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Metamorfoses

Dark_City_by_p0m

Dark_City_by_p0m

 

Nem todas as cidades se iluminam quando o sol está alto.
É assim que se afirma a sombra das colinas, onde subsistem almas isoladas,
suspirando pela redenção na poeira que conduz ao horizonte.
Mas as plumas do tempo, sobrecarregadas, recusam mais pedidos
com receio de tornarem os pastos mais verdes.
Nem tudo é como é. Por vezes, só é como pode ser.

Tudo começa sozinho. Mesmo quando provém da união.
Até a dualidade pode ser mácula. Apesar de conter a salvação.
Sem a profundidade do abismo, a luz mover-se-ia despercebida.
E, regente, a curvatura do espaço permanece condição à dobra do corpo.

É a frequência das águas que queima as rochas.
O diapasão vibratório é mera decoração,
limitando-se a assistir ao lamento das ondas negras.
Dores de crescimento, alguns dirão,
quando na realidade é o universo que envelhece.

Quem cessa de querer voar? Mesmo apesar do aumento da escala
que alimenta, ininterruptamente, a tibieza da certeza humana?
Em boa verdade, existirão sempre dias de sonhos em breves compassos alados,
sucumbindo, resignados, ao abraço da gravidade.
Nenhuma atracção é tão final!

Tentando iludir as crenças, fitas negras esvoaçam à distância.
Outrora irresistível, são os sentidos que se desprendem da compreensão.
E o arrebatamento acontece pela promessa das auréolas,
cujo toque é o empenho do voo fantasiado na clausura da solidão.

A tentação da carne afasta os olhos do firmamento,
reforçando a presença de Nietzsche. Nenhum aviso seria mais terreno.
Ainda bem! Não é aos deuses que te deves dar, mas sim ao resgate das curvas femininas!
Os deuses não são carnais, se é que alguma vez o quiseram ser,
pois detestam a circunstância humana do amor e da dor da solidão.
Jamais compreenderão o pacto do reencontro!

É num suave estremecimento que se dá o deslocamento do plano.
Contudo, os graus da antecipação são abruptos, atestando os sorrisos do futuro.
O que começa só não tem que terminar sozinho.
Nem permanecer vazio à espera do queimar das lágrimas
ou aguardar pelo gelo que perfaz as orlas das nuvens.

Sim. Nietzsche ainda é presença.
Se as asas são possibilidade, também o abismo é contingência.
A atracção é, antes de mais, condição. Variável é a escolha.

E somente se aguarda pela tua resposta!

 

VFS, 2015/12/24

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Círculos de fada

namibia

Foto: Namíbia (autor desconhecido)

.

bocas ornamentam planícies laranja,
manifestando agradecimento
pelo manto refrescante que se anuncia.

mas o tempo é presença real
que se expressa na sombra verde.

e ao longe, em contemplação pura,
centauros observam o tronco que persiste.

é no deserto que a vida mais se afirma!

nenhuma vénia será suficiente.

todavia, todo o suspiro é aceite,
toda a lágrima é recolhida,
para que o silêncio seja a expressão
que completa o pulsar de Gaia!

 

in Espasmos


Entrega

girl-in-the-darkness-with-rays-of-lights-on-her

(https://pt.pinterest.com/pin/530087818625330800/)

.

Pensei que era no horizonte.

Julguei ser sombra nas vestes do tempo
ou a luz que destapa os cumes.

Julguei ser. Mas sabia-me exíguo.

Hoje?
Sucumbo à plenitude das tuas curvas
na ténue esperança

                                         de me perder!

Thought I was on the horizon.

Thought I was a shadow in the vestments of time.
Or the light that discloses the summits.

Thought I was. But, I knew me exiguous.

Today?
I succumb to your’s curves fullness
in the faint hope

                                                               of losing myself in you!

in Espasmos


Certainty

man-in-the-uni

If you can not find order in chaos,
you are not in the universe!

Se não consegues encontrar a ordem no caos,
não estás no universo!


Ser(es)


Untitled, originally uploaded by hoodkitty.

.

Tens ideia do desejo que sempre provocaste?

Rendi-me às tuas ondas imediatamente.
Mas, o tempo passou.
Contudo, jamais te esqueci
ou deixei de te desejar.

Ainda hoje ouço o teu mar.

Aceita-me.
Em ti. Dentro de ti!


Quietude

lágrimas,
no oceano da humanidade,
moldam ondas sensoriais
em ventos de luz.

diáfanos plasmas fluem
nos alicerces do centro do ser

palavras inaudíveis,
são beijos trocados
na ternura do permanecer.

mera intermitência,
entrego-me,
incondicionalmente,
à tua pertença.

Mulher!
Mãe!
Futuro!

 

in √81 = IX ?


Poetry for poverty


Poetry for Poverty, originally uploaded by jermaister.

Como esquecer ?

como esquecer (-te)?

vejo.
porque és luz.

sinto.
porque és calor.

vivo.
porque és amor.

entrego-me.
porque sou livre
                                 … e teu.