A CONCHA
“A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fechada de marés, a sonhos e a lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.
Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.
E telhadosa de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta pelo vento, as salas frias.
A minha casa… Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.”
VITORINO NEMÉSIO (1901-1978)
Março 26, 2009 at 12:20
Belo soneto.
Abraços
Março 26, 2009 at 21:08
Muito bonito … Grato por trazer aqui nemésio tão esquecido !
abraço
________ JRMARTo
Março 26, 2009 at 22:19
que bom é ler Nemésio! há tanto tempo…
beijos
Março 27, 2009 at 10:44
A nossa casa, família, é o nosso refúgio… a nossa concha.
Tanto mais a desejamos quanto mais fora estivermos.
Bjs
Março 28, 2009 at 18:10
Oi! Tem outro selo pra você no meu blog, passa lá… Abraços!
http://edisongil.blogspot.com/