanaR

Tender fall, originally uploaded by Philippe Sainte-Laudy.

 

a distância entre a porta ajusta-se ao momento do destino.
tal como as escadas rolantes são ilhas,
onde as pernas se imobilizam,
duplicando um movimento que não se perpetua.

só num local
– indefinível, porque obscuro,
algures, porque discreto –
as acções são duais.

mas a transposição implica
a queda num buraco octogonal de espelhos cansados.

o homem não pode conviver,
simultaneamente, com o passado e o futuro.
a queda requer faces vedadas aos segredos disponíveis,
deformados pela velocidade horizontal do salto na penumbra.

até que as correias electromagnéticas se façam sentir
a aceleração será uma constante e a fé será posta à prova
por um corpo abandonado ao seu próprio ónus,
ao sabor das gargantas profundas da gravidade.

não haverá pára-quedas.
são chuvas que libertam a torrente de memórias gastas.
em minúsculos pontos que brilham nas paredes do fosso
ocorrem explosões de astros
puxando os dedos na direcção da entrada,
como um instinto que procura sobreviver à redenção do momento.

nada inverte o passo dado!
nem a espuma dos cometas diurnos
ou o trilho das bolhas de sabão suspensas o consegue.
tudo depende do sangue da fé!
e esta depende dos neurónios do desejo,
entregues ao mais perfeito êxtase,
siderados pela inclinação do sigma constelado.

relata-se um sonho gerador de pensamentos.
alguns sumptuosos, outros nem tanto,
que fixam os orbes oculares no véu da lamentação.
o aviso ainda ressoa inteiro.
apesar de esgotados em tentação, os olhos permanecem cerrados.
a sinopse da escolha é inevitável!

no movimento imóvel iniciado está presente o término
porque as ilhas são pontos selados.
a certa altura os pés retomam o caminho,
na companhia prazenteira da paisagem,
bebendo em goles as cores congénitas da natureza.

estes ciclos ajudam a circulação da seiva encarnada,
criando ondas retemperadoras onde nada se vê.
a meio do percurso,
a amplitude do sentir transborda os limites do corpo
e a essência renovada acompanha os espelhos cansados
no entrelaçar à génese da raiz das árvores.

quando os movimentos encontram o ritmo do movimento
são necessárias fendas nos reflexos e feridas na epiderme:
pelo rasgar irrompe a beleza no uníssono.
e o peso do corpo torna-se avassalador.
na dor que é origem, os gritos são silenciosos.

as formas informes ocupam o buraco horizontal
e a ígnea chama que sempre existiu brilha no azul da alma.
o interior da natureza é índigo.
é aqui que o calor funde as existências
e o apelo ao abraço fresco do cosmos é recitado.

mas não haverá ventos estivais,
apenas um manancial em repouso
onde o impacto do corpo ressuscitará.
só no imo as preces de louvor são índole de carácter!
só a desfragmentação individual se unirá à unidade!

após a odisseia metamórfica no colectivo do coração
a distância entre a porta ajusta-se ao momento do destino.

é neste ínterim que a força do novo homem se transfigura.
regressado da dualidade, resgatado para a realidade.

em corpo presente!

 


Licor


This morning, originally uploaded by Andreas Reinhold.
 

existe uma flama perpétua na alma
que nos liga ao indivisível arquejar do sopro divino.

apesar do tecido poroso que se estende para lá das dobras,
a melodia da água pulsa,
nas ondas do incomensurável,
em ténues suspiros que nos chamam incessantemente.

nos estios dourados,
tristezas também fazem as magnólias em flor.

e o pólen beija as searas em chuva.


Utopia em Luz


Cold Green Peak, originally uploaded by fear of light.

 

barragens de luz irrompem das membranas da terra,
anunciando a pálpebra do dia.
e a penumbra desce à limpidez do leito lunar,
no dardejar do passado escondido.

atendendo às brisas dos jardins inocentes,
as pedras são poros que ascendem serenos.
mas há pedidos irrecusáveis!
tão poderosos como o ar que se respira.
e na transição,
aguarda um vento agridoce que alisa o eclodir das carótidas,
suavizando o dispersar da seiva existencial
e amainando o pulsar que vibra nos espelhos.

é nesta ligação que se formam os arquipélagos de nuvens,
a última camada doce que anuncia a orla da densa imensidão.

ocres, verdes, azuis e negras,
as camadas são membranas em si.
um ciclo elegante,
onde se rompe a noite e se rasga a luz,
na enunciação do tempo imemorial.

e acontecem músculos cansados.
exauridos pelo drenar da brandura íntima
na cedência do veio de energia aos lábios do desejo.

só assim se liberta o grito púrpura do horizonte
e se arejam as convulsões encerradas nos quartos antigos.
é então que as labaredas insuflam o crescente
e o abraço magnético devolve a gravidade às pedras
enquanto as crepitações ressoam no eco das arenas vazias.

a oclusão dos caminhos emerge na linha da raiz
formando a força da áscua terrena,
renegando a inexistência causal dos elementos,
libertando as sementes em chama ao abraço da criação.

terra, ar, fogo e água!
mantos puros que dão vida,
vestes de luz que envolvem o atravessar do destino.
mas só nas ondas de menta fresca se elevam os portais.

no mar,
vive a alma feminina.
a água é a sua expressão.

o desejo é uma orla onde se colhem os sonhos!

o meu é ser na face dourada onde se renovam túnicas de aljôfar,
pela lágrima nos tempos, utopia em luz.


De férias

Sao Pedro 06 534, originally uploaded by vfswa.
 

PARA ALÉM DO HORIZONTE, ESTÁ O MULTIVERSO!


Calendário(s)


Tempo…fermo, originally uploaded by mareluna_99.
 

marca-se o tempo da existência
na existência em tempo.

mas o tempo tem uma existência
diferente da existência no tempo.

do Tempo brotam os tempos em vida,
da Existência surgem as existências em Ser.

Tempo?
Existência?
águas no mesmo lago de luz.

e, no fluir do In-finito, tudo é passagem!

talvez seja mais um tempo para a consciência intemporal?

talvez seja aniversário?

 


(R)Evoluções


UNIVERSO EM REVOLUÇÃO, originally uploaded by Robson Valichieri.
 

um manto profundo envolve o pulsar
que anima o centro nu da essência.

talvez a tremura seja um arquejar da mudança
que tece a malha quântica?
mas os olhos das estrelas é génese das pérolas azuis.

nós?
universos em silêncio,
somos o fundir dos corpos astrais

na contemplação do esquecimento.


Instantes

M64, originally uploaded by WolverinesDen.

 
 

abraços em luz
descaem à fusão da origem,
na convulsão da vida.

 

e o silêncio é um beijo em criação,

num (e)terno instante de entrega.


Existencialismos ?

Penso que penso que não penso.

Penso no grito. Meu! Mudo!

Penso que não existo só quando penso
porque existo quando não penso.
Penso que não importo
porque não importa o que penso.
Penso no sonho
porque sonho o que penso.
Penso que sou o que não sou
porque o que sou não penso.
Penso que conheço
porque desconheço o que penso.
Penso no que não digo
porque digo o que penso.
Penso no mundo
porque o mundo não é o que penso.

Penso que não penso o que penso.

Penso no que continua mudo.
A vida! O futuro!

Penso no que não ouso.

Viver?
Sobreviver!
Eis o que penso!

in Pensamentos e Reflexões Poéticas


Abismo(s)

não há calor.
e partículas orgânicas descem da profundidade.

bactérias bio-luminescentes
fazem as manchas na extremidades dos membros.
só a escuridão as revela.
num chamar que é sobreviver
em competição feroz.
mas o instinto honra a existência.

na densidade taciturna,
todo o engodo é precioso.
nada pode parar.
necrófagos imóveis serão restos pútridos.

ocasionalmente,
surge uma abundância inesperada.
até que a ossada seja nua.
tudo se transforma … em energia.

o tempo fará o esperado onde a neve marinha
alimenta os ténues rastos nos sedimentos pressionados.

neste limiar gélido
desenvolvem-se diferentes entidades.
minerais dissolvidos emergem das fissuras antigas
que ligam ao interior incandescente da terra.
para que a vida prospere,
as águas sobreaquecidas são fonte.

mas a opulência propicia o ócio e o desdém pelo essencial.
e dádivas são desperdiçadas levianamente.

nos antípodas,
há momentos tristes nos olhares do dia.

faces inexpressivas desenvolvem-se humanas,
apoiadas na paleta da maquilhagem,
animando as almas voluntárias que rondam os jardins.

nos cruzamentos maquinais dos seres,
a ausência aumenta o fosso do contacto
exaurindo a chama da comunidade na filáucia individual.

aqui há calor.
não há é valor, por existir.

in Diálogos, Epístolas Inertes


Rupturas

.

há corvos pousados nas neblinas adiadas.

augúrios! as laqueações interrompidas das ilusões.
mas quantos prenúncios foram realmente descontados?

no limiar da densidade perene,
vagam incertos os lamentos dos deuses,
os receptáculos vazios fulgem.
sem cinzas ou ventos passados!

apenas se recordam as magnólias roxas.
o velho fluir, esbateu-se no som presente.

são as dissonâncias das eras.
e no entanto, basta ir pelos meatos vizinhos
onde vida é um pendente interrompido.

nas névoas suspensas estiveram corvos pousados!

foi cidra, a água do tempo.
e desprendeu-se o conhecimento do antigo.

in Interlúdios da Certeza


Multitopia

 

na expansão termodinâmica,
que faz irromper água cristalina,
ainda permanecem os fluxos do tempo.

e na luz viaja o silêncio da criação.

sonho com cometas azuis!