Posts tagged “Multiversos

O Bosão do João

88 poemas

A minha poesia foi incluída na compilação organizada por Rui Malhó (que ainda não tenho o prazer de conhecer pessoalmente), O Bosão do João88 poemas com ciências.

Integralmente inesperada, é uma imensa honra ter sido selecionado para fazer parte duma obra que versa a transversalidade multidimensional da poesia nos multiversos da ciência e uma enorme responsabilidade por estar entre tão excelsa companhia.

Ao autor, o meu mais sincero agradecimento!

… Nada Ser
Do Quotidiano
Dia de Aniversário!
Revestimento
en_CRUZ_ilhadas
Membranas
Breve incerteza
Tapeçarias
Máscaras
Arbítrio
Rupturas


Hope / A esperança suaviza as lágrimas!

Georgia

Sei que não farás amor comigo,
mas deixa-me ter esperança

para suavizar as minhas lágrimas!

.

I know that you won’t make love with me,
but let me have hope

to smooth my tears!

 


Em dia de aniversário

sequoia-1 https://www.flickr.com/photos/51652977@N00/3855301362/in/faves-25631517@N08/

!

os dias que se sucederam são ténues poeiras,
que fazem o desenrolar do continuum.

todo o pirilampo é breve na antecipação da aurora.

sente-se o estremecer do tempo cósmico.
renascimentos acontecem no silêncio dos sorrisos.

hoje, em mim, houve futuro.

e, fiz-me, tempo,
antigo,

em comunhão quântica.

 

days that succeeded are pale dust,
doing the course of the continuum.

all firefly is brief at dawn’s anticipation.

one feels the shiver of cosmic time.
renaissances occur in the silence of smiles.

Today, in me, there was future.

and I became, time,
ancient,

in quantum communion.

!

 


(e)Namorados


Deep Forest Studies #4, originally uploaded by -: Al Bell :-.

.

.

!

raizes acontecem com fervor
no florir das buganvílias em saudade,
janelas abertas ao canto desejado.

e sente-se o manto lavanda do amor
que nutre as árvores do coração.


Apenas um vislumbrar!


Nude Beauty, originally uploaded by Katherine Chivers.

.

apenas um vislumbrar.

e as lágrimas são um novo universo
na ternura do teu corpo.

soluços acontecem
na tristeza da recordação,
que pede nova entrega.

quero honrar o teu templo.
como lábios abertos em retribuição.

entre nós, nada acabou.
há fogo a consumir
e tempo para sucumbir.

queres?


Dobrei a esquina – em dia de aniversário


VFS_6809b&w, originally uploaded by vfsphotos.

.

Dobrei a esquina.
Apesar de consciente da etapa, uma inconsciência serena fez-me durante o dia,
onde o tempo não decorreu. Sentiu-se!
E os afetos perfumaram as horas, criando uma poderosa espiral de carinho.

Dobrei a esquina.
A falsidade foi-se, deixando a sombra da recordação.
Não há que questionar. A diferença é fundamental ao esclarecimento.

Dobrei a esquina,
grato pelo desconhecimento do futuro.
Se sei o que é o amor?
Não!
O Amor não se sabe.
Presente-se, sente-se ou vive-se.
Só assim o fragmento é elo do todo e qualquer rasgar dá lágrimas.

E as lágrimas são o néctar do presente,
intemporal.

Dobrei a esquina.
E encontrei-te!


Sabores


Shadow Body, originally uploaded by Jayfer24.
.

talvez devesse estranhar o estranho acontecer da dinâmica no contorno dos pensamentos. talvez? mas, na essência, apenas se está a manifestar a fluência da estrutura da mente, pois é da sua natureza sustentar a perspectiva hermética do universo. porém, simultaneamente, noutras pausas, fluem os espasmos sensoriais do corpo, num estranho alfabeto que se afirma singular e que nos entranha no sentimento do sentir. são outras forças que se revelam e que aquecem o ânimo da carne para o tempo do futuro. talvez a formatação seja dual. talvez? contudo, este fluir de fluxos distintos, esta fluência comunicativa ininterrupta é a ligação que nos identifica com as vibrações do diapasão cósmico, a ponte que nos faz pó da terra e pó de estrelas e que alimenta o horizonte da esperança.
será estranho estranhar que o ser humano possa ser uma pedra de roseta? talvez. contudo, se assim o for, ainda não foi totalmente decifrada. logo, antes de tudo, somos curvas que derivam em expressão.

in Livro dos Pensares e das Tormentas, 155, 7 de Julho de 1998


Cumes


VFS_4794b&w, originally uploaded by vfsphotos.

armo os olhos contra o destino,

consciente do impacto da transferência e da impotência do meu horizonte,
mero epígrafe pré-histórico,
que ousa o fragmento da lembrança.
as marés movem-se para oriente,
velando pelo ardor dos sentidos, silenciosos,
que se sonham ressuscitação.

porém, murchar é a condição da expressão.

ainda acontece o auge matinal?


dádiva(s)

Red Dawn, originally uploaded by -yury-.
 

sei que o sabes,
mas necessito expressá-lo.

é ao amanhecer,
que o meu corpo mais chora por ti!


Futuro(s)

VFS_1686, originally uploaded by vfsphotos.
 

no embalo das águas
renovam-se as memórias do tempo,
passado,
na contemplação
que se funde presente.

haja o sonho. haja!

e o futuro realizar-se-á.


Suicidam-se as aves?


DSC_2528, originally uploaded by vfsphotos.

 

suicidam-se as aves?

ou procuram a navegação no passado?

algumas entregam-se ao despojo das cinzas,
num mitológico retrato do futuro,
que eleva o exemplo ao inalcançável.

mas, suicidam-se as aves?

 

porque não voamos?


Anomalias?

"Mutações Genéticas" pintura em acrílico de Luiz Morgadinho

 

queres pintar hereditariedade?

sabes que nenhum lado é individual no horizonte da aura?
sabes que a ilusão é uma cerca sensorial?

então,
liberta os dedos do pensamento
nas espirais onde florescem os troncos,
crava as garras nos cumes anões,
faz dos peixes invertebrados alados.

os jardins ascenderão aos nimbos pela mutação das guelras
e as bocas ectotérmicas nascerão nos quadrúpedes desterrados.

o sonho em fartura rende-se ao apelo dos sons em unissono
e no silêncio do vento, funde-se metamorfose.

queres pintar genética?

abre os olhos!

 

in Sons Urbanos


outro momento


the time machine., originally uploaded by shaman..

 

e se te disser que a terra é curva?
que o planeta é plano?

rasgarás os dias?
desfolharás o calendário?

só os números se sucedem sucedâneos,
entregues a uma contagem condicionada,
onde,
solto da gravidade,
se sente o fio da existência.

havendo medidas,
terá sempre que se desfraldar um recomeço.

nas espirais do tempo rege a ilusão das metas, mas nada deixa de fluir.

um passo termina,
outro momento acontece.

e festeja-se!


Para o meu filho Vasco


Iris_Nebula, originally uploaded by Lua Samsara.

 

Meu filho, sou um sonhador!

Sou alguém que acredita em valores, na família, na amizade, alguém que agradece os ensinamentos transmitidos, a começar pela dádiva da existência, recebida dos teus avós e, finalmente, sou alguém que pensa e questiona o que me rodeia.

Nota que o que nos rodeia não é fácil. Ainda bem. Porque a vida não é fácil. Exige esforço e dedicação, no respeito pelo pluralismo das circunstâncias humanas.

Mas viver será muito mais difícil se não sonhares. Por isso, meu filho, sonha e muito! Não deixes que os sonhos se tornem ilusões, nem nunca deixes de viver os sonhos.

E que os teus sonhos te façam generoso, te façam explorar o multiverso que existe para além do horizonte, te acompanhem durante a vida, te iluminem o coração e te permitam questionar o cosmos, para cresceres em comunhão com os teus semelhantes e em concordância com o todo.

Meu filho, hoje, por ti, dei o segundo passo na eternidade. Sou pleno no todo!

Só tenho mais esta esperança:
Que os teus sonhos aconteçam porque tu excedeste todos os meus!

O teu Pai,
25 de Maio de 2011


Subtilezas


Imagine…, originally uploaded by Philippe Sainte-Laudy.

 

formações incompletas
e outras maravilhas,
subtilezas pequeníssimas,
entregam-se ao soalheiro do vento desconhecido.
unem-se para viajar ao uno!

só o impuro será puro!
em ervas altas e savanas douradas.
depois do amadurecer prateado,
em luas suspensas ou em fios purificados,
pela peregrinação no florescer da vida.

há entidades soltas,
auto-criadas em si
e constantes na omnipresença.
há veias inspiradoras,
simples elos que fazem o verde.
só assim se multiplicam os camaleões da natureza.
e são tantos! distintos.
com cores em tempos diferentes.

na neve a brancura é imaculada.
nada a invade. até o calor é devolvido,
depois de arrefecido em névoas intactas,
num beijo rejuvenescido,
profundamente sentido,
numa etapa que se refaz em amor,
pois tudo tem um papel determinado.

manifestações traduzidas em plural,
as subtilezas pequeníssimas são imensas!
todo o conjunto é singular.
e conjugável!
em si e entre si,
para que a diversidade se suceda.
assim,
não há mundo. há mundos!
não há vidas. há vida!

e o inverso também se verifica.
o todo é um ciclo evolutivo.
de vida e morte. de continua existência.
a que qualquer entidade se submete e se renova.
e acontecem minutos para a morte
como já anteriormente os houve em ser.

as lembranças permanecem o condão.
aguardando o reencontro com o espírito
no confronto da pressão e do tempo.
vislumbra-se aí o quão profunda é a eternidade.
e nada está fechado,
pois quando o corpo sucumbir abrir-se-á ao pleno
e será subtil e pequeno.
como deve ser! para ser em luz, em beleza, em pureza

por isso,
as ondas vibratórias na harmonia do cosmos
são subtilezas pequeníssimas.
permanentes demonstrações de louvor.
percebe-se que o princípio criador do todo é a desigualdade.
nenhuma vida é igual!
logo, qualquer uma é especial.

e o amor é o elo vital que nos une
no respeito por outras vidas.
e o amor que temos por algumas é superior.

sem vida não há amor e sem amor não há respeito à vida.

ser! amor! vida!
pela expressão de pequenas subtilezas.

 

in Diálogos, Epístolas Inertes


Parque Samburu, Quénia

Samburu, Quénia 2001, originally uploaded by vfswa.

 

Num misto dourado, púrpura e lilás,
as estepes são!
E as savanas,
nuas e cruas,
são os portões da natureza.
Onde o alcance permitido,
vastíssimo,
preenche o universo dum coração desprevenido
pela súbita comunhão com a própria vida,
no regresso ao berço da existência.

Num misto dourado, púrpura e lilás,
as cores e os odores
inflamam a paixão do querer
e a vontade de ser uno,
na origem do tempo e da criação.

Num misto dourado, púrpura e lilás,
despercebidos,
os horizontes entrelaçam-se.

E neles somos submergidos,
num misto dourado, púrpura e lilás.

 

in Geografia e outras Circunstâncias

 


De Férias


Sao Pedro 1135, originally uploaded by vfswa.
 
 
Na harmonia do Multiverso!
 

Cadências


Under a Pink Sky, originally uploaded by idashum (away).

 

o crepúsculo liberta as almas selvagens
como se o leito das amazonas sobrevivesse sem magnólias leves
ou se a recordação das lavadeiras da aldeia branca
dependesse dos sonhos das mulheres modernas.

o som dos lenços desdobrados faz as crinas densas do entardecer.
nesse manto despontam estrelas novas,
abertas ao momento do firmamento.

o céu que se eleva no horizonte
é o berço das águas sagradas em desfolhar.
e os dias são amplos membros em origem
que abrem os véus do tempo ao sangue das valquírias.

com as faces protegidas em armaduras,
as almas alimentam os estandartes escarlates
que afogam a expressão dos rostos.
e ninguém percebe as lágrimas da saudade,
fonte dos verões estivais e dos buracos negros
onde se projectam os símbolos do futuro.

o mutismo dos sinais propicia enredos em discórdia.
genuinamente, faz-se o sangramento das palavras
dificultando os sons das velhas alianças.
as bocas estão secas ao reconhecimento
quando o clamor dos corpos abafa os moderados.

eis que a logística do confronto torna as palavras incompletas
desunindo o amor pela natureza oposta,
sufocando os lábios dos sorrisos no ardor ao cumprimento entre iguais.

letras são fragmentos, parcelas das conversas
que outrora preencheram o convívio nas lajes da aldeia.
agora, outras deusas vigoram!
ufano, o sacerdote preenche o púlpito em júbilo:
– preparai as engrenagens das mecanizações hostis.

o culto da flebotomia inflamou os espíritos à loucura
e a exaustão da cegueira foi integral,
alastrando às investidas gretas na terra,
derramando o pulsar interior no vão da desumanidade.

assim adveio a época do rio de púrpura,
pleno de linfa viscosa,
onde naus são carruagens e as margens coral petrificado:
jaz aí a tolerância e a harmonia do paraíso.

mas o totem da energia primordial tem raízes no tempo.

ciente dos espasmos destrutivos,
o sábio plantou palavras em terra tenra,
num ângulo obliquamente pronunciado,
para que as magnólias surgissem num leque de lágrimas rejuvenescidas.

o tempo decorre na companhia da acção humana.

a redenção é uma semente escondida numa flor de música.
tal como é ténue a cadência da aragem,
a harmonia é uma brisa esquecida.

que permanece no raiar do jardim da esperança!


Renascer

 

o tempo,
sensorial e não só,
é uma dádiva porque provém do Ser e de ser existência.

talvez tudo derive da fonte hermética e todos os dias o universo se pense.
talvez a consciência (des)fragmentada na fluidez do movimento
aconteça no piscar dos sonhos,

onde somos água em evolução!


Licor


This morning, originally uploaded by Andreas Reinhold.
 

existe uma flama perpétua na alma
que nos liga ao indivisível arquejar do sopro divino.

apesar do tecido poroso que se estende para lá das dobras,
a melodia da água pulsa,
nas ondas do incomensurável,
em ténues suspiros que nos chamam incessantemente.

nos estios dourados,
tristezas também fazem as magnólias em flor.

e o pólen beija as searas em chuva.


De férias

Sao Pedro 06 534, originally uploaded by vfswa.
 

PARA ALÉM DO HORIZONTE, ESTÁ O MULTIVERSO!


Calendário(s)


Tempo…fermo, originally uploaded by mareluna_99.
 

marca-se o tempo da existência
na existência em tempo.

mas o tempo tem uma existência
diferente da existência no tempo.

do Tempo brotam os tempos em vida,
da Existência surgem as existências em Ser.

Tempo?
Existência?
águas no mesmo lago de luz.

e, no fluir do In-finito, tudo é passagem!

talvez seja mais um tempo para a consciência intemporal?

talvez seja aniversário?

 


Lágrimas

 

chove

no corpo
em passagem

o sonho
para o futuro.

 

(inspirado em Suave Coisa)


Multitopia

 

na expansão termodinâmica,
que faz irromper água cristalina,
ainda permanecem os fluxos do tempo.

e na luz viaja o silêncio da criação.

sonho com cometas azuis!


Profecia – 9º jogo das palavras

Cambodia: Angkor Wat, originally uploaded by mandalaybus.

 

não foi paralogismo, o oráculo de outrora.

o sofisma foi intrinsecamente verídico.
sustentado por um patrono
decididamente crente.

apesar da chama florir alva,
fés cegas sucedem-se em exemplos perdidos.

mas o reencontro é alcançável.
qualquer caminho é iluminado!

e a carta,
bordada em linhas de bondade,
une a liturgia dos tempos, proclamando:

na mudança aguarda o desvendar!

 


Alma Azul

7 Feb 2008: Sky Blue, originally uploaded by Alex España.

 

no infinito do mar azul,
existe um humilde olhar branco
que vislumbra a essência palpável do verbo.

abre a janela do espírito!

na fronteira dos desígnios,
há sonhos e universos por desenhar.

véus antigos. desfraldados.
entregues ao sabor do luar do equinócio.

mergulha nas sensibilidades da chuva.

e também serás,
na Água do tempo que é,
Alma Azul!

 

in Comentários na face da Noite


Brasília


Brasilia domingo a tarde, originally uploaded by Dircinha.

Brasília,
é um lago de vida
no centro da terra.

É fonte e origem
na visão do futuro.

É um sonho concreto,
jovem e puro.

É uma mensagem do ser,
na criação em beleza.

É a união do homem
à plenitude da natureza.

in Geografia e outras Circunstâncias


Brasilia Cathedral 15, originally uploaded by weyerdk.

Rebanho

Não sou guardador de sonhos!
[Nem Constantino!]
Mas gosto deles.

E deles cuido como se fosse pastor.

in Pensamentos e Reflexões Poéticas


Meditação sobre a Morte / Meditation on Death (IV)


Storm, originally uploaded by risquillo.

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Quando uma vida acaba, a dor é inevitável.
No entanto,
as lágrimas são o orvalho do futuro e a lembrança é o sal da vida.

Embora um pouco mais sozinhos, continuaremos.
É assim que homenageamos os mortos e nos unimos mais aos vivos.

Não há morte. Apenas memórias!

O amor manterá o calor da presença,
dentro e entre nós.

When a life ends, grief is inevitable.
Yet,
tears are the dew of the future and remembrance is the salt of life.

Although a little more alone, we will continue.
This is how we honor the dead and unite ourselves more with the living.

There is no death. Only memories!

Love will maintain the warmth of their presence
within and amongst us.

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