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Cumes


VFS_4794b&w, originally uploaded by vfsphotos.

armo os olhos contra o destino,

consciente do impacto da transferência e da impotência do meu horizonte,
mero epígrafe pré-histórico,
que ousa o fragmento da lembrança.
as marés movem-se para oriente,
velando pelo ardor dos sentidos, silenciosos,
que se sonham ressuscitação.

porém, murchar é a condição da expressão.

ainda acontece o auge matinal?


espelho


VIC_2104, originally uploaded by vfsphotos.

 

nasci velho.
toda a vida recordei.

ainda o faço.

mas jamais tive a ilusão do chão ser imóvel!

 


Atitude

. 
Mirror Image, originally uploaded by siskokid 

 

“… Raramente sabemos do que somos capazes até nos depararmos com as situações …”
VIRGÍLIO, poeta latino (70-19 a. C.)

Na altura de enfrentar a situação
oxalá me seja permitido ver,
uma cabeça erguida
na face lisa do espelho
                                             reflectida.

E que a postura vista
não seja ao orgulho devida.

 

in Espelhos e Outras Faces

 


Espelhos …

 

Ditas,
sentidas
ou escritas,

                  as palavras reflectem o homem.

 

in Espelhos e Outras Faces


Dia de Aniversário!

 
shower of light, originally uploaded by Dan65.

.

Hoje é ponto de passagem,
entre o vir e ir que se sucede.
É dia de festejar!

Relembro o passado.
E neste escrito presente
ouso pensar no futuro.
Será que alguém saberá?
Será que algum dia importará?

Para o caso do acaso ocorrer,
aqui vai o que vai acontecer:

Estou consciente que serei
quando já não for.
Breves momentos terei.
Meros instantes de torpor.

A escrita deu som ao meu grito
neste mundo de paredes
que, persistentemente, não escutaram.

Desbravei paisagens na tinta
derramada inconscientemente.
Tristeza? Nenhuma. Nem pinta!

Avivar folhas era o meu rito.
Era como um tecer redes.
Infelizmente, pouco alcançaram!

No entanto, este verbo não foi ilusão.
Era tudo. Plena concretização!
Foi o descrever das visões
deste universo de sensações.

Fica por aqui esta mensagem.
Hoje é dia de aniversário.
Assinalado no calendário!

Os chuveiros de luz aguardam.
Balançam serenamente entre os espaços
que fazem as folhas e os ramos.

Vou tomar banho!
É assim que quero celebrar.

in Interlúdios da Certeza


Encantamento


clouder, originally uploaded by Ash ..

 

a existência não é garante de dignidade quando o semelhante estremece.
mesmo em dias soalheiros há atitudes levianas.
olhos negam o viver da vida ou a comunhão em sociedade.
e no lar o tempo da paciência é escasso.
a distancia entre os elos aprofunda-se e os filhos chamam nas sombras.
o metal rege!
é conscientemente que se multiplicam as trintas.

perguntas o que é a poesia perante isto?

talvez seja um canto lúgubre?
ou um calendário para meditar o passado?

o todo perfaz o caminho do ser.
mas só nos revemos nos tempos áureos, onde fomos pujança gratuita.
até as lágrimas serão desperdiçadas.
é por isso que os lenços acompanham o futuro.
é por isso que a angústia é a grilheta dos que ficam.

como o tempo se sucede, nenhum espelho é uma superfície plana.
no entanto, existe um sereno aguardar:
a transfiguração do selo do presente

só aí o jogo lúdico da vida estará concluído.
e não haverá revelação. apenas alegria.


Repouso

Pleiaden, Plaiades M45, originally uploaded by ocupado.

 

Lá,
onde os Deuses vivem,
não entrarei.

Nem desejo ver tal morada!

O meu lar terá outra entrada.

Nasci homem.
Morrerei pó.

 

in Deuses, Homens e o Universo


Conceito

 

poesia,

é sentir um desejo impossível de conter.
é transmitir o que à alma se vai beber.
é repartir o meu e o teu viver.
é expandir o interminável a um só pertencer.

é unir o divino ao ser.

é, simplesmente,
agradecer

um suspiro nas lágrimas do tempo.


Convicção

 
 the healing of soul mind body., originally uploaded by shaman..

 

De todas as constantes do universo,
aquela que mais me agrada
é a evolução.

E, de todas as formas possíveis
para a sua aplicação,
a mais bonita
é o conhecimento.

O conhecimento não é estático.

É um processo.
É renovação.

Pode, às vezes, estar incerto,
mas nem isso faz com que não seja inovação.

Sou um convicto socrático!

Afirmo-o de todo o coração.
É isso que faz de mim um ser decidido.
E, simultaneamente,
um espírito permanentemente
                                                           em evolução.

É inegável!
Todo e qualquer aumento
de conhecimento
é uma dádiva de valor incomensurável.

 

in Espelhos e outras Faces


Nunca Acordo


Leaves & Sky, originally uploaded by stribs.
 

nunca acordo quando as brisas transcendem o sonho em amor.
relaxo, no embalo da cama de rede do êxtase sereno.
no sustento dos braços da amada queda-se a protecção da existência.
note-se a atracção mútua dos corpos!
mas as árvores continuam a desafiar a gravidade,
erguendo-se para o abraço dos céus.

há algo de deslumbrante
quando os dedos de anil transparente embalam as folhas em ternura.
é assim que os ramos hirsutos se renovam em verde vivo,
elevando-se como arquipélagos que abraçam a orla do mar celeste.

foi no principio que o verde se enamorou do azul!

desde então,
entrelaçam-se nas linhas do horizonte em afagos graciosos
que mergulham nos pomares laranjas do poente,
onde, no encurvar do sono, repousa a paixão.

nunca acordo quando as brisas transcendem o sonho em amor.
apenas me entrego ao assombro,

                                                                                 no espanto por ser!

 

in Anima Temporis


HumanaR

Tender fall, originally uploaded by Philippe Sainte-Laudy.

 

a distância entre a porta ajusta-se ao momento do destino.
tal como as escadas rolantes são ilhas,
onde as pernas se imobilizam,
duplicando um movimento que não se perpetua.

só num local
– indefinível, porque obscuro,
algures, porque discreto –
as acções são duais.

mas a transposição implica
a queda num buraco octogonal de espelhos cansados.

o homem não pode conviver,
simultaneamente, com o passado e o futuro.
a queda requer faces vedadas aos segredos disponíveis,
deformados pela velocidade horizontal do salto na penumbra.

até que as correias electromagnéticas se façam sentir
a aceleração será uma constante e a fé será posta à prova
por um corpo abandonado ao seu próprio ónus,
ao sabor das gargantas profundas da gravidade.

não haverá pára-quedas.
são chuvas que libertam a torrente de memórias gastas.
em minúsculos pontos que brilham nas paredes do fosso
ocorrem explosões de astros
puxando os dedos na direcção da entrada,
como um instinto que procura sobreviver à redenção do momento.

nada inverte o passo dado!
nem a espuma dos cometas diurnos
ou o trilho das bolhas de sabão suspensas o consegue.
tudo depende do sangue da fé!
e esta depende dos neurónios do desejo,
entregues ao mais perfeito êxtase,
siderados pela inclinação do sigma constelado.

relata-se um sonho gerador de pensamentos.
alguns sumptuosos, outros nem tanto,
que fixam os orbes oculares no véu da lamentação.
o aviso ainda ressoa inteiro.
apesar de esgotados em tentação, os olhos permanecem cerrados.
a sinopse da escolha é inevitável!

no movimento imóvel iniciado está presente o término
porque as ilhas são pontos selados.
a certa altura os pés retomam o caminho,
na companhia prazenteira da paisagem,
bebendo em goles as cores congénitas da natureza.

estes ciclos ajudam a circulação da seiva encarnada,
criando ondas retemperadoras onde nada se vê.
a meio do percurso,
a amplitude do sentir transborda os limites do corpo
e a essência renovada acompanha os espelhos cansados
no entrelaçar à génese da raiz das árvores.

quando os movimentos encontram o ritmo do movimento
são necessárias fendas nos reflexos e feridas na epiderme:
pelo rasgar irrompe a beleza no uníssono.
e o peso do corpo torna-se avassalador.
na dor que é origem, os gritos são silenciosos.

as formas informes ocupam o buraco horizontal
e a ígnea chama que sempre existiu brilha no azul da alma.
o interior da natureza é índigo.
é aqui que o calor funde as existências
e o apelo ao abraço fresco do cosmos é recitado.

mas não haverá ventos estivais,
apenas um manancial em repouso
onde o impacto do corpo ressuscitará.
só no imo as preces de louvor são índole de carácter!
só a desfragmentação individual se unirá à unidade!

após a odisseia metamórfica no colectivo do coração
a distância entre a porta ajusta-se ao momento do destino.

é neste ínterim que a força do novo homem se transfigura.
regressado da dualidade, resgatado para a realidade.

em corpo presente!

 


Calendário(s)


Tempo…fermo, originally uploaded by mareluna_99.
 

marca-se o tempo da existência
na existência em tempo.

mas o tempo tem uma existência
diferente da existência no tempo.

do Tempo brotam os tempos em vida,
da Existência surgem as existências em Ser.

Tempo?
Existência?
águas no mesmo lago de luz.

e, no fluir do In-finito, tudo é passagem!

talvez seja mais um tempo para a consciência intemporal?

talvez seja aniversário?

 


Um Ano na Blogosfera

O do Inatingível e outros Cosmos celebra o primeiro aniversário.
Como festejo, aqui estão alguns dos dados e curiosidades que fazem esta data:

VISITANTES
31601

TOP10 POEMAS (mais visualizados)
Dialéctica das Consciências
Palavras para ti, Meu Amor
Poetas do Silêncio
Todos Iguais, Todos Diferentes
Plenitude
Repto
Acontece Poesia
Fátuo
Regressões
Solidão

POEMAS MAIS VISITADOS NO MESMO DIA
Plenitude
Fragmentos

Frases nos MOTORES DE BUSCA (tal como escritas)
o horizonte da revolução na física de particulas
musica das esferas
arte em espelhos
conhecimento de particulas
poema publicado e depois o que acontece?
dinâmicas com poema
choque do futuro
quadros pintados com uma flor grande
nuas desprevenidas
7 linhas de um poema com gestos

DEZ PREFERÊNCIAS
Soubesse eu que eras ténue
Fragmentos
Canto Único
Chamas Transparentes (para Herberto Hélder)
Peregrinação
Aspiração
Absence
Águas do Verbo (para mariah)
Gratidão
Tempo de Viver

Agradeço a todos que por aqui passaram e todos os Cosmos que me mostraram.
UM PASSO NOVO NA VIDA É UM NOVO UNIVERSO NO TEMPO.

Bem hajam!


Multitopia

 

na expansão termodinâmica,
que faz irromper água cristalina,
ainda permanecem os fluxos do tempo.

e na luz viaja o silêncio da criação.

sonho com cometas azuis!


Razão de Ser

 

As palavras aparecem
por si e em si.

Inatas!
Desprendidas!
Intactas!

Por elas, sei
o que a minha alma quer,
o que a minha alma me diz.

Sou!
Sim, eu sou.

Nas palavras!

 

in Espelhos e Outras Faces


Sou

há ensejos em que tudo é espiral.

ou caos em profunda liberdade.

ou mera invulnerabilidade.

quiçá?

 

despojas-te do tempo

e és, essência em sentimento,

no perpétuo fluir do todo.

 

entrega-te. sem reservas!

 

eu?

sou emoção.

 

 

 

 

in Comentários na face da Noite


Canto Único

 

 

talhada a cinzel,
uma lua laranja vela o horizonte.
em tal aura, refugia-se a essência desnuda
e pressente-se a indelével partitura do cosmos.

no silêncio transformado em paz,
onde palavras são fábulas de paixão,
o aroma revela a melodia do profundo
que enleva a água-marinha aos nenúfares
e insufla em ternura nuvens prateadas.

noites azuis,
pepitas de ouro.
como orquídeas suspensas em lagos,
estrelas pendem serenas.
nesses rastos brotam sonhos.
pelo voo do beija-flor
que solta as harpas do encanto
do jasmim insubmisso.

é em pleno desprendimento que recordo.
quando sou intermitência da consciência antiga.
e semeio-me, breve, no campo da noite,
às pétalas de marfim, às gotas de luz
do orvalho banhado em raios de água pura.
mimo da mãe terra.
porque as origens são cegas. somente atribuídas!

estremeço com o ritmo da tua frequência.
não por inânia, mas por rendição.
por retornar ao uno que fomos,
pelo resplendecer da íris exaltada,
pelo arquejar do corpo omnisciente
no resgate dos beijos de jade.

ah! os lábios de fogo anseiam pelo sabor
do teu travo de framboesa fresca,
que faz esse colar silvestre de esmeraldas
onde toda a lembrança se embala.
e vago, nos estilhaços das eras,
renascido em teu flamejar.

por fim, a alma do jardim da tranquilidade.
no casulo de seda que afaga as asas da luz,
em tempos do tempo sem tempo.
os tons de púrpura expandem-se
e a face límpida da liturgia cósmica emerge:
a densidade é o tecido do amor
o cântico a sua expressão.

encerro a tristeza em gomos de romã.
não para a esquecer, mas para a despojar.
pois as lágrimas de sangue são vida!
é por elas que a emoção é nutrida.
é por elas que suspiro na cripta sagrada do Ser.
pelas letras que fazem a poesia celeste,
nas névoas da água universal do reencontro.

descansarei,

verbo no Canto Único.

 

in Diálogos, Epístolas Inertes


… Nada Ser

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Nada sou!
E contudo, sou.

Sou, porque tu és,
porque fazes com que seja.

Vamos dar asas ao desejo.
Explorar o lugar onde o tempo pára
ou atravessar a pálida névoa
no cosmos das águas tranquilas,
onde reside o verbo,
onde o espírito se aquece
e a alma se refresca.

Vamos dar asas ao desejo.
Mergulhar no impulso do inúmero
ou calcorrear as cascatas do céu
no infindo das terras sagradas,
onde tudo é harmonia,
onde se vê o incomensurável
e se sente o improvável.

Sim, vamos dar asas ao desejo!
Deixar que ele nos leve à génese do ser
e ser qualquer nudez na fluidez do nada.

Se nada sou
e mesmo assim sou,
deixa-me Nada permanecer
e contigo apenas Ser.

in Interlúdios da Certeza


Auto-Retrato

a abstracção reflecte o nada.

[do nada – berço da criação – nasce a obra.]

 

ao nada desejo pertencer
para no campo da imaginação me perder
e no todo também ser.

 

in Espelhos e Outras Faces


Redenção

Quem me dera ter
a possibilidade
de percorrer
uma nova oportunidade.

Tentaria
os meus erros não repetir.
Não
para atingir
uma vivência de perfeição,
mas com a intenção
de os assumir.

Quem me dera
proferir
uma afirmação
e ter
a coragem
de os reconhecer.
Uma mensagem
elaborar,
na minha vicissitude
me encontrar,
e pela sua plenitude
me revestir.

Quem me dera
passar de ente incompleto
a um ser
mais completo.
Não
para me tornar mais,
mas para ser
um entre iguais.

Quem me dera
por essa redenção,
uma maneira de expiação
atingir.

O espírito sossegar,
a alma aliviar.

O meu todo reunir
e, assim, evoluir.

in Letras, Palavras e Linhas: Gestos pela diferença


Gratidão

Pensar é um dom.
Fazer pensar,
                            uma dádiva!

 

in Espelhos e Outras Faces


Apenas

há tulipas laranjas
nos ventrículos do rubi.

no imenso mar
do teu amar,
sou náufrago acolhido.

toda a paisagem pode ser preenchida.
mas abundância?

só em luz solar!


Exemplo

homem. normal. banal.

existo aqui,
no mundo da fragilidade.
onde um herói é desfeito
e um vilão satisfeito.

vivo neste meio.
e, nesta realidade,
confesso que o meu maior receio
é ser um exemplo.

não importa para quem!
não desejo dar a ninguém
semelhante fatalidade.

nenhum templo
quero ser.
a pedestal
algum intento ascender.

o bem – pouco – tenho feito.

sou homem!
como tal,
não sou perfeito.

mas se – para alguém – exemplo for,
espero causar pouca dor.

in Espelhos e Outras Faces


Escolhas

todos os instantes futuros
serão passado.

ditames do fluir,
pois nada é cativo senão livre.

fundamentos da consciência?
o pensamento do coração.

a redenção não é opção. é escolha!

como a Luz,
a Bondade,
o Ser Universal
e o aceitar do Místico que nos faz no Uno.

O tempo é maior que o tempo humano!

in Interlúdios da Certeza


Fotografias

Ao ver-te,
tão serena,
naquela fotografia
fiquei,
desprotegido,
desesperado.

Foi inesperado!
O que estava encerrado
foi desenterrado.
Outra vez recordei
tudo aquilo que, por ti,
sempre senti.

Sosseguei!
Ter-te,
é algo que nunca alcançarei.
Eu sei!
Mas sou agradecido
pela magia
desta sensação:
És uma fotografia,
viva,
no meu coração.

in √81 = IX ?