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verbo azul

Manuela Salema – Livro plantado – 2007

 

uma pena solta.
um ramo suspenso.
uma página aberta ao futuro.

Deusa do jardim das safiras,
levitas no lago etéreo do desejo,
na amalgama das eras,
entre as encostas do meu peito
e mares em índigos sonhados.

floresce uma rosa, qual semente no coração.

marcas do tempo subsistem,

mas o Verbo da criação
é o livro azul da origem,

onde somos In-finito!


Palavras-Lágrima

blue light, originally uploaded by -sel.

no momento da criação sou desigualdade.
breve caos em crescendo,
nascido das raízes do tempo.
e pelos sulcos da terra,
solto cristalinos em verbo.

há códigos que se sucedem
automaticamente espontâneos.
como se a ilusão não o fosse!

mas em mim também é o livre arbítrio.

e pelas palavras aro,
as abóbadas azuis da noite
libertando as eras do desejo.

são puras as estrelas.
mas a distância?
é um passo no coração.

ou gotas de luz branca,
palavras-lágrima.

in Diálogos, Epístolas Inertes


Desnudez

The Shell, originally uploaded by G a r r y.

 

no embalo da voz interior,
a desnudez das palavras.

no dardejar do manto verde,
brisas azuis em lágrimas.

a luz em sombra submerge o moldar do abraço recíproco.
nesse poente,
nuvens de cardos ruborizados e papoilas púrpuras
soltam as flechas douradas do amor.

sim!
no embalo da voz interior,
a desnudez das palavras.

onde o toque aprofunda o sentir,
fazendo-nos na indelével cor do tempo.

tudo o que se vive é sempre o momento.

em entrega,
ao mar em sentimento!


Razão de Ser

 

As palavras aparecem
por si e em si.

Inatas!
Desprendidas!
Intactas!

Por elas, sei
o que a minha alma quer,
o que a minha alma me diz.

Sou!
Sim, eu sou.

Nas palavras!

 

in Espelhos e Outras Faces


Canto Único

 

 

talhada a cinzel,
uma lua laranja vela o horizonte.
em tal aura, refugia-se a essência desnuda
e pressente-se a indelével partitura do cosmos.

no silêncio transformado em paz,
onde palavras são fábulas de paixão,
o aroma revela a melodia do profundo
que enleva a água-marinha aos nenúfares
e insufla em ternura nuvens prateadas.

noites azuis,
pepitas de ouro.
como orquídeas suspensas em lagos,
estrelas pendem serenas.
nesses rastos brotam sonhos.
pelo voo do beija-flor
que solta as harpas do encanto
do jasmim insubmisso.

é em pleno desprendimento que recordo.
quando sou intermitência da consciência antiga.
e semeio-me, breve, no campo da noite,
às pétalas de marfim, às gotas de luz
do orvalho banhado em raios de água pura.
mimo da mãe terra.
porque as origens são cegas. somente atribuídas!

estremeço com o ritmo da tua frequência.
não por inânia, mas por rendição.
por retornar ao uno que fomos,
pelo resplendecer da íris exaltada,
pelo arquejar do corpo omnisciente
no resgate dos beijos de jade.

ah! os lábios de fogo anseiam pelo sabor
do teu travo de framboesa fresca,
que faz esse colar silvestre de esmeraldas
onde toda a lembrança se embala.
e vago, nos estilhaços das eras,
renascido em teu flamejar.

por fim, a alma do jardim da tranquilidade.
no casulo de seda que afaga as asas da luz,
em tempos do tempo sem tempo.
os tons de púrpura expandem-se
e a face límpida da liturgia cósmica emerge:
a densidade é o tecido do amor
o cântico a sua expressão.

encerro a tristeza em gomos de romã.
não para a esquecer, mas para a despojar.
pois as lágrimas de sangue são vida!
é por elas que a emoção é nutrida.
é por elas que suspiro na cripta sagrada do Ser.
pelas letras que fazem a poesia celeste,
nas névoas da água universal do reencontro.

descansarei,

verbo no Canto Único.

 

in Diálogos, Epístolas Inertes


O meu blogue foi escolhido

O meu blogue foi escolhido pelo Vagner Heleno, a quem humildemente agradeço, para o Prémio Dardos.

Informações sobre o Prémio Dardos:
Com o Prémio Dardos reconhecem-se os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.
Ao recebermos e aceitarmos o “Prémio Dardos” devemos seguir algumas regras:

1. – Exibir a imagem do selo;

2. – Linkar o blogue que lhe atribuiu o prémio;

3. – Entregar o Prémio Dardos a quinze (15) outros blogues .

Com respeito e carinho por todos os universos da blogosfera, aqui está a minha selecção:

– o mar atinge-nos
ao fundo do jardim
Silvia Schueire
A Arquitectura das Palavras
ao longe os barcos de flores
canto . chão
Da poética
O Farol no Vento do Norte
nas horas e horas e meias
Nocturno com gatos
Ofício Diário
Secreta
Serpente Emplumada
Vá Andando
videversos – helen

Também fui distinguido pelos blogues Vá Andando e Sulmoura com o prémio Dardos.