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Renascimento – 13º Jogo das palavras


Deep blue, originally uploaded by futhark.

 

tudo o que desejamos é COMUNGAR no IMENSO,

sentir o vento AVASSALADOR do querer,
impedir que alguma vez a alma seja AMORTECIDA.

ah! mas o suceder é um caminho imperioso.

na vida há sempre um FAROL ERODIDO,
um DISTANCIAMENTO do sonho,
uma TEMPESTADE de incertezas.

todavia, o horizonte deve ser alcançado.

entrega-te ao MAR e ao CÉU!
sê na FUSÃO do AZUL,

e serás no campo de estrelas cadentes do Ser.

 


Paixão – 12º jogo das palavras

olho para o tempo
e sei-me benjamim.

alguns dirão que sou jovem,
demasiado jovem,
para tecer na flauta uma ode ao amor.

como se a partilha só surgisse pela experiência,
estão convictos da sua verdade.
desprezam a simplicidade!
e não tem a coragem de o assumir.

talvez o incandescente seja uma maldição?
para alguns …
para outros, meras vitualhas.

para mim?
o tempo é beija-flor em paixão.


Enigma – 11º jogo das palavras

dentro da caverna dos mundos,
um enorme ventrículo hexagonal,
tudo é um imenso oceano em flores.

no centro do âmbito,
sustentado por pulsares ondulantes,
existe uma flama de batida distinta.

ao fundo,
nos pés da cama de ébano,
descansa o tigre branco da desigualdade.

subitamente,
percebe-se uma sacudidela no olhar.
e solta-se a voz do soberano:

mortal,
na câmara das safiras bidimensionais,
haverá sempre oscilação.
tomarás sempre um navio.

mas para seres no reino de Morfeu,
só pela nau que faz o caminho da ilusão!

resolve o enigma da situação:
vasteza ou vento?


Da Criação – 10º jogo das palavras

no principio,
o espaço era deriva.
autêntico caos em querer,
onde o proto-tempo regia supremo.

mas a génese singular não é eterna!

tudo o que é novo,
queda-se em paixão.
para, no mais límpido gesto de amor,
sucumbir em fragmentação.

e a desigualdade não é fábula.
nem nada por ela revestida!

juntos,
num salsifré escaganifobético,
os elementos são a dádiva da vida.

onde somos existência em renascer!


Profecia – 9º jogo das palavras

Cambodia: Angkor Wat, originally uploaded by mandalaybus.

 

não foi paralogismo, o oráculo de outrora.

o sofisma foi intrinsecamente verídico.
sustentado por um patrono
decididamente crente.

apesar da chama florir alva,
fés cegas sucedem-se em exemplos perdidos.

mas o reencontro é alcançável.
qualquer caminho é iluminado!

e a carta,
bordada em linhas de bondade,
une a liturgia dos tempos, proclamando:

na mudança aguarda o desvendar!

 


Crença – 8º jogo das palavras

no eremitério dos cirros flamejantes,
onde somos levados à infinitude do tempo,
sente-se o silêncio em esplendor.

apenas nesse encanto
se vislumbra o misticismo
das chamas azuis do fogo intemporal.

mas existem esquinas de aleivosia.
sem comiseração visível
ou qualquer unguento desimpedido.

e sentimos, nos braços da vida, o romper do sincelo.

no entanto, continua-se a urdir pão!
quanta preciosidade há nas mãos que o fazem?


Águas Nocturnas – 7º jogo das palavras

há coreografias na leveza da noite.
folhas soltas nas correntes livres,
amantes sem capitulação,
entregues ao abraço do vento morno.

sentimento rendido à Luz. antigo!
como sonhos enamorados
ou voos entrelaçados
ao fulgor do bailarino transparente.

há danças na orla do sorriso.
espirais no caos em liberdade
que resgatam as amendoeiras em esforço
e velam pela virtude dos malmequeres

há pirilampos na aura nocturna.
pulsares que preenchem amenos afagos
em mãos que aquecem gatos esquivos
na sintonia da breve escuridão.

há orquestras reunidas em homenagem.
sussurros no silêncio do tempo
tecidos no som das cordas aliviadas,
no uníssono das memórias dos entes desamparados.

mas até a harmonia do divino é falaz!

e depois há o orvalho das luas esverdeadas.
onde a essência se purifica.
perante o gesto do impulso desconhecido,

do homem, galanteio fugaz.