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Sensualidade

MMiana1

Podeis falar-me de deusas.
Mas, somente recordarei a beleza Humana!

You may tell me of goddesses.
But, I’ll only remember Human beauty!

 

 


(Re)EncontroS

sparkleplenty_fotos

(https://www.flickr.com/photos/47932340@N06)

.

Quando em matiz encarnada,
as palavras relevam-se fúrias
onde bamboleiam os orvalhos da entrega
e se eleva a súplica da contrição terrena.

Não há arrependimento!
Há calor. Humano. Desprendido. Selvagem.

Aos corpos que antecipam o toque
Acontecem os desmaios tectónicos do pensamento.
E na fragilidade do esboço chopiniano
exaltam-se os véus da miríade dos desejos.

Não há renúncia.
Há reconhecimento. Pleno. Singular. Ansiado.

E a saudade carnal cessa o choro
nos braços que se estendem.
Na capitulação ao acto,
o amor será consagração
e o passado será expiado no clamor do grito
que fará do futuro possibilidade.

A solidão é o primeiro passo do reencontro.
Sim. Do reencontro!
Porque o encontro foi a sua origem.

 

in Espasmos

 


às vezes, a única intenção é a curiosidade

How much I need the sun

.

às vezes, a única intenção é a curiosidade.

de vislumbrar o sonho
ou de levantar o véu da esperança

e sentir os cumes do corpo,
ou as curvas do mundo,
que fazem o pulsar do desejo.

às vezes, a única intenção é a curiosidade.

qualquer coração tenta
e se entrega curioso

!


(e)Namorados


Deep Forest Studies #4, originally uploaded by -: Al Bell :-.

.

.

!

raizes acontecem com fervor
no florir das buganvílias em saudade,
janelas abertas ao canto desejado.

e sente-se o manto lavanda do amor
que nutre as árvores do coração.


In Memoriam


VFS_0507b, originally uploaded by vfsphotos.

.

aos olhos do Criador,
nada sou.

aos olhos de meu semelhante,
mais não sou.

são os filhos que nos fazem eternidade.
mas a existência é efémera.

o coração chora.
porém, nunca esquecerá.

*

Hoje fui acordado com a notícia duma morte. Um Pai comunica a morte do seu Filho.
Dediquei um dos meus livros à minha filha Ana, que considero ter sido o meu primeiro passo na eternidade. Já dei dois. É o meu maior receio: perder um filho.
Não consigo imaginar o que o meu amigo e colega Abílio estará a sentir. Espero apenas que o Criador lhe conceda serenidade.
O poema infra não é novo, mas foi adaptado para a memória dum filho que partiu.

Para o Abílio!

Recordação

Quantas vezes nisto falamos?
Quantas vezes o expressamos?
Quantas vezes o receamos?

Se tivesse que morrer por ti,
de bom grado o faria.
Porque em ti e por ti,
a minha luz jamais se extinguiria.

Mas assim alguém não quis!
E foste tu, não eu, quem partiu.

E eu? Eu sou aquele que vive no alento
do reencontro,
alimentado pela tua recordação.

Sou aquele que no silêncio fala contigo,
aquele que receia que todas as palavras que diz,
que todas as palavras que contigo divido,
não cheguem para expressar os sentimentos que me inspiras.

Sou aquele que tenta,
em vão,
retribuir tal avalanche de sensações.

Sou aquele que ainda te deseja.
Aquele que deseja que os seus medos se transformem
em ondas que te aconcheguem,
refrescando-te nas noites quentes do Verão,
protegendo-te nos dias de tempestade do Inverno.

Sou aquele que não se satisfaz com tais desejos.
Porque nem a possibilidade de essas ondas te presentearem
com um constante renovar de quadros,
pintados por estrelas na tela da noite, seria suficiente.

Sou aquele que canta o desencanto
porque nada me encanta sem o teu encanto,
sem o teu ser,
sem o teu viver.

Sou aquele que não é jardineiro
mas que cuida do teu canteiro,
de todos os teus canteiros.
Porque tu és o meu jardim,
és todos os meus jardins.

Sou aquele que suplica ao sol
por mais um momento de luar,
para nele rever o teu rosto,
para nele te recordar.

Sou aquele que aguarda o aguardar
porque aguardar reencontrar-te é o que me resta fazer.
Aguardar, esperando.
Aguardar, olhando o mar
e desejando o além abraçar.

Sou aquele que ainda é teu.
Aquele que já era teu quando não eras meu!
Aquele que foi teu quando foste meu!
Aquele que continua teu, porque ainda és meu!

Sou aquele que não desiste.
Aquele que aqui, a custo, persiste.
Porque dói a tua lembrança.
Por nela depositar a esperança.

Sou aquele que tem de continuar
sem pensar em morrer.
Aquele que aqui continua a viver
para a tua recordação honrar.

E também sou aquele que para ti voltará.
Aquele que contigo ficará,
por todo o espaço do tempo
e por todo o tempo do espaço.

in 30 Mensagens de Amor e Uma Recordação


Apenas um vislumbrar!


Nude Beauty, originally uploaded by Katherine Chivers.

.

apenas um vislumbrar.

e as lágrimas são um novo universo
na ternura do teu corpo.

soluços acontecem
na tristeza da recordação,
que pede nova entrega.

quero honrar o teu templo.
como lábios abertos em retribuição.

entre nós, nada acabou.
há fogo a consumir
e tempo para sucumbir.

queres?


Ser(es)


Untitled, originally uploaded by hoodkitty.

.

Tens ideia do desejo que sempre provocaste?

Rendi-me às tuas ondas imediatamente.
Mas, o tempo passou.
Contudo, jamais te esqueci
ou deixei de te desejar.

Ainda hoje ouço o teu mar.

Aceita-me.
Em ti. Dentro de ti!


Dobrei a esquina – em dia de aniversário


VFS_6809b&w, originally uploaded by vfsphotos.

.

Dobrei a esquina.
Apesar de consciente da etapa, uma inconsciência serena fez-me durante o dia,
onde o tempo não decorreu. Sentiu-se!
E os afetos perfumaram as horas, criando uma poderosa espiral de carinho.

Dobrei a esquina.
A falsidade foi-se, deixando a sombra da recordação.
Não há que questionar. A diferença é fundamental ao esclarecimento.

Dobrei a esquina,
grato pelo desconhecimento do futuro.
Se sei o que é o amor?
Não!
O Amor não se sabe.
Presente-se, sente-se ou vive-se.
Só assim o fragmento é elo do todo e qualquer rasgar dá lágrimas.

E as lágrimas são o néctar do presente,
intemporal.

Dobrei a esquina.
E encontrei-te!


E Eu Sonho!


LOVE IS….., originally uploaded by jade2k.

 

nem sendo rasgada a impossibilidade esmaece.
apesar da ilusão da condição humana,
sonhar é um imperativo.

e eu sonho!
sonho porque já vivi,
já senti,
já beijei um sonho.

não importam as esquinas
nem as montanhas do céu.
jamais serás uma brisa
jamais serás esquecimento.

quanto a mim?
entrego-me às vagas do poente.
sim, do poente!
para retornar às raizes do tempo,
para obter a clemência do coração.

haverá, porém, caminhos sem obstáculos?
ou algo que ninguém observa?
existe um quarto sem janelas onde impera a tentação da fantasia.
mas não desejo universos contidos.
aceito a liberdade da existência.

repito. sonhar é um imperativo!

é assim que no sentir da esperança
ouso uma frágil prece

e persisto no Teu sonho.

 

in √81 = IX ?


dádiva(s)

Red Dawn, originally uploaded by -yury-.
 

sei que o sabes,
mas necessito expressá-lo.

é ao amanhecer,
que o meu corpo mais chora por ti!


Dia da Mãe ( Mother’s Day)


VFS_2473, originally uploaded by vfsphotos.

Para todas as Mães,
passadas, presentes e futuras,
que nos fizeram nascer.

O Fruto do Amor é entre Vós.
Obrigado!

=====

For all Mothers,
past, present and future,
that gave us existence.

The Fruit of Love is within You.
Thank you!

 


Não mais

VFS-2117

.

Se estivesses ao meu lado,
abraçar-te-ia.
Encostar-me-ia a ti,
para escutar o teu coração.

E,
nas praias desertas,
as ondas não mais seriam orfãs.

in Sentir


Perguntas

Silouette, originally uploaded by Bruehl, Holly.

 

 

Olhava para ti
rendido,
quando após um suspiro,
sentido,
perguntaste:
Que queres de mim?

Explorar – Respondi.
Quero explorar
a tua presença,
a tua amizade,
as tuas palavras,
o teu sorriso…
Quero o universo do teu ser,
conhecer.

Para assim,
com uma pequena parte de mim,
o preencher.

 

in 30 Poemas de Amor e Um de Recordação
Especial Dia dos Namorados


Poetas

 

os poetas são dragões azuis que
enchem as auroras dos sonhos,

estrelas que tombam em repouso,

Fénix que renascem em mãos despojadas
na entrega ao amor das guardiãs,

em desejo do futuro.

 


Estrela-do-mar

 

só os corpos sofridos atingem a redenção das águas.

vida sem dor é existência ser ardor
e os rasgos fazem pulsar o coração

onde gotas vermelhas contam o tempo
que mede o horizonte da iris.

a oscilação do desejo depende
do sussurro que chora pelo azul.

todavia, a palpitação dos grãos é real!

 

 


queres?


desire, originally uploaded by bcfp.

 

somos?
somos o improvável da manhã e a nuance nas árvores caducas.
somos o crepúsculo das flores e a luz que vela a noite.

somos?
somos a tristeza da separação ou a incerteza da espera.

mas o fogo acontece
e somos flama desprendida,
desejo imortal, ondas em perdição

toda a carne se quer, toda a alma se entrega
à intensidade do momento que gera o suspiro do corpo.

algures, o tempo permitirá o alento.

e o beijo fecundará o Verbo,
e a entrega acontecerá serena,
nos braços da paixão.

somos!
somos o inevitável!

queres?


Acontece Poesia


Beyond The Sea, originally uploaded by Bill Adams.

 

Acontece poesia em ti
sempre que olhas,
afirmando uma vida pulsante,
magnífica,
como
o cintilar das Estrelas no céu,
o resplendor brilhante do Sol
nos teus doces
e meigos olhos.

Acontece poesia em ti
sempre que ris,
criando umas curvas no rosto,
sensuais,
como
os campos de searas ao vento,
as ondas nas águas de um lago
ao sabor da quente
e harmoniosa aragem do Verão.
 
Acontece poesia em ti
sempre que andas,
alimentando o nascer de sentimentos,
sinceros,
como
o delicado desabrochar de uma flor,
o despontar do amanhecer da vida
no enternecido ser
do meu coração.

Assim,
quando
eternamente te penso,
te sinto,
te vivo,
por fim
acontece também
poesia em mim.

in 30 Mensagens de Amor e 1 Recordação


Lar da Espécie


The gate of all nations, originally uploaded by Shapour_3.

Nações! Raças!

Palavras vãs e fracos credos.
Fúteis criações do homem,
promotoras de divisões,
ameaças e medos.

Brancos, amarelos,
vermelhos ou pretos,
não importa nem interessa.
Somos da mesma espécie!

E não somos daqui ou dali,
deste ou daquele.
Somos filhos da Terra
e vivemos no mesmo lar.

Antes de ser branco, amarelo, vermelho ou preto,
o homem é espécie!
Antes de ser cidadão,
o homem é homem!

E não pode ser homem ou cidadão
se continuar a desrespeitar a terra.
Porque o lar da espécie é o mundo!
Que morre, lentamente,
entre as disputas das nações e das raças.

Nations! Races!

Vain words and weak faiths.
Man’s futile creations,
promoting divisions,
threats and fears.

White, yellow,
red or black,
neither is worth or matters.
We are of the same species!

And we are not from here or there,
from this or that.
We are children of the earth
living in the same home.

Prior to being white, yellow, red or black,
Man is species!
Prior to being a citizen,
Man is man!

And he can not be a man or citizen
if it continues to disrespecting the earth.
Because the world is home of the species!

Which dies, slowly,
between disputes of nations and races.

in Letras, Palavras e Linhas: Gestos pela diferença (2005)


Subtilezas


Imagine…, originally uploaded by Philippe Sainte-Laudy.

 

formações incompletas
e outras maravilhas,
subtilezas pequeníssimas,
entregam-se ao soalheiro do vento desconhecido.
unem-se para viajar ao uno!

só o impuro será puro!
em ervas altas e savanas douradas.
depois do amadurecer prateado,
em luas suspensas ou em fios purificados,
pela peregrinação no florescer da vida.

há entidades soltas,
auto-criadas em si
e constantes na omnipresença.
há veias inspiradoras,
simples elos que fazem o verde.
só assim se multiplicam os camaleões da natureza.
e são tantos! distintos.
com cores em tempos diferentes.

na neve a brancura é imaculada.
nada a invade. até o calor é devolvido,
depois de arrefecido em névoas intactas,
num beijo rejuvenescido,
profundamente sentido,
numa etapa que se refaz em amor,
pois tudo tem um papel determinado.

manifestações traduzidas em plural,
as subtilezas pequeníssimas são imensas!
todo o conjunto é singular.
e conjugável!
em si e entre si,
para que a diversidade se suceda.
assim,
não há mundo. há mundos!
não há vidas. há vida!

e o inverso também se verifica.
o todo é um ciclo evolutivo.
de vida e morte. de continua existência.
a que qualquer entidade se submete e se renova.
e acontecem minutos para a morte
como já anteriormente os houve em ser.

as lembranças permanecem o condão.
aguardando o reencontro com o espírito
no confronto da pressão e do tempo.
vislumbra-se aí o quão profunda é a eternidade.
e nada está fechado,
pois quando o corpo sucumbir abrir-se-á ao pleno
e será subtil e pequeno.
como deve ser! para ser em luz, em beleza, em pureza

por isso,
as ondas vibratórias na harmonia do cosmos
são subtilezas pequeníssimas.
permanentes demonstrações de louvor.
percebe-se que o princípio criador do todo é a desigualdade.
nenhuma vida é igual!
logo, qualquer uma é especial.

e o amor é o elo vital que nos une
no respeito por outras vidas.
e o amor que temos por algumas é superior.

sem vida não há amor e sem amor não há respeito à vida.

ser! amor! vida!
pela expressão de pequenas subtilezas.

 

in Diálogos, Epístolas Inertes


O infinito precisa de dois

Infinite Moment

Infinite Moment, originally uploaded by Accretion Point

 

no ondular da brisa
moldam-se as curvas das dunas.

frescuras diárias.
breves afagos.
verbos soltos.

e assim escorre o relógio da vida.

o infinito precisa de dois.

 

in √81 = IX ?


Sonhar

 
Chihuly in Space, originally uploaded by Stuck in Customs.

 

Sonhar
é
o horizonte alcançar
e o impossível tentar.
É
obstáculos ultrapassar
e talvez – os sonhos – concretizar.

Sonhar
é
a imaginação
ousar,
e desejar
uma visão
que origine criação.

Sonhar
é
uma faculdade
moldar.
É uma ténue tentativa
de uma realidade
cativa,
emancipar.

Sonhar
é
um impulso criador.
Algo
que não se consegue sem dor.

Acordar?
Só para atingir
o sonho,
que anseio repetir
aqui,
por ti,
sem nunca deixar de o abraçar.

 

in Letras, Palavras e Linhas: Gestos pela diferença

 


Distinguir

 

Nascer,
crescer
e continuamente aprender.

Ensinar,
identificar
e naturalmente classificar.

Distinguir,
perguntar:

Como se distingue um homem de um animal?
Como se distingue um homem de outro homem?

e consequentemente responder.

Um homem,
não se distingue
pelo que tem,
pode
ou obtém.
Mas sim,
pela atitude que toma
em relação a outro homem.

 

in Letras, Palavras e Linhas: Gestos pela diferença


Tempo de Viver

Poppy, originally uploaded by ToniVC.

 

O tempo de nascer
é tempo de morrer,
pois começamos a ir
no momento de vir.

Tudo o que desejo é ser capaz
de honrar o tempo que tiver,
                                                          para amar.

E quando o tempo, finalmente, vier,
                                                                       afirmar:

Fui audaz
e pude criar.

 

in Letras, Palavras e Linhas: Gestos pela diferença


Primordial


Wish You Were Here, originally uploaded by Stuck in Customs.

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deuses sorriem ao longe enquanto
vida acontece.

mas nós
a vivemos.
nós
somos essência

no lago da humanidade.