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Entrega

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Pensei que era no horizonte.

Julguei ser sombra nas vestes do tempo
ou a luz que destapa os cumes.

Julguei ser. Mas sabia-me exíguo.

Hoje?
Sucumbo à plenitude das tuas curvas
na ténue esperança

                                         de me perder!

Thought I was on the horizon.

Thought I was a shadow in the vestments of time.
Or the light that discloses the summits.

Thought I was. But, I knew me exiguous.

Today?
I succumb to your’s curves fullness
in the faint hope

                                                               of losing myself in you!

in Espasmos

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Certainty

man-in-the-uni

If you can not find order in chaos,
you are not in the universe!

Se não consegues encontrar a ordem no caos,
não estás no universo!


Abismo(s)

não há calor.
e partículas orgânicas descem da profundidade.

bactérias bio-luminescentes
fazem as manchas na extremidades dos membros.
só a escuridão as revela.
num chamar que é sobreviver
em competição feroz.
mas o instinto honra a existência.

na densidade taciturna,
todo o engodo é precioso.
nada pode parar.
necrófagos imóveis serão restos pútridos.

ocasionalmente,
surge uma abundância inesperada.
até que a ossada seja nua.
tudo se transforma … em energia.

o tempo fará o esperado onde a neve marinha
alimenta os ténues rastos nos sedimentos pressionados.

neste limiar gélido
desenvolvem-se diferentes entidades.
minerais dissolvidos emergem das fissuras antigas
que ligam ao interior incandescente da terra.
para que a vida prospere,
as águas sobreaquecidas são fonte.

mas a opulência propicia o ócio e o desdém pelo essencial.
e dádivas são desperdiçadas levianamente.

nos antípodas,
há momentos tristes nos olhares do dia.

faces inexpressivas desenvolvem-se humanas,
apoiadas na paleta da maquilhagem,
animando as almas voluntárias que rondam os jardins.

nos cruzamentos maquinais dos seres,
a ausência aumenta o fosso do contacto
exaurindo a chama da comunidade na filáucia individual.

aqui há calor.
não há é valor, por existir.

in Diálogos, Epístolas Inertes


Mitos e Fantasias

Na mente vivem!
Reais e fieis.

Na imaginação,
plenas de felicidade.
Criaturas tão fantásticas
que, num anseio,
são uma realidade, pintada,
nesta alva dimensão.

Para agradecer,
a sua libertação,
Grifos brincam no ar exibindo,
uma magnifica plumagem.
Pégaso, como um petiz,
vai-se esconder
para, atrás de uma nuvem,
logo aparecer.

Um unicórnio desliza,
majestosamente feliz,
numa verde imensidão.
Venerado, ao longe,
pelo olhar das valquírias
que, por amazonas acompanhadas,
observam deleitadas tão pura entidade.

Ao largo,
pelas ondas acariciadas,
as sereias cantam.
Retribuindo a dádiva da criação
com o som da ternura.
A nostalgia chama Ulisses de volta ao mar!

Os de Asgard e do Olimpo
decidem presentear
Midgard com um arco-íris.
Osíris, também quer participar.
Vahalla brilha!
Cronos, rindo,
vê os Titãs estampar a vida com cores.
Na brancura, as pintas escuras,
dão o tom aos sabores.

No papel convivem!
Mitos e fantasias.
Imortais, no pensamento, crescem.
Agradecidos,
por no coração serem recebidos,
dão-nos alegrias.

E nós
 – mortais –
surpreendidos
pela visão de tal cosmos,
em tais magias somos preenchidos.

Mitos e Fantasias!
Em nós, reunidos.
A nós, unidos!

 

in Deuses, Homens e o Universo


Janus

As faces vigiam.
Tudo vêem.
Nada é desconhecido.

O conselho é proibido!
Só o acesso ao labirinto é permitido.
E o caminho?
Apenas por quem escolhe é percorrido.

Não há avisos!
Há portas que abrem,
vias que terminam
e destinos que começam.

As faces vigiam.
Tudo vêem.

Suspiram!
Depois do rumo ser conhecido.

 

in Deuses, Homens e o Universo


Sou

há ensejos em que tudo é espiral.

ou caos em profunda liberdade.

ou mera invulnerabilidade.

quiçá?

 

despojas-te do tempo

e és, essência em sentimento,

no perpétuo fluir do todo.

 

entrega-te. sem reservas!

 

eu?

sou emoção.

 

 

 

 

in Comentários na face da Noite


Fátuo

Nasci
para viver no caos
humanamente ordenado.

Vã esperança,
tentar ordem na génese divina.

Não deixou de ouvir Beethoven?

Mas a harmonia não cessou …

 

in Da Natureza e Afins


Vida

dançam os tons das eras nos espasmos da criação.
instantes únicos fazem o colectivo do tempo.
nem os receios da génese se afastam!

quanta beleza há no caos?