Cibernautas

não sei o que te fez desistir.

pergunto-me porquê?

  

foste uma esperança de realidade

num mundo de virtualidade.

tocaste-me. e de duas maneiras, pois

tão depressa me inspiraste como logo me destruíste.

  

ela – a esperança – ainda existe,

mas moribunda.

  

tudo o queria era sentir-te.

ter-te,

sem que fosses intangível.

  

procurava transformar

o efémero no eterno, o virtual no real.

provar que

a eternidade humana, se não é divina,

pode ser infinita.

  

e assim,

contigo, o meu “teu”

apenas,

viver.

 

 

 

in Geografia e outras Circunstâncias 

10 responses

  1. Olá Vicente.

    Sua poesia é tão envolvente que não se consegue parar de lê-la. Delicadeza na forma, riqueza nas contextualizações = Fino Lirismo.

    Muito bom poeta!

    Hercília Fernandes.

    Novembro 3, 2008 às 01:17

  2. Outro bom poema.
    Abraços

    Novembro 3, 2008 às 01:37

  3. O desencontro. A solidão. O poema a dizê-los.
    Um abraço.

    Novembro 3, 2008 às 14:15

  4. Muito além do desencontro e da solidão que fala Graça Pires, o pulsar descompassado diante de algo, como o próprio poema diz, intangível, porém muito desejado, é assustador.

    É triste imaginar a possibilidade de alguém dentro de uma situação dessas. Mas a possível reciprocidade entre ambos que separam-se pela tela fria do computador, atribui uma esféra altamente poética a tudo. Altamente esperançosa naquilo que se deveria mais acreditar: no amor. Não necessariamente no amor entre um homem e uma mulher, mas o que une um ser ao outro pelo simples fato dele ser demasiado humano.

    “Sentir? Sinta quem lê!”

    Um beijo, carino.

    Novembro 3, 2008 às 14:53

  5. viver sem parar, sem desistir, porque se vive

    Novembro 3, 2008 às 18:18

  6. No ciclo das marés

    resistir

    antes que a alma nos doa

    Novembro 4, 2008 às 00:47

  7. Júlia Ribeiroj

    “provar que
    a eternidade humana, se não é divina,
    pode ser infinita ”

    só mesmo tarefa de poeta ! E que desassossego nos traz!

    Júlia

    Novembro 4, 2008 às 02:14

  8. Desistir … por vezes é o caminho mais fácil. O menos doloroso. Pelo menos num curto espaço de tempo.
    Beijito.

    Novembro 4, 2008 às 19:23

  9. Um poema muito bonito, profundamente interiorizado, que nos enleva a todos nós, leitores deste espaço, na sua essência caracterizado por uma expressão poética intimista que o poeta se propõe compartilhar connosco.

    Novembro 4, 2008 às 22:46

  10. Belíssimo poema !
    um prazer de leitura redobrada !!!
    Cordialmente__________________
    JRMarto

    Novembro 5, 2008 às 00:21

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