Posts tagged “momentos

Destino(s)

Do you believe in destiny ?

Há linhas destinadas a reencontrarem-se.

O que está por escrever,
é a decisão do momento.

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There are lines destined for reencounter.

What is unwritten,
is the decision of the moment.

in Livro dos Pensares e das Tormentas, 153, 5 de Julho de 1998


(e)Namorados


Deep Forest Studies #4, originally uploaded by -: Al Bell :-.

.

.

!

raizes acontecem com fervor
no florir das buganvílias em saudade,
janelas abertas ao canto desejado.

e sente-se o manto lavanda do amor
que nutre as árvores do coração.


Ser(es)


Untitled, originally uploaded by hoodkitty.

.

Tens ideia do desejo que sempre provocaste?

Rendi-me às tuas ondas imediatamente.
Mas, o tempo passou.
Contudo, jamais te esqueci
ou deixei de te desejar.

Ainda hoje ouço o teu mar.

Aceita-me.
Em ti. Dentro de ti!


Lambe-Botas

corpos descalçados anunciam os sexos.

confessadamente!

e não há reconhecimento
…ou qualquer pudor em disfarce.

são as línguas que perfazem as faces,
desvirtuando o colo da sociedade,
onde a languidez errante da adulação,
nutrida em baba ressequida,
expressa sons sem tons.

nem o olhar tem voz!

porém,
quando as botas são mimadas,
em lambidelas ferozes e bafos sôfregos,
não existe realidade amarga.

há melhor do que uma língua sem boca?

in Sons Urbanos


Máscaras

the gloaming

the gloaming by Ileana Cozanziana

 

ah! o imenso da possibilidade.

quantas rotas em tormentas?
quantas máscaras desejadas?

sucumbes à pressão dos momentos.

nada se transfigura nos espelhos,
e todos os dias és
mais do que a soma das tuas partes.

às vezes, os mares da realidade assim obrigam.

é nessas águas que também somos humanos.

 

in Interlúdios da Certeza

 

 


Paranóia


The Real Deal!, originally uploaded by ming mong.

 

a potência da impossibilidade faz-se sentir.
e na cabeça cria-se um ramo de constelações
que difundem a loucura ao limiar da imaginação,
eriçando as mandíbulas que usam os filamentos do calçado
como se um bordado em lãs de mármore não fosse um luxo.

pelo caminho iluminam-se os traços da memoria
que combatem furiosamente as metástases da escuridão,
na ofuscante balística dos dedos projectados.
mas a autonomia é curta e a cura é uma demência pontuada
por um utensílio cónico descompassado.

nem a lógica clarifica o delito da ausência de poros
capazes de captar a linha voltaica adscrita ao arrebatar do som.
também nos cilindros impera o mutismo da ferida ressacada.

é então que surge a dúvida: é dia de teste?

todo o universo craniano se revolve, arremessado,
ao sabor dos espasmos dos neurónios surpreendidos:
ah, a fabula animal é uma elegância!
e o instinto é subjugado pela emoção aromática das feramonas,
iludindo o contacto intra-espécie da excitação.

desprezar a capacidade química não é aconselhável.
qualquer estereotipo revelar-se-á inadequado.
no momento da rebelião, só a água acalmará as sinapses
revigorando os influxos que fazem as pontes das margens rachadas.

pode até ser que as membranas se desconectem de propósito.
porém, sentidos que se enclaustrem abrem novas portas
onde a propagação perdura enleio espontaneamente desencadeado,
nos contornos dos estímulos paliativos.

os dedos já o haviam experimentado.
só agora o nervo preguiçoso reage, socorrendo-se da velocidade do pensamento.
mas a combustão degrada a personalidade alimentado a cinza do cérebro.
eis porque a massa cinzenta é um organismo semi-vivo
– gerador de cosmogonias alternativas que decoram o ser conceptual –
que involuntariamente propicia a perdição.

a impotência da possibilidade não é ilusão!
a dúvida entrincheirou-se. todas as tentativas serão frágeis.

excepto para as vastidões inexploradas da paranóia.


soubesse eu que eras ténue!

 

soubesse eu que eras ténue!
brisa dos cinco elementos.
formada no rompimento dos tecidos humanos
ou em desejos momentâneos.
já idos! em Março.

vislumbrei-te sem halo.
intacta!
como a lua despida ao Outono.
e aceitaste-me com um sorriso de estrelas.

foi no hausto do instante,
inebriado pela miríade dos sentires,
que me deixei,
despercebidamente, sucumbir.
o tempo foi-se, exausto.
e nem sequer, os teus lábios provei.

soubesse eu que eras ténue!
mas não soube.
e despojando-me das vestes artificiais,
fui pregar às areias do vento.

o voo das aves corria no fluir das lágrimas
ou na força vital que pulsa nas artérias,
e foi nas águas do deserto
que reencontrei a dupla hélice da vida.

a lembrança? deixou de estar corrompida.

falhei o teu breve partir.
mas sei-te ténue, sei-te minha.
no profundo das sequóias vermelhas.

  

in Diálogos, Epístolas Inertes


Licor


This morning, originally uploaded by Andreas Reinhold.
 

existe uma flama perpétua na alma
que nos liga ao indivisível arquejar do sopro divino.

apesar do tecido poroso que se estende para lá das dobras,
a melodia da água pulsa,
nas ondas do incomensurável,
em ténues suspiros que nos chamam incessantemente.

nos estios dourados,
tristezas também fazem as magnólias em flor.

e o pólen beija as searas em chuva.


Wadi Rum


Wadi Rum Landscape, originally uploaded by bgladman.

 

Onde profetas falaram!
Onde fortalezas cresceram!
Onde viajantes se refugiaram!
Onde heróis se fizeram!

Em, Wadi Rum,
o tempo permanece uno.

E a Voz, ainda, ecoa.

 

in Geografia e Outras Circunstâncias


Instantes

M64, originally uploaded by WolverinesDen.

 
 

abraços em luz
descaem à fusão da origem,
na convulsão da vida.

 

e o silêncio é um beijo em criação,

num (e)terno instante de entrega.


Abismo(s)

não há calor.
e partículas orgânicas descem da profundidade.

bactérias bio-luminescentes
fazem as manchas na extremidades dos membros.
só a escuridão as revela.
num chamar que é sobreviver
em competição feroz.
mas o instinto honra a existência.

na densidade taciturna,
todo o engodo é precioso.
nada pode parar.
necrófagos imóveis serão restos pútridos.

ocasionalmente,
surge uma abundância inesperada.
até que a ossada seja nua.
tudo se transforma … em energia.

o tempo fará o esperado onde a neve marinha
alimenta os ténues rastos nos sedimentos pressionados.

neste limiar gélido
desenvolvem-se diferentes entidades.
minerais dissolvidos emergem das fissuras antigas
que ligam ao interior incandescente da terra.
para que a vida prospere,
as águas sobreaquecidas são fonte.

mas a opulência propicia o ócio e o desdém pelo essencial.
e dádivas são desperdiçadas levianamente.

nos antípodas,
há momentos tristes nos olhares do dia.

faces inexpressivas desenvolvem-se humanas,
apoiadas na paleta da maquilhagem,
animando as almas voluntárias que rondam os jardins.

nos cruzamentos maquinais dos seres,
a ausência aumenta o fosso do contacto
exaurindo a chama da comunidade na filáucia individual.

aqui há calor.
não há é valor, por existir.

in Diálogos, Epístolas Inertes


Interlúdios da Certeza – lançamento Lisboa

ic-lisboa

É já no próximo sábado. Apareçam!
Vai ser uma tarde bem passada.


Interlúdios da Certeza – Lançamento Porto

convite-interludios-da-certeza-porto

É já no próximo sábado. Apareçam!

https://sigarra.up.pt/reitoria/noticias_geral.ver_noticia?P_NR=747


Peregrinação

 

dispersei o meu ser no desprender das folhas
às suplicas do solstício. talvez assim também fosse
na essência dos verbos da noite. mas fui levado
para as terras inertes da lembrança cega.
não procurava as palavras revestidas.
e julguei-me perdido nas aparências das sombras.

por estas partes,
o desfiar do destino era ausente. assim, esperei
que as orlas enrugassem para me soltar, agora, no desconhecido
e reunir-me nas escarpas suspensas da luz.

foi o facho do farol da saudade que indicou o sentido.
a ânsia do regresso animou-me
e senti os lábios da esperança. até que, escorrido,
nos campos das framboesas laranjas,
o meu alvéolo finito se enxugou.

e, apesar de mortalmente ferido,
permaneço nas avenidas ocres do poente.

ressuscitarei.
                                   uma e outra vez.

sim. ressuscitarei!
                                               uma.
                                                               e outra vez.

pelo som da mão que molda os gestos da criação.
pela escrita da voz que forma as letras primevas do cosmos.

qualquer dia.
um dia!

in Diálogos, Epístolas Inertes


Sou

há ensejos em que tudo é espiral.

ou caos em profunda liberdade.

ou mera invulnerabilidade.

quiçá?

 

despojas-te do tempo

e és, essência em sentimento,

no perpétuo fluir do todo.

 

entrega-te. sem reservas!

 

eu?

sou emoção.

 

 

 

 

in Comentários na face da Noite


Cosmos de cristal

Lágrimas de cristal, originally uploaded by sylvinwonderland.

 

somos no meio das infinitudes.
diferentes, distantes,
mas convergidos na existência.

somos Cosmos, vizinhos,
em casulos de moldes disjuntos
pela metamorfose da energia.

somos matéria moldada nas eras,
entregue aos filamentos do tempo.

 

somos lágrimas em Cristal …

– todavia ausentes –

… nas índoles do todo.


Cibernautas

não sei o que te fez desistir.

pergunto-me porquê?

  

foste uma esperança de realidade

num mundo de virtualidade.

tocaste-me. e de duas maneiras, pois

tão depressa me inspiraste como logo me destruíste.

  

ela – a esperança – ainda existe,

mas moribunda.

  

tudo o queria era sentir-te.

ter-te,

sem que fosses intangível.

  

procurava transformar

o efémero no eterno, o virtual no real.

provar que

a eternidade humana, se não é divina,

pode ser infinita.

  

e assim,

contigo, o meu “teu”

apenas,

viver.

 

 

 

in Geografia e outras Circunstâncias 


Entrega

Ao sabor do vento deixo-me ir.

Sem destino.
Sem saber.

Ao sabor!

Para o aroma do mundo descobrir.

in Geografia e outras Circunstâncias


Alma Azul

7 Feb 2008: Sky Blue, originally uploaded by Alex España.

 

no infinito do mar azul,
existe um humilde olhar branco
que vislumbra a essência palpável do verbo.

abre a janela do espírito!

na fronteira dos desígnios,
há sonhos e universos por desenhar.

véus antigos. desfraldados.
entregues ao sabor do luar do equinócio.

mergulha nas sensibilidades da chuva.

e também serás,
na Água do tempo que é,
Alma Azul!

 

in Comentários na face da Noite


eniGma

todas as rectas têm curvas!

ou ângulos triangulares.
ou canais de tinta branca.
ou desejos parciais.
Porque será que não são minhas?

Ah! rasgos de relvas lilases …


Momentos

DSCF4201, originally uploaded by EMEFOTO.

 

Adoráveis,
Bonitos,
Coloridos,
Distintos,
Especiais,
Fabulosos,
Galvanizantes,
Honestos,
Intemporais,
Jubilosos,
Livres,
Mágicos,
Novos,
Opulentos,
Partilhados,
Queridos,
Responsáveis,
Sinceros,
Tentadores,
Únicos,
Variados,
Xpto’s,
Zodiacais.

És uma sucessão de momentos inesquecíveis!

 

in 30 Mensagens de Amor e Uma Recordação


Como esquecer ?

como esquecer (-te)?

vejo.
porque és luz.

sinto.
porque és calor.

vivo.
porque és amor.

entrego-me.
porque sou livre
                                 … e teu.