falas de mulheres. de faces rosadas.

de mães e de gotas de água. de

batentes em semblantes sem tempo.

de fios umbilicais e de amor.

somente! sem nada por dentro.

 

falas de naturezas intrínsecas e

de imagens que alimentam. o informe!

de coisas mais altas. de pálpebras que

levitam em escafandros interiores. de

poços de petróleo invasores.

 

falas de orvalhos em flechas.

de pêlos sedosos e de ervas abertas. de

morte em pétalas puras. extasiadas.

de espinhos em cantos frios.

distantes e sozinhos. ou mudos!

 

falas de lembrança. em tudo!

de carne feroz em cítaras descidas. de

folhas inspiradoras como páginas brancas.

em estios enormes. recuados. inteiros.

em superlativos antigos.

 

falas de ausências deslocadas. de

sumptuosos vestidos em bailes sonhados.

de danças sem partitura. de breves

infâncias e titânicas investiduras.

de limalhas em artérias. absortas!

 

falas de pedregulhos púrpura. de

trevas escorregadias em idades sufocadas.

de uns tantos vivos em léxico. desnudos!

ao largo da fronteira da inspiração oca

curta. em luz de estações fluviais.

 

falas de meteoros.

(são belos os espasmos da criação!)

e também de cometas.

(são arados! que tratam do campo de estrelas.

resquícios do caos primordial, onde

apenas se manifesta autêntica liberdade).

 

falas de actos absolutos. mas

não existe absoluto. só evolução!

 

e falas de teorias.

todas o são. sem dúvida!

 

porém, a verdade é esta:

o universo nasceu para sucumbir!

toda a energia se esgota.

toda a vida deixa de o ser.

o milagre é a multiplicação das formas.

enquanto é. ou for. pois outra das certezas é

que o tempo não é humano.

só aqui reside a dádiva dos desígnios. maiores!

 

e no cânone?

apenas chamas transparentes.

realmente, a faca não corta o fogo.

só a mão que a empunha o faz!

 

eu?

falo-te dum simples abraço.

 

  

 

in Odes & Homenagens