Vozes d’outros (20)

 

“esculpo a sede: nenhum desígnio será a falência de um astro.
a vertebrar uma rosa tardia sob o corpo
há a distância inconfidente
desde o princípio do espanto
ao arquejo final de uma ave no país das chuvas.
há quem me diga que nascemos fora dos sonhos
e toda a largura do corpo
é o vazio integral onde nenhuma estrela pousa.
digo-lhes que ao corpo de uma lua
reserva-se a projecção das árvores e a multiplicação da luz.
o tempo
é uma fronteira improvável para deter as águas.
haverá sempre uma seiva de maré inconsentida
a redimir a sede: uma fonte nascendo
na jugular do silêncio.”

Luísa Henriques

5 responses

  1. Saciante.🙂

    Fevereiro 7, 2010 às 05:59

  2. Que voz fantástica!

    Fevereiro 8, 2010 às 14:45

  3. OBRIGADO!

    feito de um abraço
    que se estende e se deseja flor

    Fevereiro 9, 2010 às 00:47

  4. Esculpir a sede, e há tantas sedes….

    “haverá sempre uma seiva de maré inconsentida
    a redimir a sede: uma fonte nascendo
    na jugular do silêncio.”

    Maravilhoso!

    Parabéns Luisa Henriques!

    Obrigada por trazer mais uma voz, Vicente!

    Beijos

    Mirse

    Fevereiro 9, 2010 às 11:42

  5. Que poema lindo!

    Acho incrível que não se limite a colocar a sua poesia.
    Obrigado por me ter dado a conhecer esta voz.

    Isabel

    Fevereiro 10, 2010 às 23:20

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