Subtilezas


Imagine…, originally uploaded by Philippe Sainte-Laudy.

 

formações incompletas
e outras maravilhas,
subtilezas pequeníssimas,
entregam-se ao soalheiro do vento desconhecido.
unem-se para viajar ao uno!

só o impuro será puro!
em ervas altas e savanas douradas.
depois do amadurecer prateado,
em luas suspensas ou em fios purificados,
pela peregrinação no florescer da vida.

há entidades soltas,
auto-criadas em si
e constantes na omnipresença.
há veias inspiradoras,
simples elos que fazem o verde.
só assim se multiplicam os camaleões da natureza.
e são tantos! distintos.
com cores em tempos diferentes.

na neve a brancura é imaculada.
nada a invade. até o calor é devolvido,
depois de arrefecido em névoas intactas,
num beijo rejuvenescido,
profundamente sentido,
numa etapa que se refaz em amor,
pois tudo tem um papel determinado.

manifestações traduzidas em plural,
as subtilezas pequeníssimas são imensas!
todo o conjunto é singular.
e conjugável!
em si e entre si,
para que a diversidade se suceda.
assim,
não há mundo. há mundos!
não há vidas. há vida!

e o inverso também se verifica.
o todo é um ciclo evolutivo.
de vida e morte. de continua existência.
a que qualquer entidade se submete e se renova.
e acontecem minutos para a morte
como já anteriormente os houve em ser.

as lembranças permanecem o condão.
aguardando o reencontro com o espírito
no confronto da pressão e do tempo.
vislumbra-se aí o quão profunda é a eternidade.
e nada está fechado,
pois quando o corpo sucumbir abrir-se-á ao pleno
e será subtil e pequeno.
como deve ser! para ser em luz, em beleza, em pureza

por isso,
as ondas vibratórias na harmonia do cosmos
são subtilezas pequeníssimas.
permanentes demonstrações de louvor.
percebe-se que o princípio criador do todo é a desigualdade.
nenhuma vida é igual!
logo, qualquer uma é especial.

e o amor é o elo vital que nos une
no respeito por outras vidas.
e o amor que temos por algumas é superior.

sem vida não há amor e sem amor não há respeito à vida.

ser! amor! vida!
pela expressão de pequenas subtilezas.

 

in Diálogos, Epístolas Inertes

8 responses

  1. Sensacional, Vicente!

    As sutilezas que em ato de louvor, mantém o ser individual e único. Como na natureza, só o amor salva e compõe o quadro divino do cosmos.

    Parabéns, POETA!

    Pelo belo poema e pelo Dia do Poeta!

    Beijos!

    Mirze

    Outubro 21, 2010 às 01:40

  2. Maria Antónia Moreira Anacleto Pereira Leite

    “…só o impuro será puro!
    em ervas altas e savanas douradas.
    depois do amadurecer prateado,
    em luas suspensas ou em fios purificados,
    pela peregrinação no florescer da vida…

    ….sem vida não há amor e sem amor não há respeito à vida.”

    Parabéns querido Vicente por estes argumentos
    tão conclusivos da natureza e do amor….

    Outubro 21, 2010 às 17:05

  3. João Morais

    Este é um dos mais belos poemas do livro.

    Abraço

    João

    Outubro 22, 2010 às 22:31

  4. Eduarda Costa Pinto

    “percebe-se que o princípio criador do todo é a desigualdade.
    nenhuma vida é igual!
    logo, qualquer uma é especial.”

    Uma verdade universal.

    Belo!

    Eduarda

    Outubro 24, 2010 às 22:16

  5. I

    O que eu costumo chamar de “especialidade do denominador comum”!

    Outubro 24, 2010 às 23:49

  6. Jorge Eduardo

    Subtilezas … espantosas!

    Outubro 26, 2010 às 10:29

  7. catarina Rodrigues

    Maravilhosa a conjugação das palavras que usas com uma enorme riqueza do imenso cenário imaginário com que me deparei ao ler cada estrofe🙂 “e o amor é o elo vital que nos une
    no respeito por outras vidas…

    sem vida não há amor e sem amor não há respeito à vida.

    ser! amor! vida!
    pela expressão de pequenas subtilezas.”

    Belissímo!
    Beijinhos!

    Outubro 30, 2010 às 23:40

  8. Margarida

    “(…) as lembranças permanecem o condão.
    aguardando o reencontro com o espírito
    no confronto da pressão e do tempo.
    vislumbra-se aí o quão profunda é a eternidade.
    e nada está fechado,
    pois quando o corpo sucumbir abrir-se-á ao pleno
    e será subtil e pequeno.
    como deve ser! para ser em luz, em beleza, em pureza (…)”

    Palavras como estas serão sempre abertas.

    Margarida

    Outubro 30, 2010 às 23:56

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