Vozes d’outros (30)

Dá-me de beber …

 

“Dá-me de beber em tuas mãos
uma nesga do céu
sem coares as nuvens… que passam.
Morde (se quiseres)
a romã entre a rosa e o amanhã.
Prisioneira de um mito
liberta-me (se quiseres)
na próxima primavera:
puxa-me as verdes tranças
arrebata-me do trono e de seu rei obscuro
Leva-me (se quiseres) em teus braços
para onde fores e seremos primavera.
As primícias serão tuas:
as mais belas campânulas
tilintando ouro ao sol
prata sob a lua.
O que dizer do que seremos
se mudamos a cada gesto?
Dança pura.
Dá-me de beber em tuas mãos
uma nesga do céu
sem coares as nuvens que passam.”

 

Dora Ferreira da Silva (1918-2006)

4 responses

  1. Excelente!

    Parabéns, Dora Ferreira da Silva!

    O pedido de “beber em tuas mãos”, une o ato de humildade e confiança. “Uma nesga do céu, sem coares as nuvens”… néctar do líquido que receberás. Essência maior pelas mãos que escolhestes.

    Maravilhoso!

    Beijos

    Mirze

    Julho 2, 2011 às 11:43

  2. Maria José Fabião

    Muitos parabéns pela escolha.

    O que dizer do que seremos…

    Bjs.

    Julho 3, 2011 às 17:40

  3. AD

    Gosto muito da sua selecção de outros poetas

    Julho 9, 2011 às 23:52

  4. Isabel CL

    Neste blog bebe-se sempre boa poesia.

    Julho 9, 2011 às 23:54

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