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O Bosão do João

88 poemas

A minha poesia foi incluída na compilação organizada por Rui Malhó (que ainda não tenho o prazer de conhecer pessoalmente), O Bosão do João88 poemas com ciências.

Integralmente inesperada, é uma imensa honra ter sido selecionado para fazer parte duma obra que versa a transversalidade multidimensional da poesia nos multiversos da ciência e uma enorme responsabilidade por estar entre tão excelsa companhia.

Ao autor, o meu mais sincero agradecimento!

… Nada Ser
Do Quotidiano
Dia de Aniversário!
Revestimento
en_CRUZ_ilhadas
Membranas
Breve incerteza
Tapeçarias
Máscaras
Arbítrio
Rupturas


Em dia de aniversário

sequoia-1 https://www.flickr.com/photos/51652977@N00/3855301362/in/faves-25631517@N08/

!

os dias que se sucederam são ténues poeiras,
que fazem o desenrolar do continuum.

todo o pirilampo é breve na antecipação da aurora.

sente-se o estremecer do tempo cósmico.
renascimentos acontecem no silêncio dos sorrisos.

hoje, em mim, houve futuro.

e, fiz-me, tempo,
antigo,

em comunhão quântica.

 

days that succeeded are pale dust,
doing the course of the continuum.

all firefly is brief at dawn’s anticipation.

one feels the shiver of cosmic time.
renaissances occur in the silence of smiles.

Today, in me, there was future.

and I became, time,
ancient,

in quantum communion.

!

 


In Memoriam


VFS_0507b, originally uploaded by vfsphotos.

.

aos olhos do Criador,
nada sou.

aos olhos de meu semelhante,
mais não sou.

são os filhos que nos fazem eternidade.
mas a existência é efémera.

o coração chora.
porém, nunca esquecerá.

*

Hoje fui acordado com a notícia duma morte. Um Pai comunica a morte do seu Filho.
Dediquei um dos meus livros à minha filha Ana, que considero ter sido o meu primeiro passo na eternidade. Já dei dois. É o meu maior receio: perder um filho.
Não consigo imaginar o que o meu amigo e colega Abílio estará a sentir. Espero apenas que o Criador lhe conceda serenidade.
O poema infra não é novo, mas foi adaptado para a memória dum filho que partiu.

Para o Abílio!

Recordação

Quantas vezes nisto falamos?
Quantas vezes o expressamos?
Quantas vezes o receamos?

Se tivesse que morrer por ti,
de bom grado o faria.
Porque em ti e por ti,
a minha luz jamais se extinguiria.

Mas assim alguém não quis!
E foste tu, não eu, quem partiu.

E eu? Eu sou aquele que vive no alento
do reencontro,
alimentado pela tua recordação.

Sou aquele que no silêncio fala contigo,
aquele que receia que todas as palavras que diz,
que todas as palavras que contigo divido,
não cheguem para expressar os sentimentos que me inspiras.

Sou aquele que tenta,
em vão,
retribuir tal avalanche de sensações.

Sou aquele que ainda te deseja.
Aquele que deseja que os seus medos se transformem
em ondas que te aconcheguem,
refrescando-te nas noites quentes do Verão,
protegendo-te nos dias de tempestade do Inverno.

Sou aquele que não se satisfaz com tais desejos.
Porque nem a possibilidade de essas ondas te presentearem
com um constante renovar de quadros,
pintados por estrelas na tela da noite, seria suficiente.

Sou aquele que canta o desencanto
porque nada me encanta sem o teu encanto,
sem o teu ser,
sem o teu viver.

Sou aquele que não é jardineiro
mas que cuida do teu canteiro,
de todos os teus canteiros.
Porque tu és o meu jardim,
és todos os meus jardins.

Sou aquele que suplica ao sol
por mais um momento de luar,
para nele rever o teu rosto,
para nele te recordar.

Sou aquele que aguarda o aguardar
porque aguardar reencontrar-te é o que me resta fazer.
Aguardar, esperando.
Aguardar, olhando o mar
e desejando o além abraçar.

Sou aquele que ainda é teu.
Aquele que já era teu quando não eras meu!
Aquele que foi teu quando foste meu!
Aquele que continua teu, porque ainda és meu!

Sou aquele que não desiste.
Aquele que aqui, a custo, persiste.
Porque dói a tua lembrança.
Por nela depositar a esperança.

Sou aquele que tem de continuar
sem pensar em morrer.
Aquele que aqui continua a viver
para a tua recordação honrar.

E também sou aquele que para ti voltará.
Aquele que contigo ficará,
por todo o espaço do tempo
e por todo o tempo do espaço.

in 30 Mensagens de Amor e Uma Recordação


Sabores


Shadow Body, originally uploaded by Jayfer24.
.

talvez devesse estranhar o estranho acontecer da dinâmica no contorno dos pensamentos. talvez? mas, na essência, apenas se está a manifestar a fluência da estrutura da mente, pois é da sua natureza sustentar a perspectiva hermética do universo. porém, simultaneamente, noutras pausas, fluem os espasmos sensoriais do corpo, num estranho alfabeto que se afirma singular e que nos entranha no sentimento do sentir. são outras forças que se revelam e que aquecem o ânimo da carne para o tempo do futuro. talvez a formatação seja dual. talvez? contudo, este fluir de fluxos distintos, esta fluência comunicativa ininterrupta é a ligação que nos identifica com as vibrações do diapasão cósmico, a ponte que nos faz pó da terra e pó de estrelas e que alimenta o horizonte da esperança.
será estranho estranhar que o ser humano possa ser uma pedra de roseta? talvez. contudo, se assim o for, ainda não foi totalmente decifrada. logo, antes de tudo, somos curvas que derivam em expressão.

in Livro dos Pensares e das Tormentas, 155, 7 de Julho de 1998


Dia de Aniversário


Prairie Winds…, originally uploaded by The Nature of Things.

 

nada de espelhos. nada!

não renego reflexos.
até colecciono fragmentos.

mas prefiro as cúpulas celestes
ou as asas do profano humano
que chora o sonho.

porquê?
porque ouso,
apesar das marcas das passagens,
persistir no caminho do in-finito.

ao longe,
incólume,
o tempo assiste ao fluir do vento.

e, mais uma vez, o ritual é comungado.

obrigado…


Poetas

 

os poetas são dragões azuis que
enchem as auroras dos sonhos,

estrelas que tombam em repouso,

Fénix que renascem em mãos despojadas
na entrega ao amor das guardiãs,

em desejo do futuro.

 


Quis


Aurora Boreal – NASA, originally uploaded by flaviocarmo.

 

ser asas em noite azul
ou beijo desprendido ao acaso

e não mais esquecer.

 


Amapolas


Amapolas, originally uploaded by ·GeorG·.
 
 

a inevitabilidade da crença deve conduzir ao rasgar da fé.
nada é perfeito, nada fica incólume após o toque humano.
e sente-se a raiz do choro,
cujo advento faz a proclamação do trilho terreno,
que alimenta a condição mortal.

nos momentos em que os halos vermelhos se erguem
para a redenção,
existência acontece pelo verter das lágrimas
que sucumbem às echarpes em luz solar.

talvez a ilusão seja uma necessidade?
mas, apenas o sonho é seguido,
apenas o sonho propícia a expiação.

ser ou dever ser,
é a constante do diálogo.

que produz as cores do horizonte.

 


Estrela-do-mar

 

só os corpos sofridos atingem a redenção das águas.

vida sem dor é existência ser ardor
e os rasgos fazem pulsar o coração

onde gotas vermelhas contam o tempo
que mede o horizonte da iris.

a oscilação do desejo depende
do sussurro que chora pelo azul.

todavia, a palpitação dos grãos é real!

 

 


Revestimento


music, originally uploaded by re:nay.

 

no retiro das semibreves,
sou banhado pelos raios de luz
que serpenteiam as savanas roxas.

onde o verbo inexprimível
é visão concretizada
no palpável das espirais da aura.

tudo conflui na melodia
dos sentidos cardeais
e dos interstícios das partituras vazias.

a coesão das partículas estremece
e a rapidez dos electrões adormece.

fractais e outras ondas
constituem-se renovadas.

e expurgam-se as falências humanas,
essas pequenas imanências
que estruturam o âmbito celeste.

 

in Interlúdios da Certeza


Sina


The Low Road, originally uploaded by Philippe Sainte-Laudy.

 

todo o percurso é um rascunho
que se executa na sensação do decorrer,
uma tentativa em exultação.

é normal o acontecer das camadas,
o renovar da tez,
no desperdício dos instantes.

só a mão cria o vazio do além,
num suspiro transpirado
que cede à sede do apelo:
irás descansar!

mas caminhamos a desejar o inverso do sentido,
num sentido que se versa aos pés.

e o véu lúgubre não é ilusão.
é a promessa do renascer.

eis porque o sonambulismo inflama a chama do que se fez!
eis porque se aguarda o paraíso!

 


O infinito precisa de dois

Infinite Moment

Infinite Moment, originally uploaded by Accretion Point

 

no ondular da brisa
moldam-se as curvas das dunas.

frescuras diárias.
breves afagos.
verbos soltos.

e assim escorre o relógio da vida.

o infinito precisa de dois.

 

in √81 = IX ?


Fracturas

 

Cortes imperceptíveis
proclamam avisos sonoros,
éditos de constância inócua:

tudo deve ser igual
porque a mudança é irreal.

e joga-se o germe na saliva
quando a campainha vibra.

estranho destino futuro,
a genética manipulada.

ainda somos primatas?
ou simples reflexo descondicionado?

 

in Da Natureza e Afins


Primordial


Wish You Were Here, originally uploaded by Stuck in Customs.

 

deuses sorriem ao longe enquanto
vida acontece.

mas nós
a vivemos.
nós
somos essência

no lago da humanidade.

 


No Corpo de Gaia

circled, originally uploaded by hkvam.

 

desejos latentes no etéreo
abrem-se paradoxalmente ao templo que se encerra.
as pálpebras das estrelas permitem brilho
às fendas escuras do horizonte,
sinalizando o trilho para o destino das almas.

há algo triste na tarde que se entrega,
mas toda a energia é panorâmica
e deixa um leque de sangue nas vestes amarelas.
nem o vento que arrefece as savanas
afronta essa dádiva onde pulsa carne divina.

espíritos animam os seios de Gaia
podando as auréolas dos cumes sagrados.
e chamas são erigidas nos altares,
louvando o corpo que soçobra em choque.

no limite da exaustão,
as danças produzem melancolias piroclásticas
que envolvem os membros despidos,
invocam sete palmos de água descendente,
refrescando os fragmentos ígneos da raiz da terra.

o movimento da miriápode celebração
igualmente avoca a presença dos druidas.
diversas fracturas são infligidas no Ânima.
e a ara fixa-se no pulmão da sutura,
velando pelo oxigenar das sementes de fogo:
quando o novo amanhecer acontecer,
aqui reflorirá o cântico do equinócio.

tenro é o período das ondas de renovação
mas sangue terá que correr para que outra seiva possa ser.
e o corpo desenterra-se da erosão imemorial do tempo,
anunciando o aligeirar do afélio interior.
vagarosamente, a trindade cêntrica estremece
despertando o poder da potencialidade absurda:
Energia, Espírito e Alma vibram para a plenitude.

ocorrem avisos anamórficos da auto-regulação
cuja amplitude devia chegar aos inquilinos desrespeitadores.
mas a atitude hodierna prevalece intocável
e não há consideração pelo que nos foi oferecido.

num provir isócrono que se gera por si só,
reavivados sussurros soltam o teleológico antigo
demonstrando a existência da ecosfera primária.

soam as horas atrozes do crepúsculo púrpura!
o tronco materno ruge sereno:
as águas sobem e os ventos ventam estranhamente,
desfraldando as abas do éter interior da cosmogonia holística.

o ente imenso recria-se para sobreviver ao impacto humano
e convulsões orgânicas surgem abruptamente desta cisão.
mas a semente da luz aguarda no ventre da Mãe terra.
uma nova dignidade emergirá e novas mãos a seguirão

nova era de esperança no respeito da lembrança.
em união omnisciente, no corpo de Gaia.


Repouso

Pleiaden, Plaiades M45, originally uploaded by ocupado.

 

Lá,
onde os Deuses vivem,
não entrarei.

Nem desejo ver tal morada!

O meu lar terá outra entrada.

Nasci homem.
Morrerei pó.

 

in Deuses, Homens e o Universo


Conceito

 

poesia,

é sentir um desejo impossível de conter.
é transmitir o que à alma se vai beber.
é repartir o meu e o teu viver.
é expandir o interminável a um só pertencer.

é unir o divino ao ser.

é, simplesmente,
agradecer

um suspiro nas lágrimas do tempo.


Buraco Negro

 

Atacador do universo,
a tua presença não
é vista mas sentida.

Apenas no abraço
estendido, permites
alguma luz. E nem
esta te escapa.

És temido e brutal,
mas sem ti não éramos
ou somos.

Sustentas,
o sigma nas orlas.

Comprimes. E nós,
cumprimo-nos.

 

in Da Natureza e Afins


Paranóia


The Real Deal!, originally uploaded by ming mong.

 

a potência da impossibilidade faz-se sentir.
e na cabeça cria-se um ramo de constelações
que difundem a loucura ao limiar da imaginação,
eriçando as mandíbulas que usam os filamentos do calçado
como se um bordado em lãs de mármore não fosse um luxo.

pelo caminho iluminam-se os traços da memoria
que combatem furiosamente as metástases da escuridão,
na ofuscante balística dos dedos projectados.
mas a autonomia é curta e a cura é uma demência pontuada
por um utensílio cónico descompassado.

nem a lógica clarifica o delito da ausência de poros
capazes de captar a linha voltaica adscrita ao arrebatar do som.
também nos cilindros impera o mutismo da ferida ressacada.

é então que surge a dúvida: é dia de teste?

todo o universo craniano se revolve, arremessado,
ao sabor dos espasmos dos neurónios surpreendidos:
ah, a fabula animal é uma elegância!
e o instinto é subjugado pela emoção aromática das feramonas,
iludindo o contacto intra-espécie da excitação.

desprezar a capacidade química não é aconselhável.
qualquer estereotipo revelar-se-á inadequado.
no momento da rebelião, só a água acalmará as sinapses
revigorando os influxos que fazem as pontes das margens rachadas.

pode até ser que as membranas se desconectem de propósito.
porém, sentidos que se enclaustrem abrem novas portas
onde a propagação perdura enleio espontaneamente desencadeado,
nos contornos dos estímulos paliativos.

os dedos já o haviam experimentado.
só agora o nervo preguiçoso reage, socorrendo-se da velocidade do pensamento.
mas a combustão degrada a personalidade alimentado a cinza do cérebro.
eis porque a massa cinzenta é um organismo semi-vivo
– gerador de cosmogonias alternativas que decoram o ser conceptual –
que involuntariamente propicia a perdição.

a impotência da possibilidade não é ilusão!
a dúvida entrincheirou-se. todas as tentativas serão frágeis.

excepto para as vastidões inexploradas da paranóia.


Angkor


Sunrise at Angkor Wat, originally uploaded by kees straver.

 

O esplendor de milénios de civilização,
no correr do tempo,
esvaneceu.
E a natureza reclamou o que era seu!

No silêncio, o espírito descansou.
Os deuses e a essência em si reuniu
e na imensidão,
um novo coração fundiu.

Ressurgido da pureza,
com um renovado fulgor voltou.
E de novo,
a beleza
brilhou!

 

in Geografia e Outras Circunstâncias


Palavras-Lágrima

blue light, originally uploaded by -sel.

no momento da criação sou desigualdade.
breve caos em crescendo,
nascido das raízes do tempo.
e pelos sulcos da terra,
solto cristalinos em verbo.

há códigos que se sucedem
automaticamente espontâneos.
como se a ilusão não o fosse!

mas em mim também é o livre arbítrio.

e pelas palavras aro,
as abóbadas azuis da noite
libertando as eras do desejo.

são puras as estrelas.
mas a distância?
é um passo no coração.

ou gotas de luz branca,
palavras-lágrima.

in Diálogos, Epístolas Inertes


Ternura Azul


Silver moon, originally uploaded by Spy to die 4.

 

depois do fragor do ruído
a memória da conquista é breve.

sobra a espuma nas conchas
em momento de nudez
                                                     luar.

ondas lisas em prata
no silêncio do mar.

nesse sonho repousa o búzio,
em teu nome,

murmúrio.


(des) Ordem


Tree of Wisdom, originally uploaded by SESeskiz Art Studio.

 

observo no caos uma ordem irrepetível
que nenhuma tentativa consegue reproduzir.
aí reside o elemento criador,
que se recria numa contínua (r)evolução.
porque o que foi, foi-se
e o que é, somente o é enquanto for.

apenas o imutável é obscuro.

a luz acompanha o tempo
alimentando o renovar dos sorrisos das crianças que crescem.

realizam-se os enigmas previstos
sem qualquer manipulação.
só assim se percorre o trilho ancestral,
só assim se farão as respostas,
apesar das ilusões nas paredes humanas.

eis que se manifesta, continuamente, o antigo.
num diálogo interplanetário,
num renascimento que faz a força da essência na entidade universal.

e o saber encarna,

                                          em alguns de nós.

 

in Anima Temporis


2010

Feliz Ano Novo!

 

(em Tolerância, Amor, Harmonia, Luz e Paz!)


Nunca Acordo


Leaves & Sky, originally uploaded by stribs.
 

nunca acordo quando as brisas transcendem o sonho em amor.
relaxo, no embalo da cama de rede do êxtase sereno.
no sustento dos braços da amada queda-se a protecção da existência.
note-se a atracção mútua dos corpos!
mas as árvores continuam a desafiar a gravidade,
erguendo-se para o abraço dos céus.

há algo de deslumbrante
quando os dedos de anil transparente embalam as folhas em ternura.
é assim que os ramos hirsutos se renovam em verde vivo,
elevando-se como arquipélagos que abraçam a orla do mar celeste.

foi no principio que o verde se enamorou do azul!

desde então,
entrelaçam-se nas linhas do horizonte em afagos graciosos
que mergulham nos pomares laranjas do poente,
onde, no encurvar do sono, repousa a paixão.

nunca acordo quando as brisas transcendem o sonho em amor.
apenas me entrego ao assombro,

                                                                                 no espanto por ser!

 

in Anima Temporis


Somos poesia

 

outrora foi contemplado
o momento para o qual fomos criados.

exultando,
correntes cósmicas reúnem-se
para o semear de cometas dourados.

tempos conjugam-se na linha em amor
e o azul amplia o horizonte,
onde safiras transparentes compõem as lágrimas das estrelas.

as constantes partiram em paz
e todos os corpos celestes rejubilam em silencio.

na pirâmide mística da evolução
o altar, decorado com pérolas flamejantes,
aguarda o consagrar dos votos.

Beijo em teu coração.
A noite virá mais serena.

Beijo em teu imenso ser.
O sol trará outro dia.

somos poesia dos deuses,
verbo da Luz.

 

 

(jamais seremos sós!)


Aguarela

 

dei asas ao manto denso da noite.

para que o silêncio caísse nos braços da luz
e os véus não circunscrevessem os riachos.


Renascer

 

o tempo,
sensorial e não só,
é uma dádiva porque provém do Ser e de ser existência.

talvez tudo derive da fonte hermética e todos os dias o universo se pense.
talvez a consciência (des)fragmentada na fluidez do movimento
aconteça no piscar dos sonhos,

onde somos água em evolução!


HumanaR

Tender fall, originally uploaded by Philippe Sainte-Laudy.

 

a distância entre a porta ajusta-se ao momento do destino.
tal como as escadas rolantes são ilhas,
onde as pernas se imobilizam,
duplicando um movimento que não se perpetua.

só num local
– indefinível, porque obscuro,
algures, porque discreto –
as acções são duais.

mas a transposição implica
a queda num buraco octogonal de espelhos cansados.

o homem não pode conviver,
simultaneamente, com o passado e o futuro.
a queda requer faces vedadas aos segredos disponíveis,
deformados pela velocidade horizontal do salto na penumbra.

até que as correias electromagnéticas se façam sentir
a aceleração será uma constante e a fé será posta à prova
por um corpo abandonado ao seu próprio ónus,
ao sabor das gargantas profundas da gravidade.

não haverá pára-quedas.
são chuvas que libertam a torrente de memórias gastas.
em minúsculos pontos que brilham nas paredes do fosso
ocorrem explosões de astros
puxando os dedos na direcção da entrada,
como um instinto que procura sobreviver à redenção do momento.

nada inverte o passo dado!
nem a espuma dos cometas diurnos
ou o trilho das bolhas de sabão suspensas o consegue.
tudo depende do sangue da fé!
e esta depende dos neurónios do desejo,
entregues ao mais perfeito êxtase,
siderados pela inclinação do sigma constelado.

relata-se um sonho gerador de pensamentos.
alguns sumptuosos, outros nem tanto,
que fixam os orbes oculares no véu da lamentação.
o aviso ainda ressoa inteiro.
apesar de esgotados em tentação, os olhos permanecem cerrados.
a sinopse da escolha é inevitável!

no movimento imóvel iniciado está presente o término
porque as ilhas são pontos selados.
a certa altura os pés retomam o caminho,
na companhia prazenteira da paisagem,
bebendo em goles as cores congénitas da natureza.

estes ciclos ajudam a circulação da seiva encarnada,
criando ondas retemperadoras onde nada se vê.
a meio do percurso,
a amplitude do sentir transborda os limites do corpo
e a essência renovada acompanha os espelhos cansados
no entrelaçar à génese da raiz das árvores.

quando os movimentos encontram o ritmo do movimento
são necessárias fendas nos reflexos e feridas na epiderme:
pelo rasgar irrompe a beleza no uníssono.
e o peso do corpo torna-se avassalador.
na dor que é origem, os gritos são silenciosos.

as formas informes ocupam o buraco horizontal
e a ígnea chama que sempre existiu brilha no azul da alma.
o interior da natureza é índigo.
é aqui que o calor funde as existências
e o apelo ao abraço fresco do cosmos é recitado.

mas não haverá ventos estivais,
apenas um manancial em repouso
onde o impacto do corpo ressuscitará.
só no imo as preces de louvor são índole de carácter!
só a desfragmentação individual se unirá à unidade!

após a odisseia metamórfica no colectivo do coração
a distância entre a porta ajusta-se ao momento do destino.

é neste ínterim que a força do novo homem se transfigura.
regressado da dualidade, resgatado para a realidade.

em corpo presente!

 


Licor


This morning, originally uploaded by Andreas Reinhold.
 

existe uma flama perpétua na alma
que nos liga ao indivisível arquejar do sopro divino.

apesar do tecido poroso que se estende para lá das dobras,
a melodia da água pulsa,
nas ondas do incomensurável,
em ténues suspiros que nos chamam incessantemente.

nos estios dourados,
tristezas também fazem as magnólias em flor.

e o pólen beija as searas em chuva.


Wadi Rum


Wadi Rum Landscape, originally uploaded by bgladman.

 

Onde profetas falaram!
Onde fortalezas cresceram!
Onde viajantes se refugiaram!
Onde heróis se fizeram!

Em, Wadi Rum,
o tempo permanece uno.

E a Voz, ainda, ecoa.

 

in Geografia e Outras Circunstâncias


Utopia em Luz


Cold Green Peak, originally uploaded by fear of light.

 

barragens de luz irrompem das membranas da terra,
anunciando a pálpebra do dia.
e a penumbra desce à limpidez do leito lunar,
no dardejar do passado escondido.

atendendo às brisas dos jardins inocentes,
as pedras são poros que ascendem serenos.
mas há pedidos irrecusáveis!
tão poderosos como o ar que se respira.
e na transição,
aguarda um vento agridoce que alisa o eclodir das carótidas,
suavizando o dispersar da seiva existencial
e amainando o pulsar que vibra nos espelhos.

é nesta ligação que se formam os arquipélagos de nuvens,
a última camada doce que anuncia a orla da densa imensidão.

ocres, verdes, azuis e negras,
as camadas são membranas em si.
um ciclo elegante,
onde se rompe a noite e se rasga a luz,
na enunciação do tempo imemorial.

e acontecem músculos cansados.
exauridos pelo drenar da brandura íntima
na cedência do veio de energia aos lábios do desejo.

só assim se liberta o grito púrpura do horizonte
e se arejam as convulsões encerradas nos quartos antigos.
é então que as labaredas insuflam o crescente
e o abraço magnético devolve a gravidade às pedras
enquanto as crepitações ressoam no eco das arenas vazias.

a oclusão dos caminhos emerge na linha da raiz
formando a força da áscua terrena,
renegando a inexistência causal dos elementos,
libertando as sementes em chama ao abraço da criação.

terra, ar, fogo e água!
mantos puros que dão vida,
vestes de luz que envolvem o atravessar do destino.
mas só nas ondas de menta fresca se elevam os portais.

no mar,
vive a alma feminina.
a água é a sua expressão.

o desejo é uma orla onde se colhem os sonhos!

o meu é ser na face dourada onde se renovam túnicas de aljôfar,
pela lágrima nos tempos, utopia em luz.


Opaco

~ The Outer Limits, originally uploaded by Mackeson.
 

Limites de duas
faces. Vêem-se de dentro e
de fora. Nada coincide.
Só os inversos das
perspectivas paralelamente
opostas, nos recônditos
refugios da ilusão.

Foram-se os momentos
perdidos. Resta a fronteira.

 

in Da Natureza e Afins


(R)Evoluções


UNIVERSO EM REVOLUÇÃO, originally uploaded by Robson Valichieri.
 

um manto profundo envolve o pulsar
que anima o centro nu da essência.

talvez a tremura seja um arquejar da mudança
que tece a malha quântica?
mas os olhos das estrelas é génese das pérolas azuis.

nós?
universos em silêncio,
somos o fundir dos corpos astrais

na contemplação do esquecimento.


Instantes

M64, originally uploaded by WolverinesDen.

 
 

abraços em luz
descaem à fusão da origem,
na convulsão da vida.

 

e o silêncio é um beijo em criação,

num (e)terno instante de entrega.


Quietude

lágrimas,
no oceano da humanidade,
moldam ondas sensoriais
em ventos de luz.

diáfanos plasmas fluem
nos alicerces do centro do ser

palavras inaudíveis,
são beijos trocados
na ternura do permanecer.

mera intermitência,
entrego-me,
incondicionalmente,
à tua pertença.

Mulher!
Mãe!
Futuro!

 

in √81 = IX ?


Passagem

abrigado pelos cumes gémeos,
o templo de energia aguarda o despontar do tempo.
e no espaço vazio dorme o dragão escarlate.

continua a desenrolar-se o fio prateado do destino.
até ao momento de recordar o que outrora fomos.

mas chegada do Ser fará com que rosas azuis brilhem na noite,
e escolhas serão pedidas.
não existe aprendizagem sem perguntas!

houve criação.
haverá destruição!

para a recriação da génese,
que acompanhará a ordem cósmica.

(e seremos parte na consciência universal
gotas, na Água da Luz!)


Elos


Uluru | Ayers Rock, originally uploaded by indian nomad.

 

haverá mistérios nas areias?

os sussurros nas dunas são ocres.
telhas suspensas no vazio,
acordes levados pelos menestréis.

ecoa!
o tiquetaque dos grãos.

mas vida?
sem entrega?

 

in Comentários na face da Noite


Breve Incerteza

DSC_1450

.

na multiplicidade da convergência
dispersa-se a espécie
e o futuro.

Sal da terra.
Pão do dia.

aprender a vida.
crescer!

E ser,
breve incerteza

ou reflexo em matéria cósmica.

.

in Interlúdios da Certeza


Peregrinação

 

dispersei o meu ser no desprender das folhas
às suplicas do solstício. talvez assim também fosse
na essência dos verbos da noite. mas fui levado
para as terras inertes da lembrança cega.
não procurava as palavras revestidas.
e julguei-me perdido nas aparências das sombras.

por estas partes,
o desfiar do destino era ausente. assim, esperei
que as orlas enrugassem para me soltar, agora, no desconhecido
e reunir-me nas escarpas suspensas da luz.

foi o facho do farol da saudade que indicou o sentido.
a ânsia do regresso animou-me
e senti os lábios da esperança. até que, escorrido,
nos campos das framboesas laranjas,
o meu alvéolo finito se enxugou.

e, apesar de mortalmente ferido,
permaneço nas avenidas ocres do poente.

ressuscitarei.
                                   uma e outra vez.

sim. ressuscitarei!
                                               uma.
                                                               e outra vez.

pelo som da mão que molda os gestos da criação.
pela escrita da voz que forma as letras primevas do cosmos.

qualquer dia.
um dia!

in Diálogos, Epístolas Inertes


Essência

205, originally uploaded by vfswa.

 

És o orvalho que me refresca no Verão
e o sol que me aquece no Inverno.
És a surpresa constante nos meus dias
e a certeza presente nas minhas noites.

És a visão da ilusão realizada
na realidade dos sonhos sonhada.
És o suspiro vivente no ar que respiro,
o mais completo porto de abrigo.

És o mar da minha alma,
as águas calmas onde repouso.
És o horizonte a alcançar
nas rotas que desejo vagar.

É por ti,
em ti
e para ti
que eu me atrevo, que eu me ouso.
És o universo que sempre pretendi!

 

in 30 Mensagens de Amor e Uma Recordação


Fontes

Cascades, originally uploaded by vfswa.

 

Estados diferentes,
conjuntamente.

Gotas desejadas,
origens ressurgidas,
futuro presente.

A distinção faz-nos indivisos …

Formas improváveis.
Multiplicidades.

Organismos.

… Fontes.


Encruzilhada(s)

Minotauros persistem nas sombras
independentemente das escolhas
e dos desvios nos trilhos.
O novelo de lã não é suficiente
para as hesitações, em vida.
Intrínsecas!
Que Cronos observa.

De nada valem as súplicas.

O silêncio da resposta é ensurdecedor.
Assoma as dúvidas e devolve-nos
à evasão da partida. 
Mas a linha já foi consumida.
Pelo castigo do enliço!

De nada valem as súplicas. Por
isso as entoamos.

Somos labirinto movediço.

 

in Da Natureza e Afins


Palavras para ti, Meu Amor

Deepening Love, originally uploaded by LilyShewan.

 

Renasci,
no instante em que te vi.

Não esperava ser tão afectado.
Mas fui!
E ainda bem que assim foi.

Todo o meu cosmos se movimentou.
Todo o meu Ser se revolucionou.

Ao entregar-se,
a ti
e ao teu amor,
a minha alma encontrou a independência.

Passei a viver
outra existência,
ao nascer
para a nossa vivência.

Pouco mudou com o fluir do tempo.
Apenas aumentou o respeito pelo teu coração,
por seres como és,
por seres quem és.

E também se solidificou esta certeza:
Contigo,
Eu tenho sentido.

Mulher dos olhos doces!

Os teus olhos não são só de vida.
São também de esperança
e de possibilidade ilimitada.

 

in √81 = IX ?


Mitos e Fantasias

Na mente vivem!
Reais e fieis.

Na imaginação,
plenas de felicidade.
Criaturas tão fantásticas
que, num anseio,
são uma realidade, pintada,
nesta alva dimensão.

Para agradecer,
a sua libertação,
Grifos brincam no ar exibindo,
uma magnifica plumagem.
Pégaso, como um petiz,
vai-se esconder
para, atrás de uma nuvem,
logo aparecer.

Um unicórnio desliza,
majestosamente feliz,
numa verde imensidão.
Venerado, ao longe,
pelo olhar das valquírias
que, por amazonas acompanhadas,
observam deleitadas tão pura entidade.

Ao largo,
pelas ondas acariciadas,
as sereias cantam.
Retribuindo a dádiva da criação
com o som da ternura.
A nostalgia chama Ulisses de volta ao mar!

Os de Asgard e do Olimpo
decidem presentear
Midgard com um arco-íris.
Osíris, também quer participar.
Vahalla brilha!
Cronos, rindo,
vê os Titãs estampar a vida com cores.
Na brancura, as pintas escuras,
dão o tom aos sabores.

No papel convivem!
Mitos e fantasias.
Imortais, no pensamento, crescem.
Agradecidos,
por no coração serem recebidos,
dão-nos alegrias.

E nós
 – mortais –
surpreendidos
pela visão de tal cosmos,
em tais magias somos preenchidos.

Mitos e Fantasias!
Em nós, reunidos.
A nós, unidos!

 

in Deuses, Homens e o Universo


União


Union, originally uploaded by LilyShewan.

 

Eu?
Eu sou eu
por tu seres.

Sou!
Sou tu e eu,
sou nós.

Serei,
por ti,
nunca mais
só eu.

 

in 30 Mensagens de Amor e Uma Recordação


Fragmentos


Earth Wind and Fire, originally uploaded by Philippe Sainte-Laudy.

 

tens utopias. imagens a desbravar.
procuras o ser da obra
mas esquinas acontecem.
estranhamente,
as quimeras permanecem fantasias
e todo o nada que te preenche são ondas que se revolvem.

és actor!
pasmas perante a miríade do divino.
no celebrar da dádiva,
todos os elementos recriam as cores da emoção
completando o místico do sagrado,
o primordial sopro da vida
da luz regente das manifestações do inteiro.
e o que é, transfigura-se no que for.

Céus de fogo, Terras rubras, Ventos azuis.
no diadema das águas desnudas.

e só aqui, cativados,
os universos pulsam como no inicio.
regressando ao abraço redentor das Mães
onde o choro purificado se renova.

fulminado pelas fendas das lágrimas
entregas-te ao sentir do ânimo.
afagas os contornos da beleza.
só depois poderás insufla-la com vida.

parcialmente libertas o cerne da tua condição.
alguns dos teus feitos serão mímicas abnegadas.

somente assim também serás no amor à criação
ou no perpetuar da eternidade.

 

in Diálogos, Epístolas Inertes


Vibração

Deep Space, originally uploaded by John Griffiths.

 

Tudo que vive, vibra!
Tudo tem uma assinatura.
Nada é indistinguível.

Tudo emite frequência
num ritmo individual.
Tudo tem comprimento de onda
na totalidade universal.
Nada é indecifrável!

O universo não está só!
É um entre outros.
Dimensão
                        entre dimensões.
Par,
           entre gigantes
                                         e anões.

Tudo está interligado.
Tudo tem trânsito e ligação.
Nada é separável!

Há portais e passagens.
A vibração é a fechadura.

A chave? Intensidade.

O resto? Pura possibilidade.

 

in Deuses, Homens e o Universo


Não há atalhos!

(re)Union, originally uploaded by vfswa

 

          Sopros nas cascatas do mar
          entreabrem tímidas passagens
          para a união dos pontos cardeais,
          onde flamas assinalam o regresso.

Não há atalhos! Na vida. No amor.
Nos momentos.
          E os portais
          não duram para sempre.
          São instantes mágicos que
          não voltam se não atravessados.
          As hesitações são perniciosas
          à alma do caminho!

          Amargo ou adocicado?

          Não há razão para tal, pois
          toda a lógica é desconhecida.
          Tudo advêm do impulso, do peso
          no vazio, no ricochete do profundo.

Não há atalhos! Na altivez. No ócio.
Nas escolhas.
          É a cruz dos imortais.
          Belo truque. Somos nós que as
          carregamos! Nas promessas que
          fazemos, a certeza submerge o
          eu, dilui o homem, incrementa
          o magenta.

          A fantasia implode.
          E os átrios contraem.

Não há atalhos!
          Nem nas lágrimas
          que vertem dos beirais.

in da Natureza e Afins

 


Canto Único

 

 

talhada a cinzel,
uma lua laranja vela o horizonte.
em tal aura, refugia-se a essência desnuda
e pressente-se a indelével partitura do cosmos.

no silêncio transformado em paz,
onde palavras são fábulas de paixão,
o aroma revela a melodia do profundo
que enleva a água-marinha aos nenúfares
e insufla em ternura nuvens prateadas.

noites azuis,
pepitas de ouro.
como orquídeas suspensas em lagos,
estrelas pendem serenas.
nesses rastos brotam sonhos.
pelo voo do beija-flor
que solta as harpas do encanto
do jasmim insubmisso.

é em pleno desprendimento que recordo.
quando sou intermitência da consciência antiga.
e semeio-me, breve, no campo da noite,
às pétalas de marfim, às gotas de luz
do orvalho banhado em raios de água pura.
mimo da mãe terra.
porque as origens são cegas. somente atribuídas!

estremeço com o ritmo da tua frequência.
não por inânia, mas por rendição.
por retornar ao uno que fomos,
pelo resplendecer da íris exaltada,
pelo arquejar do corpo omnisciente
no resgate dos beijos de jade.

ah! os lábios de fogo anseiam pelo sabor
do teu travo de framboesa fresca,
que faz esse colar silvestre de esmeraldas
onde toda a lembrança se embala.
e vago, nos estilhaços das eras,
renascido em teu flamejar.

por fim, a alma do jardim da tranquilidade.
no casulo de seda que afaga as asas da luz,
em tempos do tempo sem tempo.
os tons de púrpura expandem-se
e a face límpida da liturgia cósmica emerge:
a densidade é o tecido do amor
o cântico a sua expressão.

encerro a tristeza em gomos de romã.
não para a esquecer, mas para a despojar.
pois as lágrimas de sangue são vida!
é por elas que a emoção é nutrida.
é por elas que suspiro na cripta sagrada do Ser.
pelas letras que fazem a poesia celeste,
nas névoas da água universal do reencontro.

descansarei,

verbo no Canto Único.

 

in Diálogos, Epístolas Inertes