momentos

(re)Nascer

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É no sentir

das lágrimas

que desponta o amanhecer …


Feliz Ano Novo / Happy New Year (2017)

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Pleno de sensações, num ciclo que se renova, mais um ano chega ao fim. Tristeza e alegria. fracassos e sucessos, continuidade e mudança, surpresas e insistências e, principalmente, metas ultrapassadas e outras por alcançar, fizeram de 2016um ano preenchido por dias intensamente vividos.

Não há nada melhor do que uma sucessão de dias assim vivenciados. Nada se conhece sem se experimentar a diferença. Foi nesta certeza que continuei a aceitar e a respeitar os outros como eles são e não como eu gostariam que fossem e que igualmente solidifiquei uma das minhas mais antigas convicções: dizer o que penso e não o que os outros querem ouvir!

Um ciclo que se renova pode transfigurar-se e espero que assim aconteça. Todavia, também acredito que o próximo ano prolongará a faculdade de utilizar as minhas capacidades em prol da comunidade, pois igualmente é minha convicção que trabalhar para o conjunto possibilita a progressão individual. Como tal, desejo que desta consciência advenha mais humildade. Só assim poderei evoluir como pessoa e cidadão.

Este é o meu desejo para 2017: que continuem a ajudar-me a ser uma pessoa melhor!

E seja qual for a vossa preferência – saúde, paz, amor, paixão, sexo, poesia, exercício físico, trabalho, dinheiro, etc., – é o que vos desejo para 2017.

Feliz Ano Novo!

My wish for 2017 is: to keep counting with your help to be a better person!

Whatever may be your preferences – health, peace, love, passion, sex, poetry, physical exercise, work, money, etc. – that will be my wish for you all in 2017.

Happy New Year!


Boas Festas / Happy Holidays 2015

VFS_1144 Natal 2015

Circulamos pelas estrelas num ciclo que se renova anualmente.
Esperando que esta época permita uma ligação mais forte com o Criador, fortalecendo nossa vontade de ser melhor,
Feliz Natal e Bom Ano Novo!

We wander through the stars in a cycle annually renewed.
Hoping that this season will allow a stronger bond with the Creator, strengthening our will to be better,
Merry Christmas and Happy New Year!


O Bosão do João

88 poemas

A minha poesia foi incluída na compilação organizada por Rui Malhó (que ainda não tenho o prazer de conhecer pessoalmente), O Bosão do João88 poemas com ciências.

Integralmente inesperada, é uma imensa honra ter sido selecionado para fazer parte duma obra que versa a transversalidade multidimensional da poesia nos multiversos da ciência e uma enorme responsabilidade por estar entre tão excelsa companhia.

Ao autor, o meu mais sincero agradecimento!

… Nada Ser
Do Quotidiano
Dia de Aniversário!
Revestimento
en_CRUZ_ilhadas
Membranas
Breve incerteza
Tapeçarias
Máscaras
Arbítrio
Rupturas


Destino(s)

Do you believe in destiny ?

Há linhas destinadas a reencontrarem-se.

O que está por escrever,
é a decisão do momento.

=====

There are lines destined for reencounter.

What is unwritten,
is the decision of the moment.

in Livro dos Pensares e das Tormentas, 153, 5 de Julho de 1998


Boas Festas / Happy Holidays 2014

VFS_6697 Natal 2014

 

Wishing that the Creator’s Light shine over you,

and your family,

keeping all safe.

Merry Christmas and Happy New Year!
.


Hope / A esperança suaviza as lágrimas!

Georgia

Sei que não farás amor comigo,
mas deixa-me ter esperança

para suavizar as minhas lágrimas!

.

I know that you won’t make love with me,
but let me have hope

to smooth my tears!

 


Em dia de aniversário

sequoia-1 https://www.flickr.com/photos/51652977@N00/3855301362/in/faves-25631517@N08/

!

os dias que se sucederam são ténues poeiras,
que fazem o desenrolar do continuum.

todo o pirilampo é breve na antecipação da aurora.

sente-se o estremecer do tempo cósmico.
renascimentos acontecem no silêncio dos sorrisos.

hoje, em mim, houve futuro.

e, fiz-me, tempo,
antigo,

em comunhão quântica.

 

days that succeeded are pale dust,
doing the course of the continuum.

all firefly is brief at dawn’s anticipation.

one feels the shiver of cosmic time.
renaissances occur in the silence of smiles.

Today, in me, there was future.

and I became, time,
ancient,

in quantum communion.

!

 


Aforismos (15)

Os valores não foram relativizados.

Foram atomizados!


Eusébio da Silva Ferreira


Eusébio da Silva Ferreira, originally uploaded by vfsphotos.
Direitos de autor da foto pertencem a: http://revistafutebolista.blogspot.pt

.

No verde de linhas brancas,
brilhaste!

Foste força,
humildade,
arte e feitiçaria.

Mesmo contra as circunstâncias,
sempre acreditaste.
E quando não conseguiste,
choraste!

Pantera Negra,
negro o teu coração nunca foi.

Foi e é puro!

Eusébio,
Já não és só teu
– como cedo descobriste –
És nosso!
[E também és meu!]

Obrigado.

escrito a 25 de Janeiro de 1992 in Odes & Homenagens


Boas Festas / Happy Holidays


VFS_6728capa, originally uploaded by vfsphotos.

.

Desejando que a Luz do Criador vos ilumine,
Bom Natal e Feliz Ano Novo!

Wishing the Creator’s Light shine over you,
Merry Christmas and Happy New Year!


Agradecimento

A todos os que estiveram no Serão da Bonjóia, dedicado à minha escrita.

Soltam-se as amarras das vozes.
Notas expressam-se. Distintas!
E a tempestade abraça as marés.

Abrem-se as janelas de outrora.
Respondem ao choro de Mozart.

As lágrimas contidas são as que mais sofrem.
Contudo, velam o silêncio.

São os olhos que saciam o coração
ou é a redenção do beijo que o faz?

Aquele que se rende também é divino,
vertendo-se ardor e compasso,
unindo os pulsares da sala.

Os braços são pequenos.
Mas o meu coração cresceu!


Sessão de poesia – Quinta da Bonjóia

bonjoia


Aforismos (12)

Queres fazer mais e melhor?

Só com ajuda de outros!


Boas Festas / Happy Holidays 2012

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Que a Luz do Criador seja sempre uma constante!

May the Creator´s Light always be constant!

 

FELIZ 2013!


Boa Páscoa / Happy Easter

DSC_1667, originally uploaded by vfsphotos.

que esta Páscoa concretize a passagem para uma atitude melhor.

e que as palavras sejam o primeiro passo para essa redenção viva, aquela que ilumina o espírito humano e que significa a renovação dos elos que nos unem em comunidade
e que nos fazem florescer no MultiVerso!

===

may this Easter materializes the passage to a better attitude.

and may the words be the first step to that living redemption, the one that illuminates the human spirit and meaning the renewal of the ties that bind us together as a community,
thus allowing us flourish in the multiverse!


Feliz Ano Novo/Happy New Year!

 

A raiz da mudança está em nós!
Assim, desejo que os vossos sonhos se concretizem.
Feliz 2012.

The root of change is within us!
Thus, I wish that your dreams come true.
Happy 2012.

 


Feliz Natal / Merry Christmas

 

Que a luz do Criador ilumine o nosso caminho!

May the Creator’s light illuminate our path!

 


de Férias!


S. Pedro 1922, originally uploaded by vfswa.

 

no embalar do multiVerso!

 


Agradecimentos – 30 Mensagens de Amor e 1 Recordação – Porto

Na tarde de hoje, 12 de Fevereiro de 2011, apresentei o meu quinto livro de poesia – 30 Mensagens de Amor e 1 Recordação – na presença de famíliares e amigos, todos apreciadores de poesia. Melhor não seria possível!

Agradeço a todos os presentes, fisicamente e em espírito, e reitero a minha gratidão ao meu editor, Jorge Castelo Branco, que acredita nas minhas palavras, à prefaciadora, Maria Luísa Malato, à posfaciadora, Hercília Fernandes, poetisa brasileira, e à Luísa Azevedo, que gentilmente deu voz aos meus poemas.

Numa ténue tentativa de retribuição, reproduzo algumas das palavras que me dedicaram.
Muito obrigado!

Estamos aqui reunidos para o lançamento deste livro, já prometido, aquando do lançamento em Outubro do ano passado de “Diálogos, Epístolas Inertes”. Oportuno dizer que seria este o livro que o autor mais vontade tinha de ver editado, na altura, mas subjugado foi por motivos menos românticos e mais materiais: Fevereiro e o Dia dos Namorados.
Como tal, achamos oportuno trazer a público, nesta data consagrada ao amor, um poemário que, no nosso entender, nos reconcilia com a poesia amorosa, empenhada que está, ultimamente, ela e os seus autores, em abordagens piegas, sensaboronas e insípidas, por um lado, ou dramaticamente pungentes, perpassadas de dores tais que fará o mais desprevenido dos leitores desejar-se beato a salvo de tão horriveis flagelações.
Oportuno dizer que escrever poemas de amor é tarefa difícil à qual nunca me atreveria; acabaria desde logo com a minha racionalidade. Depois, pela responsabilidade da tarefa: todos bem sabemos que o amor não pode ser empiricamente comprovado nem tão pouco demonstrado, apenas sentido. Ora, o efeito de um livro de poemas de amor, por consequência, será, idealmente, a capacidade do poeta em projectar por palavras e imagens poéticas algo em que o leitor comum se reveja, solidária e apaionadamente. Assim, estes 31 poemas, que o poeta escreve a destinatária certa, poderão proporcionar mês inteiro de felicidade a outro alguém.
Muito obrigado
Jorge Castelo Branco

Para uma Poética do Enamoramento
Por Maria Luísa Malato

Para falar de amor é preciso procurar as nossas origens, ir até ao mais fundo, ao mais remoto de nós. Os nossos primeiros gestos, todos desajeitados, as nossas primeiras palavras, todas novas. As primeiras lembranças que temos de ter pedido alguma coisa qualquer coisa que sabíamos fazer-nos falta. É aí que vamos encontrar o que dará origem à poesia e ao amor, é aí que vamos poder fundar a poética do enamoramento. Os académicos do século XVIII preocuparam-se muitas vezes com estas minudências: que língua falavam os homens quando começaram a falar?, que sons lhes saíram da boca que não fossem gritos vissem senão cadelas e velhas, uma palavra aramaica, francesa ou alemã lhes sairia dos lábios, demonstrando a antiguidade da religião judaico-cristã ou o primeiro testemunho da existência da nação. A maior parte das crianças morria antes de atingir sequer a idade da fala, por falta de condições ou por falta de atenção, sabendo-se hoje que levam ambas a morte quase certa. Nas raras que sobreviviam, os solícitos cientistas invariavelmente encontravam o que procuravam, uma palavra que reconheciam, quase sempre com “mm” e “aa”, que afinal bem podia ser a imitação dos animais com que as crianças conviviam. Mas talvez a explicação mais fácil se encontre no corpo. O som “a” é a vogal mais fácil de pronunciar pelo aparelho fonador: a boca aberta, a língua baixa, o ar sai passando intacto pelas cordas vocais. O “a” sai de nós com a mesma naturalidade do espanto, da gargalhada ou do grito: aaahhh. O som “m” é a consoante que mais se lhe assemelha, mas o ar ai, com os lábios levemente cerrados, bilabiais, sem que haja necessidade sequer de premir os lábios, mas fazendo vibrar as cordas vocais, soltas: é como se fosse um longo gemido, de prazer ou de queixa: mmm. Juntos, levemente nasalada a vogal, saem com o véu palatino descontraído, mal fechando as fossas nasais. As mães fizeram certamente batota quando reservaram para si estes sons na maior parte das línguas do mundo: quase todas com “m” e “a”, “m” e “e” central e médio, ainda ou sobretudo nos diminutivos carinhosos: mãe, mamã, madre, mummy, mother, muther, moether, moder, umame, umme, man, mat, mam, me…
Para dizermos “pai”, ou ainda “papá”, o bebé aprimora a cavidade bocal. Já sabe jogar com os sons, já fez bolinhas com a saliva, divertiu-se a acumular o ar junto aos lábios cerrados com força e a de repente soltá-los como balão que se pica: pppp, bilabial como o mmmm, mas agora oclusiva e sem a vibração das cordas. Os sons que designam o pai são já sinal dessa força que é preciso ter para representar a “virilidade” muscular. À naturalidade com que pode sair-nos da boca a palavra “mãe” corresponde a igualmente necessária disciplina com que nos sai a palavra “pai”. Talvez não seja por acaso que muitas línguas opõem a naturalidade silenciosa da palavra “amor” à disciplina violenta da “paixão”. Nascemos do pai e da mãe. Como a poesia nasce da união do amor com a paixão, um doce, outra violenta, curiosamente trocados os artigos, como se o “o” do amor fosse a ponta negra do yang, diurno, e o “a” da paixão a ponta branca do yin, nocturno, alertando-nos para o quão falíveis são as divisões entre o masculinno e o feminino. Nos poemas de Vicente Ferreira da Silva, é também evidente essa mesma tensão: “Acontece poesia em ti/ sempre que olhas/ afirmando uma vida pulsante (…) Acontece poesia em ti/ sempre que ris/ criando umas curvas no rosto (…) Assim/ quando/ eternamente te penso (…) acontece também/ poesia em mim” (p. 13).
Para falar de amor é preciso sabermos que não nos bastamos. Toda a nossa identidade, construída laboriosamente á volta do “eu” e do “tu”, como se duas coisas autónomas fossem no universo, se desejam agora fundir num estranho “nós”, um singular-plural em que o “eu” e o “tu” se perdem ou se não conseguem bem encontrar: “Eu sou eu/ por tu seres./ Sou!/ Sou tu e eu/ sou nós./ Serei/ por ti/ nunca mais eu” (p. 25). O não nos bastarmos, porém, tem os seus perigos. Os perigos do amor, que são os mesmos que a guerra tem e por isso se dirá sem dúvida que no amor e na guerra vale tudo. Há no amor um dissimulado colonizador do “tu” que deseja tomar posse do seu território, o território do “eu”, filho dilecto dos deuses. Posse, bandeira, padrão, “pertença”: “Explorar – respondi./ (…) Quero o universo do teu ser,/ conhecer/ Para assim/ com uma pequena parte de mim/ o preencher” (p. 39). E por isso o“nós” está sempre por fazer ou refazer, exigindo “Viagens”, “Transformações”, “União”, “Dádiva”: “Procuro-te/ incessantemente./ Desejando/ que sim” (p. 45).
Para falar de amor é preciso enfrentar a desordem do discurso. O amor é um querer incompleto, por fazer, e por isso ao amoroso incomoda a frase feita, a sintaxe ordenada e fechada, como se o mundo estivesse todo feito. O amoroso sabe do seu estado fragmentado e nada mais lhe saem da boca, nada senão fragmentos, como ele estilhaços. Frases nominais, sem sujeito ou predicado, repetições, tentativas sempre imperfeitas. Busca-se em vão o adjectivo exacto, o termo rigoroso para o caos: “novos,/ opulentos,/ partilhados,/ queridos,/ responsáveis,/ sinceros,/ tentadores,/ únicos,/ variados,/ Xpto’s/ zodiacais./ És uma sucessão…” (p. 41). As palavras são peças de um puzzle, ainda sem um sítio certo: “A paz que me dás./ O amor que me tens./ O bem que me fazes” (p. 67). O amador demora-se nas hipérboles, só elas lhe parecem verosímeis, porque toda a atenção amorosa se centra em pormenores, peças soltas desmedidamente ampliadas: “Eu me ouso” (p. 61).
Para falar de amor é preciso amar, ainda que mal. Mesmo se para amar não seja preciso falar de amor e ele somente o peça como o código pede a formulação da lei, uma lei performativa, que seja real porque diz que é real: “Mas nunca pensei que as minhas palavras pudessem ser razão./ É por isso que me desprendo da mudez./ Porque amo o verbo” (p. 76). O amor ilude-se com as “declarações de amor”, as “promessas de amor”, as palavras. E por isso busca um estatuto literário, de estranhamento instituído: entre a declaração de amor, “Amo-te!” e o reconhecimento de “Ser amado” se instale um “Âmago” de discussão, âmago oco porque não resolvido pelo discurso: “Tu perguntas? Eu penso!/ Não sei porque […]/ Não sei porque […]/Não sei porque […]Não sei porque […]/ Tu perguntas? Eu respondo./ Não sei explicar […]”. Como também por vezes se basta com a mais comum das declarações: “Amo-te/ em todos os momentos./ Amo-te/ mesmo nos momentos/ que não são momentos/ nem pausas, porque até nas pausas te amo” (p. 65).
Para falar de amor é preciso desafiar o nosso manifesto interesse em ser amado. É aceitar afinal não ser amado e amar desmedidamente sem retorno, sem paixão e sem jogo, amor coxo, é certo, órfão de pai, mas fiel a um contrato injusto. Ainda assim naturalmente doce e fluido. Significativamente “30 mensagens de amor e uma recordação” são 31 dias de um monólogo que busca constantemente o diálogo, interpelando o outro, suplicando, recordando, prometendo, afeito a um “amo-te” que se transforma em “amei” ou “amar-te-ei”. Dádiva em todo o caso: “E seremos criadores do tempo. Nunca mais sozinhos ou transviados, mas entregues ao bater do coração, no embalo do sentimento que nos faz e preenche” (p. 82).
Para falar de amor é preciso falar do caminho que vamos abrindo ao caminhar. Caminho nunca feito, sempre a repetir, até o trigo e o joio desistirem de tapar o âmago de onde todos nascemos. Os nossos primeiros gestos, todos desajeitados, as nossas primeiras palavras, todas novas. As primeiras lembranças que temos de ter pedido alguma coisa, qualquer coisa que sabemos fazer-nos falta.

E, por fim, reproduzo uma carta que a Hercília Fernandes escreveu como resposta às 4 cartas que são oferecidas no livro, todas elas começando por: Minha Querida.

Caro Vicente,

sinto as tuas palavras como ondas eletromagnéticas, tamanhas as forças a nos atrair os sentidos, os pensamentos, convidando-nos à vida, à beleza, ao multiverso.
Imensos e ínfimos são os teus sentires. Assim como as laudas que, ora unidas, separam-nos os Oceanos…
Falas-me: “Cada um de nós cria os seus mecanismos para lidar com os sentimentos”. E metaforizas: “a geografia é uma esquina escondida”.
Bem sinto a tua ‘emoçãofísica’… A tua metáfora alçada na simplicidade da expressão, simultaneamente lapidada no complexo festim dos conceitos quânticos.
O sentimento, afetuoso amigo, sopra-nos contínuas e descontínuas proximidades, mas as distâncias consumem-nos as ânsias quando edificadas sob abismos.
Pois há areias em nossos olhos. Mudez em nossas línguas. Surdez em nossos ouvidos…
Há, ainda, rudeza em nossas mãos que não dispõem perspectivas às infinitudes do toque, mostrando-nos incapazes de ultrapassar fronteiras, os imediatismos das sensações, os dedos…
Dizes, meu querido, tens pensado a palavra sentida…
É essa palavra que procuro expandir-te. Somente assim poder-me-ia alcançar-te, unir-me a ti nesse sonho tardio, móvel, acordado…
Pois essa palavra interessa-nos à poesia. É essa palavra, como bem disseste, origem do pensamento sentido; guia-nos aos sonhos e confere unicidade ao instante poético, por isso mesmo ressoa e repercute nos sentidos, sentimentos e conceitos dos que a lêem, transformando-os.
Posto ser ancestralidade e infinitude. Élan entre memória e imaginação: devaneio.
E é no devaneio [poético] que nos tornamos Uno. Abrimos (des)caminhos à múltiplas potencialidades, vivências estéticas, experiências cósmicas, capazes de nos restituir a plenitude de nossa primeira constituição.
Falar-nos-ia um filósofo sonhador que o poeta não recua diante um gesto cósmico. Em sua ardente memória, o poeta sabe sê-lo um gesto da infância: como duvidar de um amante que por amor a sua amada ambiciona “apanhar a lua ”?…
Não temas em atrever-te, meu querido. As tuas palavras são melodias emergidas da solidão do poeta, do silêncio inaugural em que ressoam as “cordas da Harpa do Cosmos”. Por isso há – como pretendera a engenhosidade do Físico -, de apanhar-te a Lua, oferecê-la à tua Amada, unificando os corpos que, celestemente, habitam-nos os sonhos.
És um sonhador. Custa-te a longevidade do tempo e o curto espaço de separação… Tua alma clama poesia, daí a natureza de tua ‘emoçãofísica’, de tua ardente recordação, de tua saudade. Porém, tu sabes: “a lua, esse grande pássaro louro, tem seu ninho nalguma parte da floresta ”.
E, nessa parte ínfima, há realidades (im)possivelmente críveis…

Com a sinceridade dos afetos,
Sua Querida


30 Mensagens de Amor e 1 Recordação

Convido-vos para o lançamento do meu mais recente livro,

 

 

Sábado, 12 de Fevereiro, 16:30, na Reitoria da Universidade do Porto

Apresentação pela Maria Luísa Malato
Declamação por Luísa Azevedo


Feliz Natal / Merry Christmas


🙂, originally uploaded by OneEyedJax.

 

 

Paz / Peace

 Amor  /  Love

Tolerância / Tolerance

Compaixão / Compassion

Boa vontade / Goodwill

Fé / Faith

Crescimento interior / Inner growth

na comunhão social / in social communion

 


Agradecimentos – Diálogos, Epístolas Inertes – Lisboa

No passado domingo, apesar das circunstâncias originadas pela Cimeira da NATO, apresentei o meu último livro de poesia em Lisboa, num ambiente intimista, rodeado de amigos, meus e da poesia. Não podia pedir mais. Nem peço!
Agradeço a todos os presentes e reitero a minha gratidão ao meu editor, à Maria Azenha, cuja voz deu e dá vida aos poemas, e à Maria do Sameiro Barroso, que verdadeiramente me surpreendeu nas palavras que dedicou, a mim e ao meu livro, e que aqui, ainda emocionado, reproduzo.

Muito obrigado!

 

“DIÁLOGOS, EPÍSTOLAS INERTES”

Vicente Ferreira da Silva

PALAVRA, (DES)ENCANTO (IN)FINITO

Neste livro de poesia, o quarto de Vicente Ferreira da Silva, a palavra constitui-se a partir do próprio movimento da criação, suspensa entre cânones, símbolos, imersos na vastidão da sua génese. Respiração original, fonte e redenção fundam as suas linhas na ôntica espiral que liga o ser e o cosmo. O universo abre-se, subitamente, para celebrar o amor, o orvalho, a harmonia, a fugacidade dos seres. Entre fingimento e verdade, a procura mais íntima apreende o uno, o múltiplo, o vazio, o plural, a partir do sonho e da metáfora onde a realidade se desagrega e a matéria poética se transforma.
Os “mitos”, os “ritos”, as “mesas de café” convivem lado a lado. Topázios de luz percorrem esta escrita, balizando o eu e o infinito num quotidiano talhado entre o ser e o nada. Harmonizam-se descontinuidades, opostos. Cada civilização cria os seus deuses. Na sua ligação com o transcendente, o homem confronta-se com a esperança e com o logro. À criação dos deuses, soma-se a existência dos ídolos e dos deuses menores. É com eles que “as criaturas” devem partilhar os “pés de barro” (p. 38).
Portadora de uma mensagem lúcida e desenganada, esta poesia verte, no entanto, em si, “sangue iluminado/cantos nocturnos” (p. 39) no espaço da identidade consubstanciada no “lugar-casa” (p. 39), habitação que o amor potencia a tudo se sobrepondo na sua totalidade. Os poemas nascem de novas ondas que sempre se renovam e a infância acorre:

“A nossa infância foi aqui!
aí criamos estrelas” (p. 47).

A tradição, retomada no segundo poema do livro, remonta aos alvores das civilizações, à beira do primordial, abarcando “hieróglifos”, impressos nas “enseadas” onde:

“as nuvens são hieróglifos magnéticos
suspensos do tempo azul” (p. 15).

O diálogo não é apenas o movimento autor para o leitor, mas uma leitura entre outros tempos: “inconstante é o diálogo/entre as eras” (p. 49). Conhecer o passado? Conhecer o presente? Entender o presente, conhecendo o passado? Este é o movimento que urge porque “permanente é o desejo de criação” (p. 49). É nele que o caos, amálgama informe, cria novas harmonias, como se pode ler no poema “Vida”:

Dançam os tons das eras nos espasmos da criação.
instantes únicos,
fazem o colectivo do tempo.

nem os receios da génese se afastam.

quanta beleza há no caos?(p. 18).

No espaço do texto, o universo dita a medida das palavras, que o quotidiano estreita e onde o desencanto se afunda. Algo como o próprio tema da “morte da arte” ( Umberto Eco, A definição da Arte (La definizione dell’Arte, U. Mursia & C.,1968, 1972), tradução de José Mendes Ferreira, Edições 70, Lisboa, 2008, p. 123) parece pairar, nos paradigmas da modernidade, dos quais emergem as novas poéticas. É neste caudal, que Vicente Ferreira da Silva inscreve a sua inquietação ontológica, reinventando formas, conteúdos e normas, seguro que, tal como expressou Umberto Eco:

«Não pensamos através do corpo, mas com o corpo. A Beleza não é um pálido reflexo de um universo celeste que entevemos com esforço e realizamos imperfeitamente nas nossas obras: a Beleza é esse quê de organização formal que sabemos extrair das realidades que nos tocam dia a dia.» (Umberto Eco, A definição da Arte, p. 201).

Nesta poética, em que “todo o silêncio nos faz tempo supremo” (p. 50), a coerência institui-se no diálogo com a beleza, reconstituindo o mundo intacto e primordial dos afectos e dos seres. Tal como definiu Jean Cohen:

“O mundo poético é o mundo humano e a poesia é o mundo que o descreve na sua verdade.” [Jean Cohen, A Plenitude da linguagem (Teoria da poeticidade) (le Haut Langage: theorie de la Poeticite) Coimbra, Almedina, 1987, p. 157].

Na inquietação que Vicente Ferreira da Silva revela na sua poesia:

“as cartas escrevem-se em letras transparentes
e reescrevem-se permanentemente” (p. 52).

O processo criativo é formulado com toda a dor e angústia que subjaz aos processos naturais de crescimento, patente no poema “palavras-lágrima” (p. 57). Na realidade:

“ninguém sabe por que se medem as distâncias da separação
ou porque choram os diamantes pelo tempo de carvão” (p. 66).

Consciente dos limites do homem, mas desperto também para outros níveis da realidade que a poesia desperta, no que Paul Valéry caracterizou como o estado poético (Paul Valéry, Discurso sobre a Estética, Poesia e Pensamento Abstracto, tradução Pedro Schachtt Pereira, Lisboa: Vega, 1995. p. 63), com os quais a escrita se estabelece como uma ponte ou uma continuidade:

“a morte é um ciclo que se desenrola em simultâneo vigor.
apenas o som é diferente do fulgor da vida. (p. 75).

Segundo Emmanuel Lévinas: “O tempo não é a limitação do ser, mas a sua relação com o infinito. A morte não é aniquilação, mas questão necessária para que esta relação com o infinito se produza.” (Emmanuel Lévinas, Deus, a Morte e o Tempo (Dieu, la Morte t le Temps), tradução e nota de apresentação Fernanda Bernardo, advertência e posfácio Jacques Rolland, Coimbra: Almedina, p. 45.).
Por isso, às “cinzas. cinzas sem Fénix” do poema que abre o livro “Cânones”(p. 13) que remetem para o desencanto da realidade do quotidiano, vão-se sobrepondo:

“estrelas que tombam,
rasgam a noite
como Fénix prometidas.” (p. 47).

Pela mediação poética, segundo Paul Valéry: “O poema não morre por ter vivido: ele é feito expressamente para renascer das cinzas e para infinitamente se tornar naquilo que sempre terá sido.” (Paul Valéry, Discurso sobre a Estética, Poesia e Pensamento Abstracto, p. 79).
Nas suas potencialidades, a poesia transfigura e transforma, tal como expressa Vicente Ferreira da Silva, enunciando o eixo sobre o qual se desenrola toda a criação:

“toda a pedra se abre!
dela irrompe a metamorfose do ouro (p. 61).

Na formulação de espaços sucessivos, o poema transcende o endo-espaço do eu poético, dilatando-se numa sucessão infinita. Ao poema “Morte” (p. 79), segue-se o último poema do livro “Peregrinação” (p. 80).
Para Emmanuel Lévinas: “A morte não é então o acabar de uma duração feita de dias e de noites, mas uma possibilidade sempre aberta.” (Emmanuel Lévinas, Deus, a Morte e o Tempo, p. 70)
E Vicente Ferreira da Silva interroga: “É verdade que o arpão das trevas é complacente?” (p. 79).

Maria do Sameiro Barroso

Vicente Ferreira da Silva
“Diálogos, Epístolas Inertes”
Edium Editores, 83 páginas.


Diálogos, Epístolas Inertes

 

Convido-vos para o lançamento do meu novo livro

 

 

 

 

Sábado, 9 de Outubro, 17:00, na Reitoria da Universidade do Porto

Apresentação pela Teresa Tudela
Declamação por Luísa Azevedo