soubesse eu que eras ténue!

 

soubesse eu que eras ténue!
brisa dos cinco elementos.
formada no rompimento dos tecidos humanos
ou em desejos momentâneos.
já idos! em Março.

vislumbrei-te sem halo.
intacta!
como a lua despida ao Outono.
e aceitaste-me com um sorriso de estrelas.

foi no hausto do instante,
inebriado pela miríade dos sentires,
que me deixei,
despercebidamente, sucumbir.
o tempo foi-se, exausto.
e nem sequer, os teus lábios provei.

soubesse eu que eras ténue!
mas não soube.
e despojando-me das vestes artificiais,
fui pregar às areias do vento.

o voo das aves corria no fluir das lágrimas
ou na força vital que pulsa nas artérias,
e foi nas águas do deserto
que reencontrei a dupla hélice da vida.

a lembrança? deixou de estar corrompida.

falhei o teu breve partir.
mas sei-te ténue, sei-te minha.
no profundo das sequóias vermelhas.

  

in Diálogos, Epístolas Inertes

24 responses

  1. Uau!

    Outubro 14, 2008 às 18:35

  2. um belo poema !
    cordialmente__________
    JRmarto

    Outubro 14, 2008 às 23:13

  3. riahnnon

    um beijo em forma de poema

    ( gabriela rocha martins )

    Outubro 15, 2008 às 18:23

  4. o mais belo poema.

    Outubro 16, 2008 às 11:19

  5. É ténue. É breve. Mas é o amor. E é o poema.
    Um abraço.

    Outubro 16, 2008 às 11:25

  6. Tenebrosa

    “vislumbrei-te sem halo.
    intacta!
    como a lua despida ao Outono.” LINDO!!!

    Há palavras que nos transportam. Como dizia o nosso Querido Mário “Entre nós e as palavras o nosso dever de falar”, e eu devo dizer que amo a tua poesia!

    Outubro 17, 2008 às 16:41

  7. Que poema lindo!!!
    Não há mais “Comentários na face da Noite”?

    Outubro 18, 2008 às 15:55

  8. “sei-te ténue. sei-te minha
    no profundo das sequóias vermelhas”.

    Nossa, que poema lindo, que final encantador.

    Outubro 23, 2008 às 18:08

  9. Este poema é fantástico.

    Outubro 25, 2008 às 00:20

  10. Andei a dar uma volta por aqui.
    E gostei do que li.
    😉

    Cumprimentos

    Novembro 7, 2008 às 14:15

  11. Vicente,

    lindos os seus versos.

    Somente a sinceridade e brandura de sentimentos de uma alma cristalina poderiam materializar tamanho lirismo em linguagem.

    Saudações poéticas,

    Hercília Fernandes.

    Novembro 8, 2008 às 02:24

  12. Este poema tira-me a respiração …

    Lindíssimo!

    Dezembro 2, 2008 às 19:53

  13. ICL

    A mais bela expressão do sentir que já li.

    Obrigado, muito obrigado.

    Isabel

    Agosto 19, 2009 às 22:46

  14. Vicente,

    este poema eleva os sentidos ao belo.

    Ana Paula

    Agosto 20, 2009 às 22:45

  15. Belíssimo, Vicente!

    Sempre ou quase sempre é no deserto mais íntimo do ser, que encontramos as respostas que se não curam, aliviam as feridas.

    Janeiro 24, 2010 às 22:51

  16. Brisa sobre a pele.🙂

    Janeiro 26, 2010 às 03:48

  17. soubesse eu
    que a boca é breve
    como o fogo que uma papoila acende

    soubesse eu
    de uma asa mais longa
    sobre o ângulo de um navio

    entenderia o nascer de uma rosa purpúrea
    no deserto
    rompendo os pulsos
    desabrigando a noite.

    _______

    obrigado Vicente

    Janeiro 26, 2010 às 23:36

  18. ah, as sequóias! e o brilho vermelho do amor

    em poema.

    grande abraço
    jorge

    Janeiro 28, 2010 às 02:08

  19. Guida Fortuna

    Lindo, lindo, lindo este poema, Vicente!
    Parabéns!!!

    Depois de o ler, tive de o publicar numa nota no meu facebook, espero q não te importes… a poesia só o é se partilhada, e há momentos do sentir que queremos mesmo dividir com quem amamos:)
    Beijo grande para ti.

    Fevereiro 23, 2010 às 10:31

  20. Tessa

    Este é o poema mais belo que alguma vez já li.

    Vou levá-lo comigo.

    Beijos

    Março 30, 2010 às 12:10

  21. Dina Cristina Flores

    che delicatezza…anche la foto è bella

    Janeiro 16, 2011 às 16:37

  22. EME

    Talvez….o melhor dos melhores.

    Julho 23, 2011 às 00:19

  23. Maria Antónia Anacleto

    Fico sem palavras. Porque não há mesmo palavras. Senti….

    Dezembro 18, 2011 às 23:28

  24. Eme

    Um poema lindissimo amigo Vicente.
    Um beijo enorme

    Novembro 27, 2012 às 12:37

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