barragens de luz irrompem das membranas da terra,
anunciando a pálpebra do dia.
e a penumbra desce à limpidez do leito lunar,
no dardejar do passado escondido.
atendendo às brisas dos jardins inocentes,
as pedras são poros que ascendem serenos.
mas há pedidos irrecusáveis!
tão poderosos como o ar que se respira.
e na transição,
aguarda um vento agridoce que alisa o eclodir das carótidas,
suavizando o dispersar da seiva existencial
e amainando o pulsar que vibra nos espelhos.
é nesta ligação que se formam os arquipélagos de nuvens,
a última camada doce que anuncia a orla da densa imensidão.
ocres, verdes, azuis e negras,
as camadas são membranas em si.
um ciclo elegante,
onde se rompe a noite e se rasga a luz,
na enunciação do tempo imemorial.
e acontecem músculos cansados.
exauridos pelo drenar da brandura íntima
na cedência do veio de energia aos lábios do desejo.
só assim se liberta o grito púrpura do horizonte
e se arejam as convulsões encerradas nos quartos antigos.
é então que as labaredas insuflam o crescente
e o abraço magnético devolve a gravidade às pedras
enquanto as crepitações ressoam no eco das arenas vazias.
a oclusão dos caminhos emerge na linha da raiz
formando a força da áscua terrena,
renegando a inexistência causal dos elementos,
libertando as sementes em chama ao abraço da criação.
terra, ar, fogo e água!
mantos puros que dão vida,
vestes de luz que envolvem o atravessar do destino.
mas só nas ondas de menta fresca se elevam os portais.
no mar,
vive a alma feminina.
a água é a sua expressão.
o desejo é uma orla onde se colhem os sonhos!
o meu é ser na face dourada onde se renovam túnicas de aljôfar,
pela lágrima nos tempos, utopia em luz.

Julho 15, 2009 at 12:24
“ocres, verdes, azuis e negras”
é bonito, vicente!
onde é que eu já vi estas cores coordenadas?
um beijo
luísa
Julho 15, 2009 at 18:05
“no mar vive a alma feminina.
a água é a sua expressão.”
lindíssima imagem a que a fotografia confere toda a legitimidade ao poema
( tinha saudades de te ler/ouvir ,Poeta )
.
um beijo
Julho 15, 2009 at 23:14
Belo!
Quero ser nesta Utopia da Luz.
Alexandra
Julho 16, 2009 at 23:48
Ventos de inspiração em águas sagradas.
Hélder
Julho 18, 2009 at 03:53
mar feminino
a…mar
a…mãe
alma da terra…
abraço
PAZ e LUZ
Julho 22, 2009 at 00:20
Belíssimo Vicente!
Barragens de luz irrompem as membranas da terra.
Dá para sentir a alma feminina como parte do elemento água.
Você cita os quatro elementos, mas focaliza, onde se colhem os desejos.
Brilhante!
Aplausos!
Mirse
Julho 23, 2009 at 20:33
um poema em verdadeira sintonia com a foto.
gostei muito.
um beijo