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Entrega

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(https://pt.pinterest.com/pin/530087818625330800/)

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Pensei que era no horizonte.

Julguei ser sombra nas vestes do tempo
ou a luz que destapa os cumes.

Julguei ser. Mas sabia-me exíguo.

Hoje?
Sucumbo à plenitude das tuas curvas
na ténue esperança

                                         de me perder!

Thought I was on the horizon.

Thought I was a shadow in the vestments of time.
Or the light that discloses the summits.

Thought I was. But, I knew me exiguous.

Today?
I succumb to your’s curves fullness
in the faint hope

                                                               of losing myself in you!

in Espasmos

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Eusébio da Silva Ferreira


Eusébio da Silva Ferreira, originally uploaded by vfsphotos.
Direitos de autor da foto pertencem a: http://revistafutebolista.blogspot.pt

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No verde de linhas brancas,
brilhaste!

Foste força,
humildade,
arte e feitiçaria.

Mesmo contra as circunstâncias,
sempre acreditaste.
E quando não conseguiste,
choraste!

Pantera Negra,
negro o teu coração nunca foi.

Foi e é puro!

Eusébio,
Já não és só teu
– como cedo descobriste –
És nosso!
[E também és meu!]

Obrigado.

escrito a 25 de Janeiro de 1992 in Odes & Homenagens


Arestas

Véu da Noiva, originally uploaded by Waldyr Neto.
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enquanto os pilares da vigilia libertam as amarras do véu
precipita-se a morte em leito rosa
sinalizando os naufragos do amor recusado,
remetido para o confinar interior que alimenta as chamas densas da noite

esporos transfiguram-se agulhas metálicas
aquecendo as migalhas da ilusão como um veludo jamais sentido,
mas perversamente possuído nos artificios mentais do desejo.

na mente executa-se a raiz da agressividade
que as côdeas secas da tentação vestem como vitamina da cútis descamada
e no coração opta-se pela decisão.

eis a exposição visual do âmago
– comunhão parcialmente partilhada –
nos vestidos que desnudam os seios:
é na parte invisível das auréolas
que se fixam os máximos do olhar moribundo.

arestas impossíveis de laminar?
efectivamente acontecem!

in Dias nocturnos


MirageM


Paper Wind, originally uploaded by joniidx.

 

todo o vento é desfraldado em papel.
como uma mácula que se destina ao início.

instantes de sonho,
em cujo gérmen ocorre a doçura da ilusão,
no desejo pela coincidência da preguiça.

não há necessidade de renascer.
quando muito, devemos continuar a permanecer
no veludo tecido pelas ondas.

mas somos animais mutantes de alma presa,
subjugados pelo peso da incoerência:
cremos ser o que não somos
e almejamos o panteão das divindades.

 


depois da pátria


Greece Naxos Apollon Temple, originally uploaded by j0rune.

 

depois da pátria é o futuro porque pátria foi o que concedemos
a terceiros que nos representam, esquecendo-se donde vieram.
mas até o futuro pode ser questionado
se os comportamentos não mudam.

e os rostos continuarão a perder a face da vergonha,
livremente, em plena vontade,
felizes pela ascensão às migalhas do domínio.

como se não houvesse subjugados,
reina a ilusão da permanência.
todos somos serventes,
ó companheiros do infortúnio.

é necessário abater os pedestais
para que o espanto não padeça mudo!

(13 de Maio de 2011)


Anomalias?

"Mutações Genéticas" pintura em acrílico de Luiz Morgadinho

 

queres pintar hereditariedade?

sabes que nenhum lado é individual no horizonte da aura?
sabes que a ilusão é uma cerca sensorial?

então,
liberta os dedos do pensamento
nas espirais onde florescem os troncos,
crava as garras nos cumes anões,
faz dos peixes invertebrados alados.

os jardins ascenderão aos nimbos pela mutação das guelras
e as bocas ectotérmicas nascerão nos quadrúpedes desterrados.

o sonho em fartura rende-se ao apelo dos sons em unissono
e no silêncio do vento, funde-se metamorfose.

queres pintar genética?

abre os olhos!

 

in Sons Urbanos


Ó Moral

 

Ó moral,
que as amarras à ética
no correr dos tempos perdeste,
foste tu que te corrompeste
ou o criador quem te corrompeu?

E a lição que sempre prometeste?
Será que chegou a ser o que pretendeste
ou foste prática que, desde o inicio, em vão prometeu?

in Homens, Deuses e o Universo


Amapolas


Amapolas, originally uploaded by ·GeorG·.
 
 

a inevitabilidade da crença deve conduzir ao rasgar da fé.
nada é perfeito, nada fica incólume após o toque humano.
e sente-se a raiz do choro,
cujo advento faz a proclamação do trilho terreno,
que alimenta a condição mortal.

nos momentos em que os halos vermelhos se erguem
para a redenção,
existência acontece pelo verter das lágrimas
que sucumbem às echarpes em luz solar.

talvez a ilusão seja uma necessidade?
mas, apenas o sonho é seguido,
apenas o sonho propícia a expiação.

ser ou dever ser,
é a constante do diálogo.

que produz as cores do horizonte.

 


Lambe-Botas

corpos descalçados anunciam os sexos.

confessadamente!

e não há reconhecimento
…ou qualquer pudor em disfarce.

são as línguas que perfazem as faces,
desvirtuando o colo da sociedade,
onde a languidez errante da adulação,
nutrida em baba ressequida,
expressa sons sem tons.

nem o olhar tem voz!

porém,
quando as botas são mimadas,
em lambidelas ferozes e bafos sôfregos,
não existe realidade amarga.

há melhor do que uma língua sem boca?

in Sons Urbanos


Fracturas

 

Cortes imperceptíveis
proclamam avisos sonoros,
éditos de constância inócua:

tudo deve ser igual
porque a mudança é irreal.

e joga-se o germe na saliva
quando a campainha vibra.

estranho destino futuro,
a genética manipulada.

ainda somos primatas?
ou simples reflexo descondicionado?

 

in Da Natureza e Afins


Perfeição

 

 

A perfeição?

Todos a querem!
Todos a desejam!
Todos a almejam!
Todos a cobiçam!

Para alcançar,
vencer,
ultrapassar.

Sem algum motivo
ou qualquer outra razão
Ganhar, é esse o objectivo.
Para tal,
mentem,
espezinham,
roubam,
matam.

Nunca irão aprender a lição.
Pois não lhes é perceptível
que ser Criador e Criação
não é possível!

A perfeição é a prerrogativa de Deus.
A imperfeição é o cativeiro do homem.

 

in Deuses, Homens e o Universo

 


Buraco Negro

 

Atacador do universo,
a tua presença não
é vista mas sentida.

Apenas no abraço
estendido, permites
alguma luz. E nem
esta te escapa.

És temido e brutal,
mas sem ti não éramos
ou somos.

Sustentas,
o sigma nas orlas.

Comprimes. E nós,
cumprimo-nos.

 

in Da Natureza e Afins


Ocaso

 

 

o propósito da locomoção não é linear.

apenas o caminho é certeza para os pés,
autenticas bases movíveis que descrevem caprichos ondulares.

depois vem a dinâmica do equilíbrio,
onde, no entoar de diferentes ecos, os passos são a voz da idade.

é pelos pedais que se atingem as espirais paralelas das utopias etéreas,
os círculos constantes da rotação sagrada
                que perfaz o sustento profano da máquina.

e pedala-se a vida no semear das cruzes sombrias da tecnologia,
perpetuando o slogan alegremente subvertido:
a morte é uma bicicleta transfigurada.

mas nenhum pé se atreve a parar.

o propósito da locomoção não é linear.
é alucinação desprotegida!


Duas Flores

 

Sempre,
que tenho o prazer
de com a natureza te alegrar,
pelo mesmo motivo,
fico triste
e contente.

 

Não interessa onde vá procurar!

 

Tenho a certeza
que nunca irei encontrar
uma flor,
tão bela como tu.

 

 

in 30 Mensagens de Amor e Uma Recordação


Fonte

as curvas descaídas no correr dos dias de outrora
expurgaram-se no imenso verde do cristalino divino.
sem o merecer, todo o meu templo renasceu.

Alguém assim o determinou!
e fui banhado no espírito redentor das Águas Vivas.


Gostava

Gostava de permanecer
na inocência
                          da ignorância.

Gostava de conservar,
intacta,
                 a beleza da infância.

De não crescer!

Para me manter,
puro e livre,
solto da natureza
pleno na obra do Criador.

Gostava que a viagem
regressasse à origem.

Para me perder
no seio de seu favor.

in Espelhos e outras Faces


Causa (para Le Corbusier)

 

A origem deriva de cinco pontos,
todos eles
nascidos das liberdades
                                              [sensoriais].

A fusão com a paisagem é
o sentido da obra, a razão de fazer
existência.

Solo. Ser. Homem. Estrutura. Arquitectura.
Tudo é conjugável.
Tudo é [meio]
                          – ambiente.

Só os cinco são a autenticidade.

in Odes & Homenagens

 

Saint-Pierre, Firminy, originally uploaded by ben.busch.

Himbas

                Incontáveis instantes passaram
                na permanência dos de feição ocre,
que no inóspito persistem intactos,
                incólumes ao tempo e ao contacto.

Jamais houve sujeição!
                E são inarráveis as tentativas.

A coerência fá-los pertença
                do ambiente natural.

                Aí são unos.
                Aí serão incessantemente perpétuos.

                No universo tribal de Damaraland!


Confronto

Ao concedido
deixamos de ligar.

Não apenas ao ínfimo,
mas conjuntamente ao todo.

E o corpo manifesta-se atroz.

Apercebemo-nos
das convulsões em redor.
A magnitude é
                                indisfarçável.
Mesmo assim,
permanecemos alheados.

Escolhas sem querer
para quem desdenha poder,
                                                        evoluir.

A obra criada
enfrenta a do Criador.
Não deseja união,
somente suplantar.

No aparente futuro,
emerge a regressão.


Molhe

Foz 4-14, originally uploaded by Paulo Loureiro.

Ó promontório artificial,
permaneces imóvel
no incessante vaivém das ondas
que te afagam
                             as pedras
                                                há muito colocadas.

Os elementos
fustigam-te sem cessar:

Águas
                de dois sabores,
ventos
                dos quatro cantos
e até o Sol
                     é erosão.

Impávido,
deixas-te estar.
Nunca suspendes a protecção!

A vida não te larga.
E, por tua causa,
                                 os sentimentos são contínuos.

Mas até quando serás certeza?

in Geografia e outras Circunstâncias


Junho

Return to Stonehenge, originally uploaded by * Garron Nicholls *.

Junho é de origem!

Ao norte,
as datas do solstício
fazem de câncer o regente.

O Zodíaco confirma.
Mas,
em Stonehenge,
os druidas desapareceram.

Junho permanece.
Passagem!

in Geografia e Outras Circunstâncias