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Nos Dias em que o Céu é Viúvo

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misty ocean 2 by lucieg stock

.

Nos dias em que o céu é viúvo chovem pedras nas nuvens
e os pedreiros esforçam-se por libertar as lágrimas dos túmulos.

A vereda da água é sinal de colheitas!

Caem os ídolos do tempo moderno e escrevem-se os éditos da fertilidade,
reforçando a tradição de outrora e a amplitude das matriarcas,
anunciando a vitalidade do futuro.
Porém, toda a metamorfose é uma dissonância.
Já a cognição é um fruto agridoce que se faz conjunto.

Nos dias em que o céu é viúvo chovem pedras nas nuvens
e as lápides são as cangas que os ombros levam para a eternidade,
num descanso que somente será suado.

apenas os tolos são abençoados!

 

in Espasmos

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Círculos de fada

namibia

Foto: Namíbia (autor desconhecido)

.

bocas ornamentam planícies laranja,
manifestando agradecimento
pelo manto refrescante que se anuncia.

mas o tempo é presença real
que se expressa na sombra verde.

e ao longe, em contemplação pura,
centauros observam o tronco que persiste.

é no deserto que a vida mais se afirma!

nenhuma vénia será suficiente.

todavia, todo o suspiro é aceite,
toda a lágrima é recolhida,
para que o silêncio seja a expressão
que completa o pulsar de Gaia!

 

in Espasmos


(re)Nascer

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É no sentir

das lágrimas

que desponta o amanhecer …


(Re)EncontroS

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(https://www.flickr.com/photos/47932340@N06)

.

Quando em matiz encarnada,
as palavras relevam-se fúrias
onde bamboleiam os orvalhos da entrega
e se eleva a súplica da contrição terrena.

Não há arrependimento!
Há calor. Humano. Desprendido. Selvagem.

Aos corpos que antecipam o toque
Acontecem os desmaios tectónicos do pensamento.
E na fragilidade do esboço chopiniano
exaltam-se os véus da miríade dos desejos.

Não há renúncia.
Há reconhecimento. Pleno. Singular. Ansiado.

E a saudade carnal cessa o choro
nos braços que se estendem.
Na capitulação ao acto,
o amor será consagração
e o passado será expiado no clamor do grito
que fará do futuro possibilidade.

A solidão é o primeiro passo do reencontro.
Sim. Do reencontro!
Porque o encontro foi a sua origem.

 

in Espasmos

 


Entrega

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(https://pt.pinterest.com/pin/530087818625330800/)

.

Pensei que era no horizonte.

Julguei ser sombra nas vestes do tempo
ou a luz que destapa os cumes.

Julguei ser. Mas sabia-me exíguo.

Hoje?
Sucumbo à plenitude das tuas curvas
na ténue esperança

                                         de me perder!

Thought I was on the horizon.

Thought I was a shadow in the vestments of time.
Or the light that discloses the summits.

Thought I was. But, I knew me exiguous.

Today?
I succumb to your’s curves fullness
in the faint hope

                                                               of losing myself in you!

in Espasmos


Redenção / Redemption

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.

Podes dar-me a mão,
deixar-me chorar,
abraçar-me em silêncio.

Mas, sem revelar as minhas fraquezas,
morrerei em desgraça.

 

 

You may give me your hand,
let me cry,
embrace me in silence.

But, without revealing my weaknesses,
I’ll die in disgrace.

in Espasmos


Hope / A esperança suaviza as lágrimas!

Georgia

Sei que não farás amor comigo,
mas deixa-me ter esperança

para suavizar as minhas lágrimas!

.

I know that you won’t make love with me,
but let me have hope

to smooth my tears!

 


às vezes, a única intenção é a curiosidade

How much I need the sun

.

às vezes, a única intenção é a curiosidade.

de vislumbrar o sonho
ou de levantar o véu da esperança

e sentir os cumes do corpo,
ou as curvas do mundo,
que fazem o pulsar do desejo.

às vezes, a única intenção é a curiosidade.

qualquer coração tenta
e se entrega curioso

!


Em dia de aniversário

sequoia-1 https://www.flickr.com/photos/51652977@N00/3855301362/in/faves-25631517@N08/

!

os dias que se sucederam são ténues poeiras,
que fazem o desenrolar do continuum.

todo o pirilampo é breve na antecipação da aurora.

sente-se o estremecer do tempo cósmico.
renascimentos acontecem no silêncio dos sorrisos.

hoje, em mim, houve futuro.

e, fiz-me, tempo,
antigo,

em comunhão quântica.

 

days that succeeded are pale dust,
doing the course of the continuum.

all firefly is brief at dawn’s anticipation.

one feels the shiver of cosmic time.
renaissances occur in the silence of smiles.

Today, in me, there was future.

and I became, time,
ancient,

in quantum communion.

!

 


Eusébio da Silva Ferreira


Eusébio da Silva Ferreira, originally uploaded by vfsphotos.
Direitos de autor da foto pertencem a: http://revistafutebolista.blogspot.pt

.

No verde de linhas brancas,
brilhaste!

Foste força,
humildade,
arte e feitiçaria.

Mesmo contra as circunstâncias,
sempre acreditaste.
E quando não conseguiste,
choraste!

Pantera Negra,
negro o teu coração nunca foi.

Foi e é puro!

Eusébio,
Já não és só teu
– como cedo descobriste –
És nosso!
[E também és meu!]

Obrigado.

escrito a 25 de Janeiro de 1992 in Odes & Homenagens


Apenas um vislumbrar!


Nude Beauty, originally uploaded by Katherine Chivers.

.

apenas um vislumbrar.

e as lágrimas são um novo universo
na ternura do teu corpo.

soluços acontecem
na tristeza da recordação,
que pede nova entrega.

quero honrar o teu templo.
como lábios abertos em retribuição.

entre nós, nada acabou.
há fogo a consumir
e tempo para sucumbir.

queres?


Fervor


Compulsion, originally uploaded by Jose F. Sosa.

.

extraterrestres podiam aterrar neste ermo que poucos notariam.
exceptuando os que procuram a mudança e a integração da espécie.

a mensagem do salvador está gasta.

mas a produção de tónicos cresceu
e o destino parece algo partilhado,
habilmente multiplicador do horizonte.

o centro do universo já não é o homem, mas o umbigo!
aqui floresce a mais pujante religião,
castradora e impiedosa com os descrentes.
quando menos acreditas, os profetas tocam a campainha
revelando os viajantes e prometendo o caminho para o cosmos.

todavia, a meta é o consumo de ilusões
que assumem o significado do insignificante.

e não se autorizam tresmalhados!

.


Ser(es)


Untitled, originally uploaded by hoodkitty.

.

Tens ideia do desejo que sempre provocaste?

Rendi-me às tuas ondas imediatamente.
Mas, o tempo passou.
Contudo, jamais te esqueci
ou deixei de te desejar.

Ainda hoje ouço o teu mar.

Aceita-me.
Em ti. Dentro de ti!


Cumes


VFS_4794b&w, originally uploaded by vfsphotos.

armo os olhos contra o destino,

consciente do impacto da transferência e da impotência do meu horizonte,
mero epígrafe pré-histórico,
que ousa o fragmento da lembrança.
as marés movem-se para oriente,
velando pelo ardor dos sentidos, silenciosos,
que se sonham ressuscitação.

porém, murchar é a condição da expressão.

ainda acontece o auge matinal?


dádiva(s)

Red Dawn, originally uploaded by -yury-.
 

sei que o sabes,
mas necessito expressá-lo.

é ao amanhecer,
que o meu corpo mais chora por ti!


Brevidade / Briefness

open arms, originally uploaded by xgray.

 

a metodologia profana é o desvendar dos dedos.
frágil meio que versa a comunhão do Ser
sem perceber que a coexistência
é um labirinto de vaidades rendilhadas,
albergando breves compassos
plenos de momentos individualizados.

vozes são erigidas diariamente para a subsistência das duas esculturas,
mas é semanalmente que se contraem os voos.

planicies são ilusão.
não há cornucópias na dobra do horizonte.
e, no regaço do declive, os estios serão sempre sazonais.

=====

the profane methodology is the unveiling of fingers.
frail medium about the fellowship of being
unaware that coexistence is a maze of laced vanities,
harboring brief compasses
filled with individual moments.

daily voices are raised to the livelihoods of the two sculptures,
but it’s weekly that flights are constricted.

plains are illusions.
there’re no cornucopias on the horizon bends.
and, in the slope’s lap, summers will always be seasonal.


Ómega

The Temple of Poseidon, originally uploaded by photogon.

 

 

penso no princípio.
na chave em voz. no quarto que origina a vontade.
penso no principio porque não sei se o escrevi.
tantas são as certezas como as loucuras.
e rio no quarto. sozinho. no embalo do eco
onde se desfralda a língua do silêncio.

mas há vozes audíveis!
rompidas pelos desertos em concepção
na alegoria do quarto já percorrido,
quase preenchido em vazio,
que por um acaso – triste, alguns dirão –
é ocupado pelo choro dum bebé recém-nascido,
no desfragmento do desejo.

talvez o tempo seja sustido por um suspiro. talvez?
no entanto, propago-me.
e acontecem incógnitas sensoriais nas equações espaciais,
vibrações que moldam deltas em fluxo ritmado,
numa sinfonia de sossegos compassados.

ah! trapezistas audazes.
que se abraçam no etéreo, solto,
na vigilância da harpa indomável.
também quero um desfragmento inteiro.
também quero voar num espaço sem rede.
talvez assim consiga recriar o instante.
ou sair pelo caminho mais curto.

mas as paredes continuam caladas
e a linguagem não exprime o sentir.
como queria retornar ao local do encontro!
mas o quarto não é um talvez,
nem esconde deliberadamente a fechadura.
sem escrita não há memória.
sem voz, que haverá?

e eu penso no princípio.
penso no princípio porque desejo o futuro!

 

in Diálogos, Epístolas Inertes


Fluência


Big Bang Fractal, originally uploaded by James Willmott.

 

o grito é um quadro mudo, uma boca acesa ao espanto
entregue à agudeza do declive esmagador,
onde brotam as palas orais do deserto.
quando acontece o convívio do silêncio extenua-se
a linha do monólogo pensante, num multiplicar inomeável
que reforça os membros do tempo.

o espectro não é linear nem obedece aos sons do destino.

desenrola-se.
como um desvelo de prazer egoísta,
omnipresente e justo.

assim se atinge o óbvio.
sem possibilidade de arbítrio,
mas na possibilidade do abraço
aos humores da rotação.

o trilho é uma ruptura vadia.
nada sangra. apenas cessa o verbo!

in Sons Urbanos


Rebanhos


Sheep may safely graze, originally uploaded by Photoma’s World.

 

ventos escorrem suaves.
mas, ao largo, nada se comove.

nem os agrados macilentos!

talvez haja improbabilidade nas dinâmicas?
ou mera pertença esquiva?

as interpretações mais solitárias
são vociferadas pelo conjunto.

há porta-vozes mordazes!
airosamente plantados sem escrutínio.
livres de escrúpulos e dos tempos idos,
plenos na sobrevivência instintiva.

não há resistência quando as perguntas ficam inertes.

no dialogo suspenso, o ciclo é desmembrado.
tudo é réplica interrompida.
mesmo aqueles que não o julgam, são marionetas.

quantas ovelhas são realmente livres?

 

in Sons Urbanos


Estrela-do-mar

 

só os corpos sofridos atingem a redenção das águas.

vida sem dor é existência ser ardor
e os rasgos fazem pulsar o coração

onde gotas vermelhas contam o tempo
que mede o horizonte da iris.

a oscilação do desejo depende
do sussurro que chora pelo azul.

todavia, a palpitação dos grãos é real!

 

 


Revestimento


music, originally uploaded by re:nay.

 

no retiro das semibreves,
sou banhado pelos raios de luz
que serpenteiam as savanas roxas.

onde o verbo inexprimível
é visão concretizada
no palpável das espirais da aura.

tudo conflui na melodia
dos sentidos cardeais
e dos interstícios das partituras vazias.

a coesão das partículas estremece
e a rapidez dos electrões adormece.

fractais e outras ondas
constituem-se renovadas.

e expurgam-se as falências humanas,
essas pequenas imanências
que estruturam o âmbito celeste.

 

in Interlúdios da Certeza


Pensamentos


Shower of stars…, originally uploaded by smile-ik.

 

Aqui escrevo
e os pensamentos liberto.

Em vão!
No papel branco
não resistem.

Persistem,
nesta imensidão,
frágeis e difusos.

Sem nenhum rumo,
orientam-se.
Sem qualquer prumo,
sustentam-se.

Subsistem,
porque originados na mente.
Transpostos,
permanecem incorpóreos
no rasto das utopias.

Tudo é incerto.
E eles são,
no vazio,
fátuos.

No entanto,
transmitem
uma sensação de beleza.
Ágeis,
mistificam-nos!
Confusos,
identificam-nos!

Assim …

Traços!
Soltos!
Na mais plena incerteza.

 

in Espelhos e outras Faces


O infinito precisa de dois

Infinite Moment

Infinite Moment, originally uploaded by Accretion Point

 

no ondular da brisa
moldam-se as curvas das dunas.

frescuras diárias.
breves afagos.
verbos soltos.

e assim escorre o relógio da vida.

o infinito precisa de dois.

 

in √81 = IX ?


De um livro personagem

 

 

Surgias numa mensagem
do coração.

Desejei-te!
Como uma visão,
nas palavras, vislumbrei-te.

Eras, de um livro personagem.

Com ternura,
na memória,
alimentei-te.
Pura.
Sempre na esperança
que uma lembrança,
um dia,
                passasses a ser
e que uma fantasia,
uma noite,
                       deixasses de ser.

Reforçado pela oração,
algo me fazia crer
que essa magia
pudesse acontecer.

Permaneceste aparição.
Apenas num momento fátuo,
                                                           etérea.

Nós os dois, um duo?
Não viria a ocorrer.

Continuavas, de um livro personagem.

O meu ser, enchias.
Mas, a minha alma
com o vazio preenchias.

Hesitei
e perdi a coragem.
Agora sei,
que nunca te abraçarei.

Ficaste, de um livro personagem.

 

in √81 = IX ?


Primordial


Wish You Were Here, originally uploaded by Stuck in Customs.

 

deuses sorriem ao longe enquanto
vida acontece.

mas nós
a vivemos.
nós
somos essência

no lago da humanidade.

 


Cadências


Under a Pink Sky, originally uploaded by idashum (away).

 

o crepúsculo liberta as almas selvagens
como se o leito das amazonas sobrevivesse sem magnólias leves
ou se a recordação das lavadeiras da aldeia branca
dependesse dos sonhos das mulheres modernas.

o som dos lenços desdobrados faz as crinas densas do entardecer.
nesse manto despontam estrelas novas,
abertas ao momento do firmamento.

o céu que se eleva no horizonte
é o berço das águas sagradas em desfolhar.
e os dias são amplos membros em origem
que abrem os véus do tempo ao sangue das valquírias.

com as faces protegidas em armaduras,
as almas alimentam os estandartes escarlates
que afogam a expressão dos rostos.
e ninguém percebe as lágrimas da saudade,
fonte dos verões estivais e dos buracos negros
onde se projectam os símbolos do futuro.

o mutismo dos sinais propicia enredos em discórdia.
genuinamente, faz-se o sangramento das palavras
dificultando os sons das velhas alianças.
as bocas estão secas ao reconhecimento
quando o clamor dos corpos abafa os moderados.

eis que a logística do confronto torna as palavras incompletas
desunindo o amor pela natureza oposta,
sufocando os lábios dos sorrisos no ardor ao cumprimento entre iguais.

letras são fragmentos, parcelas das conversas
que outrora preencheram o convívio nas lajes da aldeia.
agora, outras deusas vigoram!
ufano, o sacerdote preenche o púlpito em júbilo:
– preparai as engrenagens das mecanizações hostis.

o culto da flebotomia inflamou os espíritos à loucura
e a exaustão da cegueira foi integral,
alastrando às investidas gretas na terra,
derramando o pulsar interior no vão da desumanidade.

assim adveio a época do rio de púrpura,
pleno de linfa viscosa,
onde naus são carruagens e as margens coral petrificado:
jaz aí a tolerância e a harmonia do paraíso.

mas o totem da energia primordial tem raízes no tempo.

ciente dos espasmos destrutivos,
o sábio plantou palavras em terra tenra,
num ângulo obliquamente pronunciado,
para que as magnólias surgissem num leque de lágrimas rejuvenescidas.

o tempo decorre na companhia da acção humana.

a redenção é uma semente escondida numa flor de música.
tal como é ténue a cadência da aragem,
a harmonia é uma brisa esquecida.

que permanece no raiar do jardim da esperança!


Encantamento


clouder, originally uploaded by Ash ..

 

a existência não é garante de dignidade quando o semelhante estremece.
mesmo em dias soalheiros há atitudes levianas.
olhos negam o viver da vida ou a comunhão em sociedade.
e no lar o tempo da paciência é escasso.
a distancia entre os elos aprofunda-se e os filhos chamam nas sombras.
o metal rege!
é conscientemente que se multiplicam as trintas.

perguntas o que é a poesia perante isto?

talvez seja um canto lúgubre?
ou um calendário para meditar o passado?

o todo perfaz o caminho do ser.
mas só nos revemos nos tempos áureos, onde fomos pujança gratuita.
até as lágrimas serão desperdiçadas.
é por isso que os lenços acompanham o futuro.
é por isso que a angústia é a grilheta dos que ficam.

como o tempo se sucede, nenhum espelho é uma superfície plana.
no entanto, existe um sereno aguardar:
a transfiguração do selo do presente

só aí o jogo lúdico da vida estará concluído.
e não haverá revelação. apenas alegria.


Buraco Negro

 

Atacador do universo,
a tua presença não
é vista mas sentida.

Apenas no abraço
estendido, permites
alguma luz. E nem
esta te escapa.

És temido e brutal,
mas sem ti não éramos
ou somos.

Sustentas,
o sigma nas orlas.

Comprimes. E nós,
cumprimo-nos.

 

in Da Natureza e Afins


en_CRUZ_ilhadas

Crossroad

.

a obliquidade do olhar apaga-se.

no i_manifestado dos cruzamentos
os celeiros são amarelos!

e no acontecer
do deserto branco de coral,
trocam-se flores nos tabuleiros xadrezes.

só as torres de ébano tocam o Céu!

 .

in Interlúdios da Certeza


Ternura Azul


Silver moon, originally uploaded by Spy to die 4.

 

depois do fragor do ruído
a memória da conquista é breve.

sobra a espuma nas conchas
em momento de nudez
                                                     luar.

ondas lisas em prata
no silêncio do mar.

nesse sonho repousa o búzio,
em teu nome,

murmúrio.


2010

Feliz Ano Novo!

 

(em Tolerância, Amor, Harmonia, Luz e Paz!)


Abundância

Sunset on Easter Island, originally uploaded by Leeuwtje.
 

toupeiras metálicas em trilhos despertos.
amarelos! como salamandras ao sol.
ou esculturas perenes,
ausentes da perspectiva visionária,
num sono eléctrico de nuvens estáticas.
onde se formam arquitecturas obliquas.

pendentes brilhantes fazem a época.
mas fractais? só para lá do horizonte,
das cordilheiras, dos ventos.
perguntas se existem imagens nas transparências?
apenas em todos os espelhos negros.

nas névoas constantes,
os mortos remexem a terra!
no sal da terra,
suores escavam rugas!

e solta-se o dragão flamejante dos sonhos.

há quem ouse,
e é verdadeiramente ousado, possuí-los.
os terceiros!
não os próprios. esses não são utopia!

procuram quereres magnéticos para a infância.
como árvores mudas de folhas em chamas.
se fossem azuis eram minhas!

em campos de flutuação frágil,
o grito é matriz solta.
vulnerabilidade perfeita, logo defeituosa!
mas as aparências regem o mundo. e as mães sofrem
enquanto os bastardos que decidem riem.
como se não fosse preciso pão.

condição da humanidade? as dúvidas!
em reminiscência. quais votos em branco.
e vencem qualquer concurso de variedades!
tu sabes. foste premiado.

não há comida grátis!
mas toda a abundância é publicitada.

 

in Diálogos em Epistolas Inertes


Aguarela

 

dei asas ao manto denso da noite.

para que o silêncio caísse nos braços da luz
e os véus não circunscrevessem os riachos.


Renascer

 

o tempo,
sensorial e não só,
é uma dádiva porque provém do Ser e de ser existência.

talvez tudo derive da fonte hermética e todos os dias o universo se pense.
talvez a consciência (des)fragmentada na fluidez do movimento
aconteça no piscar dos sonhos,

onde somos água em evolução!


Licor


This morning, originally uploaded by Andreas Reinhold.
 

existe uma flama perpétua na alma
que nos liga ao indivisível arquejar do sopro divino.

apesar do tecido poroso que se estende para lá das dobras,
a melodia da água pulsa,
nas ondas do incomensurável,
em ténues suspiros que nos chamam incessantemente.

nos estios dourados,
tristezas também fazem as magnólias em flor.

e o pólen beija as searas em chuva.


Wadi Rum


Wadi Rum Landscape, originally uploaded by bgladman.

 

Onde profetas falaram!
Onde fortalezas cresceram!
Onde viajantes se refugiaram!
Onde heróis se fizeram!

Em, Wadi Rum,
o tempo permanece uno.

E a Voz, ainda, ecoa.

 

in Geografia e Outras Circunstâncias


Utopia em Luz


Cold Green Peak, originally uploaded by fear of light.

 

barragens de luz irrompem das membranas da terra,
anunciando a pálpebra do dia.
e a penumbra desce à limpidez do leito lunar,
no dardejar do passado escondido.

atendendo às brisas dos jardins inocentes,
as pedras são poros que ascendem serenos.
mas há pedidos irrecusáveis!
tão poderosos como o ar que se respira.
e na transição,
aguarda um vento agridoce que alisa o eclodir das carótidas,
suavizando o dispersar da seiva existencial
e amainando o pulsar que vibra nos espelhos.

é nesta ligação que se formam os arquipélagos de nuvens,
a última camada doce que anuncia a orla da densa imensidão.

ocres, verdes, azuis e negras,
as camadas são membranas em si.
um ciclo elegante,
onde se rompe a noite e se rasga a luz,
na enunciação do tempo imemorial.

e acontecem músculos cansados.
exauridos pelo drenar da brandura íntima
na cedência do veio de energia aos lábios do desejo.

só assim se liberta o grito púrpura do horizonte
e se arejam as convulsões encerradas nos quartos antigos.
é então que as labaredas insuflam o crescente
e o abraço magnético devolve a gravidade às pedras
enquanto as crepitações ressoam no eco das arenas vazias.

a oclusão dos caminhos emerge na linha da raiz
formando a força da áscua terrena,
renegando a inexistência causal dos elementos,
libertando as sementes em chama ao abraço da criação.

terra, ar, fogo e água!
mantos puros que dão vida,
vestes de luz que envolvem o atravessar do destino.
mas só nas ondas de menta fresca se elevam os portais.

no mar,
vive a alma feminina.
a água é a sua expressão.

o desejo é uma orla onde se colhem os sonhos!

o meu é ser na face dourada onde se renovam túnicas de aljôfar,
pela lágrima nos tempos, utopia em luz.


Opaco

~ The Outer Limits, originally uploaded by Mackeson.
 

Limites de duas
faces. Vêem-se de dentro e
de fora. Nada coincide.
Só os inversos das
perspectivas paralelamente
opostas, nos recônditos
refugios da ilusão.

Foram-se os momentos
perdidos. Resta a fronteira.

 

in Da Natureza e Afins


Lágrimas

 

chove

no corpo
em passagem

o sonho
para o futuro.

 

(inspirado em Suave Coisa)


Multitopia

 

na expansão termodinâmica,
que faz irromper água cristalina,
ainda permanecem os fluxos do tempo.

e na luz viaja o silêncio da criação.

sonho com cometas azuis!


Elos


Uluru | Ayers Rock, originally uploaded by indian nomad.

 

haverá mistérios nas areias?

os sussurros nas dunas são ocres.
telhas suspensas no vazio,
acordes levados pelos menestréis.

ecoa!
o tiquetaque dos grãos.

mas vida?
sem entrega?

 

in Comentários na face da Noite


Enigma – 11º jogo das palavras

dentro da caverna dos mundos,
um enorme ventrículo hexagonal,
tudo é um imenso oceano em flores.

no centro do âmbito,
sustentado por pulsares ondulantes,
existe uma flama de batida distinta.

ao fundo,
nos pés da cama de ébano,
descansa o tigre branco da desigualdade.

subitamente,
percebe-se uma sacudidela no olhar.
e solta-se a voz do soberano:

mortal,
na câmara das safiras bidimensionais,
haverá sempre oscilação.
tomarás sempre um navio.

mas para seres no reino de Morfeu,
só pela nau que faz o caminho da ilusão!

resolve o enigma da situação:
vasteza ou vento?


Peregrinação

 

dispersei o meu ser no desprender das folhas
às suplicas do solstício. talvez assim também fosse
na essência dos verbos da noite. mas fui levado
para as terras inertes da lembrança cega.
não procurava as palavras revestidas.
e julguei-me perdido nas aparências das sombras.

por estas partes,
o desfiar do destino era ausente. assim, esperei
que as orlas enrugassem para me soltar, agora, no desconhecido
e reunir-me nas escarpas suspensas da luz.

foi o facho do farol da saudade que indicou o sentido.
a ânsia do regresso animou-me
e senti os lábios da esperança. até que, escorrido,
nos campos das framboesas laranjas,
o meu alvéolo finito se enxugou.

e, apesar de mortalmente ferido,
permaneço nas avenidas ocres do poente.

ressuscitarei.
                                   uma e outra vez.

sim. ressuscitarei!
                                               uma.
                                                               e outra vez.

pelo som da mão que molda os gestos da criação.
pela escrita da voz que forma as letras primevas do cosmos.

qualquer dia.
um dia!

in Diálogos, Epístolas Inertes


Desafio

Foi-me pedido para seleccionar a quinta frase completa do livro que estivesse a ler.

“Mao used the party press in July to lambaste the American ambassador and thereby to awaken sympathetic Americans to the danger of Patrick Hurley’s reactionary line and to arrest any shift in American policy toward strong support of Chiang Kai-shek.”

The Genesis of Chinese Comunist Foreign Policy – Michael H. Hume

Este é o livro que estou actualmente a ler. Como não é «literário» (obrigações do doutoramento), acrescento uma segunda frase, esta já dentro da área que nos une.

“(…) Each day I begged them to talk with me, since I had come such a long way.”

Selected Poems – Rumi

Passo o desafio a todos aqueles que gostam de partilhar as leituras que fazem.


Fontes

Cascades, originally uploaded by vfswa.

 

Estados diferentes,
conjuntamente.

Gotas desejadas,
origens ressurgidas,
futuro presente.

A distinção faz-nos indivisos …

Formas improváveis.
Multiplicidades.

Organismos.

… Fontes.


Encruzilhada(s)

Minotauros persistem nas sombras
independentemente das escolhas
e dos desvios nos trilhos.
O novelo de lã não é suficiente
para as hesitações, em vida.
Intrínsecas!
Que Cronos observa.

De nada valem as súplicas.

O silêncio da resposta é ensurdecedor.
Assoma as dúvidas e devolve-nos
à evasão da partida. 
Mas a linha já foi consumida.
Pelo castigo do enliço!

De nada valem as súplicas. Por
isso as entoamos.

Somos labirinto movediço.

 

in Da Natureza e Afins


Liberdade

Sao Pedro 06, originally uploaded by vfswa.

A liberdade,
é um acto humano
de um estatuto divino.

Daí
que não seja uma perfeição.
Pois
quantas vezes não é regida pela emoção.

Mas Deus, Deus não é só razão.

Limites?
Apenas uma ténue delimitação.
Eu e tu,
uma difícil divisão.

Liberdade,
implica escolher, implica acção.
Traduz consequências,
e pede decisão.

Justas,
para nos elevarem acima da nossa condição.

in Deuses, Homens e o Universo


Janus

As faces vigiam.
Tudo vêem.
Nada é desconhecido.

O conselho é proibido!
Só o acesso ao labirinto é permitido.
E o caminho?
Apenas por quem escolhe é percorrido.

Não há avisos!
Há portas que abrem,
vias que terminam
e destinos que começam.

As faces vigiam.
Tudo vêem.

Suspiram!
Depois do rumo ser conhecido.

 

in Deuses, Homens e o Universo


2009

 

Feliz Ano Novo!

 

(em Paz e Luz!)


Profecia – 9º jogo das palavras

Cambodia: Angkor Wat, originally uploaded by mandalaybus.

 

não foi paralogismo, o oráculo de outrora.

o sofisma foi intrinsecamente verídico.
sustentado por um patrono
decididamente crente.

apesar da chama florir alva,
fés cegas sucedem-se em exemplos perdidos.

mas o reencontro é alcançável.
qualquer caminho é iluminado!

e a carta,
bordada em linhas de bondade,
une a liturgia dos tempos, proclamando:

na mudança aguarda o desvendar!