Vozes d’outros (14)

A CONCHA

 “A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fechada de marés, a sonhos e a lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.

Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.

E telhadosa de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta pelo vento, as salas frias.

A minha casa… Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.”

VITORINO NEMÉSIO (1901-1978)

6 responses

  1. Belo soneto.
    Abraços

    Março 26, 2009 às 12:20

  2. josemarto

    Muito bonito … Grato por trazer aqui nemésio tão esquecido !
    abraço

    ________ JRMARTo

    Março 26, 2009 às 21:08

  3. que bom é ler Nemésio! há tanto tempo…
    beijos

    Março 26, 2009 às 22:19

  4. A nossa casa, família, é o nosso refúgio… a nossa concha.
    Tanto mais a desejamos quanto mais fora estivermos.

    Bjs

    Março 27, 2009 às 10:44

  5. Oi! Tem outro selo pra você no meu blog, passa lá… Abraços!

    http://edisongil.blogspot.com/

    Março 28, 2009 às 18:10

  6. Maria Antónia Moreira Anacleto Pereira Leite

    Que saudades eu tenho das palavras tão sábias do Vitorino Nemésio. Obrigada, Vicente pelo que li. Sinto-me enriquecida e feliz…
    “…A minha casa…
    Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
    Sentado numa pedra de memòria.”

    Fevereiro 16, 2011 às 17:51

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