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(Re)EncontroS

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(https://www.flickr.com/photos/47932340@N06)

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Quando em matiz encarnada,
as palavras relevam-se fúrias
onde bamboleiam os orvalhos da entrega
e se eleva a súplica da contrição terrena.

Não há arrependimento!
Há calor. Humano. Desprendido. Selvagem.

Aos corpos que antecipam o toque
Acontecem os desmaios tectónicos do pensamento.
E na fragilidade do esboço chopiniano
exaltam-se os véus da miríade dos desejos.

Não há renúncia.
Há reconhecimento. Pleno. Singular. Ansiado.

E a saudade carnal cessa o choro
nos braços que se estendem.
Na capitulação ao acto,
o amor será consagração
e o passado será expiado no clamor do grito
que fará do futuro possibilidade.

A solidão é o primeiro passo do reencontro.
Sim. Do reencontro!
Porque o encontro foi a sua origem.

 

in Espasmos

 


No Corpo de Gaia

circled, originally uploaded by hkvam.

 

desejos latentes no etéreo
abrem-se paradoxalmente ao templo que se encerra.
as pálpebras das estrelas permitem brilho
às fendas escuras do horizonte,
sinalizando o trilho para o destino das almas.

há algo triste na tarde que se entrega,
mas toda a energia é panorâmica
e deixa um leque de sangue nas vestes amarelas.
nem o vento que arrefece as savanas
afronta essa dádiva onde pulsa carne divina.

espíritos animam os seios de Gaia
podando as auréolas dos cumes sagrados.
e chamas são erigidas nos altares,
louvando o corpo que soçobra em choque.

no limite da exaustão,
as danças produzem melancolias piroclásticas
que envolvem os membros despidos,
invocam sete palmos de água descendente,
refrescando os fragmentos ígneos da raiz da terra.

o movimento da miriápode celebração
igualmente avoca a presença dos druidas.
diversas fracturas são infligidas no Ânima.
e a ara fixa-se no pulmão da sutura,
velando pelo oxigenar das sementes de fogo:
quando o novo amanhecer acontecer,
aqui reflorirá o cântico do equinócio.

tenro é o período das ondas de renovação
mas sangue terá que correr para que outra seiva possa ser.
e o corpo desenterra-se da erosão imemorial do tempo,
anunciando o aligeirar do afélio interior.
vagarosamente, a trindade cêntrica estremece
despertando o poder da potencialidade absurda:
Energia, Espírito e Alma vibram para a plenitude.

ocorrem avisos anamórficos da auto-regulação
cuja amplitude devia chegar aos inquilinos desrespeitadores.
mas a atitude hodierna prevalece intocável
e não há consideração pelo que nos foi oferecido.

num provir isócrono que se gera por si só,
reavivados sussurros soltam o teleológico antigo
demonstrando a existência da ecosfera primária.

soam as horas atrozes do crepúsculo púrpura!
o tronco materno ruge sereno:
as águas sobem e os ventos ventam estranhamente,
desfraldando as abas do éter interior da cosmogonia holística.

o ente imenso recria-se para sobreviver ao impacto humano
e convulsões orgânicas surgem abruptamente desta cisão.
mas a semente da luz aguarda no ventre da Mãe terra.
uma nova dignidade emergirá e novas mãos a seguirão

nova era de esperança no respeito da lembrança.
em união omnisciente, no corpo de Gaia.


Nunca Acordo


Leaves & Sky, originally uploaded by stribs.
 

nunca acordo quando as brisas transcendem o sonho em amor.
relaxo, no embalo da cama de rede do êxtase sereno.
no sustento dos braços da amada queda-se a protecção da existência.
note-se a atracção mútua dos corpos!
mas as árvores continuam a desafiar a gravidade,
erguendo-se para o abraço dos céus.

há algo de deslumbrante
quando os dedos de anil transparente embalam as folhas em ternura.
é assim que os ramos hirsutos se renovam em verde vivo,
elevando-se como arquipélagos que abraçam a orla do mar celeste.

foi no principio que o verde se enamorou do azul!

desde então,
entrelaçam-se nas linhas do horizonte em afagos graciosos
que mergulham nos pomares laranjas do poente,
onde, no encurvar do sono, repousa a paixão.

nunca acordo quando as brisas transcendem o sonho em amor.
apenas me entrego ao assombro,

                                                                                 no espanto por ser!

 

in Anima Temporis