Posts tagged “vicente ferreira da silva

O Bosão do João

88 poemas

A minha poesia foi incluída na compilação organizada por Rui Malhó (que ainda não tenho o prazer de conhecer pessoalmente), O Bosão do João88 poemas com ciências.

Integralmente inesperada, é uma imensa honra ter sido selecionado para fazer parte duma obra que versa a transversalidade multidimensional da poesia nos multiversos da ciência e uma enorme responsabilidade por estar entre tão excelsa companhia.

Ao autor, o meu mais sincero agradecimento!

… Nada Ser
Do Quotidiano
Dia de Aniversário!
Revestimento
en_CRUZ_ilhadas
Membranas
Breve incerteza
Tapeçarias
Máscaras
Arbítrio
Rupturas

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Em dia de aniversário

sequoia-1 https://www.flickr.com/photos/51652977@N00/3855301362/in/faves-25631517@N08/

!

os dias que se sucederam são ténues poeiras,
que fazem o desenrolar do continuum.

todo o pirilampo é breve na antecipação da aurora.

sente-se o estremecer do tempo cósmico.
renascimentos acontecem no silêncio dos sorrisos.

hoje, em mim, houve futuro.

e, fiz-me, tempo,
antigo,

em comunhão quântica.

 

days that succeeded are pale dust,
doing the course of the continuum.

all firefly is brief at dawn’s anticipation.

one feels the shiver of cosmic time.
renaissances occur in the silence of smiles.

Today, in me, there was future.

and I became, time,
ancient,

in quantum communion.

!

 


Agradecimento

A todos os que estiveram no Serão da Bonjóia, dedicado à minha escrita.

Soltam-se as amarras das vozes.
Notas expressam-se. Distintas!
E a tempestade abraça as marés.

Abrem-se as janelas de outrora.
Respondem ao choro de Mozart.

As lágrimas contidas são as que mais sofrem.
Contudo, velam o silêncio.

São os olhos que saciam o coração
ou é a redenção do beijo que o faz?

Aquele que se rende também é divino,
vertendo-se ardor e compasso,
unindo os pulsares da sala.

Os braços são pequenos.
Mas o meu coração cresceu!


Sessão de poesia – Quinta da Bonjóia

bonjoia


Escrevo

escrevo ampp

 

escrevo.
escrevo as linhas do silêncio.
mas os pulsos estão secos, ressequidos pelo desejo da pauta de outrora.
o amor caiu e só o corpo é confissão aberta, em relativa existência,
almejando o ardor da sombra que consome os resquícios da memória.

terrena?
terrena é a realidade dos braços, a fronteira que previne a tentação do preto,
repensando o vestir do hábito.
já terna é a orla das faúlhas, o percurso da chama na pele,
rastilho das ilusões.

escrevo.
escrevo o reconhecimento da melodia, os poros que rasgam as notas.
mas as bocas são horas infecundas de limites que vergam a ausência da esperança.
já ninguém semeia ou colhe as brisas vespertinas.

e eu escrevo.
escrevo o trilho do pó, as cinzas dos lábios.

in Antologia da Moderna Poética Portuguesa (página 281)


Antologia da Moderna Poética Portuguesa

NLT-seda-ampp2


Dia de Aniversário


Prairie Winds…, originally uploaded by The Nature of Things.

 

nada de espelhos. nada!

não renego reflexos.
até colecciono fragmentos.

mas prefiro as cúpulas celestes
ou as asas do profano humano
que chora o sonho.

porquê?
porque ouso,
apesar das marcas das passagens,
persistir no caminho do in-finito.

ao longe,
incólume,
o tempo assiste ao fluir do vento.

e, mais uma vez, o ritual é comungado.

obrigado…


Não mais

VFS_2117, originally uploaded by vfsphotos.

 

Se estivesses ao meu lado,
abraçar-te-ia.
Encostar-me-ia a ti,
para escutar o teu coração.

E,
nas praias desertas,
as ondas não mais seriam orfãs.

 

in Sentir


espelho


VIC_2104, originally uploaded by vfsphotos.

 

nasci velho.
toda a vida recordei.

ainda o faço.

mas jamais tive a ilusão do chão ser imóvel!

 


Perguntas

Silouette, originally uploaded by Bruehl, Holly.

 

 

Olhava para ti
rendido,
quando após um suspiro,
sentido,
perguntaste:
Que queres de mim?

Explorar – Respondi.
Quero explorar
a tua presença,
a tua amizade,
as tuas palavras,
o teu sorriso…
Quero o universo do teu ser,
conhecer.

Para assim,
com uma pequena parte de mim,
o preencher.

 

in 30 Poemas de Amor e Um de Recordação
Especial Dia dos Namorados


depois da pátria


Greece Naxos Apollon Temple, originally uploaded by j0rune.

 

depois da pátria é o futuro porque pátria foi o que concedemos
a terceiros que nos representam, esquecendo-se donde vieram.
mas até o futuro pode ser questionado
se os comportamentos não mudam.

e os rostos continuarão a perder a face da vergonha,
livremente, em plena vontade,
felizes pela ascensão às migalhas do domínio.

como se não houvesse subjugados,
reina a ilusão da permanência.
todos somos serventes,
ó companheiros do infortúnio.

é necessário abater os pedestais
para que o espanto não padeça mudo!

(13 de Maio de 2011)


outro momento


the time machine., originally uploaded by shaman..

 

e se te disser que a terra é curva?
que o planeta é plano?

rasgarás os dias?
desfolharás o calendário?

só os números se sucedem sucedâneos,
entregues a uma contagem condicionada,
onde,
solto da gravidade,
se sente o fio da existência.

havendo medidas,
terá sempre que se desfraldar um recomeço.

nas espirais do tempo rege a ilusão das metas, mas nada deixa de fluir.

um passo termina,
outro momento acontece.

e festeja-se!


Estética


Sunflowers, originally uploaded by Eric E Haas.

 

“A beleza é a expressão do infinito no finito” – Schelling

Arte,
ciência e religião
são grandezas numa dimensão superior.
Manifestações individualizadas pelo colectivo particular.

O valor da pureza inteligível,
o estádio supremo da estética,
os limites a atingir,
são o Bem e a Verdade.

Eis onde o individual se funde no contínuo!
Eis onde o todo é compreendido!

in Metafísica [Poética]

 


30 Mensagens de Amor e 1 Recordação

Convido-vos para o lançamento do meu mais recente livro,

 

 

Sábado, 12 de Fevereiro, 16:30, na Reitoria da Universidade do Porto

Apresentação pela Maria Luísa Malato
Declamação por Luísa Azevedo


Diálogos, Epístolas Inertes (Lisboa)

 

Convido-vos para a apresentação do meu novo livro

 

 

Domingo, 21 de Novembro, 15:00, no Hotel Real Palácio (Rua Tomás Ribeiro, 115)

Apresentação pela Maria do Sameiro Barroso
Declamação por Maria Azenha

 


Diálogos, Epístolas Inertes

 

Convido-vos para o lançamento do meu novo livro

 

 

 

 

Sábado, 9 de Outubro, 17:00, na Reitoria da Universidade do Porto

Apresentação pela Teresa Tudela
Declamação por Luísa Azevedo


Permanência

Pathways, originally uploaded by LilyShewan.

 

“Nada é permanente, salvo a mudança”
Heráclito de Éfeso

Existir é coexistir!

Nada está isolado.
O todo não é só o todo.
É também o vazio,
inteiramente unido e interligado.

Kinesis é a vitalidade
nas manifestações
entre o inverso e o reverso
das conexões reais.

A substância é diversidade.
Tudo é dúctil,
Tudo é movimento
e mudança.

Tudo tem o seu próprio tempo.

in Metafísica [Poética]


Meditação sobre a Morte (III)

 

O Eu
e o meu Eu,
findam com a morte.

Deles,
apenas fica a lembrança
que por si também é efémera.

Se os outros não recordarem,
até o reconhecimento do meu Eu,
                                                                        cessará!

 

in Metafísica [Poética]


Pendência


sunset road, originally uploaded by hkvam.

 

Ao longo da existência
                                                 do Ser
debate-se,
na sua formação e evolução,
a oposição
                                                 do Eu exterior
                                                 ao Eu interior.

Social
ou individual?

Dizer o que se pensa
ou o que os Outros querem ouvir?

Sujeição da vontade pessoal?
Dilema da verdade existencial!

 

in Metafìsica [Poética]


Arte


Glass buildings, originally uploaded by (Erik).

 

Num acto anímico,
o abstracto exprime o inexprimível.
Mas criar vida é irrepetível.

Arte,
é expressão humana desprovida.
É a criação que é distracção.
É cultura e nascente de reflexão.
Mas não é verdadeira fonte.

Só o Homem é arte viva!

 

in Metafísica [Poética]


(Des)Conhecimento


White Light, originally uploaded by Philippe Sainte-Laudy.

 

Nós não conhecemos o ser das coisas.
Deciframos o mecanismo
mas ignoramos a razão.

Nós não nos conhecemos!

Então,
deveremos ousar
desvendar
os criptogramas
do infinitamente grande
e do infinitamente pequeno?

Não é verdade
que ainda nos desconhecemos?
Não é verdade
que ainda desconhecemos
o ser das coisas?

Sem conhecer, seremos infinito?

 

in Metafísica [Poética]


Aspiração

Pawnee Celestial Pondering, originally uploaded by Fort Photo.

 

“Ser Homem é tender a ser Deus”
                                                                        Jean-Paul Sartre

Só quem foi mortal
poderá ser mais.
Mas tal possibilidade
é impraticável na mesma viagem.

Apenas pelo ritual
                                     da passagem
a transcendência acontece.

Sempre em tempos diferentes.
Sempre na esperança de recordar.

Tudo pelo desejo de ser
                                             livre.
Ilimitadamente
                                Livre.

 

in Metafísica [Poética]


Um Ano na Blogosfera

O do Inatingível e outros Cosmos celebra o primeiro aniversário.
Como festejo, aqui estão alguns dos dados e curiosidades que fazem esta data:

VISITANTES
31601

TOP10 POEMAS (mais visualizados)
Dialéctica das Consciências
Palavras para ti, Meu Amor
Poetas do Silêncio
Todos Iguais, Todos Diferentes
Plenitude
Repto
Acontece Poesia
Fátuo
Regressões
Solidão

POEMAS MAIS VISITADOS NO MESMO DIA
Plenitude
Fragmentos

Frases nos MOTORES DE BUSCA (tal como escritas)
o horizonte da revolução na física de particulas
musica das esferas
arte em espelhos
conhecimento de particulas
poema publicado e depois o que acontece?
dinâmicas com poema
choque do futuro
quadros pintados com uma flor grande
nuas desprevenidas
7 linhas de um poema com gestos

DEZ PREFERÊNCIAS
Soubesse eu que eras ténue
Fragmentos
Canto Único
Chamas Transparentes (para Herberto Hélder)
Peregrinação
Aspiração
Absence
Águas do Verbo (para mariah)
Gratidão
Tempo de Viver

Agradeço a todos que por aqui passaram e todos os Cosmos que me mostraram.
UM PASSO NOVO NA VIDA É UM NOVO UNIVERSO NO TEMPO.

Bem hajam!


Interlúdios da Certeza – lançamento Lisboa

ic-lisboa

É já no próximo sábado. Apareçam!
Vai ser uma tarde bem passada.


Interlúdios da Certeza – Lançamento Porto

convite-interludios-da-certeza-porto

É já no próximo sábado. Apareçam!

https://sigarra.up.pt/reitoria/noticias_geral.ver_noticia?P_NR=747


Solidão

“Somente ao homem é dada a solidão”
Vicente Ferreira da Silva, filósofo brasileiro (1916-1963)

 

Meio de franquear o real,
átrio para a liberdade.

Recolha necessária à progressão,
a solidão,
é possibilidade de reavaliação
                                                           do todo social
e evolução
                      individual.

Mas,
não há simplicidade
no rompimento humano.

E para ser genuíno,
tem que advir duma atitude positiva.

Na solidão,
                      a consciência reconhece-se.

A solidão admite o encontro!

 

in Metafísica [Poética]


Dialéctica das Consciências

A Shift

“A Shit” by Lily Shewan

 

No cerne do mundo
está a exposição de Entes.

Nessa massa original,
o informe individual,
aprende,
educa-se
e desenvolve-se.

A forma aparece
na moldagem da inteligência.

A transição dialogante entre os homens,
acontece
no exterior e nos desafios da Natureza.

Entre o Ser, o Outro e os demais universos
– tangíveis e intangíveis –
há um nexo indissociável.

E,
resultante dum processo de auto-afirmação,
o Eu existe pelo confronto.

Mas a Consciência apenas evolui no respeito!

 

in Metafísica [Poética]


Demanda

Quem se procura,
em si mesmo,
encontra o Outro e o respeito pelo todo social.

Os genuínos laços de vinculação
inter-pessoal,
começam na introspecção
individual.

Mas é necessário um exercício de probidade!

Para ser
com o Outro,
antes,
o Ser deve ser consigo mesmo.

Encontra-te em ti mesmo!

É a primeira realidade.

 

in Metafísica [Poética]


Identidade

Ó vil criatura
de vãs fantasias,
vives socialmente
no “plasma amorfo das sensações”.
Descontraído.
Habituado.

Mas nada criaste!
Absorveste,
as normas e os comportamentos
que a sociedade te deu
ou impôs.

Então,
como sabes que és?
Onde está o teu Eu?

in Metafísica [Poética]


Meditação sobre a Morte (II)

O Universo não é infinito.
O Homem também não.

A morte é uma passagem
para um período de tempo maior
no todo finito do Universo.

Mas neste ou no próximo é igual.
Todo o tempo é temporário.

in Metafísica [Poética]


Transcendência


Transformation, originally uploaded by LilyShewan.

 

“A linguagem é a efectividade do estranhamento e da cultura”
                                                                                                                  Hegel

Não comunicamos por imagens.
Mas por sons!

As palavras
são os instrumentos
de identificação e classificação dos sons.

A vontade de superar o real
é ascendente e descendente.
E as palavras permitem a expressão ao Eu.

Mas no diálogo entre a aparência e o Ser,
as imagens são as metamorfoses das palavras

Num baile das máscaras
é fácil esquecer a identidade,
confundir a existência
e sucumbir aos encantamentos.

Ultrapassar o labirinto é possível.
Regressar à origem é crescer.
E aí, o Homem, desenvolve-se poderoso.

Na transcendência da linguagem edifica-se o cosmos humano.

 

in Metafísica [Poética]


Fluidez

Nada é imutável.
Tudo é mutável.
Tudo é transformação.

O Ser é o vector da cadência,
a entidade fluida
no irradiar do multiverso.

Nada é impossibilidade.
Tudo é possibilidade.
Tudo é evolução.

in Metafísica [Poética]


Convergência

“A ciência é apenas uma verdade. A outra é a fé”
                                                                                             Novalis

O uno é divisível!
Em dois,
em quatro,
em vários.

Mas, sem realidade e espírito
não há verdade.
Todas as suas partes
só o são se encaradas em si.

O uno é o todo!
Fora do todo, só o vazio.
E o vazio
                    é o espaço onde o todo se expande.

in Metafísica [Poética]


Evolução

No universo não há absolutos.

Há evolução,
mutação e transformação.

Pelo tempo e pelo espaço.

E nenhuma existência é igual
porque o tempo não se repete
nem o espaço é o mesmo.

in Metafísica [Poética]


Consciência (III)

O Eu é acção,
luta
e determinação

É o fazer-se por si na resistência ao mundo.
É a prática vivida,
a essência conseguida,
                                                pela autonomia
experimentada na urdidura
                                                        do cosmos.

O Eu é liberdade.
                                   Ínsita.
                                   Inacabada.

 

in Metafísica [Poética]


Meditação sobre a Morte / Meditation on Death (IV)


Storm, originally uploaded by risquillo.

.

Quando uma vida acaba, a dor é inevitável.
No entanto,
as lágrimas são o orvalho do futuro e a lembrança é o sal da vida.

Embora um pouco mais sozinhos, continuaremos.
É assim que homenageamos os mortos e nos unimos mais aos vivos.

Não há morte. Apenas memórias!

O amor manterá o calor da presença,
dentro e entre nós.

When a life ends, grief is inevitable.
Yet,
tears are the dew of the future and remembrance is the salt of life.

Although a little more alone, we will continue.
This is how we honor the dead and unite ourselves more with the living.

There is no death. Only memories!

Love will maintain the warmth of their presence
within and amongst us.

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