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Fervor


Compulsion, originally uploaded by Jose F. Sosa.

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extraterrestres podiam aterrar neste ermo que poucos notariam.
exceptuando os que procuram a mudança e a integração da espécie.

a mensagem do salvador está gasta.

mas a produção de tónicos cresceu
e o destino parece algo partilhado,
habilmente multiplicador do horizonte.

o centro do universo já não é o homem, mas o umbigo!
aqui floresce a mais pujante religião,
castradora e impiedosa com os descrentes.
quando menos acreditas, os profetas tocam a campainha
revelando os viajantes e prometendo o caminho para o cosmos.

todavia, a meta é o consumo de ilusões
que assumem o significado do insignificante.

e não se autorizam tresmalhados!

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Membranas

Membrane

metamorfoses inconstantes evoluem nas (r)evoluções
das maçãs. pobre Newton! no caminho do ínfimo, a
mecânica produziu incerteza. nenhuma esfera de vidro
resistiu! só há inércia nos estilhaços de rubis translúcidos.

o retorno apenas é possível pela alquimia dos sentidos,
pela busca do elo dos multi-Versos interiores. quais
cascatas verdes? sustenta-te nas terras das águas azuis.
não te esqueças que as estrelas são corpetes de jóias lilases.

animal político? por isso não existe lei sem paixão! já
tentaste Estagira? fazes bem! de qualquer maneira não
é inteiramente redutor. pensa na alternativa, a Cidade
do Sol, e reparte-te no espírito da entidade cósmica.

qual a velocidade para se viajar entre galáxias? simples.
terá que ser geometricamente proporcional à distancia a
percorrer. no entanto, nada se afasta. é o espaço que se
expande! e aí chegarás ao pensamento do coração branco.

vês agora porque sigo golfinhos às quintas e as nebulosas
laranjas pela manhã? são a chave para a vibração pulsante
nos perfumes dos oceanos astrais. ou física em poeiras! no
acelerador de probabilidades internas dum orbe carecido.

que hei-de fazer? gosto de gatos siameses! principalmente,
em buracos de par nove. são mais resistentes. e meigos.

mas nunca abandonarei o imaginário vivo dos teus verbos.

 

in Interlúdios da Certeza


Palavras-Lágrima

blue light, originally uploaded by -sel.

no momento da criação sou desigualdade.
breve caos em crescendo,
nascido das raízes do tempo.
e pelos sulcos da terra,
solto cristalinos em verbo.

há códigos que se sucedem
automaticamente espontâneos.
como se a ilusão não o fosse!

mas em mim também é o livre arbítrio.

e pelas palavras aro,
as abóbadas azuis da noite
libertando as eras do desejo.

são puras as estrelas.
mas a distância?
é um passo no coração.

ou gotas de luz branca,
palavras-lágrima.

in Diálogos, Epístolas Inertes


Diário

preenchi-o, em tempos idos.
nalguns dias o fiz.
noutros não, por serem vis.
mas todos os momentos foram vividos.

as páginas do diário!
nelas estão presas as linhas preenchidas
e o espaço branco de alguns dias.
fragmentos de um calendário.

o que nem aos espelhos confesso
são, nessas folhas, palavras despidas.
diálogos de amor e de ódio.

perdi-o numa viagem sem regresso.
dele restam memórias perdidas
e uns breves retratos de ócio.

 

in Pensamentos e Reflexões Poéticas


Transfiguração

renova o todo que te faz.
sê o próprio furacão!

faz amor com as palavras,
funda a alma ao corpo
e beija com o coração em pureza.

é no turbilhão dos sentires
que todo o verbo se conjuga.

e o que é, ser-te-á retribuído

em amor e criação

 

in Comentários na face da Noite


Palavras

Dizem
que uma imagem
vale mil palavras.

Mas
as palavras são eternas
e a imagens
efémeras.

As imagens,
aumentam o imaginável.
E as palavras?
Apenas
sustentam o perdurável.

Sem elas,
como se poderia
explicar as imagens?

in Espelhos e outras Faces