Posts tagged “liberdade

Rebanhos


Sheep may safely graze, originally uploaded by Photoma’s World.

 

ventos escorrem suaves.
mas, ao largo, nada se comove.

nem os agrados macilentos!

talvez haja improbabilidade nas dinâmicas?
ou mera pertença esquiva?

as interpretações mais solitárias
são vociferadas pelo conjunto.

há porta-vozes mordazes!
airosamente plantados sem escrutínio.
livres de escrúpulos e dos tempos idos,
plenos na sobrevivência instintiva.

não há resistência quando as perguntas ficam inertes.

no dialogo suspenso, o ciclo é desmembrado.
tudo é réplica interrompida.
mesmo aqueles que não o julgam, são marionetas.

quantas ovelhas são realmente livres?

 

in Sons Urbanos

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Renascimento – 13º Jogo das palavras


Deep blue, originally uploaded by futhark.

 

tudo o que desejamos é COMUNGAR no IMENSO,

sentir o vento AVASSALADOR do querer,
impedir que alguma vez a alma seja AMORTECIDA.

ah! mas o suceder é um caminho imperioso.

na vida há sempre um FAROL ERODIDO,
um DISTANCIAMENTO do sonho,
uma TEMPESTADE de incertezas.

todavia, o horizonte deve ser alcançado.

entrega-te ao MAR e ao CÉU!
sê na FUSÃO do AZUL,

e serás no campo de estrelas cadentes do Ser.

 


Repouso

Pleiaden, Plaiades M45, originally uploaded by ocupado.

 

Lá,
onde os Deuses vivem,
não entrarei.

Nem desejo ver tal morada!

O meu lar terá outra entrada.

Nasci homem.
Morrerei pó.

 

in Deuses, Homens e o Universo


Palavras-Lágrima

blue light, originally uploaded by -sel.

no momento da criação sou desigualdade.
breve caos em crescendo,
nascido das raízes do tempo.
e pelos sulcos da terra,
solto cristalinos em verbo.

há códigos que se sucedem
automaticamente espontâneos.
como se a ilusão não o fosse!

mas em mim também é o livre arbítrio.

e pelas palavras aro,
as abóbadas azuis da noite
libertando as eras do desejo.

são puras as estrelas.
mas a distância?
é um passo no coração.

ou gotas de luz branca,
palavras-lágrima.

in Diálogos, Epístolas Inertes


Ternura Azul


Silver moon, originally uploaded by Spy to die 4.

 

depois do fragor do ruído
a memória da conquista é breve.

sobra a espuma nas conchas
em momento de nudez
                                                     luar.

ondas lisas em prata
no silêncio do mar.

nesse sonho repousa o búzio,
em teu nome,

murmúrio.


Aguarela

 

dei asas ao manto denso da noite.

para que o silêncio caísse nos braços da luz
e os véus não circunscrevessem os riachos.


Políticos!

Homens com ambição
são políticos sem convicção.

Quer no governo,
quer na oposição,
o que dizem num momento, desdizem noutro,
consoante a posição que detêm:
governo ou oposição.

Fazem leis sem ciência!
Na urgência do instante,
sem consideração pelo futuro,
pelo voto sem consciência,
na protecção da imunidade.

Porque o partido não é individual
e o partido é a justificação total.
Sem ele, não são políticos!
Sem ele, são responsabilizados!

Políticos!
Sejam de esquerda,
sejam de direita,
tem preocupações comuns:

A demagogia,
pela qual obstruem e afundam a democracia.
E o bem-estar.
Os políticos preocupam-se com o bem-estar.

Com o deles!

 

in Aforismos e Reflexões [Poética]


Substância (para Jackson Pollock)

 

a face de Deus!
ou corpos que se enrolam no chamar.

leves jóias nos pincéis.
reimpressões dispersas em mel,
crinas amarelas nos corcéis.

desintegro-me na densidade do pleno.
qual breve instante consubstanciado,
no tempo atroz das dúvidas persistentes.

e contemplo a dança viva da cores
na magnitude da desordem criada.

sou submisso do prazer!
no encantamento das flautas douradas.

Shimmering Substance,
liberdade reunida em essência.

*** *** *** *** ***

the face of God!
or bodies that roll in summon.

concise jewels in the brushes.
dispersed reprintings in honey.
yellow locks in the steeds.

I disintegrate myself in the density of the whole.
as a brief consubstantiate instant,
in the atrocious time of the persistent doubts.

and I contemplate the living dance of the colors
in the magnitude of the created chaos.

I am a servant of pleasure!
in the charm of the golden flutes.

Shimmering Substance,
freedom congregated in essence.

 

in Odes & Homenagens


Luz ?


Idéias isoladas, originally uploaded by dpadua.

 

A faísca aprisionada
brilha na lâmpada da ilusão perene.
Resignada,
existe ao sabor do interceptor
numa amplitude cristalizada.

O artificial fê-la,
o fortuito suporta-a.

Queima a carne e alimenta o espírito.
Não o seu. Mas, talvez também.

Monopólios?
Só partículas e estilhaços.

Nunca em liberdade.


Peregrinação

 

dispersei o meu ser no desprender das folhas
às suplicas do solstício. talvez assim também fosse
na essência dos verbos da noite. mas fui levado
para as terras inertes da lembrança cega.
não procurava as palavras revestidas.
e julguei-me perdido nas aparências das sombras.

por estas partes,
o desfiar do destino era ausente. assim, esperei
que as orlas enrugassem para me soltar, agora, no desconhecido
e reunir-me nas escarpas suspensas da luz.

foi o facho do farol da saudade que indicou o sentido.
a ânsia do regresso animou-me
e senti os lábios da esperança. até que, escorrido,
nos campos das framboesas laranjas,
o meu alvéolo finito se enxugou.

e, apesar de mortalmente ferido,
permaneço nas avenidas ocres do poente.

ressuscitarei.
                                   uma e outra vez.

sim. ressuscitarei!
                                               uma.
                                                               e outra vez.

pelo som da mão que molda os gestos da criação.
pela escrita da voz que forma as letras primevas do cosmos.

qualquer dia.
um dia!

in Diálogos, Epístolas Inertes


Liberdade

Sao Pedro 06, originally uploaded by vfswa.

A liberdade,
é um acto humano
de um estatuto divino.

Daí
que não seja uma perfeição.
Pois
quantas vezes não é regida pela emoção.

Mas Deus, Deus não é só razão.

Limites?
Apenas uma ténue delimitação.
Eu e tu,
uma difícil divisão.

Liberdade,
implica escolher, implica acção.
Traduz consequências,
e pede decisão.

Justas,
para nos elevarem acima da nossa condição.

in Deuses, Homens e o Universo


Tapeçarias


Prison Of Love, originally uploaded by Philippe Sainte-Laudy.

 

o tempo no tempo de ser
existência conjunta.

sopros de múltipla espécie!

ondas incertas,
como afagos na liberdade em vento.

breves recordações.

ou frágeis manhãs,
nas imensas linhas do coração.

 

in Interlúdios da Certeza


Vida

dançam os tons das eras nos espasmos da criação.
instantes únicos fazem o colectivo do tempo.
nem os receios da génese se afastam!

quanta beleza há no caos?


Gostava

Gostava de permanecer
na inocência
                          da ignorância.

Gostava de conservar,
intacta,
                 a beleza da infância.

De não crescer!

Para me manter,
puro e livre,
solto da natureza
pleno na obra do Criador.

Gostava que a viagem
regressasse à origem.

Para me perder
no seio de seu favor.

in Espelhos e outras Faces


“Senhor Deus do Céu e da Terra, concedeste a tua graça … para conhecerem os Teus trabalhos da Criação e os verdadeiros segredos deles, e discernirem (até ao ponto em que tal compete às gerações de homens) entre os milagres divinos, obras da Natureza, obras humanas e imposturas e ilusões de toda a espécie!”

Francis Bacon

O caminho para o Senhor
manifesta-se como Ele quer
                                                      e não como o homem diz.

A fé não é definida
nem é um exclusivo da igreja
                                                           ou de qualquer outra crença.

A fé é uma graça oferecida por Deus!

E a sua mensagem é a mesma.

Em qualquer tempo,
em qualquer espaço,
em qualquer coração.

in Deuses, Homens e o Universo


eniGma

todas as rectas têm curvas!

ou ângulos triangulares.
ou canais de tinta branca.
ou desejos parciais.
Porque será que não são minhas?

Ah! rasgos de relvas lilases …


Âmago

 

Num sonho profundo desejo repousar,
se,
por ele,
puder chegar

ao mundo do mar.


Ismos

Capitalismo!
Comunismo!
Socialismo!
Fascismo!

Cristianismo!
Islamismo!
Judaísmo!
Budismo!

Idealismo!
Realismo!
Oportunismo!
Consumismo!

… Ismos!
E o homem?

in Deuses, Homens e o Universo


Meditação sobre a liberdade (IV)

Liberdade

 

A liberdade é uma dádiva que revela uma singularidade dual.

 

Dádiva,

porque é algo que emerge da relação com o Outro.

 

Singularidade dual,

porque,

para além de ser uma aspiração intrínseca,

é algo que deve ser diariamente conquistado.