Escrevo

escrevo ampp

 

escrevo.
escrevo as linhas do silêncio.
mas os pulsos estão secos, ressequidos pelo desejo da pauta de outrora.
o amor caiu e só o corpo é confissão aberta, em relativa existência,
almejando o ardor da sombra que consome os resquícios da memória.

terrena?
terrena é a realidade dos braços, a fronteira que previne a tentação do preto,
repensando o vestir do hábito.
já terna é a orla das faúlhas, o percurso da chama na pele,
rastilho das ilusões.

escrevo.
escrevo o reconhecimento da melodia, os poros que rasgam as notas.
mas as bocas são horas infecundas de limites que vergam a ausência da esperança.
já ninguém semeia ou colhe as brisas vespertinas.

e eu escrevo.
escrevo o trilho do pó, as cinzas dos lábios.

in Antologia da Moderna Poética Portuguesa (página 281)

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