Vozes d’outros (15)

A CASA

“A minha irmã a trouxe: a foto da casa onde nasci,
como se fora uma gaivota de névoa.
Agora, a casa respira a meias com o longe
que nos separa da infância. As suas raízes
sobrevoam, tão cúmplices, tão subtis,
os nossos corações atordoados de menina.
Do fundo da tarde adivinhamos, sei lá,
o sótão pintado de pretéritas inocências,
a janelinha por onde as bolas de sabão
nos levavam, em estado de sonho,
por lugares que só o imaginário sabe.
Onde está o retrato do medo,
que sabíamos de cor, mesmo sem o olhar?
Onde está a outra menina
que connosco partilhava os frutos
de todas as estações e a quem,
também, chamávamos irmã?
Em vão, esperar a mais perfeita lágrima
para, em nome da sua ausência,
reconstruirmos a casa.”

GRAÇA PIRES

8 responses

  1. Bem haja, Vicente, pela divulgação.
    Um beijo.

    Maio 7, 2009 às 16:42

  2. Uma boa escolha, na minha opinião, quer o poema quer a voz que aqui nos dá.

    Obrigado
    Anabela

    Maio 7, 2009 às 22:31

  3. uma perfeita delícia

    que saboreamos

    gratos//as

    .
    um beijo
    ( dividam.no ,por favor )

    Maio 7, 2009 às 23:59

  4. Mariana

    Poema onde a qualidade e a saudade estão de mãos dadas.

    “Em vão, esperar a mais perfeita lágrima
    para, em nome da sua ausência,
    reconstruirmos a casa.”

    Magnifico!
    Obrigada amigo por nos trazeres tão belo e emocionante poema.

    Beijo

    Maio 8, 2009 às 00:37

  5. reconstruirmos a casa e a poesia, meu amigo.

    a graça pires é realmente fantástica.

    um grande abraço
    jorge vicente

    p.s.
    amigo, se não te importares, vou-te incluir à minha newsletter de poesia.

    Maio 8, 2009 às 18:31

  6. belos versos – repletos de lembranças – gostei!

    Maio 8, 2009 às 22:58

  7. humana, sensível, maravilhosa, a poesia da Graça. obrigada.
    beijos

    Maio 9, 2009 às 16:28

  8. Oi Vicente!

    O poema da Graça Pires, me emocionou às lágrimas!

    Agora recomposto comento como as memórias da infância que ela tão bem retratou se fazem fortes e reais.

    Na minha memória, minha casa de infância tinha portas verdes do tamanho do céu.
    Já adulta, visitando o lugar, decepcionei-me com uma casa normal e portas normais, apenas antigas.

    Graça, Parabéns pela grandeza do poema!

    Vicente, a pescaria foi boa!

    Aplaudo a ambos!

    Beijos

    Mirse

    Junho 4, 2009 às 19:36

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