Encantamento


clouder, originally uploaded by Ash ..

 

a existência não é garante de dignidade quando o semelhante estremece.
mesmo em dias soalheiros há atitudes levianas.
olhos negam o viver da vida ou a comunhão em sociedade.
e no lar o tempo da paciência é escasso.
a distancia entre os elos aprofunda-se e os filhos chamam nas sombras.
o metal rege!
é conscientemente que se multiplicam as trintas.

perguntas o que é a poesia perante isto?

talvez seja um canto lúgubre?
ou um calendário para meditar o passado?

o todo perfaz o caminho do ser.
mas só nos revemos nos tempos áureos, onde fomos pujança gratuita.
até as lágrimas serão desperdiçadas.
é por isso que os lenços acompanham o futuro.
é por isso que a angústia é a grilheta dos que ficam.

como o tempo se sucede, nenhum espelho é uma superfície plana.
no entanto, existe um sereno aguardar:
a transfiguração do selo do presente

só aí o jogo lúdico da vida estará concluído.
e não haverá revelação. apenas alegria.

7 responses

  1. Belíssimo poema, Vicente!

    A existência, a leviandade, filhos nas sombras, o metal rege.

    Diante disto, a poesia medita e leva ao mundo um tempo de esperança, o selo presente, o sereno aguardar.

    Concluída a revelação, sucede à ela e à filosófica poesia a eterna alegria adulta do verdadeiro existir.

    Parabéns, POETA!

    Beijos

    Mirse

    Abril 13, 2010 às 19:01

  2. Graça Pires

    A poesia está sempre a ser convocada…
    Beijos.

    Abril 15, 2010 às 12:34

  3. Encantamento,
    em entrega à alegria.

    Este poema é espantoso!

    Paulo

    Abril 16, 2010 às 22:31

  4. pin gente

    adorei o adejar dos lenços

    um beijo, vicente

    Abril 19, 2010 às 21:23

  5. Caro amigo,
    com sincera humildade me apresento.
    Sou um jovem poeta brasileiro, ainda aprendiz,
    buscando conhecer esse novo amor que vi nascer em mim,
    este impulso de escrever, criar, comunicar,
    ver a vida com olhos de quem mais tarde,
    pousara os olhos em livros de poesias.

    fredericomartucci.wordpress.com

    PRECISO LHE DIZER

    Porque raios não podemos dizer “eu te amo”

    para alguém que mal conhecemos?

    do amor não entendemos…. o amor se constrói!

    Sim, eu sei… leva tempo e requer intimidade…

    como é preciso em algum momento que este amor brote,

    que germine agora e teste logo essa nossa sorte!

    Não tenho vergonha nem modéstia de dizer,

    que sou um poeta, diferente de tudo no viver.

    Ora tímido, ora determinado a escrever

    uma história que gostaria de ler.

    Que nos fala sobre o amor, o que se constrói

    e o que brota como cogumelo ao amanhecer.

    Poderia escolher ser normal, educado, comedido,

    sem querer comprometer-me…

    Mas preferi escrever poemas, imaginando enlouquecer-te!

    E não me peça para esquecê-la!

    Se você quiser que me esqueça!

    Mas permita-me viver cultivando aquilo que acredito ser…

    a chance de fazer da vida uma vida linda de se viver.

    Precisaria estar morto para esquecer de você!

    Entenda que o poeta enquanto cria, às vezes assusta e preocupa,

    dizem que estás louco… em sua solidão desnuda, escancarada….

    Porque assustam as belas palavras? Se são belas, e quase ninguém fala?

    Porque ser intenso afasta? Se a frieza indiferente é o que quase me mata…

    No dia a dia igual a tantos outros pareceria,

    mas que sentido haveria ser igual a tantos outros no momento que se cria?

    Que sentido haveria dizer : eu te amo! Como tantos outros fariam?

    Se só me restam as palavras para te conquistar, que sejam as mais belas,

    Pois depois do gosto de você na vida, três dias em tua companhia,

    Quem me julgará por dizer “eu te amo” se das belas palavras dependo tanto?

    Abril 22, 2010 às 17:42

  6. Jorge Antunes

    “o todo perfaz o caminho do ser.
    mas só nos revemos nos tempos áureos, onde fomos pujança gratuita.”

    Memórias escolhidas …

    Abril 23, 2010 às 23:11

  7. Maria Antónia Moreira Anacleto Pereira Leite

    “…COMO O TEMPO SE SUCEDE, NENHUM ESPELHO É UMA SUPERFÍCIE PLANA.
    NO ENTANTO, EXISTE UM SERENO AGUARDAR.
    A TRANSFIGURAÇÃO DO SELO DO PRESENTE

    SÓ Aí O JOGO LÚDICO DA VIDA ESTARÁ CONCLUÍDO
    E NÃO HAVERÁ REVELAÇÃO, APENAS ALEGRIA”

    Encanto de poema, Vicente. Parabéns.

    Janeiro 15, 2011 às 17:32

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