Posts tagged “silêncio

(Re)EncontroS

sparkleplenty_fotos

(https://www.flickr.com/photos/47932340@N06)

.

Quando em matiz encarnada,
as palavras relevam-se fúrias
onde bamboleiam os orvalhos da entrega
e se eleva a súplica da contrição terrena.

Não há arrependimento!
Há calor. Humano. Desprendido. Selvagem.

Aos corpos que antecipam o toque
Acontecem os desmaios tectónicos do pensamento.
E na fragilidade do esboço chopiniano
exaltam-se os véus da miríade dos desejos.

Não há renúncia.
Há reconhecimento. Pleno. Singular. Ansiado.

E a saudade carnal cessa o choro
nos braços que se estendem.
Na capitulação ao acto,
o amor será consagração
e o passado será expiado no clamor do grito
que fará do futuro possibilidade.

A solidão é o primeiro passo do reencontro.
Sim. Do reencontro!
Porque o encontro foi a sua origem.

 

in Espasmos

 


Redenção / Redemption

VFS_3205bw.jpg

.

Podes dar-me a mão,
deixar-me chorar,
abraçar-me em silêncio.

Mas, sem revelar as minhas fraquezas,
morrerei em desgraça.

 

 

You may give me your hand,
let me cry,
embrace me in silence.

But, without revealing my weaknesses,
I’ll die in disgrace.

in Espasmos


Fervor


Compulsion, originally uploaded by Jose F. Sosa.

.

extraterrestres podiam aterrar neste ermo que poucos notariam.
exceptuando os que procuram a mudança e a integração da espécie.

a mensagem do salvador está gasta.

mas a produção de tónicos cresceu
e o destino parece algo partilhado,
habilmente multiplicador do horizonte.

o centro do universo já não é o homem, mas o umbigo!
aqui floresce a mais pujante religião,
castradora e impiedosa com os descrentes.
quando menos acreditas, os profetas tocam a campainha
revelando os viajantes e prometendo o caminho para o cosmos.

todavia, a meta é o consumo de ilusões
que assumem o significado do insignificante.

e não se autorizam tresmalhados!

.


Angkor


Sunrise at Angkor Wat, originally uploaded by kees straver.

 

O esplendor de milénios de civilização,
no correr do tempo,
esvaneceu.
E a natureza reclamou o que era seu!

No silêncio, o espírito descansou.
Os deuses e a essência em si reuniu
e na imensidão,
um novo coração fundiu.

Ressurgido da pureza,
com um renovado fulgor voltou.
E de novo,
a beleza
brilhou!

 

in Geografia e Outras Circunstâncias


Aguarela

 

dei asas ao manto denso da noite.

para que o silêncio caísse nos braços da luz
e os véus não circunscrevessem os riachos.