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Revestimento


music, originally uploaded by re:nay.

 

no retiro das semibreves,
sou banhado pelos raios de luz
que serpenteiam as savanas roxas.

onde o verbo inexprimível
é visão concretizada
no palpável das espirais da aura.

tudo conflui na melodia
dos sentidos cardeais
e dos interstícios das partituras vazias.

a coesão das partículas estremece
e a rapidez dos electrões adormece.

fractais e outras ondas
constituem-se renovadas.

e expurgam-se as falências humanas,
essas pequenas imanências
que estruturam o âmbito celeste.

 

in Interlúdios da Certeza


Acontece Poesia


Beyond The Sea, originally uploaded by Bill Adams.

 

Acontece poesia em ti
sempre que olhas,
afirmando uma vida pulsante,
magnífica,
como
o cintilar das Estrelas no céu,
o resplendor brilhante do Sol
nos teus doces
e meigos olhos.

Acontece poesia em ti
sempre que ris,
criando umas curvas no rosto,
sensuais,
como
os campos de searas ao vento,
as ondas nas águas de um lago
ao sabor da quente
e harmoniosa aragem do Verão.
 
Acontece poesia em ti
sempre que andas,
alimentando o nascer de sentimentos,
sinceros,
como
o delicado desabrochar de uma flor,
o despontar do amanhecer da vida
no enternecido ser
do meu coração.

Assim,
quando
eternamente te penso,
te sinto,
te vivo,
por fim
acontece também
poesia em mim.

in 30 Mensagens de Amor e 1 Recordação


Atitude

. 
Mirror Image, originally uploaded by siskokid 

 

“… Raramente sabemos do que somos capazes até nos depararmos com as situações …”
VIRGÍLIO, poeta latino (70-19 a. C.)

Na altura de enfrentar a situação
oxalá me seja permitido ver,
uma cabeça erguida
na face lisa do espelho
                                             reflectida.

E que a postura vista
não seja ao orgulho devida.

 

in Espelhos e Outras Faces

 


Pensamentos


Shower of stars…, originally uploaded by smile-ik.

 

Aqui escrevo
e os pensamentos liberto.

Em vão!
No papel branco
não resistem.

Persistem,
nesta imensidão,
frágeis e difusos.

Sem nenhum rumo,
orientam-se.
Sem qualquer prumo,
sustentam-se.

Subsistem,
porque originados na mente.
Transpostos,
permanecem incorpóreos
no rasto das utopias.

Tudo é incerto.
E eles são,
no vazio,
fátuos.

No entanto,
transmitem
uma sensação de beleza.
Ágeis,
mistificam-nos!
Confusos,
identificam-nos!

Assim …

Traços!
Soltos!
Na mais plena incerteza.

 

in Espelhos e outras Faces


Membranas

Membrane

metamorfoses inconstantes evoluem nas (r)evoluções
das maçãs. pobre Newton! no caminho do ínfimo, a
mecânica produziu incerteza. nenhuma esfera de vidro
resistiu! só há inércia nos estilhaços de rubis translúcidos.

o retorno apenas é possível pela alquimia dos sentidos,
pela busca do elo dos multi-Versos interiores. quais
cascatas verdes? sustenta-te nas terras das águas azuis.
não te esqueças que as estrelas são corpetes de jóias lilases.

animal político? por isso não existe lei sem paixão! já
tentaste Estagira? fazes bem! de qualquer maneira não
é inteiramente redutor. pensa na alternativa, a Cidade
do Sol, e reparte-te no espírito da entidade cósmica.

qual a velocidade para se viajar entre galáxias? simples.
terá que ser geometricamente proporcional à distancia a
percorrer. no entanto, nada se afasta. é o espaço que se
expande! e aí chegarás ao pensamento do coração branco.

vês agora porque sigo golfinhos às quintas e as nebulosas
laranjas pela manhã? são a chave para a vibração pulsante
nos perfumes dos oceanos astrais. ou física em poeiras! no
acelerador de probabilidades internas dum orbe carecido.

que hei-de fazer? gosto de gatos siameses! principalmente,
em buracos de par nove. são mais resistentes. e meigos.

mas nunca abandonarei o imaginário vivo dos teus verbos.

 

in Interlúdios da Certeza


… e Outras Faces


unfolding the rose, originally uploaded by hkvam.

 

Sou como Sou!

 

Os outros,
                           são como são.

 

E nunca como eu gostaria que fossem.

 

in Espelhos e Outras Faces


Espelhos …

 

Ditas,
sentidas
ou escritas,

                  as palavras reflectem o homem.

 

in Espelhos e Outras Faces


O infinito precisa de dois

Infinite Moment

Infinite Moment, originally uploaded by Accretion Point

 

no ondular da brisa
moldam-se as curvas das dunas.

frescuras diárias.
breves afagos.
verbos soltos.

e assim escorre o relógio da vida.

o infinito precisa de dois.

 

in √81 = IX ?


Fracturas

 

Cortes imperceptíveis
proclamam avisos sonoros,
éditos de constância inócua:

tudo deve ser igual
porque a mudança é irreal.

e joga-se o germe na saliva
quando a campainha vibra.

estranho destino futuro,
a genética manipulada.

ainda somos primatas?
ou simples reflexo descondicionado?

 

in Da Natureza e Afins


Perfeição

 

 

A perfeição?

Todos a querem!
Todos a desejam!
Todos a almejam!
Todos a cobiçam!

Para alcançar,
vencer,
ultrapassar.

Sem algum motivo
ou qualquer outra razão
Ganhar, é esse o objectivo.
Para tal,
mentem,
espezinham,
roubam,
matam.

Nunca irão aprender a lição.
Pois não lhes é perceptível
que ser Criador e Criação
não é possível!

A perfeição é a prerrogativa de Deus.
A imperfeição é o cativeiro do homem.

 

in Deuses, Homens e o Universo

 


Dia de Aniversário!

 
shower of light, originally uploaded by Dan65.

.

Hoje é ponto de passagem,
entre o vir e ir que se sucede.
É dia de festejar!

Relembro o passado.
E neste escrito presente
ouso pensar no futuro.
Será que alguém saberá?
Será que algum dia importará?

Para o caso do acaso ocorrer,
aqui vai o que vai acontecer:

Estou consciente que serei
quando já não for.
Breves momentos terei.
Meros instantes de torpor.

A escrita deu som ao meu grito
neste mundo de paredes
que, persistentemente, não escutaram.

Desbravei paisagens na tinta
derramada inconscientemente.
Tristeza? Nenhuma. Nem pinta!

Avivar folhas era o meu rito.
Era como um tecer redes.
Infelizmente, pouco alcançaram!

No entanto, este verbo não foi ilusão.
Era tudo. Plena concretização!
Foi o descrever das visões
deste universo de sensações.

Fica por aqui esta mensagem.
Hoje é dia de aniversário.
Assinalado no calendário!

Os chuveiros de luz aguardam.
Balançam serenamente entre os espaços
que fazem as folhas e os ramos.

Vou tomar banho!
É assim que quero celebrar.

in Interlúdios da Certeza


Distinguir

 

Nascer,
crescer
e continuamente aprender.

Ensinar,
identificar
e naturalmente classificar.

Distinguir,
perguntar:

Como se distingue um homem de um animal?
Como se distingue um homem de outro homem?

e consequentemente responder.

Um homem,
não se distingue
pelo que tem,
pode
ou obtém.
Mas sim,
pela atitude que toma
em relação a outro homem.

 

in Letras, Palavras e Linhas: Gestos pela diferença


Permanência

Pathways, originally uploaded by LilyShewan.

 

“Nada é permanente, salvo a mudança”
Heráclito de Éfeso

Existir é coexistir!

Nada está isolado.
O todo não é só o todo.
É também o vazio,
inteiramente unido e interligado.

Kinesis é a vitalidade
nas manifestações
entre o inverso e o reverso
das conexões reais.

A substância é diversidade.
Tudo é dúctil,
Tudo é movimento
e mudança.

Tudo tem o seu próprio tempo.

in Metafísica [Poética]


Sou Amor

 

 

Resplandeces no meu coração.

És carinho,
                       ternura
                                         e humanidade.
E eu,
tocado por ti,
sou.

Sou ser e querer.

Sou amor!

 

in √81 = IX ?


Repouso

Pleiaden, Plaiades M45, originally uploaded by ocupado.

 

Lá,
onde os Deuses vivem,
não entrarei.

Nem desejo ver tal morada!

O meu lar terá outra entrada.

Nasci homem.
Morrerei pó.

 

in Deuses, Homens e o Universo


Conceito

 

poesia,

é sentir um desejo impossível de conter.
é transmitir o que à alma se vai beber.
é repartir o meu e o teu viver.
é expandir o interminável a um só pertencer.

é unir o divino ao ser.

é, simplesmente,
agradecer

um suspiro nas lágrimas do tempo.


Angkor


Sunrise at Angkor Wat, originally uploaded by kees straver.

 

O esplendor de milénios de civilização,
no correr do tempo,
esvaneceu.
E a natureza reclamou o que era seu!

No silêncio, o espírito descansou.
Os deuses e a essência em si reuniu
e na imensidão,
um novo coração fundiu.

Ressurgido da pureza,
com um renovado fulgor voltou.
E de novo,
a beleza
brilhou!

 

in Geografia e Outras Circunstâncias


en_CRUZ_ilhadas

Crossroad

.

a obliquidade do olhar apaga-se.

no i_manifestado dos cruzamentos
os celeiros são amarelos!

e no acontecer
do deserto branco de coral,
trocam-se flores nos tabuleiros xadrezes.

só as torres de ébano tocam o Céu!

 .

in Interlúdios da Certeza


soubesse eu que eras ténue!

 

soubesse eu que eras ténue!
brisa dos cinco elementos.
formada no rompimento dos tecidos humanos
ou em desejos momentâneos.
já idos! em Março.

vislumbrei-te sem halo.
intacta!
como a lua despida ao Outono.
e aceitaste-me com um sorriso de estrelas.

foi no hausto do instante,
inebriado pela miríade dos sentires,
que me deixei,
despercebidamente, sucumbir.
o tempo foi-se, exausto.
e nem sequer, os teus lábios provei.

soubesse eu que eras ténue!
mas não soube.
e despojando-me das vestes artificiais,
fui pregar às areias do vento.

o voo das aves corria no fluir das lágrimas
ou na força vital que pulsa nas artérias,
e foi nas águas do deserto
que reencontrei a dupla hélice da vida.

a lembrança? deixou de estar corrompida.

falhei o teu breve partir.
mas sei-te ténue, sei-te minha.
no profundo das sequóias vermelhas.

  

in Diálogos, Epístolas Inertes


Relações


Cd Art (700+ faves), originally uploaded by Boab24.
 

U2
Aviação                    Música
Culto

 

Pop
    Arte                  Warhol
Museu

 

in Aforismos e Reflexões Poéticas


Ser Poeta

 

ser poeta é ser tudo e nada.
é ser narrador e explorador.
é passar para além da entrada
e participar no mundo de dor e amor.

ser poeta é ser escultor
do que se vê, se sente e não se finge.
é ser eterno sonhador
e ansiar alcançar a pureza da Esfinge.

ser poeta é ser inventor.
é desejar que as palavras tenham vida.
é, por elas, ser criador
de esperança, na lembrança conseguida.

e também ser,
no todo que é nada
e no nada que é todo,
é ser poeta.

 

in Espelhos e Outras Faces


Arte


Glass buildings, originally uploaded by (Erik).

 

Num acto anímico,
o abstracto exprime o inexprimível.
Mas criar vida é irrepetível.

Arte,
é expressão humana desprovida.
É a criação que é distracção.
É cultura e nascente de reflexão.
Mas não é verdadeira fonte.

Só o Homem é arte viva!

 

in Metafísica [Poética]


Substância (para Jackson Pollock)

 

a face de Deus!
ou corpos que se enrolam no chamar.

leves jóias nos pincéis.
reimpressões dispersas em mel,
crinas amarelas nos corcéis.

desintegro-me na densidade do pleno.
qual breve instante consubstanciado,
no tempo atroz das dúvidas persistentes.

e contemplo a dança viva da cores
na magnitude da desordem criada.

sou submisso do prazer!
no encantamento das flautas douradas.

Shimmering Substance,
liberdade reunida em essência.

*** *** *** *** ***

the face of God!
or bodies that roll in summon.

concise jewels in the brushes.
dispersed reprintings in honey.
yellow locks in the steeds.

I disintegrate myself in the density of the whole.
as a brief consubstantiate instant,
in the atrocious time of the persistent doubts.

and I contemplate the living dance of the colors
in the magnitude of the created chaos.

I am a servant of pleasure!
in the charm of the golden flutes.

Shimmering Substance,
freedom congregated in essence.

 

in Odes & Homenagens


Aspiração

Pawnee Celestial Pondering, originally uploaded by Fort Photo.

 

“Ser Homem é tender a ser Deus”
                                                                        Jean-Paul Sartre

Só quem foi mortal
poderá ser mais.
Mas tal possibilidade
é impraticável na mesma viagem.

Apenas pelo ritual
                                     da passagem
a transcendência acontece.

Sempre em tempos diferentes.
Sempre na esperança de recordar.

Tudo pelo desejo de ser
                                             livre.
Ilimitadamente
                                Livre.

 

in Metafísica [Poética]


Existencialismos ?

Penso que penso que não penso.

Penso no grito. Meu! Mudo!

Penso que não existo só quando penso
porque existo quando não penso.
Penso que não importo
porque não importa o que penso.
Penso no sonho
porque sonho o que penso.
Penso que sou o que não sou
porque o que sou não penso.
Penso que conheço
porque desconheço o que penso.
Penso no que não digo
porque digo o que penso.
Penso no mundo
porque o mundo não é o que penso.

Penso que não penso o que penso.

Penso no que continua mudo.
A vida! O futuro!

Penso no que não ouso.

Viver?
Sobreviver!
Eis o que penso!

in Pensamentos e Reflexões Poéticas


Demanda

Quem se procura,
em si mesmo,
encontra o Outro e o respeito pelo todo social.

Os genuínos laços de vinculação
inter-pessoal,
começam na introspecção
individual.

Mas é necessário um exercício de probidade!

Para ser
com o Outro,
antes,
o Ser deve ser consigo mesmo.

Encontra-te em ti mesmo!

É a primeira realidade.

 

in Metafísica [Poética]


Mitos e Fantasias

Na mente vivem!
Reais e fieis.

Na imaginação,
plenas de felicidade.
Criaturas tão fantásticas
que, num anseio,
são uma realidade, pintada,
nesta alva dimensão.

Para agradecer,
a sua libertação,
Grifos brincam no ar exibindo,
uma magnifica plumagem.
Pégaso, como um petiz,
vai-se esconder
para, atrás de uma nuvem,
logo aparecer.

Um unicórnio desliza,
majestosamente feliz,
numa verde imensidão.
Venerado, ao longe,
pelo olhar das valquírias
que, por amazonas acompanhadas,
observam deleitadas tão pura entidade.

Ao largo,
pelas ondas acariciadas,
as sereias cantam.
Retribuindo a dádiva da criação
com o som da ternura.
A nostalgia chama Ulisses de volta ao mar!

Os de Asgard e do Olimpo
decidem presentear
Midgard com um arco-íris.
Osíris, também quer participar.
Vahalla brilha!
Cronos, rindo,
vê os Titãs estampar a vida com cores.
Na brancura, as pintas escuras,
dão o tom aos sabores.

No papel convivem!
Mitos e fantasias.
Imortais, no pensamento, crescem.
Agradecidos,
por no coração serem recebidos,
dão-nos alegrias.

E nós
 – mortais –
surpreendidos
pela visão de tal cosmos,
em tais magias somos preenchidos.

Mitos e Fantasias!
Em nós, reunidos.
A nós, unidos!

 

in Deuses, Homens e o Universo


Look at … within

Look at the immense
                                            gap ahead.

Am I lost in the divine?

Belonging to this void
or dreaming in another place?

Look at the fractures
                                            of time.

There’s no continuum.
Where have gone the eras and all past life’s?

Look at the consequence
                                                 of being,
                                                 earthly essence.

Did you found your awareness?

Look at …
               … the reverse mirror within.

Are you real emptiness?

 

in Substance(S)


Imortal

 

“We have all the time in the world
time ENOUGH for life
to UNFOLD
all the prescious things
love has in store

We have all the love in the world
if that’s all we have
you will find
we need nothing more

Every step of the way
will find us
with the cares of the world
far behind us

We have all the time in the world
just for love
nothing more
nothing less
only love

every step of the way
will find us
with the cares of the world
far behind us
yes

We have all the time in the world
just for love
nothing more
nothing less
only love

Only love!”


Resistência

a pedra furada pelo informe
é mó no rasto da vida,

onde o indecifrável estaciona à deriva.

amor é enigma
para os náufragos dos momentos.

tudo bolina sem destino nas rotas da emoção.

certeza?
tudo cede!

 

in Da Natureza e Afins


Foi com o Homem

 

Foi com o Homem que aprendi
a respeitar a vida,
a cumprir a palavra
e a cuidar do mundo.

E porque não faz o que diz,
foi com o homem que me desiludi.

 

in Letras, Palavras e Linhas: gestos pela diferença


Plenitude

Candle Time Panorama by Prozac74

 

Estivemos num momento.
                                                    Breve.
                                                    Fugaz.
                                                                   Um segundo.

Não fui capaz.
E assim
                       estou aqui,
                       profundo,
                                            a pensar em ti.

Sim,
podia não te dar o mundo,
mas ajudar-te-ia a preencher o universo.

                                                                      Mesmo num momento,
                                                                      mesmo por um segundo.

 

in 30 Mensagens de Amor e 1 Recordação


Perspectivas

Vida!
A minha
ou a tua?

Espécies!
Milhões,
que coexistem em dois,
na beleza
harmoniosa da natureza.

O Homem!
A face visível
de um apocalipse
lento e sofrível.

Civilizações!
Separadas
por DEUS e religiões.
Ainda hoje!
E no próximo também,
apesar de aparentadas.

Entendimento!
De pontes,
erguidas,
mas que não alcançam as margens.
Sob que fundamento?

Horizontes!
O meu
e o teu.
Poderá ser algum dia o nosso?

Angústia!
Por uns provocada,
por outros vivida.
Por muitos sentida,
por ninguém merecida.

Existência!
Dos homens
e das mulheres!
Será superior à dos filhos?

Futuros!
Qual?
Para o presente
ou para o futuro?

Perspectivas!
Unidas
ou desligadas?
Porque não convergidas?

 

in Letras, Palavras e Linhas: Gestos pela Diferença


Identidade

Ó vil criatura
de vãs fantasias,
vives socialmente
no “plasma amorfo das sensações”.
Descontraído.
Habituado.

Mas nada criaste!
Absorveste,
as normas e os comportamentos
que a sociedade te deu
ou impôs.

Então,
como sabes que és?
Onde está o teu Eu?

in Metafísica [Poética]


Regressões


VIOLIN, originally uploaded by Callocephalon Photography.

 

ecos bamboleiam no horizonte.

murmúrios,
as breves vibrações em crescendo
que avançam do que foi
e procuram o que sou.

espirais de lava descaem aos céus,
flutuando em ondas de escuridão.

e nos sussurros vislumbrados,
por todo o espaço
e interlúdios do acontecido,
curva a melancolia do templo.

toda a fecundidade passou,
bafejando bálsamos suspensos.

e nas cornucópias ressequidas
ou nas grutas de cirros relampejantes
qualquer brado é mudo.

só nas cordas
se lamentam os violinos
e os ilesos fragmentos da solidão.

estremeço!
o meu corpo é muralha.

tardia confissão.
suspiro no profundo

e na vã cupidez de tentar evoluir!

 

in Da Natureza e Afins


Vibração

Deep Space, originally uploaded by John Griffiths.

 

Tudo que vive, vibra!
Tudo tem uma assinatura.
Nada é indistinguível.

Tudo emite frequência
num ritmo individual.
Tudo tem comprimento de onda
na totalidade universal.
Nada é indecifrável!

O universo não está só!
É um entre outros.
Dimensão
                        entre dimensões.
Par,
           entre gigantes
                                         e anões.

Tudo está interligado.
Tudo tem trânsito e ligação.
Nada é separável!

Há portais e passagens.
A vibração é a fechadura.

A chave? Intensidade.

O resto? Pura possibilidade.

 

in Deuses, Homens e o Universo


Não há atalhos!

(re)Union, originally uploaded by vfswa

 

          Sopros nas cascatas do mar
          entreabrem tímidas passagens
          para a união dos pontos cardeais,
          onde flamas assinalam o regresso.

Não há atalhos! Na vida. No amor.
Nos momentos.
          E os portais
          não duram para sempre.
          São instantes mágicos que
          não voltam se não atravessados.
          As hesitações são perniciosas
          à alma do caminho!

          Amargo ou adocicado?

          Não há razão para tal, pois
          toda a lógica é desconhecida.
          Tudo advêm do impulso, do peso
          no vazio, no ricochete do profundo.

Não há atalhos! Na altivez. No ócio.
Nas escolhas.
          É a cruz dos imortais.
          Belo truque. Somos nós que as
          carregamos! Nas promessas que
          fazemos, a certeza submerge o
          eu, dilui o homem, incrementa
          o magenta.

          A fantasia implode.
          E os átrios contraem.

Não há atalhos!
          Nem nas lágrimas
          que vertem dos beirais.

in da Natureza e Afins

 


O Espírito Português

Ontem,
ousamos
e hoje,
a globalização
é uma realidade.

Ilusão?
Presunção?
Não,
veracidade.

O mundo,
deve a sua universalização
à lusitana visão

Povo esforçado que alcançou
feitos imortais.
E assim tornou
[todos] os seus filhos universais.

O espírito português
é herdeiro
de muitas tradições.
Verdadeiro,
e nunca adverso a novas realizações

Então,
porque não relembrar?
Porque não esse espírito voltar a sentir?
De novo descobrir
e, outra vez, ousar.

Não é o homem um mundo?

in Letras, Palavras e Linhas: Gestos pela diferença


Poetas do Silêncio

Sao Pedro 1137

 

Uns, são mudos.
Outros, não são ouvidos.
Alguns, duns, certamente o serão.
Outros, doutros, possivelmente não.

Há os que tudo falam e nada dizem
e há os que tudo dizem e nada falam.
Pelo menos, enquanto vivos.
Porque mortos, tudo falaram, tudo disseram.

Também sou Poeta!
Não Pessoa. Fernando!
Vivo, nem sequer sou esquecido
porque não sou conhecido.

Também sou Pessoa!
Não Fernando. Poeta!
Mas continuo desconhecido.

No entanto, eu escrevo.
porque nas minhas veias escorre o canto
que liberta as lágrimas da minha pena
e sufoca os soluços do meu coração.

Sou um dos poetas do silêncio!

E em sossego,
esmaeço no esquecimento
pleno de conhecimento

in Espelhos e Outras Faces


Fátuo

Nasci
para viver no caos
humanamente ordenado.

Vã esperança,
tentar ordem na génese divina.

Não deixou de ouvir Beethoven?

Mas a harmonia não cessou …

 

in Da Natureza e Afins


… Nada Ser

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Nada sou!
E contudo, sou.

Sou, porque tu és,
porque fazes com que seja.

Vamos dar asas ao desejo.
Explorar o lugar onde o tempo pára
ou atravessar a pálida névoa
no cosmos das águas tranquilas,
onde reside o verbo,
onde o espírito se aquece
e a alma se refresca.

Vamos dar asas ao desejo.
Mergulhar no impulso do inúmero
ou calcorrear as cascatas do céu
no infindo das terras sagradas,
onde tudo é harmonia,
onde se vê o incomensurável
e se sente o improvável.

Sim, vamos dar asas ao desejo!
Deixar que ele nos leve à génese do ser
e ser qualquer nudez na fluidez do nada.

Se nada sou
e mesmo assim sou,
deixa-me Nada permanecer
e contigo apenas Ser.

in Interlúdios da Certeza