Paranóia


The Real Deal!, originally uploaded by ming mong.

 

a potência da impossibilidade faz-se sentir.
e na cabeça cria-se um ramo de constelações
que difundem a loucura ao limiar da imaginação,
eriçando as mandíbulas que usam os filamentos do calçado
como se um bordado em lãs de mármore não fosse um luxo.

pelo caminho iluminam-se os traços da memoria
que combatem furiosamente as metástases da escuridão,
na ofuscante balística dos dedos projectados.
mas a autonomia é curta e a cura é uma demência pontuada
por um utensílio cónico descompassado.

nem a lógica clarifica o delito da ausência de poros
capazes de captar a linha voltaica adscrita ao arrebatar do som.
também nos cilindros impera o mutismo da ferida ressacada.

é então que surge a dúvida: é dia de teste?

todo o universo craniano se revolve, arremessado,
ao sabor dos espasmos dos neurónios surpreendidos:
ah, a fabula animal é uma elegância!
e o instinto é subjugado pela emoção aromática das feramonas,
iludindo o contacto intra-espécie da excitação.

desprezar a capacidade química não é aconselhável.
qualquer estereotipo revelar-se-á inadequado.
no momento da rebelião, só a água acalmará as sinapses
revigorando os influxos que fazem as pontes das margens rachadas.

pode até ser que as membranas se desconectem de propósito.
porém, sentidos que se enclaustrem abrem novas portas
onde a propagação perdura enleio espontaneamente desencadeado,
nos contornos dos estímulos paliativos.

os dedos já o haviam experimentado.
só agora o nervo preguiçoso reage, socorrendo-se da velocidade do pensamento.
mas a combustão degrada a personalidade alimentado a cinza do cérebro.
eis porque a massa cinzenta é um organismo semi-vivo
– gerador de cosmogonias alternativas que decoram o ser conceptual –
que involuntariamente propicia a perdição.

a impotência da possibilidade não é ilusão!
a dúvida entrincheirou-se. todas as tentativas serão frágeis.

excepto para as vastidões inexploradas da paranóia.

10 responses

  1. Maravilhoso poema, onde metáforas se interligam como neurônios cerebrais.

    A ciência é absolutamente clara, não escodendo contudo, a visão poética como um todo.

    “A potência da possibilidade faz-se sentir”
    “aa impotência da possibilidade não é ilusão!”

    A paranóia, encontra´se no centro indubitável da impotência e da memória!

    Simplesmente DIVINO!

    Parabéns, Vicente!

    Beijos

    Mirse

    Março 5, 2010 às 00:42

  2. Esta linha poética é fantástica!

    Obrigado

    Março 6, 2010 às 23:37

  3. “eis porque a massa cinzenta é um organismo semi-vivo
    – gerador de cosmogonias alternativas que decoram o ser conceptual –
    que involuntariamente propicia a perdição.”

    na paranóia, isso pode ser condição.

    A sua escrita poética está a tornar-se deveras singular.

    Paulo

    Março 7, 2010 às 22:26

  4. eu diria que desprezar a tua capacidade de escrita não é aconselhável🙂 beijinhos*

    Março 8, 2010 às 22:26

  5. Pedro Costa

    Na paranóia não há impossibilidades nem possibilidades. Somente percepções.

    Este poema é brilhante!

    Pedro

    Março 9, 2010 às 23:06

  6. maré

    acenderam-se luzes
    potenciando a irreverência
    da impossibilidade.
    potencialmente devastadora
    a capacidade da dúvida

    e a lucidez é uma metáfora
    em ilusórios filamentos
    intrincheirados nos dedos

    ______ beijo Vicente
    obrigado!

    Março 10, 2010 às 23:41

  7. face às “vastidões inexploradas da paranóia
    ,a fabula animal é uma elegância”……

    mas ,entre uma e outra ,prefiro a paranóia ( como mal menor )

    .
    um beijo

    Março 11, 2010 às 19:59

  8. Em primeiro lugar, seus poemas sempre continuam a ocupar primeiro lugar em meu coração!

    Em segundo; deixo aqui, para sua aprovação, uma pequena homenagem feita a voce com todo carinho. Gostaria que me digas se posso publicá-la.

    http://97.74.34.221/ebook_rh/VICENTE_FERREIRA_DA_SILVA.swf

    É só colar o endereço no navegador, dar enter, aguardar um momentinho e clicar na setinha.

    Espero que aprecies, e diga-me se posso publicar em meus blogs.
    Agradeço muito sua amável atenção.
    Beijos,
    Maria Madalena Schuck

    Março 16, 2010 às 23:57

  9. Estimado amigo, vim por aqui que é mais rápido!
    Pode deletar a postagem.
    O livro está corrigido, veja se ficou bem, se gostou da música, etc…
    O endereço da capa é:

    Você copia ela, e depois tem as opções de colocar para ler e também para download, cada um separadamente.

    O endereço para leitura é:

    http://97.74.34.221/ebook_rh/VICENTE_FERREIRA_DA_SILVA.exe

    Para Download é:

    http://97.74.34.221/ebook_rh/VICENTE_FERREIRA_DA_SILVA.swf

    Vamos fazer assim,
    colocarei no meu blog ‘Meus poemas favoritos”, e você olha como é que fica, se precisar é só deixar um recadinho que venho correndo auxiliar!
    Certo!
    Um super beijão!

    Março 18, 2010 às 01:15

  10. Abigail

    Obrigada

    Maio 29, 2010 às 09:14

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