Rupturas

.

há corvos pousados nas neblinas adiadas.

augúrios! as laqueações interrompidas das ilusões.
mas quantos prenúncios foram realmente descontados?

no limiar da densidade perene,
vagam incertos os lamentos dos deuses,
os receptáculos vazios fulgem.
sem cinzas ou ventos passados!

apenas se recordam as magnólias roxas.
o velho fluir, esbateu-se no som presente.

são as dissonâncias das eras.
e no entanto, basta ir pelos meatos vizinhos
onde vida é um pendente interrompido.

nas névoas suspensas estiveram corvos pousados!

foi cidra, a água do tempo.
e desprendeu-se o conhecimento do antigo.

in Interlúdios da Certeza

12 responses

  1. ilumino o antigo
    o velho corvo pousado
    na sombreira de um
    livro ainda não aberto

    lá pelos campos as flores
    abrem-se ao desfolhar da
    romaria. bem-te-cri mal-te-cri
    a doce evocação de todos
    os anjos da terra

    e das silvas debaixo do chão

    jorge vicente

    Abril 15, 2009 às 12:59

  2. quase profético. muitíssimo belo.
    beijos

    Abril 15, 2009 às 20:34

  3. … as dissonâncias das eras…

    que as rupturas venham para o renascimento.

    PAZ e LUZ

    Abril 16, 2009 às 00:03

  4. Ana

    Magníficas palavras aquelas que se lêem e permanecem vivas na memória.

    Abril 16, 2009 às 00:44

  5. gostei de ler. a imagem é muito bela e sugestiva.

    obrigada pela visita ao meu blog e pelas palavras de apreço.

    Abril 16, 2009 às 09:25

  6. gosto muito.

    Abril 16, 2009 às 21:01

  7. Mariana

    Gostei…muito bonito!

    Beijo

    Abril 16, 2009 às 22:33

  8. João Paulo Sousa

    “foi cidra, água do tempo (…)”

    Neste poema, a incerteza entre o antigo e a modernidade.

    João Paulo

    Abril 17, 2009 às 23:29

  9. Amei! Sabe, Vicente sempre me atraíram corvos, abutres e essas aves do bem que assombram alguns. Nelas há o mistério da vida .

    Seu poema, a imagem, tudo lapidado e perfeito!

    Parabéns, Poeta!

    Abraços

    Mirse

    Abril 18, 2009 às 08:50

  10. começo por pedir.vos desculpa ,mas tenho tido imensa dificuldade em comentar através do canto.chão – está muito lento a abrir – apesar de todos os dias passar para ler.vos

    mas ,como há o velho aforismo popular – se não conseguires entrar pela porta ,fá.lo pela janela – eis.me ,seguindo.o ,nesta minha habitual ronda pelos “sete caminhos”…..

    .
    um beijo

    Abril 23, 2009 às 11:56

  11. Brilhante!

    A dissonância das eras, onde a vida é um pendente interrompido.

    Parece sopro de Deus!

    Aplausos!

    Beijos

    Mirse

    Junho 5, 2009 às 19:03

  12. Pingback: O Bosão do João | do Inatingível e outros Cosmos

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