Abundância

Sunset on Easter Island, originally uploaded by Leeuwtje.
 

toupeiras metálicas em trilhos despertos.
amarelos! como salamandras ao sol.
ou esculturas perenes,
ausentes da perspectiva visionária,
num sono eléctrico de nuvens estáticas.
onde se formam arquitecturas obliquas.

pendentes brilhantes fazem a época.
mas fractais? só para lá do horizonte,
das cordilheiras, dos ventos.
perguntas se existem imagens nas transparências?
apenas em todos os espelhos negros.

nas névoas constantes,
os mortos remexem a terra!
no sal da terra,
suores escavam rugas!

e solta-se o dragão flamejante dos sonhos.

há quem ouse,
e é verdadeiramente ousado, possuí-los.
os terceiros!
não os próprios. esses não são utopia!

procuram quereres magnéticos para a infância.
como árvores mudas de folhas em chamas.
se fossem azuis eram minhas!

em campos de flutuação frágil,
o grito é matriz solta.
vulnerabilidade perfeita, logo defeituosa!
mas as aparências regem o mundo. e as mães sofrem
enquanto os bastardos que decidem riem.
como se não fosse preciso pão.

condição da humanidade? as dúvidas!
em reminiscência. quais votos em branco.
e vencem qualquer concurso de variedades!
tu sabes. foste premiado.

não há comida grátis!
mas toda a abundância é publicitada.

 

in Diálogos em Epistolas Inertes

11 responses

  1. Neste poema regressa à sua escrita muito própria.

    Sonhos terceiros são utopia. Por isso são desejados.

    Excelente!

    Paulo

    Novembro 9, 2009 às 20:41

  2. não é por acaso que fomos escolhidos como comissário para “Diálogos Com a Ciência”

    fica.me a poesia adiada … e a vontade de estar em ou entre … amanhã TUDO faz

    PRESENTE na ausência COM

    .
    um beijo

    Novembro 10, 2009 às 16:26

  3. O saber poético uniu-se à filosofia e brotou este texto profundo e real.

    Chamou-me à atenção este pequeno destaque:
    “o grito é matriz solta.
    vulnerabilidade perfeita, logo defeituosa!
    mas as aparências regem o mundo. e as mães sofrem
    enquanto os bastardos que decidem riem.
    como se não fosse preciso pão.”

    Vulnerabilidade perfeita, logo defeituosa:

    Fantástico!

    Aplausos, amigo!

    Beijos

    Mirse

    Novembro 10, 2009 às 18:00

  4. A transparência duma sociedade de consumo em poesia. Livre.
    Belo.

    Novembro 11, 2009 às 18:12

  5. Bela expressão para a ilusão da vida em sociedade.

    Rocha

    Novembro 14, 2009 às 23:02

  6. Inatingível

    porque não?

    Novembro 15, 2009 às 19:02

  7. Queiroz

    Este poema é fantástico!
    Onde posso adquirir os Diálogos em Epistolas Inertes?

    Queiroz Ferreira

    Novembro 15, 2009 às 20:33

  8. talvez na transparência se veja a plena realidade das imagens

    um beijo

    Novembro 15, 2009 às 21:52

  9. verdadeiramente Matriz. da arte de bem escrever.

    abraçooooooooooooooooooooooo.

    Novembro 15, 2009 às 22:19

  10. Concordo com o que já aqui disseram.

    Esta linha poética identifica-o e é muito própria.

    Thomaz

    Novembro 17, 2009 às 10:53

  11. Decadência civilizacional?

    A imagem realça o alcance dos seus versos.

    Pedro Costa

    Novembro 18, 2009 às 20:52

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