Poetas do Silêncio

Sao Pedro 1137

 

Uns, são mudos.
Outros, não são ouvidos.
Alguns, duns, certamente o serão.
Outros, doutros, possivelmente não.

Há os que tudo falam e nada dizem
e há os que tudo dizem e nada falam.
Pelo menos, enquanto vivos.
Porque mortos, tudo falaram, tudo disseram.

Também sou Poeta!
Não Pessoa. Fernando!
Vivo, nem sequer sou esquecido
porque não sou conhecido.

Também sou Pessoa!
Não Fernando. Poeta!
Mas continuo desconhecido.

No entanto, eu escrevo.
porque nas minhas veias escorre o canto
que liberta as lágrimas da minha pena
e sufoca os soluços do meu coração.

Sou um dos poetas do silêncio!

E em sossego,
esmaeço no esquecimento
pleno de conhecimento

in Espelhos e Outras Faces

15 responses

  1. Susana Moraes

    Cara, vc escreveu um poema bonito pro Pessoa no poemas do mundo. “Não digo nada! (para Fernando Pessoa) é demais. E este aqui também é maravilhoso.

    Maio 12, 2008 às 23:00

  2. Eu adoro essa presença constante do Pessoa na sua pessoa. Talvez seja porque também o trago bem junto de mim.

    “Há os que tudo falam e nada dizem
    e há os que tudo dizem e nada falam.”

    Adorei a forma como brincou com essa dualidade tão comum em todos, e tão despercebida. Ou renegada – vai saber. Mais uma vez o Pessoa estava coberto de razão.

    “Não: não digas nada
    Supor o que dirá
    A sua boca velada
    É ouvi-lo já”

    Quanto a ser desconhecido, não se perturbe por isso. A grande maioria dos Grandes poetas e escritores de um modo geral foi. Com você, talvez, não seja diferente. Mas sinceramente? Não acho que isso seja importante. O mais relevante em tudo é que você “canta porque o instante existe”, ou, como parodiei eu, porque o instante insiste.

    Sinta-se abraçado, carino mio.

    Dezembro 1, 2008 às 13:25

  3. ….Belíssimo poema , Poeta!

    à vous mon coup de chapeau !
    Abraço __________ JRMarto

    Dezembro 1, 2008 às 20:10

  4. Mas a sua voz ouve-se alto por quem quer que o leia. Excelente poema! **

    Dezembro 1, 2008 às 23:41

  5. desta vez é:

    Ó “Dr. House” português, não páras de surpreender. Fantástico poema!

    Dezembro 2, 2008 às 19:43

  6. Não sei se será influência ou homenagem.
    Não tenha dúvidas que a sua voz ouve-se alto.
    Fabuloso

    Dezembro 2, 2008 às 19:44

  7. Obrigado pela partilha! Um grande abraço!!🙂

    Dezembro 3, 2008 às 18:20

  8. Imagem linda.

    E o poema, logo na primeira linha, gela. Faz ansiar a próxima estrofe.

    Dezembro 3, 2008 às 22:05

  9. O tempo.
    Um sopro de recordações!

    Foi assim que entendi este belo pequeno poema.

    Cumprimentos

    Dezembro 4, 2008 às 00:02

  10. Vicente,

    Alguns, duns…
    Outros, doutros…

    Isso é pura ( e bela) dicção lusitana…

    E o velho e bom e “desassossegado” Pessoa teve póstumo reconhecimento… Ah…, língua mal-amada! Que a explosão da literatura em países africanos ( Mia Couto, Pepetela, Ondjaki…) e o estreitamento dos laços luso-brasileiros contribuam para que se dê algum acerto nisso. Há que se dar algum bom uso à internet, também. A “rede” está aí para alguma coisa de útil… Seus textos cósmicos são sabedoria-Vedanta-em-poemas. A física é o esmalte, ou a fresta pela qual se atinge a Visão Ancestral.

    Um abraço, e parabéns!

    Marcelo.

    Dezembro 22, 2008 às 17:09

  11. Pode ser um poeta do silêncio, mas os seus versos ecoam bem forte.

    Belíssimo poema!

    Victor

    Março 8, 2009 às 23:02

  12. Lindo silêncio em Fernando Pessoa!

    Você já é lembrado, Vicente!

    E outros tantos poetas…

    Parabéns, amigo!

    Maravilha de poema!

    Beijos

    Mirse

    Junho 4, 2009 às 19:51

  13. Sol

    Adoro o Grande Pessoa, Poeta!
    Adoro grandes pessoas, poetas!
    Adoro a sensibilidade da poesia e o encanto
    de tudo que elas “agitam em silêncios”, onde a alma conversa de alma pra alma, onde as madrugadas férteis encontram sentidos em pessoas e numa especial Grande Pessoa que
    transpõe do Cosmos o melhor sinal de bem viver. Bem querer portanto.

    Agradeço e deixo em link para meus amigos
    http://www.sollk.multiply.com
    Bem vindo!

    Sol *Brasil

    Setembro 20, 2009 às 03:13

  14. Maria Antónia Moreira Anacleto Pereira Leite

    “…eu escrevo
    porque nas minhas veias escorre o canto
    que liberta as lágrimas da minha pena
    e sufoca os soluços do meu coração.

    Sou um dos poetas do silêncio!”

    Não és um dos poetas do silêncio. As tuas palavras ecoam bem alto nas nossas almas… os teus poemas dizem tanto, porque dizem tudo.
    Tu és um poeta NOTÁVEL.

    Setembro 26, 2010 às 17:59

  15. Este é um dos poemas mais belos que já li.

    Março 24, 2011 às 23:36

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