Ómega

The Temple of Poseidon, originally uploaded by photogon.

 

 

penso no princípio.
na chave em voz. no quarto que origina a vontade.
penso no principio porque não sei se o escrevi.
tantas são as certezas como as loucuras.
e rio no quarto. sozinho. no embalo do eco
onde se desfralda a língua do silêncio.

mas há vozes audíveis!
rompidas pelos desertos em concepção
na alegoria do quarto já percorrido,
quase preenchido em vazio,
que por um acaso – triste, alguns dirão –
é ocupado pelo choro dum bebé recém-nascido,
no desfragmento do desejo.

talvez o tempo seja sustido por um suspiro. talvez?
no entanto, propago-me.
e acontecem incógnitas sensoriais nas equações espaciais,
vibrações que moldam deltas em fluxo ritmado,
numa sinfonia de sossegos compassados.

ah! trapezistas audazes.
que se abraçam no etéreo, solto,
na vigilância da harpa indomável.
também quero um desfragmento inteiro.
também quero voar num espaço sem rede.
talvez assim consiga recriar o instante.
ou sair pelo caminho mais curto.

mas as paredes continuam caladas
e a linguagem não exprime o sentir.
como queria retornar ao local do encontro!
mas o quarto não é um talvez,
nem esconde deliberadamente a fechadura.
sem escrita não há memória.
sem voz, que haverá?

e eu penso no princípio.
penso no princípio porque desejo o futuro!

 

in Diálogos, Epístolas Inertes

6 responses

  1. Elsa

    Cristalino…fabuloso Vicente.
    Um abraço

    Março 3, 2012 às 14:23

  2. e eu penso no instante. penso no instante porque vivo

    o Agora de Amanhã.

    Abraços
    Jorge Vicente

    Março 3, 2012 às 16:23

  3. inatngivel

    EXCELENTE, Vicente!

    As vibrações geradas pela voz, pela escrita e pela memória, permanecerão até que o tempo encerre as corynas. Enquanto houver vida e um poeta para descrevê-la, o espetáculo dos silêncios e desertos, continuarão.

    Beijos, poeta!

    Mirze

    Março 3, 2012 às 16:43

  4. “penso no princípio porque desejo o futuro!” O futuro como continuação de um começo?

    Março 3, 2012 às 18:00

  5. José António Rodrigues Carmo

    Malabarista das palavras…

    Março 4, 2012 às 12:00

  6. Vicente!

    Se possível fosse, recriar o instante onde o mundo parece desmoronar.

    Belo!

    Aproveito para dizer que meu blog foi excluído, mas meu endereço de email é: smirze9@gmail.com

    Obrigada e beijos

    Mirze

    Abril 23, 2012 às 13:25

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