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Metamorfoses

Dark_City_by_p0m

Dark_City_by_p0m

 

Nem todas as cidades se iluminam quando o sol está alto.
É assim que se afirma a sombra das colinas, onde subsistem almas isoladas,
suspirando pela redenção na poeira que conduz ao horizonte.
Mas as plumas do tempo, sobrecarregadas, recusam mais pedidos
com receio de tornarem os pastos mais verdes.
Nem tudo é como é. Por vezes, só é como pode ser.

Tudo começa sozinho. Mesmo quando provém da união.
Até a dualidade pode ser mácula. Apesar de conter a salvação.
Sem a profundidade do abismo, a luz mover-se-ia despercebida.
E, regente, a curvatura do espaço permanece condição à dobra do corpo.

É a frequência das águas que queima as rochas.
O diapasão vibratório é mera decoração,
limitando-se a assistir ao lamento das ondas negras.
Dores de crescimento, alguns dirão,
quando na realidade é o universo que envelhece.

Quem cessa de querer voar? Mesmo apesar do aumento da escala
que alimenta, ininterruptamente, a tibieza da certeza humana?
Em boa verdade, existirão sempre dias de sonhos em breves compassos alados,
sucumbindo, resignados, ao abraço da gravidade.
Nenhuma atracção é tão final!

Tentando iludir as crenças, fitas negras esvoaçam à distância.
Outrora irresistível, são os sentidos que se desprendem da compreensão.
E o arrebatamento acontece pela promessa das auréolas,
cujo toque é o empenho do voo fantasiado na clausura da solidão.

A tentação da carne afasta os olhos do firmamento,
reforçando a presença de Nietzsche. Nenhum aviso seria mais terreno.
Ainda bem! Não é aos deuses que te deves dar, mas sim ao resgate das curvas femininas!
Os deuses não são carnais, se é que alguma vez o quiseram ser,
pois detestam a circunstância humana do amor e da dor da solidão.
Jamais compreenderão o pacto do reencontro!

É num suave estremecimento que se dá o deslocamento do plano.
Contudo, os graus da antecipação são abruptos, atestando os sorrisos do futuro.
O que começa só não tem que terminar sozinho.
Nem permanecer vazio à espera do queimar das lágrimas
ou aguardar pelo gelo que perfaz as orlas das nuvens.

Sim. Nietzsche ainda é presença.
Se as asas são possibilidade, também o abismo é contingência.
A atracção é, antes de mais, condição. Variável é a escolha.

E somente se aguarda pela tua resposta!

 

VFS, 2015/12/24

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Nos Dias em que o Céu é Viúvo

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misty ocean 2 by lucieg stock

.

Nos dias em que o céu é viúvo chovem pedras nas nuvens
e os pedreiros esforçam-se por libertar as lágrimas dos túmulos.

A vereda da água é sinal de colheitas!

Caem os ídolos do tempo moderno e escrevem-se os éditos da fertilidade,
reforçando a tradição de outrora e a amplitude das matriarcas,
anunciando a vitalidade do futuro.
Porém, toda a metamorfose é uma dissonância.
Já a cognição é um fruto agridoce que se faz conjunto.

Nos dias em que o céu é viúvo chovem pedras nas nuvens
e as lápides são as cangas que os ombros levam para a eternidade,
num descanso que somente será suado.

apenas os tolos são abençoados!

 

in Espasmos


Círculos de fada

namibia

Foto: Namíbia (autor desconhecido)

.

bocas ornamentam planícies laranja,
manifestando agradecimento
pelo manto refrescante que se anuncia.

mas o tempo é presença real
que se expressa na sombra verde.

e ao longe, em contemplação pura,
centauros observam o tronco que persiste.

é no deserto que a vida mais se afirma!

nenhuma vénia será suficiente.

todavia, todo o suspiro é aceite,
toda a lágrima é recolhida,
para que o silêncio seja a expressão
que completa o pulsar de Gaia!

 

in Espasmos


Feliz Ano Novo / Happy New Year (2017)

Ano novo 2017.jpg

Pleno de sensações, num ciclo que se renova, mais um ano chega ao fim. Tristeza e alegria. fracassos e sucessos, continuidade e mudança, surpresas e insistências e, principalmente, metas ultrapassadas e outras por alcançar, fizeram de 2016um ano preenchido por dias intensamente vividos.

Não há nada melhor do que uma sucessão de dias assim vivenciados. Nada se conhece sem se experimentar a diferença. Foi nesta certeza que continuei a aceitar e a respeitar os outros como eles são e não como eu gostariam que fossem e que igualmente solidifiquei uma das minhas mais antigas convicções: dizer o que penso e não o que os outros querem ouvir!

Um ciclo que se renova pode transfigurar-se e espero que assim aconteça. Todavia, também acredito que o próximo ano prolongará a faculdade de utilizar as minhas capacidades em prol da comunidade, pois igualmente é minha convicção que trabalhar para o conjunto possibilita a progressão individual. Como tal, desejo que desta consciência advenha mais humildade. Só assim poderei evoluir como pessoa e cidadão.

Este é o meu desejo para 2017: que continuem a ajudar-me a ser uma pessoa melhor!

E seja qual for a vossa preferência – saúde, paz, amor, paixão, sexo, poesia, exercício físico, trabalho, dinheiro, etc., – é o que vos desejo para 2017.

Feliz Ano Novo!

My wish for 2017 is: to keep counting with your help to be a better person!

Whatever may be your preferences – health, peace, love, passion, sex, poetry, physical exercise, work, money, etc. – that will be my wish for you all in 2017.

Happy New Year!


Sensualidade

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Podeis falar-me de deusas.
Mas, somente recordarei a beleza Humana!

You may tell me of goddesses.
But, I’ll only remember Human beauty!

 

 


(Re)EncontroS

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(https://www.flickr.com/photos/47932340@N06)

.

Quando em matiz encarnada,
as palavras relevam-se fúrias
onde bamboleiam os orvalhos da entrega
e se eleva a súplica da contrição terrena.

Não há arrependimento!
Há calor. Humano. Desprendido. Selvagem.

Aos corpos que antecipam o toque
Acontecem os desmaios tectónicos do pensamento.
E na fragilidade do esboço chopiniano
exaltam-se os véus da miríade dos desejos.

Não há renúncia.
Há reconhecimento. Pleno. Singular. Ansiado.

E a saudade carnal cessa o choro
nos braços que se estendem.
Na capitulação ao acto,
o amor será consagração
e o passado será expiado no clamor do grito
que fará do futuro possibilidade.

A solidão é o primeiro passo do reencontro.
Sim. Do reencontro!
Porque o encontro foi a sua origem.

 

in Espasmos

 


Dobrei a esquina – em dia de aniversário


VFS_6809b&w, originally uploaded by vfsphotos.

.

Dobrei a esquina.
Apesar de consciente da etapa, uma inconsciência serena fez-me durante o dia,
onde o tempo não decorreu. Sentiu-se!
E os afetos perfumaram as horas, criando uma poderosa espiral de carinho.

Dobrei a esquina.
A falsidade foi-se, deixando a sombra da recordação.
Não há que questionar. A diferença é fundamental ao esclarecimento.

Dobrei a esquina,
grato pelo desconhecimento do futuro.
Se sei o que é o amor?
Não!
O Amor não se sabe.
Presente-se, sente-se ou vive-se.
Só assim o fragmento é elo do todo e qualquer rasgar dá lágrimas.

E as lágrimas são o néctar do presente,
intemporal.

Dobrei a esquina.
E encontrei-te!


E Eu Sonho!


LOVE IS….., originally uploaded by jade2k.

 

nem sendo rasgada a impossibilidade esmaece.
apesar da ilusão da condição humana,
sonhar é um imperativo.

e eu sonho!
sonho porque já vivi,
já senti,
já beijei um sonho.

não importam as esquinas
nem as montanhas do céu.
jamais serás uma brisa
jamais serás esquecimento.

quanto a mim?
entrego-me às vagas do poente.
sim, do poente!
para retornar às raizes do tempo,
para obter a clemência do coração.

haverá, porém, caminhos sem obstáculos?
ou algo que ninguém observa?
existe um quarto sem janelas onde impera a tentação da fantasia.
mas não desejo universos contidos.
aceito a liberdade da existência.

repito. sonhar é um imperativo!

é assim que no sentir da esperança
ouso uma frágil prece

e persisto no Teu sonho.

 

in √81 = IX ?


Brevidade / Briefness

open arms, originally uploaded by xgray.

 

a metodologia profana é o desvendar dos dedos.
frágil meio que versa a comunhão do Ser
sem perceber que a coexistência
é um labirinto de vaidades rendilhadas,
albergando breves compassos
plenos de momentos individualizados.

vozes são erigidas diariamente para a subsistência das duas esculturas,
mas é semanalmente que se contraem os voos.

planicies são ilusão.
não há cornucópias na dobra do horizonte.
e, no regaço do declive, os estios serão sempre sazonais.

=====

the profane methodology is the unveiling of fingers.
frail medium about the fellowship of being
unaware that coexistence is a maze of laced vanities,
harboring brief compasses
filled with individual moments.

daily voices are raised to the livelihoods of the two sculptures,
but it’s weekly that flights are constricted.

plains are illusions.
there’re no cornucopias on the horizon bends.
and, in the slope’s lap, summers will always be seasonal.


Futuro(s)

VFS_1686, originally uploaded by vfsphotos.
 

no embalo das águas
renovam-se as memórias do tempo,
passado,
na contemplação
que se funde presente.

haja o sonho. haja!

e o futuro realizar-se-á.


Boa Páscoa / Happy Easter

DSC_1667, originally uploaded by vfsphotos.

que esta Páscoa concretize a passagem para uma atitude melhor.

e que as palavras sejam o primeiro passo para essa redenção viva, aquela que ilumina o espírito humano e que significa a renovação dos elos que nos unem em comunidade
e que nos fazem florescer no MultiVerso!

===

may this Easter materializes the passage to a better attitude.

and may the words be the first step to that living redemption, the one that illuminates the human spirit and meaning the renewal of the ties that bind us together as a community,
thus allowing us flourish in the multiverse!


Ómega

The Temple of Poseidon, originally uploaded by photogon.

 

 

penso no princípio.
na chave em voz. no quarto que origina a vontade.
penso no principio porque não sei se o escrevi.
tantas são as certezas como as loucuras.
e rio no quarto. sozinho. no embalo do eco
onde se desfralda a língua do silêncio.

mas há vozes audíveis!
rompidas pelos desertos em concepção
na alegoria do quarto já percorrido,
quase preenchido em vazio,
que por um acaso – triste, alguns dirão –
é ocupado pelo choro dum bebé recém-nascido,
no desfragmento do desejo.

talvez o tempo seja sustido por um suspiro. talvez?
no entanto, propago-me.
e acontecem incógnitas sensoriais nas equações espaciais,
vibrações que moldam deltas em fluxo ritmado,
numa sinfonia de sossegos compassados.

ah! trapezistas audazes.
que se abraçam no etéreo, solto,
na vigilância da harpa indomável.
também quero um desfragmento inteiro.
também quero voar num espaço sem rede.
talvez assim consiga recriar o instante.
ou sair pelo caminho mais curto.

mas as paredes continuam caladas
e a linguagem não exprime o sentir.
como queria retornar ao local do encontro!
mas o quarto não é um talvez,
nem esconde deliberadamente a fechadura.
sem escrita não há memória.
sem voz, que haverá?

e eu penso no princípio.
penso no princípio porque desejo o futuro!

 

in Diálogos, Epístolas Inertes


Night wishes / Desejos nocturnos


Night @ SeaSide, originally uploaded by ristozz.

 

night wishes that torment me
do not make hopeful days.

wishes! nevertheless.
wishes for recognition,
… for freedom and daring voice.

as in me sound is constant,
cradle of clouds, needed thunder
for the claim of my human condition.

but, coming from time, the horizon question
when thou shalt be whole?
when thou shalt be uno?

if you want to know the difference
dark days are mandatory.
no switch can be touched
only a journey must be fullfilled

and I finally realize:
I am my fate’s creator.
only I can be change.

==========

desejos nocturnos que me atormentam
não fazem dias esperançosos.

desejos, no entanto!
desejos de reconhecimento,
… de liberdade e voz audaz

porque me mim o som é constante,
berço das nuvens, trovão necessário,
para a afirmação da condição humana.

vinda do tempo,
a voz do horizonte pergunta:
quando serás inteiro?
quando serás uno?

se queres conhecer a diferença
dias escuros são obrigatórios.
nenhum atalho pode haver.
apenas a viagem deve ser preenchida!

e finalmente compreendo:
crio o meu destino
só eu posso ser mudança.

 

in Substance(S)


depois da pátria


Greece Naxos Apollon Temple, originally uploaded by j0rune.

 

depois da pátria é o futuro porque pátria foi o que concedemos
a terceiros que nos representam, esquecendo-se donde vieram.
mas até o futuro pode ser questionado
se os comportamentos não mudam.

e os rostos continuarão a perder a face da vergonha,
livremente, em plena vontade,
felizes pela ascensão às migalhas do domínio.

como se não houvesse subjugados,
reina a ilusão da permanência.
todos somos serventes,
ó companheiros do infortúnio.

é necessário abater os pedestais
para que o espanto não padeça mudo!

(13 de Maio de 2011)


Suicidam-se as aves?


DSC_2528, originally uploaded by vfsphotos.

 

suicidam-se as aves?

ou procuram a navegação no passado?

algumas entregam-se ao despojo das cinzas,
num mitológico retrato do futuro,
que eleva o exemplo ao inalcançável.

mas, suicidam-se as aves?

 

porque não voamos?


Fluência


Big Bang Fractal, originally uploaded by James Willmott.

 

o grito é um quadro mudo, uma boca acesa ao espanto
entregue à agudeza do declive esmagador,
onde brotam as palas orais do deserto.
quando acontece o convívio do silêncio extenua-se
a linha do monólogo pensante, num multiplicar inomeável
que reforça os membros do tempo.

o espectro não é linear nem obedece aos sons do destino.

desenrola-se.
como um desvelo de prazer egoísta,
omnipresente e justo.

assim se atinge o óbvio.
sem possibilidade de arbítrio,
mas na possibilidade do abraço
aos humores da rotação.

o trilho é uma ruptura vadia.
nada sangra. apenas cessa o verbo!

in Sons Urbanos


verbo azul

Manuela Salema – Livro plantado – 2007

 

uma pena solta.
um ramo suspenso.
uma página aberta ao futuro.

Deusa do jardim das safiras,
levitas no lago etéreo do desejo,
na amalgama das eras,
entre as encostas do meu peito
e mares em índigos sonhados.

floresce uma rosa, qual semente no coração.

marcas do tempo subsistem,

mas o Verbo da criação
é o livro azul da origem,

onde somos In-finito!


outro momento


the time machine., originally uploaded by shaman..

 

e se te disser que a terra é curva?
que o planeta é plano?

rasgarás os dias?
desfolharás o calendário?

só os números se sucedem sucedâneos,
entregues a uma contagem condicionada,
onde,
solto da gravidade,
se sente o fio da existência.

havendo medidas,
terá sempre que se desfraldar um recomeço.

nas espirais do tempo rege a ilusão das metas, mas nada deixa de fluir.

um passo termina,
outro momento acontece.

e festeja-se!


Para o meu filho Vasco


Iris_Nebula, originally uploaded by Lua Samsara.

 

Meu filho, sou um sonhador!

Sou alguém que acredita em valores, na família, na amizade, alguém que agradece os ensinamentos transmitidos, a começar pela dádiva da existência, recebida dos teus avós e, finalmente, sou alguém que pensa e questiona o que me rodeia.

Nota que o que nos rodeia não é fácil. Ainda bem. Porque a vida não é fácil. Exige esforço e dedicação, no respeito pelo pluralismo das circunstâncias humanas.

Mas viver será muito mais difícil se não sonhares. Por isso, meu filho, sonha e muito! Não deixes que os sonhos se tornem ilusões, nem nunca deixes de viver os sonhos.

E que os teus sonhos te façam generoso, te façam explorar o multiverso que existe para além do horizonte, te acompanhem durante a vida, te iluminem o coração e te permitam questionar o cosmos, para cresceres em comunhão com os teus semelhantes e em concordância com o todo.

Meu filho, hoje, por ti, dei o segundo passo na eternidade. Sou pleno no todo!

Só tenho mais esta esperança:
Que os teus sonhos aconteçam porque tu excedeste todos os meus!

O teu Pai,
25 de Maio de 2011


Ó Moral

 

Ó moral,
que as amarras à ética
no correr dos tempos perdeste,
foste tu que te corrompeste
ou o criador quem te corrompeu?

E a lição que sempre prometeste?
Será que chegou a ser o que pretendeste
ou foste prática que, desde o inicio, em vão prometeu?

in Homens, Deuses e o Universo


Rebanhos


Sheep may safely graze, originally uploaded by Photoma’s World.

 

ventos escorrem suaves.
mas, ao largo, nada se comove.

nem os agrados macilentos!

talvez haja improbabilidade nas dinâmicas?
ou mera pertença esquiva?

as interpretações mais solitárias
são vociferadas pelo conjunto.

há porta-vozes mordazes!
airosamente plantados sem escrutínio.
livres de escrúpulos e dos tempos idos,
plenos na sobrevivência instintiva.

não há resistência quando as perguntas ficam inertes.

no dialogo suspenso, o ciclo é desmembrado.
tudo é réplica interrompida.
mesmo aqueles que não o julgam, são marionetas.

quantas ovelhas são realmente livres?

 

in Sons Urbanos


Lar da Espécie


The gate of all nations, originally uploaded by Shapour_3.

Nações! Raças!

Palavras vãs e fracos credos.
Fúteis criações do homem,
promotoras de divisões,
ameaças e medos.

Brancos, amarelos,
vermelhos ou pretos,
não importa nem interessa.
Somos da mesma espécie!

E não somos daqui ou dali,
deste ou daquele.
Somos filhos da Terra
e vivemos no mesmo lar.

Antes de ser branco, amarelo, vermelho ou preto,
o homem é espécie!
Antes de ser cidadão,
o homem é homem!

E não pode ser homem ou cidadão
se continuar a desrespeitar a terra.
Porque o lar da espécie é o mundo!
Que morre, lentamente,
entre as disputas das nações e das raças.

Nations! Races!

Vain words and weak faiths.
Man’s futile creations,
promoting divisions,
threats and fears.

White, yellow,
red or black,
neither is worth or matters.
We are of the same species!

And we are not from here or there,
from this or that.
We are children of the earth
living in the same home.

Prior to being white, yellow, red or black,
Man is species!
Prior to being a citizen,
Man is man!

And he can not be a man or citizen
if it continues to disrespecting the earth.
Because the world is home of the species!

Which dies, slowly,
between disputes of nations and races.

in Letras, Palavras e Linhas: Gestos pela diferença (2005)


No Corpo de Gaia

circled, originally uploaded by hkvam.

 

desejos latentes no etéreo
abrem-se paradoxalmente ao templo que se encerra.
as pálpebras das estrelas permitem brilho
às fendas escuras do horizonte,
sinalizando o trilho para o destino das almas.

há algo triste na tarde que se entrega,
mas toda a energia é panorâmica
e deixa um leque de sangue nas vestes amarelas.
nem o vento que arrefece as savanas
afronta essa dádiva onde pulsa carne divina.

espíritos animam os seios de Gaia
podando as auréolas dos cumes sagrados.
e chamas são erigidas nos altares,
louvando o corpo que soçobra em choque.

no limite da exaustão,
as danças produzem melancolias piroclásticas
que envolvem os membros despidos,
invocam sete palmos de água descendente,
refrescando os fragmentos ígneos da raiz da terra.

o movimento da miriápode celebração
igualmente avoca a presença dos druidas.
diversas fracturas são infligidas no Ânima.
e a ara fixa-se no pulmão da sutura,
velando pelo oxigenar das sementes de fogo:
quando o novo amanhecer acontecer,
aqui reflorirá o cântico do equinócio.

tenro é o período das ondas de renovação
mas sangue terá que correr para que outra seiva possa ser.
e o corpo desenterra-se da erosão imemorial do tempo,
anunciando o aligeirar do afélio interior.
vagarosamente, a trindade cêntrica estremece
despertando o poder da potencialidade absurda:
Energia, Espírito e Alma vibram para a plenitude.

ocorrem avisos anamórficos da auto-regulação
cuja amplitude devia chegar aos inquilinos desrespeitadores.
mas a atitude hodierna prevalece intocável
e não há consideração pelo que nos foi oferecido.

num provir isócrono que se gera por si só,
reavivados sussurros soltam o teleológico antigo
demonstrando a existência da ecosfera primária.

soam as horas atrozes do crepúsculo púrpura!
o tronco materno ruge sereno:
as águas sobem e os ventos ventam estranhamente,
desfraldando as abas do éter interior da cosmogonia holística.

o ente imenso recria-se para sobreviver ao impacto humano
e convulsões orgânicas surgem abruptamente desta cisão.
mas a semente da luz aguarda no ventre da Mãe terra.
uma nova dignidade emergirá e novas mãos a seguirão

nova era de esperança no respeito da lembrança.
em união omnisciente, no corpo de Gaia.


Cadências


Under a Pink Sky, originally uploaded by idashum (away).

 

o crepúsculo liberta as almas selvagens
como se o leito das amazonas sobrevivesse sem magnólias leves
ou se a recordação das lavadeiras da aldeia branca
dependesse dos sonhos das mulheres modernas.

o som dos lenços desdobrados faz as crinas densas do entardecer.
nesse manto despontam estrelas novas,
abertas ao momento do firmamento.

o céu que se eleva no horizonte
é o berço das águas sagradas em desfolhar.
e os dias são amplos membros em origem
que abrem os véus do tempo ao sangue das valquírias.

com as faces protegidas em armaduras,
as almas alimentam os estandartes escarlates
que afogam a expressão dos rostos.
e ninguém percebe as lágrimas da saudade,
fonte dos verões estivais e dos buracos negros
onde se projectam os símbolos do futuro.

o mutismo dos sinais propicia enredos em discórdia.
genuinamente, faz-se o sangramento das palavras
dificultando os sons das velhas alianças.
as bocas estão secas ao reconhecimento
quando o clamor dos corpos abafa os moderados.

eis que a logística do confronto torna as palavras incompletas
desunindo o amor pela natureza oposta,
sufocando os lábios dos sorrisos no ardor ao cumprimento entre iguais.

letras são fragmentos, parcelas das conversas
que outrora preencheram o convívio nas lajes da aldeia.
agora, outras deusas vigoram!
ufano, o sacerdote preenche o púlpito em júbilo:
– preparai as engrenagens das mecanizações hostis.

o culto da flebotomia inflamou os espíritos à loucura
e a exaustão da cegueira foi integral,
alastrando às investidas gretas na terra,
derramando o pulsar interior no vão da desumanidade.

assim adveio a época do rio de púrpura,
pleno de linfa viscosa,
onde naus são carruagens e as margens coral petrificado:
jaz aí a tolerância e a harmonia do paraíso.

mas o totem da energia primordial tem raízes no tempo.

ciente dos espasmos destrutivos,
o sábio plantou palavras em terra tenra,
num ângulo obliquamente pronunciado,
para que as magnólias surgissem num leque de lágrimas rejuvenescidas.

o tempo decorre na companhia da acção humana.

a redenção é uma semente escondida numa flor de música.
tal como é ténue a cadência da aragem,
a harmonia é uma brisa esquecida.

que permanece no raiar do jardim da esperança!


en_CRUZ_ilhadas

Crossroad

.

a obliquidade do olhar apaga-se.

no i_manifestado dos cruzamentos
os celeiros são amarelos!

e no acontecer
do deserto branco de coral,
trocam-se flores nos tabuleiros xadrezes.

só as torres de ébano tocam o Céu!

 .

in Interlúdios da Certeza


Ocaso

 

 

o propósito da locomoção não é linear.

apenas o caminho é certeza para os pés,
autenticas bases movíveis que descrevem caprichos ondulares.

depois vem a dinâmica do equilíbrio,
onde, no entoar de diferentes ecos, os passos são a voz da idade.

é pelos pedais que se atingem as espirais paralelas das utopias etéreas,
os círculos constantes da rotação sagrada
                que perfaz o sustento profano da máquina.

e pedala-se a vida no semear das cruzes sombrias da tecnologia,
perpetuando o slogan alegremente subvertido:
a morte é uma bicicleta transfigurada.

mas nenhum pé se atreve a parar.

o propósito da locomoção não é linear.
é alucinação desprotegida!


Abundância

Sunset on Easter Island, originally uploaded by Leeuwtje.
 

toupeiras metálicas em trilhos despertos.
amarelos! como salamandras ao sol.
ou esculturas perenes,
ausentes da perspectiva visionária,
num sono eléctrico de nuvens estáticas.
onde se formam arquitecturas obliquas.

pendentes brilhantes fazem a época.
mas fractais? só para lá do horizonte,
das cordilheiras, dos ventos.
perguntas se existem imagens nas transparências?
apenas em todos os espelhos negros.

nas névoas constantes,
os mortos remexem a terra!
no sal da terra,
suores escavam rugas!

e solta-se o dragão flamejante dos sonhos.

há quem ouse,
e é verdadeiramente ousado, possuí-los.
os terceiros!
não os próprios. esses não são utopia!

procuram quereres magnéticos para a infância.
como árvores mudas de folhas em chamas.
se fossem azuis eram minhas!

em campos de flutuação frágil,
o grito é matriz solta.
vulnerabilidade perfeita, logo defeituosa!
mas as aparências regem o mundo. e as mães sofrem
enquanto os bastardos que decidem riem.
como se não fosse preciso pão.

condição da humanidade? as dúvidas!
em reminiscência. quais votos em branco.
e vencem qualquer concurso de variedades!
tu sabes. foste premiado.

não há comida grátis!
mas toda a abundância é publicitada.

 

in Diálogos em Epistolas Inertes


Políticos!

Homens com ambição
são políticos sem convicção.

Quer no governo,
quer na oposição,
o que dizem num momento, desdizem noutro,
consoante a posição que detêm:
governo ou oposição.

Fazem leis sem ciência!
Na urgência do instante,
sem consideração pelo futuro,
pelo voto sem consciência,
na protecção da imunidade.

Porque o partido não é individual
e o partido é a justificação total.
Sem ele, não são políticos!
Sem ele, são responsabilizados!

Políticos!
Sejam de esquerda,
sejam de direita,
tem preocupações comuns:

A demagogia,
pela qual obstruem e afundam a democracia.
E o bem-estar.
Os políticos preocupam-se com o bem-estar.

Com o deles!

 

in Aforismos e Reflexões [Poética]


Quietude

lágrimas,
no oceano da humanidade,
moldam ondas sensoriais
em ventos de luz.

diáfanos plasmas fluem
nos alicerces do centro do ser

palavras inaudíveis,
são beijos trocados
na ternura do permanecer.

mera intermitência,
entrego-me,
incondicionalmente,
à tua pertença.

Mulher!
Mãe!
Futuro!

 

in √81 = IX ?


Lágrimas

 

chove

no corpo
em passagem

o sonho
para o futuro.

 

(inspirado em Suave Coisa)


Passagem

abrigado pelos cumes gémeos,
o templo de energia aguarda o despontar do tempo.
e no espaço vazio dorme o dragão escarlate.

continua a desenrolar-se o fio prateado do destino.
até ao momento de recordar o que outrora fomos.

mas chegada do Ser fará com que rosas azuis brilhem na noite,
e escolhas serão pedidas.
não existe aprendizagem sem perguntas!

houve criação.
haverá destruição!

para a recriação da génese,
que acompanhará a ordem cósmica.

(e seremos parte na consciência universal
gotas, na Água da Luz!)


Breve Incerteza

DSC_1450

.

na multiplicidade da convergência
dispersa-se a espécie
e o futuro.

Sal da terra.
Pão do dia.

aprender a vida.
crescer!

E ser,
breve incerteza

ou reflexo em matéria cósmica.

.

in Interlúdios da Certeza


Razão de Ser

 

As palavras aparecem
por si e em si.

Inatas!
Desprendidas!
Intactas!

Por elas, sei
o que a minha alma quer,
o que a minha alma me diz.

Sou!
Sim, eu sou.

Nas palavras!

 

in Espelhos e Outras Faces


Palavras para ti, Meu Amor

Deepening Love, originally uploaded by LilyShewan.

 

Renasci,
no instante em que te vi.

Não esperava ser tão afectado.
Mas fui!
E ainda bem que assim foi.

Todo o meu cosmos se movimentou.
Todo o meu Ser se revolucionou.

Ao entregar-se,
a ti
e ao teu amor,
a minha alma encontrou a independência.

Passei a viver
outra existência,
ao nascer
para a nossa vivência.

Pouco mudou com o fluir do tempo.
Apenas aumentou o respeito pelo teu coração,
por seres como és,
por seres quem és.

E também se solidificou esta certeza:
Contigo,
Eu tenho sentido.

Mulher dos olhos doces!

Os teus olhos não são só de vida.
São também de esperança
e de possibilidade ilimitada.

 

in √81 = IX ?


Ana e os Sóis Interiores

dandelion blue, originally uploaded by Emily Quinton.

 

[para a minha filha Ana, que nasceu hoje! (18/Jan/2009)]

 

Deixei a vida de escravo para ir trabalhar para o campo.

Foi uma decisão tomada num impulso momentâneo. Que surpreendeu toda a gente! Era um dos que tinham capacidade produtiva, sendo, por isso, considerado valioso. Isto apesar de sempre ter sido sonhador. Apenas a minha mulher me apoiou.
         
Mas os sonhos concretizam-se quando a semente germina. E o futuro vinha aí. Uma filha aproximava-se!
         
Alguns amigos, bastante curiosos, perguntavam-me:
– Que vais fazer para o campo? Nada percebes de agricultura.          

E eu sempre respondia:
– Vou plantar dentes-de-leão azuis! Vou crescer vida! Vou ser feliz!
– Dentes-de-leão azuis!? – Retorquiam – Mas estás doido? Isso não existe! Ao menos, planta algo que te dê pão.

Mas eu não ouvi. Limitei-me a persistir.

Foi num pequeno planalto, protegido pelos braços dos montes e que logo pela manhã era acarinhado pelos raios de luz, que decidimos semear os nossos sonhos. E instalamo-nos numa pequena casinha de madeira.

Passados uns meses, as cegonhas cor-de-rosa chegaram. A Ana nasceu e a nossa família cresceu. Para agradecer a bênção recebida, plantamos uma romãzeira ao lado da casa. Aí, mais tarde, colocar-se-ia um baloiço para a nossa filha voar.

A chegada da Ana renovou a nossa esperança e reforçou o carinho com que tratávamos a terra.

A nossa filha foi crescendo e amava a terra. Tinha uma ligação especial com a romãzeira, que tratava por irmã. Deliciava-se com as nossas histórias e vibrava com os dentes-de-leão azuis.

Mas o tempo foi passando e nada de dentes-de-leão. Muito menos azuis.

Avizinhavam-se novas mudanças e decisões eram necessárias. Numa noite, após o jantar, disse à minha mulher:
– Querida, a nossa filha vai para a escola e necessitará de mais apoio e de material escolar. Até hoje mantivemos o terreno dos dentes-de-leão livre, mas se calhar chegou a hora de isso mudar. Que achas?

A Ana, que ouvia a conversa, agarrou-nos as mãos e, levando-nos até ao campo vazio, disse:
– Pai, Mãe, não desistam. Aqui haverá sóis interiores! – e libertou, sobre o lugar dos nossos sonhos, as lágrimas que tinha no rosto.

Comovidos, pegamos na nossa filha e, sem nada dizer, confortamo-la no nosso abraço e, fomos dormir.

Talvez fosse mero acaso, talvez fosse pelas lágrimas. Mas, no dia seguinte, os dentes-de-leão floriram azuis.

Ah! Eram qualquer coisa de fantástico. De noite, faziam a aurora sorrir. De dia, entoavam as melodias do vento.

Tinham características especiais. Pois nascidos do amor, quando colhidos com ternura, libertavam o pólen da luz e o calor da renovação. Eram, tal como a Ana havia dito, autênticos sóis interiores.

Em pouco tempo, éramos notícia internacional. E eram tantas, as pessoas que os queriam ver e comprar.
No entanto, a Ana dizia:
– Não são para vender. São para oferecer aos que necessitam de sonhos.

 


União


Union, originally uploaded by LilyShewan.

 

Eu?
Eu sou eu
por tu seres.

Sou!
Sou tu e eu,
sou nós.

Serei,
por ti,
nunca mais
só eu.

 

in 30 Mensagens de Amor e Uma Recordação


Resistência

a pedra furada pelo informe
é mó no rasto da vida,

onde o indecifrável estaciona à deriva.

amor é enigma
para os náufragos dos momentos.

tudo bolina sem destino nas rotas da emoção.

certeza?
tudo cede!

 

in Da Natureza e Afins


Exemplo

homem. normal. banal.

existo aqui,
no mundo da fragilidade.
onde um herói é desfeito
e um vilão satisfeito.

vivo neste meio.
e, nesta realidade,
confesso que o meu maior receio
é ser um exemplo.

não importa para quem!
não desejo dar a ninguém
semelhante fatalidade.

nenhum templo
quero ser.
a pedestal
algum intento ascender.

o bem – pouco – tenho feito.

sou homem!
como tal,
não sou perfeito.

mas se – para alguém – exemplo for,
espero causar pouca dor.

in Espelhos e Outras Faces


Himbas

                Incontáveis instantes passaram
                na permanência dos de feição ocre,
que no inóspito persistem intactos,
                incólumes ao tempo e ao contacto.

Jamais houve sujeição!
                E são inarráveis as tentativas.

A coerência fá-los pertença
                do ambiente natural.

                Aí são unos.
                Aí serão incessantemente perpétuos.

                No universo tribal de Damaraland!


Como esquecer ?

como esquecer (-te)?

vejo.
porque és luz.

sinto.
porque és calor.

vivo.
porque és amor.

entrego-me.
porque sou livre
                                 … e teu.


Confronto

Ao concedido
deixamos de ligar.

Não apenas ao ínfimo,
mas conjuntamente ao todo.

E o corpo manifesta-se atroz.

Apercebemo-nos
das convulsões em redor.
A magnitude é
                                indisfarçável.
Mesmo assim,
permanecemos alheados.

Escolhas sem querer
para quem desdenha poder,
                                                        evoluir.

A obra criada
enfrenta a do Criador.
Não deseja união,
somente suplantar.

No aparente futuro,
emerge a regressão.


Meditação sobre a liberdade (IV)

Liberdade

 

A liberdade é uma dádiva que revela uma singularidade dual.

 

Dádiva,

porque é algo que emerge da relação com o Outro.

 

Singularidade dual,

porque,

para além de ser uma aspiração intrínseca,

é algo que deve ser diariamente conquistado.