falas de mulheres. de faces rosadas.
de mães e de gotas de água. de
batentes em semblantes sem tempo.
de fios umbilicais e de amor.
somente! sem nada por dentro.
falas de naturezas intrínsecas e
de imagens que alimentam. o informe!
de coisas mais altas. de pálpebras que
levitam em escafandros interiores. de
poços de petróleo invasores.
falas de orvalhos em flechas.
de pêlos sedosos e de ervas abertas. de
morte em pétalas puras. extasiadas.
de espinhos em cantos frios.
distantes e sozinhos. ou mudos!
falas de lembrança. em tudo!
de carne feroz em cítaras descidas. de
folhas inspiradoras como páginas brancas.
em estios enormes. recuados. inteiros.
em superlativos antigos.
falas de ausências deslocadas. de
sumptuosos vestidos em bailes sonhados.
de danças sem partitura. de breves
infâncias e titânicas investiduras.
de limalhas em artérias. absortas!
falas de pedregulhos púrpura. de
trevas escorregadias em idades sufocadas.
de uns tantos vivos em léxico. desnudos!
ao largo da fronteira da inspiração oca
curta. em luz de estações fluviais.
falas de meteoros.
(são belos os espasmos da criação!)
e também de cometas.
(são arados! que tratam do campo de estrelas.
resquícios do caos primordial, onde
apenas se manifesta autêntica liberdade).
falas de actos absolutos. mas
não existe absoluto. só evolução!
e falas de teorias.
todas o são. sem dúvida!
porém, a verdade é esta:
o universo nasceu para sucumbir!
toda a energia se esgota.
toda a vida deixa de o ser.
o milagre é a multiplicação das formas.
enquanto é. ou for. pois outra das certezas é
que o tempo não é humano.
só aqui reside a dádiva dos desígnios. maiores!
e no cânone?
apenas chamas transparentes.
realmente, a faca não corta o fogo.
só a mão que a empunha o faz!
eu?
falo-te dum simples abraço.
in Odes & Homenagens
Março 3, 2009 at 17:24
Muito bom, Vicente.
Gostei muito.
Abração
Março 3, 2009 at 19:55
Uma bela homenagem!
Março 3, 2009 at 22:14
Absolutamente extraordinário, um grande , grande poema este , leio -o e releio ….
Um abraço Poeta !
__________ JRMARTO
Março 4, 2009 at 13:11
O equilíbrio das danças através das armadilhas.
Março 4, 2009 at 23:15
Sim, os abraços são melhores do que todas as palavras que possam ser ditas.
Poema muito belo!
Fa
Março 5, 2009 at 22:04
um belíssimo poema. na verdade, tu falas do essencial.
beijos
Março 6, 2009 at 23:19
No repartir duma visão própria, uma grande homenagem.
Excelente poema!
Março 8, 2009 at 23:57
Um abraço, no amor às palavras.
Obrigado
António
Julho 26, 2009 at 19:33
chama
viva
[ondula
dentro
da voz]
*abraço*